Questões comentadas de Concursos para Professor de Anos Iniciais do Ensino Fundamental

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Com base na leitura do excerto a seguir, identifique a alternativa que apresenta uma análise correta e teoricamente fundamentada da figura de linguagem predominante, considerando seus efeitos de sentido e seu papel na construção do argumento no texto.
"Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea."

  • A A construção "como se precisasse garantir" exemplifica uma prosopopeia sutil, pois atribui à "solidão" uma ação intencional, revelando a tentativa de humanização do sentimento para intensificar o pathos do texto.
  • B O trecho apresenta uma gradação descendente de ações, em que o uso sucessivo de verbos no passado imperfeito gera uma hipérbole implícita, marcando o exagero da reação emocional da personagem diante da ausência de companhia.
  • C A frase exemplifica claramente o uso de comparação, figura de pensamento que explicita o paralelismo entre o ato físico de olhar para trás e a expectativa de que sua solidão estivesse sendo percebida, reforçando o conflito interno da personagem.
  • D A expressão evidencia uma ironia contextualizada, ao simular racionalidade no gesto instintivo da protagonista, cuja preocupação com o julgamento alheio se transforma em crítica velada à normatização social da convivência.

Com base nos princípios da regência verbal na norma culta da língua portuguesa, analise as proposições e assinale a alternativa que apresenta a interpretação correta da estrutura sintática e do uso do verbo "lembrar" no contexto no trecho "Lembro-me da primeira vez que fui ao cinema sozinha".

  • A O emprego da forma "lembro-me" está incorreto no padrão culto da língua, pois o verbo "lembrar" só admite uso pronominal quando está conjugado com o sentido de advertência ou aviso, não quando indica rememoração pessoal.
  • B A construção apresentada viola a regência tradicional do verbo "lembrar", pois, ao ser usado com sentido de recordar, ele deveria ser transitivo direto e não pronominal, eliminando, nesse caso, tanto o pronome quanto a preposição.
  • C A ocorrência da preposição "de" antes do complemento está vinculada à transitividade indireta do verbo "lembrar", cuja forma pronominal exige, na norma culta, o uso do pronome oblíquo átono e a introdução do objeto com preposição.
  • D O uso da forma pronominal "me" com o verbo "lembrar" é facultativo, uma vez que o complemento "da primeira vez que fui ao cinema sozinha" está introduzido por preposição, e, portanto, admite tanto a forma pronominal quanto a não pronominal.

Considerando o trecho "Lembro-me da primeira vez que fui ao cinema sozinha: comprei meu ingresso, esperei a sessão e me sentei com meu balde de pipoca, sem ninguém ao lado. Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea", em relação à tipologia e ao gênero textual, é correto afirmar que:

  • A O fragmento apresenta traços típicos do gênero narrativo pessoal, com predomínio da tipologia injuntiva, marcada pelo emprego de verbos no infinitivo e construção de uma sequência de ações com finalidade prescritiva.
  • B O trecho é representativo da tipologia descritiva, uma vez que o foco recai sobre a caracterização subjetiva de um ambiente, com destaque para enumeração de estados emocionais e uso predominante de adjetivos qualificativos.
  • C O excerto revela predomínio da tipologia narrativa, com traços de subjetividade que aproximam o texto do gênero crônica pessoal, caracterizado por marcas de oralidade, foco na experiência individual e sequência temporal de eventos.
  • D O fragmento é uma manifestação da tipologia dissertativa-argumentativa, dado que a autora defende uma tese sobre a importância de estar só, estruturando seu raciocínio por meio de encadeamento lógico e uso de operadores argumentativos.

Com base na análise sintático-semântica do trecho "Quando o filme terminou, percebi que tudo bem não ter companhia às vezes" e nos fundamentos normativos da gramática tradicional, assinale a alternativa que apresenta a justificativa correta para o emprego do acento indicativo da crase na locução "às vezes".

  • A O uso do acento grave é obrigatório porque ocorre a fusão da preposição exigida pelo verbo "ter" com o artigo definido feminino plural que acompanha o substantivo "vezes", caracterizando a presença da crase.
  • B A expressão "às vezes" é uma locução adverbial de tempo feminina, razão pela qual exige o uso do acento grave indicativo da crase, dado que há contração entre a preposição "a" e o artigo definido plural "as".
  • C O emprego da crase em "às vezes" configura um erro gramatical, pois a preposição "a" exigida pela locução verbal "ter companhia" não admite a fusão com o artigo plural, tratando-se, portanto, de mero arcaísmo estilístico.
  • D Não se aplica o acento grave nesse caso, pois a locução adverbial "às vezes" funciona como expressão idiomática fixa e, por isso, a norma culta dispensa a indicação da crase para preservar a fluidez da construção.

Com base na análise sintática e semântica da pontuação presente no trecho "O alerta sempre vai existir — o medo de abordagens ou de olhares julgadores, mas nada disso deve impedir que você escolha a si mesma", pode-se afirmar que:

  • A O uso do travessão é inadequado nesse contexto, pois ele rompe a fluidez sintática do enunciado, sendo preferível o emprego de dois-pontos para introduzir enumeração, e a vírgula após "julgadores" representa erro de pontuação, por romper unidade semântica.
  • B O travessão introduz um aposto explicativo que detalha o substantivo "alerta", podendo ser substituído por vírgula ou parênteses, enquanto a vírgula após "julgadores" separa orações coordenadas, sendo obrigatória pela estrutura composta.
  • C O trecho emprega o travessão com valor de interrupção parentética e a vírgula antes da conjunção "mas" introduz uma quebra indevida, sendo desnecessária, já que as orações estão unidas por conjunção adversativa e não exigem marcação.
  • D O travessão funciona como marcador de tópico discursivo, deslocando o foco para uma ideia acessória, o que torna seu uso estilisticamente justificável, embora normativamente questionável; a vírgula, por sua vez, introduz oração explicativa.