Resumo de História - Crise dos Mísseis

Entenda como se deu esse capítulo da história mundial


Crise dos Mísseis é como ficou conhecido o episódio da história mundial que envolveu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), os Estados Unidos e Cuba. Por conta dela, durante o período compreendido entre os dias 14 e 28 de outubro de 1962, o mundo viveu a iminência de uma guerra nuclear. Em verdade, o medo de que houvesse uma nova guerra já existia devido a tensão existente entre a URSS e os EUA.
Contudo, a descoberta de mísseis soviéticos em Cuba acirrou ainda mais o conflito entre as potencias mundiais que rivalizavam na chamada Guerra Fria. Desse modo, para entendermos os fatores que desencadearam a Crise dos Mísseis, precisamos compreender contextualizar o cenário mundial existente naquele período, em especial, a corrida armamentista, que caracterizou o conflito velado entre a nação socialista e a capitalista.

Contexto histórico


Durante a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética eram aliadas na luta contra as Potências do Eixo, nomeadamente, Itália, Alemanha e Japão. O conflito terminou com uma grande demonstração de poder bélico por parte dos EUA, que disparou duas bombas atômicas contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Anos depois do fim do Segunda Guerra Mundial, o conflito de interesses político-ideológicos fez com que as antigas aliadas se tornassem rivais.
Alguns historiadores consideram que o discurso do presidente norte-americano, Harry Truman, em que ele solicitou verba para combater o socialismo na Europa e afirmou ser dever dos americanos impedir o avanço da influência da URSS, marcou o início da Guerra Fria. Esse discurso foi proferido no Congresso, no ano de 1947.
A partir desse momento, a tensão entre essas potências resultou em uma polarização mundial entre socialismo e capitalismo. Além disso, em busca de demonstrar superioridade econômica, política e científica, as nações fizeram uma corrida espacial e uma corrida armamentista. É sobre esta última que precisamos nos debruçar para entendermos a Crise dos Mísseis.
Antes, contudo, precisamos inserir Cuba nessa história. E, para isso, temos que falar sobre a Revolução Cubana, episódio que marca a adesão do país latino ao socialismo como sistema político e econômico. Durante a Revolução Cubana, os revolucionários Fidel Castro e Che Guevara fizeram a deposição do presidente Fulgêncio Batista.
Em seguida, Fidel criou o Partido Comunista de Cuba e iniciou a aproximação da ilha caribenha com a União Soviética. Os laços entre os países se solidificaram quando contrarrevolucionários treinados pelo serviço de inteligência americano, CIA, tentaram tomar o poder.
A relação da potência americana com as ações que resultaram na invasão da Baía dos Porcos e, consequente, Batalha de Playa Girón, motivou o governo cubano a ceder território para que a URSS instalasse seus mísseis. Esse foi o cenário histórico que desencadeou a Crise dos Mísseis.

Crise dos Mísseis: a sucessão dos acontecimentos

Podemos afirmar que a Crise dos Mísseis, efetivamente, começou no dia 14 de outubro de 1962. Segundo alguns historiadores, foi nesse dia que os aviões de espionagem das Forças Armadas dos EUA descobriram a existência da base de mísseis no território cubano. Os projéteis estavam direcionados para o solo americano e seriam capazes de atingir a cidade de Washington, capital do país, em até 15 minutos, caso fossem disparados.
A presença dos mísseis em Cuba preocupou o governo americano, tanto por conta da posição estratégica em que a ameaça estava situada, quanto pela possibilidade de que o país viesse a sofrer com os mesmos horrores que havia causado nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Diante desse cenário, o presidente John Kennedy agiu com cautela e não atacou a ilha caribenha.
Ele determinou um bloqueio marítimo ao país e iniciou uma série de tratativas com o governo soviético. A ostensiva militar trazia características de preparativos para uma guerra, ao passo em que impedia a entrada de navios na ilha e também contava com controle do espaço aéreo. A URSS também foi vítima do controle aéreo imposto pelos Estados Unidos e era sobrevoada por aviões U-2. A tensão criada por esse cenário foi agravada no dia 27 de outubro, quando um avião americano foi derrubado pela artilharia cubana.
Esse evento foi o momento mais crítico da Crise dos Mísseis e criou o medo mundial de que ele fosse o estopim para uma guerra nuclear. Como você já deve imaginar, a principal reivindicação do governo americano era de que os mísseis fossem retirados do território cubano. Os EUA já haviam provado ao Conselho de Segurança da ONU a existência dos projéteis. Contudo, os países não chegavam a um acordo, pois a URSS também se sentia ameaçada pelos mísseis norte-americanos instalados na Turquia.
No dia 28 de outubro, os países conseguiram chegar a um acordo. A nação soviética se comprometeu a retirar os mísseis instalados na ilha caribenha e abandonar a construção das rampas de lançamento. Para isso, requereu do governo americano o compromisso de que não atacaria Cuba. Alguns historiadores contam que, extraoficialmente, os EUA também se comprometeram em remover os mísseis da Turquia.
Cessada a Crise dos Mísseis, outros acordos diplomáticos importantes foram traçados entre as superpotências. Em 1963, elas acordaram a proibição de testes com armas nucleares, que em 1968 foi convertido no Tratado de Não Proliferação de Armas. Apesar de ter findado de maneira pacífica entre EUA e URSS, Cuba ainda sofre até hoje um bloqueio de relações comerciais, financeiras e econômicas por parte do governo norte-americano.
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