Prova da Câmara de Porto Velho-2 - Procurador Jurídico - IBGP (2026) - Questões Comentadas

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No texto “Da arte de falar mal”, Carlos Heitor Cony reflete sobre a prática da maledicência a partir de experiências pessoais e de convivência intelectual. Considerando o texto como um todo, pode-se afirmar, EXCETO:

  • A O autor associa o ato de “falar mal” a uma forma de convivência social e intelectual marcada pela ironia e pela cumplicidade entre amigos.
  • B O cronista utiliza episódios pessoais para construir uma crônica memorialística, mesclando humor, crítica e reflexão sobre a vida cultural brasileira.
  • C Apresenta-se a maledicência como uma prática que deve ser exercida com certas regras implícitas, como a de evitar falar mal dos presentes.
  • D No texto, defende-se explicitamente que falar mal dos outros é moralmente superior a falar bem, sendo essa a principal mensagem ética do texto.
  • E O autor recorre a personagens reais do meio literário e jornalístico para reforçar o caráter verossímil e histórico de sua narrativa.

A crônica de Carlos Heitor Cony articula memória pessoal, crítica cultural e ironia. Considerando os recursos discursivos e temáticos mobilizados pelo autor, assinale a alternativa que NÃO condiz com uma interpretação adequada do texto.

  • A O título da crônica adquire sentido ambíguo, pois “falar mal” ultrapassa a simples maledicência e se transforma em prática social, estética e intelectual.
  • B A enumeração de nomes próprios do meio literário e jornalístico contribui para a construção de um ethos autoral marcado pela convivência cultural e pela autoridade memorialística.
  • C O texto constrói uma crítica indireta aos regimes autoritários, ao associar o “delito de opinião” à impossibilidade de “falar bem” sem falsear a própria identidade discursiva.
  • D A crônica sustenta que a maledicência é uma virtude ética superior, defendendo-a como comportamento moralmente exemplar e universalmente desejável.
  • E O humor do texto decorre, em grande parte, do contraste entre situações aparentemente triviais e reflexões profundas sobre vida, morte e relações humanas.

A respeito da figura do ex-embaixador mencionada na crônica, é INCORRETO afirmar que:

  • A Ele é apresentado como alguém intelectualmente sofisticado, interessado em saberes considerados “inúteis”, mas capazes de gerar obras relevantes.
  • B Sua relação com o narrador é marcada por cumplicidade afetiva e intelectual, evidenciada pelo prazer compartilhado em “falar mal de todo mundo”.
  • C A melhora momentânea de seu estado de saúde após o encontro sugere, de forma irônica, um efeito terapêutico da maledicência.
  • D Seu discurso final, no qual só fala bem dos outros, é apresentado como coerente com a “arte de falar mal” defendida ao longo do texto.
  • E Ele é responsável por formular a regra fundamental da arte de falar mal: a de que se deve falar mal apenas dos ausentes.

Considere as afirmativas a seguir, a respeito da construção de sentido no texto:
I. A recorrência da morte de personagens e instituições reforça a ideia de transitoriedade da vida e da memória cultural.
II. A noção de “imortalidade” é tratada de modo irônico, especialmente no contexto das academias e do desejo de consagração literária.
III. O narrador assume postura distanciada e impessoal, evitando envolver-se emocionalmente com os episódios narrados.
IV. A crônica sugere que falar mal pode funcionar como mecanismo de sociabilidade e de afirmação de laços afetivos.
Assinale a alternativa que indica a(s) afirmativa(s) CORRETA(S):

  • A Apenas I e II.
  • B Apenas I, II e IV.
  • C Apenas III e IV.
  • D Apenas II e III.
  • E I, II, III e IV.

No que se refere às estratégias narrativas e ao posicionamento do narrador em “Da arte de falar mal”, assinale a alternativa CORRETA:

  • A O narrador constrói uma imagem de si mesmo como vítima passiva dos acontecimentos históricos, eximindo-se de qualquer responsabilidade por suas escolhas discursivas.
  • B A organização não linear do texto, marcada por saltos temporais e episódios aparentemente desconexos, contribui para reforçar o caráter memorialístico e reflexivo da crônica.
  • C A ironia presente na crônica decorre exclusivamente da oposição entre vida privada e vida pública, sem relação com o universo literário evocado.
  • D O uso recorrente do discurso direto tem como função principal conferir objetividade jornalística ao texto, neutralizando a subjetividade do narrador.
  • E A crônica estabelece uma separação rígida entre amizade e crítica, sugerindo que a maledicência inviabiliza vínculos afetivos duradouros.