Questões comentadas de Concursos para Instrutor de Esportes

Limpar Busca

Em relação às orações "O empregado não saiu porque o patrão também não estava lá" e "O aluno não foi à escola porque o professor não o esperava", analise o uso da conjunção "porque" nas duas construções. Assinale a alternativa correta.

  • A O uso da conjunção "porque" está correto nas duas orações, funcionando como elemento subordinativo de valor causal, sem ambiguidade ou desvio de regência, já que introduz orações subordinadas adverbiais causais que exprimem causas reais para os fatos narrados.
  • B Nenhuma das ocorrências da conjunção "porque" está correta, pois o emprego do conectivo requer oração principal afirmativa e, nos dois casos, trata-se de negação, o que conflita com a regência lógica da estrutura oracional.
  • C A segunda ocorrência da conjunção "porque" introduz uma oração subordinada adjetiva reduzida, que retoma "escola" e tem valor restritivo; já a primeira exige reescrita com "por que" devido à natureza interrogativa implícita da construção.
  • D Apenas o segundo uso da conjunção "porque" é adequado, pois explicita a razão concreta da ausência do aluno; já no primeiro, o valor causal é duvidoso, podendo ser interpretado como finalidade ou concessão, o que compromete a clareza.
  • E Apenas o primeiro uso de "porque" está correto; no segundo, a oração apresenta ambiguidade entre valor causal e consecutivo, sendo recomendável a substituição por "de forma que" ou a reescrita para evitar dupla interpretação.

Na frase "Enquanto eu brincava no chão, a voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo, um instante que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de paz.", o uso da vírgula atende a exigências específicas da sintaxe da oração e da organização das estruturas coordenadas e subordinadas. Com base na análise normativa da pontuação, assinale a alternativa correta sobre o uso da vírgula nesse período.

  • A A segunda vírgula isola um aposto especificativo, pois o segmento "um instante que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de paz" retoma e esclarece "um refúgio íntimo", funcionando como estrutura de reexplicitação.
  • B A primeira vírgula separa uma oração subordinada adverbial deslocada, recurso permitido e recomendado pela norma culta, pois marca a anteposição de um adjunto adverbial extenso, contribuindo para a clareza da progressão sintática e semântica da frase.
  • C A presença das duas vírgulas é explicada pelo caráter cumulativo das orações, que se coordenam entre si com sentido aditivo, marcando a progressão de ideias independentes dentro do período composto por justaposição.
  • D A vírgula após "íntimo" rompe uma unidade sintática essencial, pois separa o objeto direto composto do verbo "criar", o que contraria os princípios normativos de pontuação conforme a Gramática normativa.
  • E A vírgula que sucede "chão" é opcional, podendo ser suprimida sem prejuízo para a correção gramatical ou clareza do enunciado, já que a oração subordinada temporal não tem extensão suficiente que justifique a sua anteposição marcada por vírgula.

Considerando a organização sintática do período e os princípios da análise oracional, assinale a alternativa que classifica corretamente a oração subordinada introduzida por "de que" em "É ali que a memória repousa — entre acordes simples e a sensação de que, por um instante, tudo realmente ficou imóvel".

  • A A estrutura "a sensação de que..." constitui um aposto explicativo do termo "acordes simples", cuja oração subordinada exerce função adjetiva explicativa e retoma o termo antecedente por anáfora sintática.
  • B Trata-se de uma oração subordinada substantiva completiva nominal, que exerce a função de complemento do substantivo "sensação", exigente de preposição e de conteúdo oracional.
  • C A oração introduzida por "de que" é classificada como subordinada adjetiva restritiva, pois restringe semanticamente a ideia de "sensação" ao especificar o tipo de experiência afetiva evocada pelo narrador.
  • D A oração é subordinada substantiva objetiva direta, funcionando como complemento do verbo "repousa", já que este admite objeto direto de natureza oracional, sem necessidade de preposição.
  • E Trata-se de uma oração subordinada adverbial causal, que introduz a causa pela qual a memória repousa, sendo introduzida por conectivo de valor explicativo e complemento da ideia anterior.

Com base no texto "Encontro de memórias", analise as construções discursivas presentes e assinale a alternativa que expressa corretamente uma inferência semanticamente legítima, coerente com a macroestrutura textual e com a perspectiva enunciativa adotada pelo narrador.

  • A A evocação do passado, vinculada à figura paterna e à música, funciona no texto como estratégia compensatória da experiência pandêmica, mas não possui valor narrativo para além do seu simbolismo afetivo restrito.
  • B O texto apresenta uma sequência linear de acontecimentos, cujos marcadores temporais organizam, de forma objetiva e cronológica, a lembrança do narrador, sem subjetivações que alterem a perspectiva narrativa.
  • C A expressão "os dois dias em que a terra parou" articula, no plano simbólico, a intersecção entre um episódio íntimo e uma experiência coletiva de ruptura, funcionando como fio condutor da narrativa e evidenciando a permanência afetiva da memória musical como eixo de continuidade subjetiva.
  • D A repetição do referente "Raul Seixas" opera como um recurso de anáfora epifórica, mas não estabelece qualquer correlação semântica relevante com os dois momentos centrais da narrativa.
  • E O título "Encontro de memórias" faz referência exclusiva à rememoração do pai pelo narrador, sendo pouco relevante para a articulação estrutural entre os dois momentos-chave do texto.

A partir da análise do texto "Encontro de memórias" e considerando os princípios da coerência textual e da progressão temática, avalie as alternativas a seguir quanto à adequação interpretativa ao processo de construção do sentido. Assinale a alternativa correta.

  • A O uso do tempo pretérito imperfeito em passagens específicas do texto fragiliza a coesão temporal, pois interrompe a sequência narrativa e introduz rupturas que comprometem a progressão temática.
  • B As marcas de tempo no texto apontam para uma progressão cronológica rígida, sustentada por um narrador onisciente que organiza os eventos de forma neutra, suprimindo interferências emocionais.
  • C O tempo narrativo não se constrói de maneira linear, mas obedece a uma lógica afetiva e subjetiva, em que a memória individual é organizada como núcleo semântico do texto, permitindo ressignificar o passado à luz da experiência atual.
  • D A recorrência da expressão "Raul também estava presente" evidencia um padrão de coesão lexical, mas sua função textual é decorativa, não contribuindo para a estrutura argumentativa da narrativa.
  • E O texto adota estrutura predominantemente descritiva, de natureza objetiva e analítica, voltada à reconstrução de fatos externos em detrimento de uma perspectiva enunciativa subjetiva.