Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.
SONETO VIII
Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.
Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2
.
Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.
Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.
(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)
1delgado: delicado.
2sobejar: sobrar, ter em excesso.
3afeito: afeto, sentimento.
4grave: pesada.
5assi: assim.
“Que como a grave pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.” (3ª estrofe)
Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte forma:
- A Como a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza.
- B Que a grave pedra, por natureza, tem como desejar o centro da arte.
- C O centro da arte tem que desejar a pedra grave como por natureza.
- D O centro grave da pedra tem, por arte, que desejar como a natureza.
- E Como por arte da natureza, o centro tem que desejar a pedra grave.