Prova da Prefeitura de Jaguaruna-2 - Fiscal Tributário - Unesc (2025) - Questões Comentadas

Limpar Busca

Na frase "Enquanto eu brincava no chão, a voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo, um instante que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de paz.", o uso da vírgula atende a exigências específicas da sintaxe da oração e da organização das estruturas coordenadas e subordinadas. Com base na análise normativa da pontuação, assinale a alternativa correta sobre o uso da vírgula nesse período.

  • A A presença das duas vírgulas é explicada pelo caráter cumulativo das orações, que se coordenam entre si com sentido aditivo, marcando a progressão de ideias independentes dentro do período composto por justaposição.
  • B A vírgula que sucede "chão" é opcional, podendo ser suprimida sem prejuízo para a correção gramatical ou clareza do enunciado, já que a oração subordinada temporal não tem extensão suficiente que justifique a sua anteposição marcada por vírgula.
  • C A segunda vírgula isola um aposto especificativo, pois o segmento "um instante que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de paz" retoma e esclarece "um refúgio íntimo", funcionando como estrutura de reexplicitação.
  • D A vírgula após "íntimo" rompe uma unidade sintática essencial, pois separa o objeto direto composto do verbo "criar", o que contraria os princípios normativos de pontuação conforme a Gramática normativa.
  • E A primeira vírgula separa uma oração subordinada adverbial deslocada, recurso permitido e recomendado pela norma culta, pois marca a anteposição de um adjunto adverbial extenso, contribuindo para a clareza da progressão sintática e semântica da frase.

Em relação às orações "O empregado não saiu porque o patrão também não estava lá" e "O aluno não foi à escola porque o professor não o esperava", analise o uso da conjunção "porque" nas duas construções. Assinale a alternativa correta.

  • A A segunda ocorrência da conjunção "porque" introduz uma oração subordinada adjetiva reduzida, que retoma "escola" e tem valor restritivo; já a primeira exige reescrita com "por que" devido à natureza interrogativa implícita da construção.
  • B Apenas o segundo uso da conjunção "porque" é adequado, pois explicita a razão concreta da ausência do aluno; já no primeiro, o valor causal é duvidoso, podendo ser interpretado como finalidade ou concessão, o que compromete a clareza.
  • C Apenas o primeiro uso de "porque" está correto; no segundo, a oração apresenta ambiguidade entre valor causal e consecutivo, sendo recomendável a substituição por "de forma que" ou a reescrita para evitar dupla interpretação.
  • D O uso da conjunção "porque" está correto nas duas orações, funcionando como elemento subordinativo de valor causal, sem ambiguidade ou desvio de regência, já que introduz orações subordinadas adverbiais causais que exprimem causas reais para os fatos narrados.
  • E Nenhuma das ocorrências da conjunção "porque" está correta, pois o emprego do conectivo requer oração principal afirmativa e, nos dois casos, trata-se de negação, o que conflita com a regência lógica da estrutura oracional.

No trecho "Hoje as revistas quase não saem do lugar e acumulam poeira, mas continuam guardando meus dois dias", a disposição dos elementos da oração contribui para efeitos de foco e progressão discursiva. Com base nas operações sintáticas de ordem direta e inversa e seus efeitos semânticos e estilísticos, assinale a alternativa correta.

  • A A sequência "as revistas quase não saem do lugar" emprega ordem direta clássica, pois apresenta sujeito posposto ao verbo, seguido de adjunto adverbial e predicativo, como prescreve a norma sintática.
  • B A frase "e acumulam poeira" apresenta estrutura de ordem inversa, visto que o verbo se antecipa ao sujeito para manter coesão com o tempo verbal anterior, reforçando o paralelismo morfossintático da oração coordenada.
  • C A expressão "mas continuam guardando meus dois dias" exemplifica a ordem direta da oração, com o sujeito anteposto ao verbo e o objeto direto deslocado para o início da construção por razões de ênfase afetiva.
  • D A posição antecipada do adjunto adverbial "hoje" configura uma inversão da ordem direta da oração, com finalidade de marcar contraste temporal com as cenas narradas anteriormente, sem prejuízo da estrutura sintática tradicional.
  • E A inversão da ordem natural entre o verbo "saem" e o sujeito "as revistas" visa intensificar o foco temático no deslocamento físico dos objetos, marcando o aspecto progressivo da ação por meio da anáfora sintática.

Na oração "o aluno não foi à escola porque o professor não o esperava", observa-se a presença do acento grave indicativo de crase na forma "à escola". Sobre o emprego dessa marca diacrítica e seus fundamentos sintáticos e semânticos, assinale a alternativa correta.

  • A O uso do acento grave em "à escola" configura erro gramatical, uma vez que a locução prepositiva "a escola" já possui a preposição embutida na estrutura do verbo "foi", sendo, portanto, incorreta a duplicação com o artigo.
  • B O uso do acento indicativo de crase justifica-se pela fusão da preposição exigida pelo verbo "ir" com o artigo definido feminino que determina o substantivo "escola", estando ambos os elementos pressupostos no enunciado.
  • C O emprego da crase seria opcional, já que "escola" é um substantivo feminino que, embora determinado por artigo, não exige necessariamente preposição em construções de deslocamento espacial.
  • D O verbo "foi" não exige preposição na regência com nomes de lugar, motivo pelo qual a presença do acento grave só seria possível se o termo seguinte estivesse acompanhado de pronome demonstrativo, o que não ocorre nesse caso.
  • E A forma "à escola" pode ser substituída por "para escola" sem necessidade de ajuste formal, visto que ambas as estruturas compartilham a mesma equivalência sintática e regencial, sendo intercambiáveis na norma culta.

No trecho "O segundo dia em que a terra parou veio doze anos depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias em que quase todos decidiram — ou foram obrigados — a permanecer em casa.", é possível aplicar diferentes operações sintáticas (deslocamento, substituição, modificação e correção), sem comprometer a correção gramatical e o sentido original. Assinale a alternativa em que a operação aplicada está correta, de acordo com os princípios normativos da gramática do português.

  • A A modificação da expressão "quase todos decidiram — ou foram obrigados — a permanecer" para "decidiram quase todos ou foram obrigados a permanecer" intensifica o paralelismo sintático e é recomendada por reforçar a estrutura simétrica da frase.
  • B A correção da oração "em que a terra parou" para "onde a terra parou" está de acordo com a norma-padrão, uma vez que o uso de "onde" é amplamente aceito para orações relativas que envolvam eventos temporais.
  • C A substituição de "a permanecer" por "permanecerem" em "obrigados a permanecer em casa" é preferível do ponto de vista gramatical, pois corrige uma impropriedade sintática relativa à regência nominal com preposição inadequada.
  • D A inversão de "não foi um dia só, mas uma sequência de dias" para "foi uma sequência de dias, e não um dia só" fere a progressão informacional, pois viola a ordem lógica exigida pela estrutura sintática do conectivo "mas".
  • E O deslocamento da oração adverbial de tempo para o início do enunciado — "Doze anos depois, veio o segundo dia em que a terra parou." — preserva a correção gramatical e contribui para a progressão temática sem prejuízo da coesão ou da clareza.