Resumo de História - Anos de chumbo

Os anos de chumbo foram marcados pela intolerância, autoritarismo e disputa política em diversos países. No Brasil, essa expressão é usada justamente para definir o período da Ditadura Militar no Brasil, que teve início nos anos 1960 e durou até o final da década de 1970.

O país vivia em total instabilidade. Logo no início dos anos de chumbo, houveram dois grandes atentados dos militares de esquerda que atacaram instalações militares.

Em paralelo aos ataques de determinados grupos e a um governo que não podia ser questionado, a população clamava por paz e estudiosos como jornalistas, filósofos, músicos e artistas, pensavam em como desfazer o cenário.

Logo no ano de 1968, uma passeata com cem mil pessoas clamou pela liberdade dos presos políticos. Artistas, alunos e revolucionários, foram espancados, mortos e torturados.

Traços marcantes dos anos de chumbo

Ao mesmo tempo em que o Brasil vivia um momento de ascensão econômica durante os anos de chumbo, governantes militares erguiam um sistema repressor, autoritário e cruel.

Campanhas tentavam convencer a população de que o país ia bem, apesar do seu retrocesso em diversos sentidos, como a suspensão dos direitos de ir e vir do cidadão, a diminuição dos direitos humanos e o descarte da liberdade de imprensa.

Enquanto o país vivia um bom momento em alguns aspectos, mais de 13 mil pessoas foram indiciadas em inquérito pela Lei da Segurança Nacional e mais de uma centena foi oficialmente reconhecida anos depois como desaparecidos políticos. 

Não apenas a população comum estava destinada a sofrer agressões e torturas, caso fosse contrária aos ideias dos militares. Apesar de serem figuras públicas, os artistas também não escaparam da violência e repressão.

Em São Paulo, o Comando de Caça aos Comunistas, um grupo paramilitar, invadiu um teatro onde estava em cartaz a peça “Roda Viva” de  Chico Buarque, e espancou os atores. Buarque se destacou na época por compor canções que denunciavam o cenário político do país.  

Entre os aspectos mais marcantes do período estão:

  • A suspensão dos direitos;
  • As pessoas podiam ser presas sem julgamentos;
  • Durante os primeiros dias de prisão, os prisioneiros permaneciam em completo isolamento;
  • Institucionalização da tortura;
  • Proibição de músicas, peças e filmes;
  • Barreira na liberdade de imprensa;

Ditadura Militar no Brasil

O período da Ditadura Militar no Brasil, também conhecido como anos de chumbo, durou vinte e um anos. O primeiro presidente militar foi Castello Branco, que governou de 1964 a 1967, logo depois dos militares retirarem da presidência João Gulart, tido como comunista e eleito democraticamente.

Os AIS foram instituídos para que a base ditatorial fosse construída. Esses decretos de leis davam mais poder aos militares que não aceitavam ser questionados.

O AI-1 cassava os mandatos políticos. O AI-2 fechou todos os partidos políticos que existiam na época, e o AI-3 determinou que as eleições para governadores seriam indiretas.

Em 1967 até 1969, Costa e Silva assumiu a presidência, estremecendo ainda mais as relações entre estudantes e militares. Começaram então os protestos populares, e as ruas lotadas de estudantes e familiares descontentes com o cenário do país.

Ainda nesse período, um estudante chamado Edson Luís foi morto por policiais, por organizar uma manifestação contra a alta do preço da comida. Esse fato revoltou a sociedade, que foi às ruas em um protesto a lembrança do jovem. Cem mil pessoas lotaram as avenidas.

Depois desse protesto, foi instituído o AI-5, que representou o fechamento do Congresso e o fim do Habeas Corpus. Historicamente, nesse momento nasceu os anos de chumbo.

Governos e acontecimentos interligados

Quando Emílio Medici assumiu o governo (1969-1974), uma propaganda forte em cima dos ditadores foi executada. Como o Produto Interno Bruto (PIB) do país estava elevado, foi pregado que o país vivia um milagre econômico, porém apenas uma parte da população sentiu no bolso esse crescimento da economia.

Por causa do forte marketing, o presidente Médici foi o mais popular do período.

Com a crise internacional do petróleo, em 1973, a economia do Brasil declinou e isso fez com que o Governo começasse a perder apoio. Então, um projeto de abertura política começou a ser desenvolvido.

O quarto governante general, Ernesto Geisel (1974-1979), começou a ensaiar uma redemocratização fictícia que fosse segura para os militares. Ele decretou o fim do AI-5, mas implantou o Pacote de Abril, que retrocedeu a esse processo de democratização.

Entre essas medidas, estava a extensão do mandado presidencial de 5 para 6 anos.

Assumindo o governo em 1979, o então presidente João Figueiredo instalou a Lei da Anistia – que permitiu o retorno dos exilados ao país, assegurando que seus diretos como cidadãos fossem restabelecidos. O que parecia favorecer a população, na verdade contava com interesses desconhecidos.

A lei permitiu também que os militares que foram exilados, acusados entre outros crimes por cometer tortura, também retornassem com direitos garantidos. O pluripartidarismo voltou a operar.

Paralelo a um governo que flexibilizou alguns pontos durante os anos de chumbo, existia uma forte resistência tida como Linha Dura. Esses partidários cometeram atos terroristas para enfraquecer o progresso do cenário, como o atentado do Riocentro: explosão de duas bombas no dia do trabalhador.

Eleições diretas e redemocratização

Com as mudanças implantadas pelo último governo, a população ganhou fôlego e voltou a ir às ruas. Cansados da violação de direitos, os brasileiros exigiram o direito de escolher o governante do país. Entre as manifestações, a mais marcante foi as “Diretas Já”.

Mesmo com a pressão popular, as eleições continuaram indiretas. Tancredo Neves (1985) foi escolhido para por fim na Ditadura Militar. Foi eleito, mas faleceu antes de assumir. Com isso, José Sarney deu início ao Governo Civil do Brasil.

Uma contradição foi que o governo de Sarney, político que apoiou o golpe militar, deu início a nova Constituição Democrática Brasileira, em 1988.

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