Resumo de História - Confederação dos Tamoios

Uma aliança entre indígenas 

A Confederação dos Tamoios foi um entre os muitos acontecimentos marcantes da História do Brasil. Caracterizado como um movimento de resistência, a confederação foi chefiada por líderes indígenas do Litoral Norte paulista e sul fluminense. Juntos, eles organizaram uma revolta contra os colonos portugueses, que além de explorar o território, buscavam escravizar a mão de obra indígena. 
A Confederação dos Tamoios ocorreu entre 1554 e 1567 e reuniu diversos caciques. Todo o episódio é marcado por uma série de eventos: acordos, casamentos, conflitos intensos, fugas, mortes e escravidão. Para entender sua origem e como esses acontecimentos se desenrolaram, continue a leitura!

Causas da Confederação dos Tamoios

Quando as primeiras grandes navegações desembarcaram no Brasil, não encontraram por aqui um território despovoado, mas ocupados por ameríndios, nativos que habitavam no país há muitos anos. 
Com a chegada dos europeus muita coisa mudou. Pode-se dizer que o primeiro impacto sentido pelos índios brasileiros foi relacionado às questões sanitárias. Muitos indígenas morreram por causa das doenças trazidas pelos povos da Europa. O tempo que os colonos passavam nos navios e as péssimas condições de higiene durante as viagens era um campo propício para a proliferação de doenças e infecções. 
Além disso, a população indígena já sofria com os conflitos internos causados por questões territoriais e culturais. Batalhas que eram travadas entre Tupis e Tupinambás, por exemplo, agora sofriam interferência externa porque muitos indígenas acabavam se aliando aos europeus com o objetivo de destruir seu inimigo. 
Em um outro momento da história, houve a exploração da mão de obra indígena para a extração do pau-brasil e o trabalho de catequização dos padres jesuítas também causou interferências na cultura indígena. Todos esses fatores foram se aglomerando e criando um sentimento de revolta entre os nativos.
Ao contrário do que muita gente pensa, o processo de exploração dos portugueses no Brasil não se deu de forma pacífica. Houve muitas fugas, guerras, e até mesmo o suicídio coletivo foi utilizado como uma forma de resistência entre os indígenas e a Confederação dos Tamoios surge como mais um dos movimentos de revolta.


O início da Confederação


A Confederação dos Tamoios ocorreu entre 1554 e 1567 na época do Brasil Colônia, fase em que o país estava subordinado à metrópole, Portugal. O movimento é considerado como um dos mais importantes exemplos de resistência indígena, sendo formado por diversos chefes do litoral paulista e sul fluminenses e ameríndios do grupo dos Tupinambás, envolvendo os Aimorés, Tupiniquins e Temiminós. 

Quando os europeus vieram ao Brasil, eles buscavam formas de conquistar a aliança e garantir a confiança dos povos originários. Uma das formas de criar laços e se infiltrar nas aldeias para garantir a mão de obra era através do casamento.

Pensando nisso, João Ramalho, amigo de Brás Cubas (governador da Capitania de São Vicente), casou-se com uma indígena do grupo dos Guaianases. Esse povo tinha uma tradição de que quando um português se unia a uma indígena ele passava a fazer parte do grupo. Com a aliança formada, portugueses e Guaianases organizaram um ataque aos tupinambás para escravizá-los.

O chefe do povo, Caiçuru, foi capturado nesse episódio e por conta dos maus tratos que sofreu, ele não sobreviveu. Seu filho e sucessor, Aimberê, assumiu o comando e declarou guerra aos Guaianases e portugueses. Mas ele não fez isso sozinho. Junto com chefes de outros grupos (Araraí, Koakira, Pindobuçu, Cunhambembe, líder dos Tamoios) ele partiu em direção à batalha, assim se formava a Confederação dos Tamoios. 

Na língua dos Tupinambá “Tamuya” quer dizer “o avô, o mais antigo”, por isso recebeu o nome de Confederação dos Tamuya, que os portugueses transformaram em Confederação dos Tamoios. 

Na mesma ocasião, um grupo de franceses de Villegaigon desembarcava no Rio de Janeiro e percebendo que o conflito poderia ser uma oportunidade para combater os portugueses e garantir sua permanência na cidade, se aliaram aos Tupinambás e deram armas a Cunhambebe para lutar contra os portugueses. No meio do conflito, os povos Termiminó também se aliaram aos Tupinambá. 

Infelizmente, por conta do contato com o povo europeu, um surto de doenças se alastrou pelos indígenas, e a epidemia matou centenas de indígenas, inclusive Cunhambebe. Mas Aimberê, que havia tomado a liderança deu continuidade ao conflito. 
Aimberê conseguiu mais uma aliança, agora com o líder Tibiriçá, mas ele não contava com a traição que viria a seguir. O grupo Tibiriçá se aliou aos portugueses e dizimou uma grande parte dos Guaianases. 
A disputa entre esses dois grandes grupos só teve fim em 1567 com a chegada de Estácio de Sá. O militar português expulsou os franceses do Rio de Janeiro e acabou com o conflito. 

A Confederação dos Tamoios sob outra perspectiva


O episódio da Confederação dos Tamoios é caracterizado por no mínimo dois elementos: as alianças feitas entre nativos e colonos, e pela oportunidade encontrada pelos europeus para explorar o território brasileiro. 
De um lado estavam os portugueses (junto aos Tupis) que já haviam se instalado no Brasil e do outro os franceses (com Tupinambás, Guaianases, Goitacases, Aimorés e outros) que haviam fundado a França Antártica e pretendiam colonizar a costa da colônia portuguesa e no interior dessas alianças, cada um tinha seus próprios interesses. 

Portugueses e franceses usavam a oposição dos indígenas para atingir seus objetivos e ao mesmo tempo, os nativos fizeram o mesmo com os europeus. No fim de tudo era portugueses contra franceses e tupinambás contra tupiniquins. A trama da vingança e da conquista territorial vai ditar toda a batalha e no final, uma traição cria um desfecho para a Guerra dos Tamoios

Quem acabou ganhando com a lógica da inimizade foram os portugueses, porque a confederação chegou ao fim através de um acordo de paz mediado por José de Anchieta e Manoel de Nóbrega, e mesmo após a assinatura do tratado, Estácio de Sá vem para a colônia brasileira com a missão de expulsar não só os franceses do Rio de Janeiro, mas também os tamoios. Mas, quando as tropas portuguesas chegaram aqui, os tamoios não foram expulsos, e sim dizimados, o que deixou claro qual era o da metrópole. 

A confederação dos Tamoios foi um episódio muito importante para entender a complexidade social que havia entre os povos indígenas e o quanto o processo de colonização portuguesa teve uma interferência crucial nas dinâmicas desses grupos.
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