Questões comentadas de Concursos para Analista Jurídico

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A Câmara Municipal de Porto Velho possui um repositório digital com documentos críticos: processos administrativos, relatórios do controle interno, arquivos de prestação de contas e conjuntos de dados exportados do sistema de gestão. Em auditoria recente, identificou-se risco elevado de indisponibilidade por ransomware (sequestro de dados) e por eventos físicos (falha de storage, sinistro, furto). O setor de TI foi orientado a propor uma política de backup que reduza a probabilidade de perda total e permita recuperação em prazo compatível com as atividades legislativas, considerando que cópias conectadas permanentemente ao servidor podem ser criptografadas pelo ataque.

Diante desse cenário, assinale a alternativa que descreve a estratégia MAIS adequada para compor um plano de contingência de backups, com foco em resiliência contra ransomware e desastres:

  • A Manter apenas um backup diário incremental em um HD externo conectado via USB ao servidor, pois a cópia incremental é mais rápida e, sendo diária, garante recuperação total do ambiente mesmo em caso de ataque.
  • B Adotar a regra 3-2-1 (três cópias dos dados, em dois tipos de mídia, com uma cópia fora do ambiente), mantendo ao menos uma cópia offline/imutável (por exemplo, mídia desconectada ou armazenamento com bloqueio de alteração), combinando backup completo periódico + incrementais/diferenciais, com política de retenção e testes regulares de restauração.
  • C Substituir backups por espelhamento (RAID) do storage principal, pois RAID elimina o risco de ransomware e dispensa cópias externas, uma vez que o espelho mantém sempre uma versão íntegra dos arquivos.
  • D Utilizar somente sincronização em nuvem em tempo real (pastas sincronizadas), pois a nuvem garante versionamento ilimitado sem necessidade de retenção e o ransomware não consegue afetar arquivos já enviados.
  • E Executar backups apenas quando houver atualização significativa (por demanda), já que o maior risco é o desperdício de espaço, e o excesso de cópias pode dificultar a localização do arquivo correto na restauração.

A crônica de Carlos Heitor Cony articula memória pessoal, crítica cultural e ironia. Considerando os recursos discursivos e temáticos mobilizados pelo autor, assinale a alternativa que NÃO condiz com uma interpretação adequada do texto.

  • A O título da crônica adquire sentido ambíguo, pois “falar mal” ultrapassa a simples maledicência e se transforma em prática social, estética e intelectual.
  • B A enumeração de nomes próprios do meio literário e jornalístico contribui para a construção de um ethos autoral marcado pela convivência cultural e pela autoridade memorialística.
  • C O texto constrói uma crítica indireta aos regimes autoritários, ao associar o “delito de opinião” à impossibilidade de “falar bem” sem falsear a própria identidade discursiva.
  • D A crônica sustenta que a maledicência é uma virtude ética superior, defendendo-a como comportamento moralmente exemplar e universalmente desejável.
  • E O humor do texto decorre, em grande parte, do contraste entre situações aparentemente triviais e reflexões profundas sobre vida, morte e relações humanas.

A respeito da figura do ex-embaixador mencionada na crônica, é INCORRETO afirmar que:

  • A Ele é apresentado como alguém intelectualmente sofisticado, interessado em saberes considerados “inúteis”, mas capazes de gerar obras relevantes.
  • B Sua relação com o narrador é marcada por cumplicidade afetiva e intelectual, evidenciada pelo prazer compartilhado em “falar mal de todo mundo”.
  • C A melhora momentânea de seu estado de saúde após o encontro sugere, de forma irônica, um efeito terapêutico da maledicência.
  • D Seu discurso final, no qual só fala bem dos outros, é apresentado como coerente com a “arte de falar mal” defendida ao longo do texto.
  • E Ele é responsável por formular a regra fundamental da arte de falar mal: a de que se deve falar mal apenas dos ausentes.

No texto “Da arte de falar mal”, Carlos Heitor Cony reflete sobre a prática da maledicência a partir de experiências pessoais e de convivência intelectual. Considerando o texto como um todo, pode-se afirmar, EXCETO:

  • A O autor associa o ato de “falar mal” a uma forma de convivência social e intelectual marcada pela ironia e pela cumplicidade entre amigos.
  • B O cronista utiliza episódios pessoais para construir uma crônica memorialística, mesclando humor, crítica e reflexão sobre a vida cultural brasileira.
  • C Apresenta-se a maledicência como uma prática que deve ser exercida com certas regras implícitas, como a de evitar falar mal dos presentes.
  • D No texto, defende-se explicitamente que falar mal dos outros é moralmente superior a falar bem, sendo essa a principal mensagem ética do texto.
  • E O autor recorre a personagens reais do meio literário e jornalístico para reforçar o caráter verossímil e histórico de sua narrativa.

No que se refere às estratégias narrativas e ao posicionamento do narrador em “Da arte de falar mal”, assinale a alternativa CORRETA:

  • A O narrador constrói uma imagem de si mesmo como vítima passiva dos acontecimentos históricos, eximindo-se de qualquer responsabilidade por suas escolhas discursivas.
  • B A organização não linear do texto, marcada por saltos temporais e episódios aparentemente desconexos, contribui para reforçar o caráter memorialístico e reflexivo da crônica.
  • C A ironia presente na crônica decorre exclusivamente da oposição entre vida privada e vida pública, sem relação com o universo literário evocado.
  • D O uso recorrente do discurso direto tem como função principal conferir objetividade jornalística ao texto, neutralizando a subjetividade do narrador.
  • E A crônica estabelece uma separação rígida entre amizade e crítica, sugerindo que a maledicência inviabiliza vínculos afetivos duradouros.