Texto 2
Em relação aos gêneros textuais da narrativa, é possível afirmar que:
Texto 2
Ao compararmos o texto 1 e o texto 2, é possível afirmar que:
Texto 2
No primeiro quadrinho do texto 2, em “E o sorvete é considerado um alimento perfeito”, é possível afirmar que:
Texto 2
Armandinho usa, como estratégia de convencimento para que o deixem saborear o sorvete, a omissão de um termo sintático. O termo omitido é:
Texto 1: O SORVETE (trecho)
Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:
Hoje
Delicioso sorvete de
ABACAXI
Especialidade da casa
Hoje!
A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.
– Você está vendo?
Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!
– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.
– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.
(...)
Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.
O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?
A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.
ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012
Texto 1: O SORVETE (trecho)
Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:
Hoje
Delicioso sorvete de
ABACAXI
Especialidade da casa
Hoje!
A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.
– Você está vendo?
Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!
– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.
– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.
(...)
Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.
O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?
A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.
ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012
Texto 1: O SORVETE (trecho)
Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:
Hoje
Delicioso sorvete de
ABACAXI
Especialidade da casa
Hoje!
A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.
– Você está vendo?
Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!
– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.
– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.
(...)
Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.
O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?
A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.
ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012
Leitor irritado, não é bem isso. (9º parágrafo)
A função sintática do termo sublinhado é:
Texto 1: O SORVETE (trecho)
Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:
Hoje
Delicioso sorvete de
ABACAXI
Especialidade da casa
Hoje!
A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.
– Você está vendo?
Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!
– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.
– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.
(...)
Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.
O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?
A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.
ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012
No último parágrafo do texto 1, há palavras e expressões que formam um paradoxo, que pode ser visto em:
Texto 1: O SORVETE (trecho)
Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:
Hoje
Delicioso sorvete de
ABACAXI
Especialidade da casa
Hoje!
A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.
– Você está vendo?
Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!
– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.
– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.
(...)
Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.
O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?
A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.
ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012
Texto 1: O SORVETE (trecho)
Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:
Hoje
Delicioso sorvete de
ABACAXI
Especialidade da casa
Hoje!
A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.
– Você está vendo?
Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!
– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.
– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.
(...)
Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.
O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?
A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.
ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012
O narrador do texto pode ser classificado como narrador personagem, o que está textualmente evidenciado em:
No que se refere às ferramentas Google, ao usar o Gmail para enviar e receber mensagens, pode-se anexar arquivos com limite de tamanho em bytes. Se o arquivo exceder o limite, o Gmail possibilita adicionar automaticamente um link do Google Drive ao e-mail, em vez de incluí-lo como um anexo. Nesse contexto, o limite para o tamanho do arquivo a ser anexado é de:
Computação em nuvem consiste em um ambiente que permite oferecer recursos e realizar serviços de qualquer lugar e a qualquer momento, de maneira facilitada, com acesso à internet a recursos computacionais, de forma rápida e sem esforços em conjunto a um fornecedor de serviços. Entre os tipos de computação em nuvem, três são descritos a seguir.
I. oferece as licenças de software, infraestrutura, manutenção, sistemas de comunicação e tudo o mais necessário para disponibilizar um aplicativo ou site.
II. o fornecedor do software se responsabiliza por toda a estrutura necessária para a disponibilização do sistema (servidores, conectividade, cuidados com segurança da informação) e o cliente utiliza o software via internet.
III. encarrega-se de disponibilizar toda a infraestrutura necessária com o principal objetivo de tornar mais fácil e acessível o fornecimento de recursos, tais como servidores, rede, armazenamento e outros recursos de computação essenciais para construir um ambiente sob demanda, podendo incorporar sistemas operacionais e aplicativos.
Os tipos descritos em I, II e III são conhecidos, respectivamente, pelas siglas:
O Microsoft 365 é um serviço de assinatura que oferece acesso aos aplicativos do Office e outros serviços baseados na nuvem. Um desses recursos representa um novo paradigma no trabalho, em que os funcionários colaboram com a IA para aumentar a produtividade, resolvendo o desafio moderno em que o ritmo do trabalho vem sobrecarregando a capacidade de acompanhar as mudanças. É um serviço que foi projetado para transformar como se deve trabalhar na era digital, tendo como objetivo impulsionar a criatividade, aumentar a produtividade e promover novas habilidades. É uma ferramenta inovadora que se integra perfeitamente ao pacote de aplicativos do Microsoft 365, incluindo Teams, Word, Outlook, PowerPoint, Excel, para elevar a produtividade e a criatividade no local de trabalho. Esse recurso é conhecido como:
No uso dos recursos do PowerPoint do pacote MS Office 2019 BR, em um microcomputador Intel, com Windows 10 BR (x64), um funcionário da Prefeitura de Arraial do Cabo pressionou um ícone existente na Faixa de Opções, dentre os visualizados quando se aciona uma das guias na Barra de Menu. Como resultado, foi exibida a figura na tela do monitor de vídeo.
Nesse contexto, o ícone pressionado e a guia da Barra de Menu estão indicados, respectivamente, na seguinte alternativa:
Observe as planilhas (a) e (b), que fazem parte do arquivo CONTROLE.XLSX, criado no Excel 2019 BR.
Nas planilhas, foram realizados os procedimentos descritos a seguir.
• Em D5 da planilha LAGOS_1, foi inserida a fórmula =MED(A3:F3).
• Em D7 da planilha LAGOS_1, foi inserida a fórmula =SE(MOD(C3;5)=0;"ARRAIAL";"CABO").
• Em F4 da planilha LAGOS_2, foi inserida uma fórmula que transfere o valor 19 mostrado na célula E3 de LAGOS_1 para F4 de LAGOS_2.
Nessas condições, os conteúdos mostrados nas células D5 e D7 de LAGOS_1 e a fórmula inserida em F4 de LAGOS_2 são, respectivamente:
Entre as características e funcionalidades do editor Word do pacote MS Office 2019 BR, em um notebook com Windows 11 BR (x64), duas são descritas a seguir.
I. Um ícone existente na Faixa de Opções tem por objetivo inserir imagens em um texto.
II. A execução de um atalho de teclado possibilita inserir uma a um texto em digitação.
O ícone e o atalho de teclado são, respectivamente:
Ao redigir uma mensagem no chat utilizando o Microsoft Teams, em sua configuração padrão, um usuário devidamente autorizado pode defini-la como “Urgente”, fazendo com que os destinatários sejam notificados a cada 2 minutos por 20 minutos. Essa funcionalidade é encontrada na opção:
Durante a criação de uma apresentação com 5 slides não ocultos no PowerPoint 2016, em sua configuração original, um agente sanitário inseriu no slide 3 um botão de ação cujo ícone é formado por uma barra vertical seguida por um triângulo virado para a esquerda.
Ao clicar nesse botão, será apresentado o slide
Observe o conteúdo da planilha Google a seguir, que está em elaboração no aplicativo Planilhas do Google Workspace:
Ao clicar com o botão direito do mouse sobre a coluna B e selecionar a opção “Classificar página Z a A”, no menu que é apresentado, o cargo mostrado na célula A5 será:
No Microsoft Word 2016, é possível inserir campos predefinidos que exibem informações dinâmicas no documento. Um desses campos pode ser configurado para mostrar a data atual, atualizando-se automaticamente conforme o dia de abertura ou impressão. Qual campo realiza essa função?