Questões de A Política (Filosofia)

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A crítica histórico-materialista – de autores como David Harvey e Frederic Jamenson – ao pós-modernismo propõe que as transformações culturais e estéticas associadas a esse termo não devem ser compreendidas de forma isolada ou autônoma, mas como manifestações ideológicas de mudanças estruturais no capitalismo. Com base nessa perspectiva, analise as afirmações a seguir:

1. O pós-modernismo é interpretado como a face cultural de um regime de acumulação marcado pela flexibilidade produtiva, fragmentação do consumo, obsolescência acelerada e deslocamento dos centros de decisão econômica.
2. A cultura contemporânea passa a privilegiar a repetição de estilos e a combinação superficial de signos, suprimindo o aprofundamento histórico e a crítica social em favor de uma lógica de mercado voltada ao consumo de imagens.
3. A pluralidade estética, a diversidade de linguagens e a quebra de hierarquias culturais são vistas, nessa abordagem, como fenômenos genuinamente emancipatórios e desvinculados das dinâmicas do capital.
4. A substituição da temporalidade narrativa por uma simultaneidade espacial e fragmentada reflete não apenas uma mudança de gosto artístico, mas uma reorganização da experiência social sob a lógica da circulação rápida de mercadorias e signos.
5. A estetização da vida cotidiana, a mercantilização da diferença e a dissolução das fronteiras entre arte e publicidade integram um processo de neutralização política das formas culturais.

O resultado da somatória dos números correspondentes às afirmações corretas é:

  • A 10.
  • B 12.
  • C 13.
  • D 14.
  • E 15.

Com base na concepção de “poder”, do filósofo Michel Foucault, analise o trecho a seguir:

Para Michel Foucault, o poder não é uma entidade unitária, nem um bem a ser possuído, mas uma relação histórica, contingente e ____________, que se exerce entre sujeitos e se manifesta em práticas, discursos e instituições. Ao invés de se localizar exclusivamente no ____________, o poder circula em múltiplos pontos do corpo social, configurando uma rede dinâmica de ações sobre ações. Por isso, não pode ser reduzido apenas à função de repressão: ele é também ____________, pois produz saberes, verdades e subjetividades. A análise do poder, nesse sentido, exige a consideração de suas condições de emergência, seus instrumentos, seus campos de aplicação e os efeitos que produz em uma dada ____________ ao deslocar o foco da soberania para os dispositivos disciplinares e biopolíticos.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

  • A relacional – Estado – produtivo – época
  • B universal – Estado – simbólico – estrutura
  • C imutável – Direito – alienante – ideologia
  • D transcendental – governo – coercitivo – legalidade
  • E hierárquica – Direito – repressivo – instituição

No passo 558 b/c da República, Platão escreve:

“E a indulgência, não a mesquinharia, qualquer que seja, e o desprezo de tudo que tão seriamente dizíamos quando estávamos fundando a cidade, isto é, quando dizíamos que, a menos que tenha uma natureza superior, jamais será um homem bom quem, já desde a infância, não tenha brincado no meio de coisas belas e só se tenha ocupado com belas atividades? Com que soberba a democracia calca aos pés tudo isso, sem preocupar-se com que estudos se preparou quem busca a prática da política, enquanto, para conceder-lhe honras, basta que seja benevolente com o povo.”
(PLATÃO. A República. Tradução de Anna Lia Amaral de Almeida Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006, pp 327 - 328.).

No fragmento, há uma crítica baseada na noção de que a democracia desconsidera

  • A a organização política que tem o poder de determinar papéis sociais aos cidadãos.
  • B o fato de que a alma justa é a mais feliz possível e, consequentemente, mais benevolente.
  • C a parte racional da alma que tem também desejos próprios e deve ser governada.
  • D o entendimento de que os seres humanos, individualmente, não são autossuficientes.

Considere o fragmento a seguir.

“Uma vez que as ideias dominantes são separadas dos indivíduos dominantes e, sobretudo, das relações que brotam de uma fase dada do modo de produção - e disso resulta o fato de que em toda a história o aspecto dominante é sempre o pensamento.”

(MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. Tradução de Marcelo Backes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. p. 73).

No fragmento, a noção de que “o aspecto dominante é sempre o pensamento” indica que, para Marx e Engels, a ideologia atua

  • A apresentando o interesse particular de uma classe como se fosse um interesse universal.
  • B como a expressão de uma crítica à autodeterminação do conceito tomada como mera ideia.
  • C deixando evidente o caráter ilusório da aparência mística do conceito que determina a si mesmo.
  • D permitindo que se identifique o seu próprio caráter semiótico, deixando clara sua base linguística.

Considere o excerto a seguir.

“[...] numa primeira fase o invasor instala sua dominação, estabelece firmemente sua autoridade. O grupo social submetido econômica e militarmente é desumanizado segundo um método polidimensional. Exploração, torturas, pilhagens, racismo, assassinatos coletivos, opressão racional se revezam em diferentes níveis para literalmente fazer do autóctone um objeto nas mãos da nação ocupante.”
(FANON; Frantz. Por uma revolução africana: textos políticos. Tradução de Carlos Alberto de Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2021, p. 74).

Esse excerto da obra de Frantz Fanon faz referência ao estágio de exercício do poder colonial conhecido como

  • A colonialismo clássico com seu fundamento teológico.
  • B racismo vulgar em sua forma biológica.
  • C racismo científico baseado na ideia de eugenia.
  • D colonialismo moderno e suas formas de controle ideológico.