Resolver o Simulado Prefeitura Municipal de Andradina - Acompanhante de Transporte Escolar - CONSESP - Nível Médio

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Português

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Texto 2

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Em relação aos gêneros textuais da narrativa, é possível afirmar que:

  • A tanto o texto 1 quanto o texto 2 têm como base o tipo textual narrativo
  • B o único elemento que diferencia o texto 1 do texto 2 são as imagens, que só aparecem no texto 2
  • C não é possível perceber no texto 2 os elementos da narrativa, o contrário do que acontece no texto 1
  • D a presença do discurso direto nos dois textos é o que garante que os dois são textos de base narrativa
2

Texto 2

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Ao compararmos o texto 1 e o texto 2, é possível afirmar que:

  • A nos dois textos, a apreciação sobre o sorvete é a mesma
  • B os personagens do texto 1 apresentam oposição na opinião que têm sobre o sorvete em relação ao personagem do texto 2
  • C nos dois textos, não está óbvio o juízo de valor que os personagens fazem do sorvete
  • D somente pelas expressões do personagem do texto 2 é possível afirmar que ele aprecia o sorvete, enquanto não é possível perceber, no texto 1, a opinião dos personagens sobre o sorvete porque não há descrições do estado de espírito deles
3

Texto 2

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No primeiro quadrinho do texto 2, em “E o sorvete é considerado um alimento perfeito”, é possível afirmar que:

  • A a frase está na voz reflexiva, sem um agente da passiva expresso
  • B a frase está na voz ativa e o sujeito é “o sorvete”
  • C a frase está na voz passiva e o agente da passiva é “alimento perfeito”
  • D a frase está na voz passiva e o sujeito é “o sorvete”
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Texto 2

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Armandinho usa, como estratégia de convencimento para que o deixem saborear o sorvete, a omissão de um termo sintático. O termo omitido é:

  • A sujeito
  • B vocativo
  • C predicativo
  • D agente da passiva
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Texto 1: O SORVETE (trecho)

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. (10º parágrafo) O sujeito do verbo sublinhado acima pode ser classificado como:
  • A indeterminado
  • B simples
  • C composto
  • D desinencial
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Texto 1: O SORVETE (trecho)

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

Estávamos absortos na contemplação ritual (1º parágrafo) A alternativa que contém um verbo conjugado nos mesmos tempo e modo do verbo do trecho acima é:
  • A A inscrição emocionou-me intensamente
  • B Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras
  • C e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar
  • D Fomos à confeitaria
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Texto 1: O SORVETE (trecho)

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

Leitor irritado, não é bem isso. (9º parágrafo)

A função sintática do termo sublinhado é:

  • A vocativo
  • B sujeito
  • C predicativo do sujeito
  • D agente da passiva
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Texto 1: O SORVETE (trecho)

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

No último parágrafo do texto 1, há palavras e expressões que formam um paradoxo, que pode ser visto em:

  • A simpatia e sensualidade
  • B frio doloroso
  • C pétrea e frágil
  • D rápida e difundida
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Texto 1: O SORVETE (trecho)

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro (9º parágrafo)
O uso do diminutivo nas palavras acima sublinhadas tem o objetivo de:
  • A denotar o tamanho dos objetos cujos nomes estão no diminutivo
  • B expressar afeto e carinho
  • C fazer uma ironia
  • D dar ênfase ao trecho todo
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Texto 1: O SORVETE (trecho)

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

O narrador do texto pode ser classificado como narrador personagem, o que está textualmente evidenciado em:

  • A O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água
  • B Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo
  • C O sorvete era detestável
  • D Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa

Matemática

11

Um suplemento alimentar infantil é fornecido em embalagens de 125 mL. Para obter 3,9 litros desse suplemento é necessário ter um número, dessas embalagens, de no mínimo

  • A 32.
  • B 31.
  • C 30.
  • D 29.
  • E 28.
12

Em um mutirão para limpar um terreno, 5 homens capinaram durante 3 horas e limparam 480 m2 do terreno. Supondo que todos os homens trabalhem com a mesma produtividade, o tempo necessário para que 3 desses homens limpem os 360 m2 restantes será de

  • A 3 horas e 50 minutos.
  • B 3 horas e 45 minutos.
  • C 3 horas e 40 minutos.
  • D 3 horas e 30 minutos.
  • E 3 horas e 20 minutos.
13

O desconto de R$ 68,00 obtido na compra de um produto equivale a 17% do preço original. Quanto foi pago por esse produto?

  • A R$ 316,00
  • B R$ 320,00
  • C R$ 324,00
  • D R$ 328,00
  • E R$ 332,00
14

Na primeira semana de trabalho em uma campanha, Rute visitou a quarta parte dos domicílios previstos na campanha. Na segunda semana de trabalho, ela visitou a quinta parte do que restava visitar. Os 144 domicílios que ainda faltavam foram visitados por outros agentes.

Qual foi o número de domicílios que Rute visitou?

  • A 84
  • B 90
  • C 96
  • D 102
  • E 108
15

Camila está analisando o projeto de divisão de uma região triangular ABC, que será dividida em três partes triangulares menores (AFD, DBE e EGC) e um trapézio (EGFD), conforme representado na figura a seguir:
Imagem relacionada à questão do Questões Estratégicas
Foi solicitado a Camila que calculasse a área do trapézio EGFD.
Sobre esse projeto, sabe-se que AB, BC e AF medem, respectivamente, 9 m, 12 m e 3 m; que os triângulos ABC, AFD, DBE e EGC são retângulos; que o triângulo DBE é retângulo e isósceles, com DB = BE, e que sua área mede 8 m²; e que o lado GF do trapézio EGFD corresponde à altura desse trapézio.
Além de outras etapas de sua análise, Camila percebeu que os triângulos EGC e ABC são semelhantes, o que significa que:
Imagem relacionada à questão do Questões Estratégicas
Calculando, ao fim, a área do trapézio EGFD, expressa em m2, Camila obteve, corretamente,

  • A 24,64.
  • B 26,88.
  • C 28,00.
  • D 49,28.
  • E 53,76.
16

A figura a seguir representa a planta do apartamento de João, na escala 1 : 50 (isto é, 1 cm da planta corresponde a 50 cm da medida real do apartamento). As medidas estão expressas em centímetros.
Imagem relacionada à questão do Questões Estratégicas
João contratará uma empresa para fazer o polimento e restauração do piso dos cômodos destacados, em cinza, na figura. Se o valor cobrado pela empresa para fazer esse serviço é de R$ 150,00 por metro quadrado, o valor a ser pago por João pelo serviço será de

  • A R$ 1.800,00.
  • B R$ 2.100,00.
  • C R$ 2.250,00.
  • D R$ 2.325,00.
  • E R$ 2.475,00.
17

Suponha que a resolução de um problema envolvendo equações químicas envolva a solução do seguinte sistema de equações do 1o grau, composto das equações (I), (II) e (III):

(I)  x – 2y + 4z = 60
(II)  2x + 3y – z = 28
(III)  6x + 2y + 5z = 158

Considerando a solução desse sistema, é correto afirmar que o valor de y – x é

  • A 2.
  • B 4.
  • C 6.
  • D 8.
  • E 10.
18

Durante a campanha de vendas de uma empresa, para incentivar os vendedores, ficou estabelecido que, quanto mais clientes novos fossem trazidos por um vendedor, maior seria a premiação desse vendedor por cliente novo trazido, de acordo com a seguinte regra: se um vendedor trouxer X clientes novos, ele ganhará, por cliente novo, um valor de (10X + 30) reais. No mês passado, Giovana conseguiu trazer certa quantidade de novos clientes para sua empresa e, como premiação, recebeu o valor total de R$ 700,00.

Se Giovana tivesse trazido 2 clientes a mais, sua premiação teria sido no valor total de

  • A R$ 1.000,00.
  • B R$ 1.040,00.
  • C R$ 1.060,00.
  • D R$ 1.080,00.
  • E R$ 2.000,00.
19

Certo produto custava, inicialmente, R$ 128,00. Esse R ascunho preço aumentou 15%, depois, foi diminuído em R$ 35,20, e, por fim, em relação a esse último preço, aumentou 20%. O preço final do produto, depois de todas essas alterações, quando comparado com seu preço inicial, corresponde a um aumento de

  • A 10%
  • B 9%
  • C 8%
  • D 6%
  • E 5%
20

No contexto do estudo de estruturas moleculares, por meio de modelos geométricos, um químico precisará determinar as dimensões de um cubo de maneira que uma região espacial, delimitada por um paralelepípedo retângulo, possa ser subdividida em cubos, todos com as mesmas dimensões desse cubo, sem que fique sobrando nenhum espaço. As dimensões dessa região espacial são de 8,4 cm de largura, 7,0 cm de altura e 11,2 cm de comprimento. Supondo que esse cubo deva ser o maior possível, é correto afirmar que a medida de sua aresta, em milímetros, é um número cuja soma de seus algarismos é igual a

  • A 8.
  • B 7.
  • C 6.
  • D 5.
  • E 4.