Resumo de História - Concílio de Trento

Tinha o propósito de reafirmar as doutrinas do catolicismo


O Concílio de Trento, que teve a duração de 18 anos, foi uma das ações da Igreja Católica para conter o avanço do protestantismo na Europa. Realizado entre os anos de 1545 e 1563, reuniu a alta cúpula de clérigos para discussão de diversos assuntos, como reafirmação da autoridade papal e dos dogmas questionados pelos seguidores da Reforma Protestante, a importância dos santos e Virgem Maria, proibição da leitura de algumas obras, entre outras questões. 

As motivações para o Concílio de Trento 

Entre os concílios – reuniões de caráter religioso organizadas pela Igreja Católica – os clamados ecumênicos são os mais importantes, pois decidem questões dogmáticas (temas relacionados aos princípios e doutrinas da fé católica) e pastorais (meios para conversão de novos fiéis e vigilância diante do comportamento dos que já são cristãos). Com o avanço significativo do protestantismo no século XVI e os seus desdobramentos na política e economia europeia, a igreja viu-se obrigada a promover encontros deste tipo na cidade de Trento, no Tirol italiano. 
A partir de 1517, com a publicação das teses de Martinho Lutero, um série de medidas foram tomadas para restabelecer a imagem da igreja e os valores do catolicismo – período histórico que ficou conhecido como Contrarreforma. Além do Concílio de Trento, convocado pelo papa Paulo III, várias congregações foram criadas para propagação da fé cristã pelo mundo, dentre elas a Companhia de Jesus, cujo fundador foi o Santo Inácio de Loyola
No entanto, segundo historiadores, a reação mais expressiva diante da Reforma Protestante foi a publicação e execução das decisões conciliares. Através da bula papal de 1542, diretrizes baseadas na tradição dos santos e estudos teológicos puderam ser colocados em prática e, como resultado, esperava-se a retomada dos territórios que antes eram católicos. Foi ainda neste momento que o tomismo – doutrina filosófica-cristã criada por Tomás de Aquino e a Inquisição foram instituídos, além das regras voltadas para proibição de determinados livros (“I”). 


Em virtude dos conflitos religiosos na Europa – a exemplo da Guerra dos 30 anos, que foi inicialmente motivada pelas discordâncias entre católicos e protestantes – o Concílio de Trento precisou ser interrompido três vezes. A primeira, em 1547, aconteceu em razão dos embates políticos e religiosos. O retorno ocorreu entre os anos de 1551 e 1552, quando novamente foi suspenso devido à morte dos papas Paulo III e Júlio III. Já a última reunião foi convocada pelo Papa Pio IV e também durou um ano (1562 a 1563). 
No total, foram realizadas 25 sessões plenárias em três períodos distintos. Todas as reuniões entre os clérigos foram promulgadas em sessão pública e a Igreja Católica conseguiu manter-se ativa nos séculos seguintes. 

Quais foram as diretrizes das reuniões ecumênicas?

Durante os 18 anos de Concílio de Trento, muitas decisões foram tomadas em prol da continuidade e renovação da fé católica. Dentre as medidas mais importantes estavam o decreto alegando a supremacia papal e a proibição de interferências por parte dos príncipes nos negócios eclesiásticos. Além desses, destacam-se:
  • Definição de pecado original e indissolubilidade do matrimônio;
  • Manutenção dos setes sacramentos, a exemplo do batismo, eucaristia e a confissão, assim como do celibato clerical;
  • Condenação de práticas abusivas, como a venda de indulgências (perdão);
  • Substituição de celebrações religiosas pelas missas romanas;
  • Fortalecimento do culto aos santos e relíquias católicas; 
  • Reafirmação da existência de um purgatório e da importância dos sacerdotes, santos e Virgem Maria na busca pela salvação;
  • Criação de seminários direcionados para preparação dos futuros clérigos. 
Os primeiros países a concordar com as resoluções do Concílio de Trento foram Portugal, Espanha e Polônia. Demorou alguns anos para que elas fossem finalmente aceitas pelas demais nações, principalmente na França – palco de diversos conflitos entre católicos e protestantes.
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