Resumo de História - Caudilhismo

O Caudilhismo é a execução de tipo de poder político que se caracteriza pela concentração de um povo em volta de um caudilho. Geralmente, eles são lideranças políticas carismáticas relacionadas com as esferas mais tradicionais da sociedade, a exemplo de fazendeiros e militares, baseadas em seu poder de influência.

O caudilhismo retrata uma maneira de exercitar o poder de uma forma que diverge da democracia representativa. Normalmente, os líderes são chamados de caudilhos, porque persistem no governo mais tempo do que o esperado. Muitas vezes, esses líderes são chamados de caudilhos, justamente quando permanecem no governo por mais tempo do que o previsto.

A Origem do Caudilhismo

No caudilhismo não são todos os caudilhos que são ditadores, eles podem praticar uma forte autoridade ligado a autocracia (forma de governo onde há um único detentor do poder político estatal), além de carismática e assim conseguem manter a norma democrática formal.

O caudilho é o chefe principal de um grupo específico de pessoas e geralmente, ele costuma exercer a sua liderança de forma autoritária. A relação interpessoal do líder de caudilhismo com os seus subordinados é bem próxima e afetiva.

Normalmente, os líderes do caudilhismo são originados do meio daqueles que representam as elites mais tradicionais da sociedade, a exemplo dos militares e dos fazendeiros. Entre os caudilhos é habitual uma tendência de perpetuação no poder, seja através de frequentes reeleições ou por meio do mandato permanente.

O carisma de um caudilho, nem sempre se transfere no caso de sua morte, mas pode ser ampliado para os familiares próximos, como cônjuge e os filhos. Um exemplo disso foi o médico haitiano François Duvalier (1907 – 1971) conhecido como “Papa Doc” e o seu filho Jean-Claude Duvalier (1951 – 2014) mais conhecido como “Baby Doc”.

François Duvalier foi eleito presidente do Haiti em setembro de 1957 e ficou no poder até abril de 1971, fundamentado em uma plataforma populista. Ele acabou manipulando as eleições e distorceu a constituição, com objetivo de tornar o seu mandato como presidente, perpétuo.

Já seu filho, Jean-Claude Duvalier, foi o seu sucessor no cargo de presidente da república e considerado um ditador do Haiti. O caudilhismo é um tipo de poder que pode comandar um país inteiro, ou somente uma região ou estado, sistema parecido com o coronelismo, onde a figura de um coronel está acima do poder público – o estado.

Além do contexto latino-americano, houveram caudilhos também em outros lugares, como:

  • África – Idi Amin Dada, foi um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre os anos de 1971 e 1979.
  • EuropaMiklós Horthy de Nagybánya, foi um almirante e estadista húngaro que se tornou regente do reino da Hungria no período entre guerras e durante grande parte da Segunda Guerra Mundial.
  • Espanha – Francisco Franco, foi um militar, chefe de estado e ditador, conhecido como generalíssimo, governou o país espanhol entre os anos de 1939 e 1975.

O caudilhismo é um fenômeno cultural cujo surgimento se deu primeiramente no começo do século XIX, na América do Sul revolucionária. Era uma forma de liderança miliciana, que possuía uma personalidade extremamente carismática e um programa de governo bem populista, com reformas bem genéricas, que buscava uma larga aceitação.

Um caudilhismo eficiente sustentado pela devoção à personalidade. Ele está enraizado na política colonial espanhola com a colaboração das pequenas forças de soldados profissionais e grandes milícias que eram recrutados a partir do povo local, como objetivo de fazer a manutenção da ordem pública.

Os milicianos ocupavam os postos civis, mas de tempos em tempos eram solicitados para realizarem treinamento e inspeção. A Coroa pagava o salário exclusivamente nominal e o prestígio servia como recompensa.

Por causa do foro militar, os milicianos também eram isentos das taxas e atividades comunitárias obrigatórias, prática semelhante à corveia real feudal, havendo ainda a perseguição civil e criminal. Nas regiões afastadas das capitais coloniais, as milícias serviam aos proprietários de terra.

Carisma

No caudilhismo, os seus adeptos praticantes denominados como caudilhos, atribuíam a tarefa de conquista do poder para a sociedade e se posicionavam como líderes. Eles tinham a capacidade de conduzir grandes grupos de pessoas e chamar atenção de multidões diversificadas e motivadas.

No fim da República Romana, indivíduos como: Caio Mário (157 a. C. – 86 a. C.), Caio Júlio César (100 a. C. – 44 a. C.) e Otaviano, conhecido Augusto e nascido como Caio Otávio (63 a. C. – 14), comandaram movimento populistas que tinham laços pessoais com os seus soldados e retomaram os valores romanos, usados com frequência para conseguir apoio ao caudilhismo.

Já na Itália, entre os séculos XIII e XVI, aconteceu um fenômeno parecido, conquistou o poder o condottiere, um líder mercenário que controlava uma milícia, sobre a qual tinha um comando ilimitado, em tempos de falhas das instituições.

Governo

No caudilhismo, o poder era sempre mantido com controle pelas redes de apoio. Essas redes não consentiam qualquer outra estrutura rival e alguns caudilhos tomaram posições anticlericais. Muitos deles se utilizavam do poder recém-conquistado para fazer crescer suas riquezas e satisfazer os seus próprios interesses.

No auge do caudilhismo, a exemplo da Venezuela, o exército nacional acabou se tornando inútil diante dos exércitos pessoais dos caudilhos. No ano de 1872, todas as tropas federais venezuelanas foram totalmente desfeitas.

Classificações

No caudilhismo, existem outras formas de classificar os caudilhos:

  • Caudilhos Esclarecidos: Bolívia – Andrés Santa Cruz, Venezuela – Guzmán Blanco, Paraguai – Carlos Antonio López.
  • Caudilhos Reacionários: Argentina – Juan Manuel de Rosas, Colômbia – Rafael Wenceslao Núñez.
  • Caudilhos Teocráticos: Equador – Gabriel García Moreno, México – Pancho Villa.
  • Caudilhos Sanguinários: Argentina – Juan Facundo Quiroga.
  • Caudilhos Orgiásticos: Bolívia – Mariano Melgarejo.

América do Sul

O caudilhismo que ocorre na região platina da América do Sul, inclui a Argentina com o Vice-Reinado do Rio da Prata e o Uruguai, além da metade sul, na banda oriental do estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

O caudilhismo se desenvolveu nessa região, a partir da necessidade que havia de proteção e organização militar. A região era vítima da rivalidade que existia entre as metrópoles da Espanha e de Portugal.

Não se tratavam de senhores feudais, pois não tinha uma delimitação específica da área reservada para cada caudilho. Essas áreas não eram demarcadas, os indivíduos trabalhavam por conta própria ou então eram contratados, outros seguiam seus líderes por causa do sentimento mítico que eles incitavam, o que os estimulava para uma devoção militar.

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