Resumo de História - Burguesia

Entende-se como burguesia a classe social dominante dos meios de produção e do poder político na sociedade. Ela está diretamente ligada à configuração e formação do capitalismo como sistema econômico.

Essa classe social teve seu surgimento no final da Idade Média e início da Era Moderna com as reconfigurações da sociedade.

Na Idade Média a burguesia era entendida como os habitantes do “burgo”. Os burgos eram cidades medievais habitadas por mercadores que lucravam com o consumo dos indivíduos, os quais faziam parte dos vilarejos que se formavam ao redor dessas cidades.  

Essa forma de lucrar não apenas com o consumo, mas também com a produção do que era consumido, foi um dos pilares importantes de formação da burguesia.

Para o filósofo e sociólogo Karl Marx, a burguesia é a classe social que detém os meios de produção e que por isso é dominante da classe operária.

Surgimento da burguesia

A burguesia surge em meio a importantes acontecimentos históricos como, por exemplo, as mudanças políticas, econômicas e principalmente sociais que aconteceram com a queda das configurações da Idade Média.

A Europa e o mundo passaram a experimentar os efeitos sociais provindos da decadência do feudalismo e da Reforma Protestante, e como esses acontecimentos passaram a reorganizar todas as sociedades.

Nesse contexto surge a Era Moderna e a formação da burguesia. Nesse período, essa nova classe social representava principalmente as liberdades individuais, as liberdades dentro do comércio, além dos direitos dos indivíduos e os de escolha de religião.

A formação das cidades dos burgos se dá com a ampliação das relações comerciais entre os burgueses. A expansão marítima também é um dos fatores que impulsionam essas relações, além das trocas comerciais, bastante presentes nesse período.

Com o fim da Idade Média, novas rotas comerciais foram abertas no Mar Mediterrâneo, o que ajudou mais ainda na ampliação das relações de comércio entre os integrantes dessa classe social recém-formada.

As ideias filosóficas propagadas durante o Renascimento Cultural também contribuíram diretamente para a formação dos burgos. Essas ideias foram fundamentais na desconstrução da pirâmide social vigente naquele período.

A burguesia mudou a relação dos indivíduos nobres e pertencentes do clero na sociedade. Antes, ela fazia parte do povo e conforme foi conquistando espaço, foi tirando os poderes e privilégios dessas classes.

A burguesia e o proletariado

As relações entre a burguesia e o proletariado foram largamente estudas pelos filósofos Karl Marx e Friedrich Engels, e apresentadas para a sociedade através das teorias marxistas e socialistas.

Segundo Marx e Engels, a burguesia e o proletariado são classes completamente distintas e opostas. Os burgueses passaram a dominar completamente os indivíduos proletariados a partir do controle total dos meios de produção.

Isso aconteceu quando a burguesia conseguiu conquistar e dominar os espaços políticos, econômicos e socioculturais que antes eram controlados pelos nobres e pelo clero.

Nas teorias do socialismo e marxismo, o proletariado aparece como a classe dominada, em que os operários e trabalhadores produzem tudo, única e exclusivamente para o lucro dos burgueses.  

O socialismo marxista

O socialismo marxista é uma corrente ideológica desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels. Essa corrente e suas preposições inspiraram várias revoluções sociais pelo mundo, desde o seu surgimento.

No desenvolvimento dessa teoria, Marx e Engels traziam duras críticas ao modos operandi do capitalismo e dos seus desdobramentos. Os filósofos dividiram a sociedade entre burgueses e proletariados, sendo os burgueses os detentores dos meios de produção e do lucro provindo do trabalho dos proletariados.

As ideias dessa corrente foram desenvolvidas durante o século XIX, quando havia uma grande ascensão do capitalismo no mundo, assim como as ideias liberais.

Essa ascensão do capitalismo foi o que também gerou a ascensão da burguesia, que passou a dominar as questões políticas, econômicas, sociais e culturais na sociedade. Isso foi dando aos burgueses cada vez mais o controle das classes mais pobres da sociedade.

Junto a solidificação dos burgueses no controle da sociedade, veio a exploração dos proletariados e do seu trabalho, em prol do lucro.

Essa exploração da mão-de-obra acontecia de forma desumana e injusta. Os lucros que eram gerados a partir da força de trabalho do proletariado, não era repassado de forma correta para a classe.

Esse cenário de injustiça social foi a inspiração para o desenvolvimento da teoria de Marx e Engels, que fundamentalmente acreditavam que esse contexto social não iria ser alterado sem que acontecesse uma revolução das classes oprimidas, com a luta armada.

Essa relação da burguesia controlando os meios de produção e a mão de obra para gerar lucro para si própria é chamada por Marx de mais-valia.

Para Marx, a indignação proveniente dessa exploração poderia gerar uma união de toda classe oprimida e injustiçada na luta de classes. Os indivíduos pertencentes a essa classe poderiam se unir para tomar os meios de produção, controlar o Estado e representar os interesses coletivos. Assim nasce a noção de revolução socialista.

A revolução socialista é uma parte do caminho para chegar até o comunismo, modelo de sociedade que substituiria o capitalismo e derrubaria os burgueses, além de tirar o controle das mãos de poucos.

Esse era o cenário ideal proposto pelos dois filósofos que acreditavam que assim conseguiriam derrubar a dominação e o total controle de uma classe social sobre outra.

A Revolução Russa e a Revolução Cubana foram diretamente influenciadas pelas ideias marxistas, além de outras revoluções pelo mundo que buscavam mais igualdade e justiças para os indivíduos que pertenciam às classes mais pobres da sociedade.

Essa ideologia influenciou e influencia ainda hoje estudiosos e pensadores, principalmente ligados às ciências humanas. Além de influenciar também a formação de outras vertentes políticas e ideais de sociedade, assim como grandes políticos.

Essa corrente também é bastante criticada, principalmente porque sofreu diversas alterações nas tentativas de implementações na história do mundo. Implementações essas que deram errado e causaram grandes desordenamentos.

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