Resumo de História - Cortina de Ferro

Conheça a origem dessa metáfora e como contribuiu para construção do Muro de Berlim


A expressão Cortina de Ferro – criada pelo escritor russo Vasili Rozanov – refere-se à separação estabelecida no Leste Europeu, região controlada pelo antiga União Soviética (US), após o término da Segunda Guerra Mundial.
Apesar da citação no livro “O apocalipse de nosso tempo”, escrito por Rozanov em 1918, essa fala foi popularizada pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill. Durante um discurso nos Estados Unidos, em março de 1946, ele declarou que:
De Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma Cortina de Ferro desceu sobre o continente”. Atrás dessa linha estão todas as capitais dos antigos Estados da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sófia; todas essas cidades famosas e as populações em torno delas estão no que devo chamar de esfera soviética, e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não somente à influência soviética mas também a fortes, e em certos casos crescentes, medidas de controle emitidas de Moscou.

A Cortina de Ferro

Com o fim da segunda grande guerra, a Europa ficou dividida entre duas ideologias políticas e socioeconômicas: capitalismo e socialismo. Enquanto o lado ocidental incentivava a Doutrina Truman – política que pregava a consolidação do sistema capitalista e defesa contra a ameaça socialista – o oriental, governado por Josef Stalin, mantinha a centralização do poder e forte autoritarismo.
O principal objetivo da US era expandir o regime socialista, a começar pelo Leste Europeu. Ao perceber tal intenção, Churchill passou a apoiar a criação de estratégias para conter esse avanço. Uma das iniciativas partiu dos norte-americanos, que ofereceu auxílio financeiro (através do Plano Marshall) para ajudar na reconstrução da Europa, totalmente fragilizada pela guerra.
A mobilização do primeiro-ministro britânico deu o pontapé na chamada Guerra Fria, um vez que determinou o fim da aliança formada entre os Aliados (Reino Unido, França, União Soviética e Estados Unidos) – grupo que derrotara a Alemanha – e iniciou a divisão da Europa.
A fronteira ideológica, chamada de Cortina de Ferro, tornou-se uma realidade a partir de 1949, quando uma barreira composta por cercas de arame farpado, partes de concreto e alarmes fora construída em milhares de quilômetros. A estrutura separava definitivamente o lado capitalista da zona soviética, que dominava a Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária, Ucrânia, Armênia, os países bálticos (Estônia, Lituânia e Letônia) e Cazaquistão.

O Muro de Berlim

Durante a Conferência de Potsdam, que aconteceu entre julho e agosto de 1945, os representantes Harry S. Truman (EUA), Josef Stalin (URSS), Winston Churchill e Clement Attlee (Inglaterra) concordaram em dividir a Alemanha em quatro zonas, sendo a administração por conta dos três países mais a França. A União Soviética, ao suspender uma cerca com 10 metros de largura, acabou ficando com a maior parte, inclusive metade de Berlim.
Como a capital ficou dividida em duas áreas – uma sob controle soviético e outra do bloco ocidental – diversos conflitos ocorreram ao longo dos anos. Em 1948, Stálin decidiu realizar um bloqueio em Berlim, impedindo o acesso dos outros países. Uma grave crise diplomática foi instaurada e muitas pessoas acabaram morrendo de fome.
Um ano depois, graças à interferência ocidental, o bloqueio foi resolvido e houve a divisão da Alemanha em dois Estados: República Federal da Alemanha (ocidente-capitalista) e a República Democrática Alemã (oriente-socialista). No entanto, devido ao financiamento do Plano Marshall, o lado capitalista desenvolveu-se rapidamente. Isso também levou a uma intensa migração de uma parte para a outra. Estima-se que, entre 1952 e 1961, quase três milhões de pessoas fugiram para a República Federal da Alemanha.
Na tentativa de conter os deslocamentos, a Alemanha Oriental deu início a mais um bloqueio e teve aprovação de Moscou para a construção de uma proteção que isolasse o trecho ocidental. Dessa forma, em 13 de agosto de 1961, o Muro de Berlim foi erguido.


A metáfora da Cortina de Ferro resultou no maior símbolo da divisão do mundo. O “escudo antifascista”, que tinha 155 quilômetros de extensão e 4 metros de altura, manteve as duas ideologias antagônicas afastadas durante 28 anos.
A queda
A União Soviética entrou em um série crise econômica na década de 1980. Além dos problemas de escassez de alimentos e aumento na dívida externa, houve a explosão de um reator nuclear em Chernobyl, na Ucrânia, evidenciando o colapso do bloco socialista.
Dois anos depois desse grave acidente, em maio de 1989, os húngaros decidiram remover os 240 quilômetros de arame que os separavam da Áustria, o que significou a primeira brecha na Cortina de Ferro. Enquanto isso, na Polônia, após anos de greve, o sindicato Solidariedade (apoiado pelo Partido Comunista) conquistou vagas no Parlamento. Essa série de movimentos desencadeou diversos protestos em Berlim Oriental e Leipzig, as cidades mais importantes do Leste Europeu.
Diante de tantos acontecimentos, em novembro desse mesmo ano, o porta-voz da porção oriental, Günter Schabowski, anunciou a lei que determinava o término das restrições na fronteira. A notícia de que os novos direitos de circulação entrariam em vigor, imediatamente motivou a ida de milhares de alemães para os postos de controle que vigiavam o muro. No dia 9 de novembro, cinco dias depois do protesto que reuniu meio milhão de pessoas, a estrutura foi derrubada.
Em 3 de dezembro, o líder soviético Mikhail Gorbachev e o então presidente norte-americano, George Bush, divulgaram um comunicado sobre o fim da Guerra Fria. Quase um ano depois, em outubro de 1990, a reunificação da Alemanha foi finalmente oficializada, marcando também a extinção da União Soviética.
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