Resumo de História - Conquista de Ceuta

Episódio deu início a fase dos descobrimentos 


A conquista de Ceuta, cidade atualmente administrada pela Espanha, marcou o começo das grandes expedições marítimas promovidas pela Coroa Portuguesa. Em agosto de 1415, esse importante ponto comercial no norte da África foi dominado em prol da resolução dos problemas econômicos do país e expansão da fé cristã além-mar. 
Apesar da vitória e expectativa de riquezas, já que o local servia de rota para o transporte de ouro, marfim, especiarias e escravos, os planos de D.João I revelaram-se um verdadeiro fracasso. Os constantes ataques muçulmanos e o enfraquecimento do comércio comprometeram ainda mais a situação do país. 

Início das grandes navegações 


Com o término da guerra contra Castela, em 1385, além das dificuldades financeiras que Portugal viria enfrentar, as tentativas de expansão no interior da Europa tornaram-se praticamente impossíveis. Para reverter a desvalorização monetária, recuperar a produção agrícola e a falta de mão de obra, D. João I e seus filhos começaram a buscar alternativas. 
Diante dos impasses em relação ao continente europeu, a decisão mais viável foi a exploração de terras no Mediterrâneo. Os riscos em avançar em direção ao litoral africano eram altos, mas o rei aproveitou-se do apoio da burguesia – que enxergava a chance de ampliar suas posses e títulos – para organizar a primeira expedição militar portuguesa, cujo destino foi mantido em segredo durante alguns anos. 
Segundo historiadores, a Coroa considerou inicialmente a ocupação do Emirado de Granada, reino situado na Península Ibérica. Contudo, em virtude da localização no Estreito de Gibraltar – centro dos encontros entre as caravanas com mercadorias vindas da África e da própria Europa –, a área de Ceuta era a que mais atendia aos interesses econômicos e religiosos. 
Além da questão geográfica, a conquista de Ceuta foi motivada pelos seguintes fatores:
  • Propagação da fé cristã em um território islâmico;
  • Consagração dos filhos do rei como cavaleiros por um feito de guerra, especialmente o Infante D. Henrique;
  • Possibilidade de muitas trocas comerciais, o que favorecia a classe burguesa; 
  • Domínio de novas terras por parte da nobreza e manutenção dos títulos nobiliárquicos;
  • Geração de emprego e renda para o restante da população. 



A conquista de Ceuta

Em julho de 1415, fortalecido pela ampla aprovação dos portugueses, D. João I enviou uma expedição para tomada da região. Com mais de 200 navios e 20 mil soldados, conseguem desembarcar e cercar a cidade somente um mês depois da saída de Lisboa.
Sem nenhuma resistência, logo na primeira noite houve o saqueamento de vários bens. Em seguida, Portugal ordenou a ocupação de 2,7 mil homens, a derrubada das mesquitas para construção de igrejas e a substituição dos símbolos do islamismo pelos cristãos. Tudo isso sob os comandos de D. Pedro Meneses, o primeiro governante oficial. 
Desdobramentos 
A conquista de Ceuta inicialmente foi vitoriosa, mas acabou se transformando em um grande problema para Coroa Portuguesa. Para custear as obras de fortificação, pois a cidade era alvo constante de ataques estimulados pelos mouros, aumentar as tropas de defesa e desenvolver a agricultura, foi preciso recorrer a empréstimos. 
Quase quatro anos depois da sua tomada, os exércitos muçulmanos ainda tentaram reconquistá-la, formando um cerco militar que durou um mês. Diante de tanta instabilidade, as caravanas com mercadorias passaram a mudar os caminhos para desviar de Ceuta, desfazendo também todas as transações comerciais. 
No entanto, mesmo com fracassos, os portugueses continuaram os projetos expansionistas. Em 1419, por exemplo, apropriou-se da Ilha da Madeira e, posteriormente, do arquipélago dos Açores. Era apenas o começo da história de pioneirismo do país, que resultou no descobrimento do Brasil e colonização de países no continente africano. 
O reino português perdeu a posse de Ceuta para os espanhóis em 1668, após assinatura do Tratado de Lisboa e fim da chamada União Ibérica
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