Questões da Prova do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM-CE) - Analista de Controle Externo - Inspeção de Obras Públicas (2010)

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Na perspectiva do cronista Carlos Drummond de Andrade, as instâncias da rotina e da quimera

  • A constituem planos inconciliáveis, entre os quais se movimentam os burocratas do serviço público.
  • B podem compor-se solidariamente na vida de um funcionário, a primeira determinando a segunda.
  • C constituem inclinações drasticamente antagônicas, pelo que a primeira acaba por extinguir a segunda.
  • D representam, na vida de um artista, planos imagi- nários para os quais ele tem o hábito de se deslocar.
  • E conciliam-se numa harmonia plena, uma vez que a segunda realiza o talento para a primeira.

Atente para as seguintes afirmações:

I. No 1º parágrafo, o autor faz crer que as rotinas das repartições públicas influíram de algum modo nas vocações literárias dos funcionários.

II. No 2º parágrafo, o cronista considera a contradição que existe entre maldizer o literato-funcionário e consolar-se com o que ele criou como escritor.

III. No 3º parágrafo, o autor afirma que a condição da mediania, vivida pelo funcionário público, pode ser a ideal para estimulá-lo como criador, favorecendo sua imaginação.

Em relação ao texto, está correto o que se afirma em

  • A I, II e III.
  • B I e II, apenas.
  • C I e III, apenas.
  • D II e III, apenas.
  • E II, apenas.

A mediania a que se refere o cronista no 3º parágrafo pode ser adequadamente esclarecida por meio do seguinte segmento do texto:

  • A A racionalização do serviço público (...) trouxe modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições (...)
  • B (...) esse público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova do poeta ou no mundo imaginado pelo ficcionista.
  • C (...) intervém a imaginação criadora (...) arrebatando consigo a doce ou amarga invenção (...)
  • D (...) apenas a calma necessária para refletir na mediocridade de uma vida que não conhece a fome nem o fausto (...).
  • E Figuras e abstrações que em nada adiantam à sorte do público.

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em:

  • A trouxe modificações sensíveis (1º parágrafo) = acarretou pungentes transformações.
  • B se hajam ressentido desses novos métodos de trabalho (1º parágrafo) = se tenham aprimorado com essas práticas inabituais.
  • C nosso poeta afinava a lira (2º parágrafo) = o poeta-funcionário aprestava-se para escrever.
  • D de ordinário sem folga (3º parágrafo) = parco e sem descanso.
  • E sorte de tapete mágico (3º parágrafo) = beneplácito ilusório.

Carlos Drummond de Andrade, nessa crônica, não deixa de argumentar em favor da seguinte convicção:

  • A Caso um funcionário público fosse liberado de sua rotina, seus projetos literários ganhariam corpo e qualidade.
  • B A condição da mediania, que um funcionário encarna de modo exemplar, leva-o a escrever para registrar sua rotina.
  • C O público leitor apenas se identifica com um escritor quando este imerge na rotina para valorizá-la enquanto tal.
  • D Por não conhecer a fome nem o fausto, o escritor- funcionário independe da imaginação para produzir literatura.
  • E As condições rotineiras de uma repartição pública são propícias para uma criação literária de interesse geral.