Resumo de História - Conferência de Berlim

Encontro que levou a partilha da África

A conferência de Berlim, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, foi convocada com o objetivo de organizar os projetos de exploração e ocupação do continente africano pelas grandes potências europeias. Proposto pelo chanceler alemão Otto von Bismarck, esse evento reuniu os representantes de 13 países da Europa, dos Estados Unidos e do Império Otomano. 
Embora os europeus já estivessem na região desde o século XV, durante os três meses de discussão foram definidas novas fronteiras e rotas para livre circulação e comércio nos rios Níger e Congo, além do compromisso com o fim da escravidão e tráfico de escravos. 
Como os povos africanos ficaram de fora de todas as decisões, para muitos historiadores esses encontros deram o pontapé inicial nos conflitos internos que viriam a acontecer na África, provocando danos que até hoje não foram solucionados. 

Contexto histórico

A conferência de Berlim foi mais um capítulo do colonialismo, processo de exploração de regiões na África e Ásia a partir do século XIX. O desenvolvimento tecnológico, que possibilitou avanços na geração de energia e nos meios de transporte, e a busca pelo acúmulo de riquezas, levaram as potências econômicas da Europa a procura de novos mercados consumidores e, ao mesmo tempo, áreas de fornecimento de matérias-primas a baixo custo
Foi diante desse cenário que os continentes africano e asiático passaram a fazer parte dos interesses dos países europeus industrializados. No caso da África, por exemplo, as disputas pelo seu controle partiram de três nações: Bélgica, Portugal e França. O primeiro passo foi dado pelos belgas, quando o rei Leopoldo II conseguiu dominar o Congo. Ele foi o responsável pelo assassinato de milhões de nativos. 
A França, que também visava a ocupação do território, logo resolveu tomar posse de Brazzaville – hoje a capital da República do Congo. Tempos depois, ainda expandiu seu poder para República de Guiné e Tunísia. Já Portugal, temendo a perda das suas colônias, reivindicou a unificação entre dois dos seus domínios: Angola e Moçambique.
 
A ideia de ligação entre as colônias deu origem ao “mapa cor-de-rosa”, que defendia o controle de leste a oeste dessas regiões e acreditava que a mudança poderia facilitar o transporte de mercadorias e comércio. A proposta foi recusada pelo Reino Unido e os portugueses foram obrigados a desistir do plano. 
Para evitar mais conflitos diplomáticos, Portugal então idealizou um encontro entre as nações europeias. No entanto, foi a Alemanha que organizou – em 15 de novembro de 1884, a conferência de Berlim. Sob a liderança de Otto von Bismarck, representantes de diferentes nações uniram-se para decidir a ocupação e exploração da África. 



Conferência de Berlim: principais motivações

A conferência de Berlim, que contou com a participação de Portugal, Bélgica, Holanda, Suécia, Rússia, Itália, França, Grã-Bretanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Império Otomano (atual Turquia) e Império Austro- Húngaro (atuais Áustria e Hungria), propunha acabar com a escravidão, garantir a livre navegação de todos os países nas bacias de Níger e Congo, o ideal para o fortalecimento dos seus comércios, e barrar a venda de armas e bebidas alcoólicas para as populações nativas. Além disso, acreditava-se que a ocupação seria um importante meio de disseminação do cristianismo no continente. 
Contudo, essas propostas buscavam esconder o verdadeiro interesse das grandes potências: explorar economicamente a África e dividir os seus territórios, principalmente o Congo – área rica em ouro, carvão, cobre e outras matérias-primas. 
Para os africanos, a conferência de Berlim resultou em diversos problemas sociais, políticos e culturais. Mesmo com a resistência de muitos, os europeus impuseram seus domínios e construíram divisões territoriais que não foram revertidas nem com a independência das colônias africanas, que começou depois da Segunda Guerra Mundial. 
No ano do 125º aniversário da Conferência de Berlim, em 2010, representantes dos países africanos criaram um documento pedindo a reparação dos danos, como a devolução de bens, mas nada foi feito. 

Divisão da África

A conferência de Berlim, finalizada em fevereiro de 1885, permitiu a posse de quase 90% das terras africanas. Os europeus deixaram de lado as características culturais, sociais, étnicas e linguísticas das populações nativas, dividindo o continente de acordo com as suas preferências. Até o início do século XX, as potências controlavam os seguintes regiões:
Grã-Bretanha: suas colônias ficavam na zona que começava no Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, até o Cairo, no Egito. 
França: assumiu as terras ao sul do Saara, na costa ocidental e ilhas no oceano índico. 
Portugal: continuou com suas colônias nas regiões de Cabo Verde, são Tomé e Príncipe, Guiné, Angola e Moçambique.
Espanha: manteve seus domínios no norte da África e na costa ocidental. 
Alemanha: adquiriu terras na costa atlântica, onde atualmente encontra-se Camarões e Namíbia, e na costa índica, atuais Quênia e Tanzânia. 
Itália: ocupou por um tempo a Somália e Eritreia. Tentou tomar posse da Etiópia, porém não teve sucesso.
Bélgica: controlou a parte central do continente africano, na área que remete ao Congo e Ruanda.
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