Questão 3 Comentada - SES - Médico I - Avança SP (2026)

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Brasileiro, profissão: poeta

De D. Pedro II ao mais obscuro dos cidadãos, é difícil encontrar um brasileiro que nunca tenha cometido, em segredo ou às claras, o seu poeminha lírico, ainda que perdido nas dobras da remota mocidade. Em versos duros ou de pé quebrado, sem inspiração e sem assunto, o soneto é sempre uma tentação para o brilhareco, a que não pode faltar a chave de ouro. Tudo cabe num soneto: graça e desgraça, comédia e tragédia, amor e desamor, oração a Deus e saudação à pátria.
É possível que a profissão de poeta ainda não exista. É até possível que nunca venha a existir como ofício remunerado, como meio de vida. Nem por isso se pode garantir que nunca será regulamentada, depois de legalmente criada, ou definida. Tudo entre nós é motivo de lei, de decreto e de regulamento. Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante? De resto, mais de uma vez já se fez a tentativa de enquadrar, estimular e proteger a poesia, o que em última análise significa estender a proteção do poder público aos poetas.
Academias existem em todos os planos – federal, estadual e municipal. Outras entidades do gênero estão por toda parte, já que em parte nenhuma faltam os poetas. Há quem sustente que o Brasil é a pátria da poesia. Raro seria o cidadão brasileiro que nunca perpetrou os seus versos. Milhares ousaram chegar até o soneto. Ou pelo menos tentaram os 14 versos a duras penas, até fechá-los com chave de ouro ou com qualquer outra chave. Poucos terão sido tão mal sucedidos como o Bentinho de Dom Casmurro. Como acontece com frequência, o primeiro verso lhe veio de graça: “Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura”!
Seminarista, numa noite de insônia, o próprio Bentinho não sabia como e por que lhe saiu esse verso da cabeça. Decassílabo, logo se impôs como o início de um soneto. Como em tantos sonetos conhecidos, não havia aí uma ideia, mas, sim, apenas uma exclamação. Podia não significar nada, mas o autor lhe achou certa graça. Depois de repeti-lo, concluiu que era mesmo bonito. A flor que abriria a primeira estrofe de forma exclamativa tanto podia ser Capitu, como a virtude, a poesia, a religião, ou qualquer outro conceito a que a metáfora calhasse. (...)

RESENDE, Otto Lara. Brasileiro, profissão: poeta. Portal da crônica brasileira. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/6146/brasileiroprofissao-poeta>.


“De D. Pedro II ao mais obscuro dos cidadãos, é difícil encontrar um brasileiro que nunca tenha cometido, em segredo ou às claras, o seu poeminha lírico, ainda que perdido nas dobras da remota mocidade.”

Assinale a alternativa em que a forma reescrita do trecho acima apresenta pontuação correta.

  • A De D. Pedro II ao mais obscuro dos cidadãos é difícil encontrar, um brasileiro que nunca tenha cometido (em segredo ou às claras) o seu poeminha lírico – ainda que, perdido nas dobras da remota mocidade.
  • B De D. Pedro II ao mais obscuro dos cidadãos, é difícil encontrar um brasileiro que nunca tenha cometido (em segredo ou às claras) o seu poeminha lírico – ainda que perdido nas dobras da remota mocidade.
  • C De D. Pedro II ao mais obscuro dos cidadãos, é difícil encontrar, um brasileiro que nunca tenha cometido, em segredo ou às claras, o seu poeminha lírico, ainda que, perdido nas dobras da remota mocidade.
  • D De D. Pedro II (ao mais obscuro dos cidadãos) é difícil encontrar um brasileiro que nunca tenha cometido, em segredo ou às claras, o seu poeminha lírico; ainda que perdido nas dobras da remota mocidade.
  • E De D. Pedro II, ao mais obscuro dos cidadãos é difícil encontrar um brasileiro que nunca tenha cometido, em segredo ou às claras; o seu poeminha lírico, ainda que perdido nas dobras da remota mocidade.