Resolver o Simulado Agente Administrativo

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Arquivologia

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A classificação é uma das atividades do processo de gestão de documentos arquivísticos.

Assinale a alternativa que apresenta algumas das rotinas correspondentes às operações de classificação.

  • A Receber o documento; identificar o assunto principal; identificar o tempo de guarda.
  • B Identificar o assunto principal conforme o conteúdo; localizar o(s) assunto(s) no código de classificação; codificar o(s) anexo(s) conforme o suporte do documento.
  • C Localizar o(s) assunto(s) no código de classificação; anotar o código no canto inferior direito da última folha do documento; preencher a folha de referência.
  • D Receber o documento; identificar o assunto principal e o(s) secundário(s) conforme o conteúdo; localizar o(s) assunto(s) no código de classificação.
  • E Receber e verificar o destino do documento conforme folha de referência; selecionar o material a ser arquivado, daquele a ser descartado; preencher o sistema.
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Ter ciência quanto às rotinas de expedição de correspondência é uma atribuição essencial para um ocupante de cargo de auxiliar de secretaria, uma vez que assim se realizam processos de comunicação externa e se efetiva a transparência de uma instituição. Ao conjunto de operações que enseja o fluxo documental entre setores, empresas e órgãos, possibilitando o acesso à informação e abrangendo o setor responsável pela tramitação de documentos dá-se o nome de:
  • A Arranjo.
  • B Cláusula.
  • C Protocolo.
  • D Retificação.
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Seguindo orientações do SEI, é necessário preparar documentos para digitalização. A esse respeito, assinale a alternativa que seja incorreta do ponto de vista do processo.

  • A Preparação: remover grampos, clipes e espiral; desamassar documentos; recuperar páginas rasgadas.
  • B Captura da imagem: digitalizar os documentos, gerando imagem digital.
  • C Conferência: revisar as imagens para garantir a qualidade do arquivo capturado.
  • D Indexação: identificar documento; salvar como GIF ou JPG; armazenar em sistema.
  • E Finalização: organizar e arquivar os documentos físicos.
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Na gestão de documentos, produção e fluxo documental se referem às atividades e procedimentos que implicam na produção-criação, recepção, protocolo, trâmite e acompanhamento dos documentos. O serviço de protocolo compreende um conjunto de operações que
  • A possibilita o controle do fluxo documental no órgão-instituição, viabilizando a recuperação e o acesso à informação.
  • B permite apenas a classificação, quando os documentos internos são identificados, distribuídos e encaminhados para os setores a que são destinados.
  • C envolve apenas as atividades de recepção, por meio do registro da entrada de documentos e de autuação, quando é atribuído somente um número aos documentos externos.
  • D engloba exclusivamente as operações de controle, ao ser feito o acompanhamento dos documentos internos e movimentação, e registradas as movimentações dos documentos externos.
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Entendemos a digitalização como um processo de conversão dos documentos arquivísticos em formato digital.
(Resolução CONARQ nº 31, p. 5. 28/04/2010.)

Sobre a digitalização de documentos, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) O formato de saída de arquivo digital é o TIF sem compressão.
( ) A resolução mínima para a digitalização de documentos é de 300 dpi.
( ) A captura digital de uma imagem pode ser feita por meio de scanner planetário.
( ) Um dos objetivos da digitalização é contribuir para o amplo acesso dos documentos.

A sequência está correta em

  • A V, V, V, V.
  • B F, F, V, F.
  • C V, F, F, F.
  • D V, V, F, V.
6
A respeito da avaliação de documentos no CREFITO-4, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) O processo de avaliação de documentos deve ser realizado por equipe multidisciplinar do CREFITO-4.

( ) O processo de avaliação consiste em identificar o valor primário dos documentos para eliminar os de valor secundário.

( ) É de responsabilidade do técnico de arquivo do CREFITO-4 aprovar a avaliação dos documentos de guarda permanente do órgão.

( ) O valor secundário documental está diretamente relacionado ao potencial de uso administrativo dos documentos pelo CREFITO-4.

A sequência está correta em
  • A V, F, V, F.
  • B F, V, V, V.
  • C V, F, F, F.
  • D F, V, F, V.
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De acordo com a Resolução nº 40, do Conselho Nacional de Arquivos, de 09/12/2014, que dispõe sobre os procedimentos para a eliminação de documentos no âmbito dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Arquivos – SINAR, assinale a afirmativa INCORRETA. 
  • A Após a autorização para eliminação de documentos, o CREFITO-4 deverá elaborar e publicar o Edital de Ciência de Eliminação de Documentos.
  • B A eliminação de documentos digitais e não digitais pelo CREFITO-4 ocorrerá depois de concluído o processo de descrição e arranjo dos documentos.
  • C O instrumento que tem por objetivo registrar as informações relativas ao ato de eliminação de documentos do CREFITO-4 é o Termo de Eliminação de Documentos.
  • D A eliminação de documentos do CREFITO-4 será efetuada por meio de fragmentação manual ou mecânica com garantia de que a descaracterização dos documentos não possa ser revertida.
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A Lei nº 6.546/1978 dispõe sobre a regulamentação das profissões de arquivista e de técnico de arquivo. De acordo com tal normativa, cabe ao técnico de arquivo:

I. O recebimento, o registro e a distribuição dos documentos.
II. O planejamento, a organização e a direção de serviços de arquivo.
III. O desenvolvimento de estudos sobre documentos culturalmente importantes.
IV. A preparação de documentos de arquivo para processamento eletrônico de dados.

Está correto o que se afirma apenas em
  • A I e II.
  • B I e IV.
  • C II e III.
  • D III e IV.
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Sobre os arquivos especiais, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Os acervos fotográficos são exemplos de arquivos especiais.
( ) Arquivos especiais têm sob a sua guarda documentos de diferentes tipos de suporte.
( ) Os documentos tradicionais em papel produzidos pelas áreas médicas e de fisioterapia são exemplos de arquivos especiais.
( ) Os arquivos especiais requerem tratamento diferenciado quanto ao suporte, registro, acondicionamento e conservação.

A sequência está correta em
  • A V, F, V, F.
  • B F, V, V, F.
  • C V, V, F, V.
  • D V, F, F, V.
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Em relação à tabela de temporalidade e destinação de documentos, analise as afirmativas a seguir.

I. Registra o ciclo de vida dos documentos.

II. Deve constar os prazos de arquivamento dos documentos nos arquivos corrente e intermediário.

III. A destinação final dos documentos deve estar prevista na tabela e ser aplicada nos arquivos permanentes.

IV. A atividade de transferência dos documentos dos arquivos correntes para o permanente deve estar prevista na tabela.

Está correto o que se afirma apenas em
  • A I e II.
  • B I e III.
  • C II e III.
  • D III e IV.

Legislação Municipal

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Enquanto o Poder Público Municipal não editar Diário Oficial para publicação dos Atos dos Órgãos Legislativo e Executivo, estes deverão ser publicados em periódico de circulação no Município de Sumaré com:

I. centralização.
II. participação popular nas decisões.
III. transparência e moralidade.

Está correto o contido em:

  • A I e II, apenas.
  • B I e III, apenas.
  • C II e III, apenas.
  • D I, II e III.
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Sobre as vantagens acessórias conferidas pela Lei Complementar Municipal nº 120/2017 aos servidores ocupantes de cargo efetivo no Poder Legislativo de Cáceres/MT, é correto afirmar:

  • A O adicional por tempo de serviço corresponde a 2% (dois por cento) sobre o vencimento base por ano de efetivo exercício, sem limite máximo.
  • B Os três meses de licença-prêmio deverão ser usufruídos sempre de forma parcelada, independentemente de requerimento do servidor interessado.
  • C É vedada a conversão de licença-prêmio em pecúnia, cabendo ao servidor usufruir a licença no período aquisitivo subsequente ao quinquênio.
  • D As faltas injustificadas ao serviço retardarão a concessão da licença-prêmio na proporção de um mês para cada falta.
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Analise a seguinte situação hipotética envolvendo três servidores da Câmara Municipal de Cáceres.
Pedrina foi recentemente nomeada para assumir cargo de nível médio, após ser aprovada no concurso público promovido pela Câmara Municipal de Cáceres. Martino é servidor ocupante de cargo efetivo na Câmara Municipal de Cáceres e concluiu, de forma satisfatória, o período e as avaliações do estágio probatório. Rosinha é pessoa de confiança de um dos Vereadores e foi nomeada pelo Presidente da Câmara Municipal de Cáceres para exercer atribuições de assessoramento parlamentar.
De acordo com o disposto na Lei Complementar Municipal nº 120/2017, Pedrina, Martino e Rosinha são integrantes das seguintes partes do Quadro de Pessoal da Câmara Municipal de Cáceres/MT, correta e respectivamente:

  • A Pessoal de Provimento em Comissão; Pessoal Estável; Pessoal de Provimento Efetivo.
  • B Pessoal de Provimento Efetivo; Pessoal Estável; Pessoal de Provimento em Comissão.
  • C Pessoal de Provimento Instável; Pessoal de Provimento Efetivo; Pessoal de Provimento em Comissão.
  • D Pessoal de Provimento Efetivo; Pessoal de Provimento em Comissão; Pessoal Instável.
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De acordo com a Prefeitura Municipal, Balneário Camboriú vai ter Selo Municipal de Reconhecimento para o Setor de Turismo, que irá reconhecer e promover as boas práticas adotadas pela sua cadeia produtiva. O programa concederá cinco Selos, que serão lançados semestralmente. A obtenção do primeiro Selo está ligada ao cumprimento de critérios ambientais.
Esse primeiro Selo, de grande importância para o Turismo do município, é o:

  • A Da segurança.
  • B Da acessibilidade.
  • C Da sustentabilidade.
  • D Das medidas sanitárias.
  • E Do atendimento ao turista.
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A perda da qualidade de dependente do segurado do Programa de Previdência do Município de Maringá ocorrerá, com relação

  • A ao cônjuge, somente pela separação judicial ou pelo divórcio.
  • B ao convivente, devido a separação fática.
  • C ao filho, pela emancipação.
  • D ao filho, quando este completar vinte e um anos de idade.
  • E ao cônjuge, apenas pela anulação do casamento.
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Sobre as férias do servidor público do município de Taubaté, analise as afirmativas a seguir.


I. O servidor gozará, obrigatoriamente, 30 dias de férias por ano, concedidas em 2 períodos iguais, se assim requeridas, seguindo a escala organizada pela chefia imediata.

II. É permitido converter 1/3 das férias em dinheiro, mediante requerimento apresentado 30 dias antes do seu início.

III. Somente depois de 12 meses de exercício o servidor terá direito a férias.


Está correto o que se afirma em 

  • A I, apenas.
  • B I e II, apenas.
  • C I e III, apenas.
  • D II e III apenas.
  • E I, II e III.
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No município de Taubaté, o servidor público que compareça ao serviço dentro dos 15 minutos iniciais da jornada de trabalho ou se retire do serviço até 1 hora antes do seu término durante 3 vezes ao mês, poderá perder

  • A 1/8 da remuneração do dia.
  • B 1/4 da remuneração do dia.
  • C 1/2 da remuneração do dia.
  • D 1/3 da remuneração do dia.
  • E 2/3 da remuneração do dia.
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De acordo com o Código de Administração do município de Taubaté, Lei Complementar nº 01/1990, é vedado ao servidor público

  • A acumular cargos no município.
  • B ser cotista de empresa privada.
  • C manter sob sua chefia imediata parente de terceiro grau civil.
  • D criticar ato do Poder Público do ponto de vista doutrinário em trabalho assinado.
  • E fazer circular ou abaixo-assinado de qualquer natureza no recinto da repartição.
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A Lei Complementar nº 401/2016, que dispõe sobre a organização administrativa da Câmara Legislativa de Taubaté, assegura aos servidores ativos da Câmara Legislativa de Taubaté o direito ao auxílio alimentação no valor mensal de 5 unidades fiscais, incluindo aqueles que

  • A estejam cumprindo período de suspensão temporária.
  • B possuam jornada de trabalho inferior a 30 horas semanais.
  • C recebam diária, desde que referente aos dias que fizerem jus ao benefício.
  • D não comparecerem à câmara em dia de serviço.
  • E permaneçam em gozo de férias ou licença prêmio.
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Avalie se as assertivas a seguir, acerca dos deveres do servidor, estão corretas.


1. Ser leal às instituições a que servir, exercendo com zelo as atribuições do cargo.

2. Tratar as pessoas com urbanidade e ser pontual ao serviço.

3. Promover manifestações de apreço no recinto da repartição, mantendo conduta compatível com a moralidade.


De acordo com o previsto no Código de Administração do Município de Taubaté, está correto o que se afirma em 

  • A 1, apenas.
  • B 2, apenas.
  • C 3, apenas.
  • D 1 e 2, apenas.
  • E 2 e 3, apenas.

Matemática Financeira

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Uma pessoa compra um produto, mas não efetua qualquer pagamento no momento da compra. O único desembolso que o comprador faz dá-se um mês depois, no valor de R$ 1.500,60, quitando a sua dívida com o vendedor.

Sabendo que o vendedor cobrou juros de 20% ao mês, conclui-se que o preço à vista desse produto está entre

  • A R$ 1.200,00 e R$ 1.212,00.
  • B R$ 1.212,00 e R$ 1.224,00.
  • C R$ 1.224,00 e R$ 1.236,00.
  • D R$ 1.236,00 e R$ 1.248,00.
  • E R$ 1.248,00 e R$ 1.260,00.

Contabilidade Geral

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Uma empresa planeja comprar, em janeiro 2024, um equipamento cujo preço à vista é de R$ 4 milhões. Desse valor, 20% serão financiados em duas prestações anuais e iguais, a serem pagas daqui a exatos 1 e 2 anos, da data planejada da compra, respectivamente, em janeiro de 2025 e em janeiro de 2026.

Considerando-se a equivalência financeira a juros compostos, se a taxa de juros cobrada no financiamento é de 10% ao ano, a melhor aproximação para o valor de cada uma dessas duas prestações, em milhares de reais, é

  • A 461
  • B 472
  • C 484
  • D 492
  • E 498

Matemática Financeira

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Uma empresa, com restrição orçamentária, precisa decidir entre dois projetos mutuamente excludentes. O projeto M possui taxa interna de retorno de 12%, e o projeto P, de 14%. Os projetos apresentam riscos iguais, e, quando o custo de capital é de 7%, os projetos geram o mesmo valor presente líquido.

A partir dos elementos oferecidos, constata-se que a avaliação adequada, na comparação entre a viabilidade dos projetos M e P, está descrita a seguir:

  • A se o custo de capital é 13%, o projeto P é melhor que o projeto M.
  • B se o custo de capital é 13%, o projeto M é melhor que o projeto P.
  • C se o custo de capital é de 7%, o projeto P é melhor que o projeto M.
  • D se o custo de capital é de 7%, o projeto M é melhor que o projeto P.
  • E os dois projetos devem ser colocados em prática, pois a taxa interna de retorno de ambos é maior que o custo de capital.
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O valor presente líquido de uma máquina é o valor presente do(s)

  • A lucro menos o custo do investimento
  • B fluxos de caixa dividido pelo investimento inicial
  • C fluxos de caixa menos o custo do investimento
  • D fluxos de caixa menos o investimento inicial
  • E lucro líquido dos impostos menos o custo do investimento
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O método de avaliação econômica que é obtido pela diferença entre o valor presente dos benefícios líquidos de caixa, previstos para cada período de duração do projeto, e o valor presente do investimento denomina-se

  • A Taxa Interna de Retorno
  • B Taxa Interna de Retorno Modificada
  • C Payback
  • D Valor Presente Líquido
  • E Índice de Lucratividade
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Uma empresa requer uma taxa de retorno de 10%, porém, ao utilizar o método do Valor Presente Líquido para avaliar um projeto, o resultado apresentado foi zero.

Isso significa que a(o)

  • A taxa interna de retorno do projeto excede 10%.
  • B taxa interna de retorno é menor que a taxa mínima exigida da empresa.
  • C projeto é economicamente viável ao ter uma taxa de desconto de 10%.
  • D projeto é economicamente inviável ao ter uma taxa de desconto de 10%, ou seja, apresentar resultado negativo.
  • E projeto é economicamente viável se a taxa de desconto for menor do que 10%.
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Uma empresa está avaliando a viabilidade econômico-financeira de dois projetos de investimentos, denominados X e Y. Os projetos foram inicialmente considerados como tendo apresentado o mesmo nível de risco das atividades econômicas usuais da empresa. O payback descontado encontrado para o projeto X apresentou um resultado de 3 anos, e para o projeto Y, um resultado de 5 anos. O projeto Y, após reavaliação, foi considerado de maior risco e, por isso, passou a apresentar um payback descontado de 6 anos, devido ao aumento no seu custo médio ponderado de capital.

Sendo assim, o

  • A VPL de X é certamente maior do que o VPL de Y.
  • B VPL de Y é certamente maior do que o VPL de X
  • C VPL de Y pode ser maior do que o VPL de X.
  • D VPL de Y é igual ao VPL de X.
  • E VPL de X ou o VPL de Y pode ser negativo.
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Mônica deveria pagar uma fatura no valor de R$1200,00. Ela atrasou o pagamento por dois meses, e teve que pagar o valor de R$1452,00.
Sabendo-se que foram considerados juros compostos a uma taxa fixa, essa taxa situa-se entre

  • A 13,5% e 14,5%.
  • B 12,5% e 13,5%.
  • C 11,5% e 12,5%.
  • D 10,5% e 11,5%.
  • E 9,5% e 10,5%.
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Um capital de R$7.500,00 foi aplicado à taxa semestral de 5% no regime de capitalização simples. Para que seja obtido um montante de R$9.750,00, o prazo dessa aplicação deverá ser de

  • A 3 anos e 6 meses.
  • B 3 anos.
  • C 4 anos e 6 meses.
  • D 4 anos.
  • E 5 anos e 6 meses.
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Um servidor público possui R$ 50.000,00 para investir. Ele aplica 30% desse valor, a juros simples, a uma taxa de 3% ao mês, durante 2 meses. O restante, ele aplica, também a juros simples, em outro investimento que rende 2% ao mês, igualmente durante 2 meses. Assinale a alternativa que indique corretamente o montante que ele possuirá ao final do período.

  • A R$ 51.150,00
  • B R$ 51.600,00
  • C R$ 52.300,00
  • D R$ 52.450,00
  • E R$ 54.150,00

Atualidades

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Considere o texto abaixo, que aborda a relação entre ética empresarial e sustentabilidade.

Muitas empresas trataram inicialmente o tema da ética estritamente em termos de mercado: investir mercadologicamente na ética. [...] Fizeram da Responsabilidade Social e do Código de Ética uma peça publicitária. [...] Outras empresas foram apercebendo-se de que havia um outro desafio. Levantou-se a hipótese de que o mercado (assim como a política) estivesse esbarrando num limite de sustentabilidade que requereria um outro tipo de atitude diante das questões ambientais, sociais, éticas. [...] Isso significaria apostar num novo padrão de relação com todos os stakeholders, num compromisso efetivo com a sociedade, a cultura, a comunidade local, o meio ambiente, a vida dos colaboradores da empresa, sem inviabilizarem seus negócios. Essas empresas são as que olham mais à frente, para uma necessária, ainda que precária, reconciliação entre economia e sociedade, produtividade e desenvolvimento, lucro e justiça social, empreendedorismo e ética. [...] Mobilizam suas Relações Públicas nesse sentido de comunicação e de compromisso público.

CASALI, A. Ética e sustentabilidade nas Relações Públicas. In. Organicom, ano 5, n.8, 2008.


Levando-se em conta a fundamental importância da função do profissional de Relações Públicas na gestão das relações organizacionais e na comunicação entre as empresas e seu público, verifica-se que

  • A a estratégia mais viável para empresas é reduzir aspectos éticos e de responsabilidade social à propaganda publicitária, pois esse é o único meio eficiente de comunicação entre a marca e seus consumidores e, consequentemente, de viabilização financeira dos negócios.
  • B o profissional de relações públicas pode contribuir na transmissão dos valores da empresa associados a um compromisso ético efetivo com a sociedade, apresentando, por exemplo, suas iniciativas alinhadas às diretrizes desenhadas pelos 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
  • C a aposta a ser feita, em nossos dias, é em um novo padrão de relação entre os negócios e as partes interessadas (stakeholders), desassociando lucro e justiça social, empreendedorismo e ética, sustentabilidade e redução de desigualdades, subordinando, assim, à lógica do capital e do lucro a curto prazo as ações sociais e de impacto ambiental das empresas.
  • D a função da empresa é formular um código de Ética Empresarial que dê conta de suas iniciativas de responsabilidade social, apostando que este seja o único e principal instrumento de comunicação de valores, avaliação e mensuração de riscos e impactos ambientais.
  • E os valores sociais são sempre individualizáveis — o que é bom para um pode ser mau para o outro —; portanto, recomenda-se reconhecer que as iniciativas sustentáveis de cada empresa, bem como os impactos socioambientais de seus negócios, devem ser pautados pelo sigilo e raramente comunicados ao público.
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No início do mês de setembro de 2023, um jornal de grande circulação no país anunciava o seguinte:

Um dos eventos mais aguardados pelo empresariado brasileiro [...] ocorre em meados de setembro em Nova York (EUA) e já conta com empresários como Luiza Trajano (Magazine Luiza), Suelma Rosa (Unilever), Alexandra Pain (C6 Bank) e Reynaldo Goto (BRF). Promovido pelo Pacto da ONU, o evento é disputado porque atrai notáveis pensadores para discutir como a iniciativa das próprias empresas tem peso para o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), metas da Agenda 2030, que prevê, por exemplo, redução de gases estufa e inclusão de minorias.

SUSTENTABILIDADE reúne empresários em evento da ONU. Folha de S. Paulo. Coluna Painel S. A. 4 set. 2023. Disponível em: https://www1. folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2023/09/sustentabilidade-reune-empresarios-em-evento-da-onu.shtml. Acesso em: 7 set. 2023.


Considerando-se que uma gestão ambiental eficiente nas organizações — incluindo a iniciativa privada — é fundamental para o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), constata-se que as diretrizes de governança corporativa devem

  • A promover iniciativas de desenvolvimento econômico em países em desenvolvimento, buscando contribuir para a geração de riquezas, a despeito de uma distribuição de renda mais equânime, entendendo como secundários, portanto, o consumo e as produções responsáveis e a redução das desigualdades.
  • B apartar e distinguir diferentes temas no campo do desenvolvimento sustentável, para, com isso, garantir que políticas e iniciativas de erradicação da pobreza e de redução das desigualdades sejam consideradas de forma isolada e desligadas de ações contra a mudança global do clima, e a proteção das vidas marinha e terrestre.
  • C defender e difundir a ideologia de gênero, impor obstáculos ao desenvolvimento econômico (ao promover o trabalho decente) e interditar permanentemente o uso de combustíveis fósseis em todo o planeta, já no ano de 2025.
  • D estimular iniciativas de proteção às vidas na terra e nas águas do planeta, sensibilizar as populações de países desenvolvidos e em desenvolvimento para o consumo e a produção consciente de bens e serviços, e estimular o crescimento econômico desigual e o acesso restrito a serviços de saúde e educação.
  • E estar atentas — em especial levando-se em conta seus princípios de transparência e responsabilidade social — à viabilidade econômico-financeira do negócio na mesma medida em que gerenciam adequadamente os riscos relativos às suas externalidades negativas e os aspectos sócio-trabalhistas do empreendimento, como valorização da diversidade, incluindo gênero, raça, cultura e orientação sexual.
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Em setembro de 2022, diversos ex-ministros da economia assinaram um documento intitulado “A importância da sustentabilidade para a economia do Brasil”. Nele, pode-se ler:

Nós, ex-ministros da Fazenda e ex-Presidentes do Banco Central, reafirmamos a centralidade da sustentabilidade ambiental e do combate ao aquecimento global para o sucesso econômico e social do Brasil e para a segurança mundial [...]. O custo do aquecimento global vai aumentar muito, especialmente para os países tropicais. Ele irá prejudicar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e embotar a consolidação das melhoras de padrão de vida alcançadas nas últimas décadas, inclusive no Brasil. [...] O Brasil tem a capacidade técnica e os recursos naturais para ser vitorioso no novo ambiente econômico mundial pautado pela necessidade de evitar o aquecimento global e alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável [...]. Essa vantagem é respaldada pelo crescente compromisso da sociedade e de inúmeras empresas no Brasil com a sustentabilidade. Mas o sucesso do Brasil nesse ambiente dependerá, de forma crucial, da prioridade política e urgência que os próximos governos deem à agenda da sustentabilidade, do fim célere do desmatamento e das ações no rumo da economia de carbono zero.

A importância da sustentabilidade para a economia do Brasil. Disponível em: https://convergenciapelobrasil.org.br/carta- -manifesto-2022/. Acesso em: 7 set. 2023. Adaptado.


A partir da leitura do texto acima e considerando-se a importância do tema da sustentabilidade para a economia brasileira e para a conjuntura econômica internacional, constata-se que

  • A a relação entre o aquecimento global, as atividades humanas e o crescimento econômico é uma falácia: o Brasil tem plenas condições de seguir crescendo, distribuindo renda e conquistando mercados internacionais sem necessariamente estar atento às questões relativas a sustentabilidade.
  • B o Brasil não tem como enfrentar os desafios que no presente se impõem: diminuir ou dar fim ao desmatamento na Amazônia e no cerrado, inserir-se na economia de carbono zero, ou mesmo legislar com o objetivo de proteger o meio ambiente e os recursos naturais.
  • C seja do ponto de vista da disponibilidade de capital natural, seja levando em conta critérios de capacidade técnica e compromisso — da sociedade e de inúmeras empresas no país — os economistas defendem que o Brasil tem condições de se destacar no mercado internacional, desde que seja dada prioridade política à agenda de sustentabilidade.
  • D a desvantagem do Brasil não está na ausência de recursos naturais, mas na falta de compromisso da sociedade e de inúmeras empresas no Brasil com a sustentabilidade, apesar do crescente investimento que o setor público tem feito em iniciativas de proteção ao desmatamento e diminuição do uso de recursos naturais não renováveis.
  • E a sustentabilidade é um tema que deve ser prioritariamente conduzido pelo setor privado, já que não cabe ao Estado desenvolver políticas públicas que priorizem a agenda da economia e do desenvolvimento sustentável.
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No mês de agosto de 2023, aconteceu na cidade de Belém, Estado do Pará, a Cúpula da Amazônia - IV Reunião dos Presidentes dos Estados Partes no Tratado de Cooperação Amazônica. Sobre o encontro, assinale a alternativa correta:

  • A A “Declaração de Belém” foi um importante legado deixado pela Cúpula da Amazônia.
  • B O objetivo da cúpula era negociar economicamente os recursos da Amazônia até 2030.
  • C O evento foi destinado aos governadores dos Estados brasileiros.
  • D O compromisso de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 foi consenso assumido por todos os participantes da Cúpula.
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A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em seu site, destaca uma retrospectiva sobre o surto do novo coronavírus, enfatizando que no dia 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a situação como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), considerado o mais alto índice de alerta da OMS e, em 11 de março de 2020, a COVID-19 foi caracterizada, também pela OMS, como pandemia. Sobre a COVID-19, problemáticas sociais decorrentes, as descobertas científicas e suas relações com o recente episódio mundial de pandemia, assinale a alternativa correta:

  • A A vacinação constitui a principal medida de prevenção contra formas graves da COVID-19 e a decisão de não vacinar crianças e adolescentes, por parte de seus responsáveis, se contrapõe ao arcabouço legal brasileiro.
  • B Covid-19 refere-se à doença causada pelo novo coronavírus e o tratamento, que deu fim ao período de isolamento a partir de pesquisas científicas comprovadas pela OMS, foi realizado com base no uso de cloroquina.
  • C O isolamento social no período que antecedeu à descoberta e aplicação da vacina, figurou como medida preventiva rigorosamente respeitada em todo território nacional, sem a intervenção de desinformação, como as chamadas fake news.
  • D O “Coronavírus Brasil” é um veículo de informação de responsabilidade de empresas e organizações privadas, que publica indicadores sobre a situação epidemiológica da COVID-19 no Brasil em comparação com outros países do mundo.
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A expansão da influência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em direção ao leste da Europa e, também, em direção à região do Indo-Pacífico tem sido apontada como um dos principais problemas geopolíticos da conjuntura internacional contemporânea.


A respeito das recentes movimentações dessa aliança militar ocidental, assinale a afirmativa correta. 

  • A Com a invasão russa da Ucrânia, a OTAN passou a receber propostas de países vizinhos como a Moldávia e a Crimeia para ingressarem na aliança militar, interessados no Art. 5º da organização que estabelece que um país membro do grupo, caso atacado, deverá ser protegido militarmente por todos os demais.
  • B Na Reunião de Cúpula da OTAN em julho de 2023, o PrimeiroMinistro sueco e o presidente da Turquia não conseguiram chegar a um acordo: a Turquia vetou o ingresso da Suécia na OTAN com a justificativa de que seu governo apoiava os curdos, considerados terroristas por Erdogan.
  • C O tema mais difícil para a OTAN, após o início da invasão russa na Ucrânia, é o da adesão ucraniana à aliança militar, negada em 2008, em conjunto com as propostas da Geórgia e Moldávia para ingressar na organização.
  • D As intenções da OTAN em expandir sua influência para o Indo-Pacífico, de modo a conter o fortalecimento do poder da China na região, não tem sido bem recebida pelos países asiáticos: Japão, Austrália, Coreia do Sul e Nova Zelândia têm recusado propostas de cooperação em segurança e defesa com países ocidentais.
  • E Mesmo após o fim da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a OTAN continuou se expandindo para o leste europeu e acolhendo países ex-membros da aliança militar soviética, processo utilizado pelo presidente russo Vladimir Putin como uma justificativa para invadir a Ucrânia em 2022.
37

A respeito dos impactos econômicos do conflito Rússia-Ucrânia, analise as afirmativas a seguir.


I. Para a indústria agro-alimentar, o conflito significou um aumento no preço das matérias primas agrícolas, sobretudo o trigo russo, e o redirecionamento do escoamento dos cereais de ambos os países para os portos do Mar de Azov, os únicos mantidos abertos para o comércio internacional.

II. As indústrias automotiva e aeroespacial foram impactadas pelo conflito, uma vez que a Rússia e a Ucrânia, grandes produtoras de paládio, diminuíram suas exportações, o que afetou a produção de catalisadores para motores de combustão interna e de semicondutores.

III. O setor de transportes foi fortemente atingido, porque as companhias aéreas europeias, além de enfrentar a elevação do preço dos combustíveis, precisaram lidar com a interdição de sobrevoar o espaço aéreo russo.


Está correto o que se afirma em 

  • A I, apenas.
  • B II, apenas.
  • C I e II, apenas.
  • D II e III, apenas.
  • E I, II e III.
38

As opções a seguir descrevem corretamente as causas da crise financeira de 2008 no mercado imobiliário norte-americano,  à exceção de uma. Assinale-a

  • A Origina-se no mercado de hipotecas, com um alto volume de empréstimos a juros baixos para compra de imóveis.
  • B Relaciona-se à oferta elevada de crédito barato, que causou um aumento de interesse na compra da casa própria, o que levou à valorização do preço dos imóveis.
  • C Vincula-se ao crédito hipotecário subprime, destinado à população que não pode comprovar a própria renda, em função de trabalhar na ilegalidade.
  • D Remete à desregulamentação que caracterizou o sistema financeiro, combinada a um elevado grau de confiança na economia, expresso pela percepção geral de que as recessões eram uma realidade distante e superada.
  • E Foi marcada pela quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em um contexto de inadimplência generalizada e de uma sequência de falências no setor financeiro.
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O quadro atual de transformações internacionais multilaterais com disputas geopolíticas coexistindo com a presença de uma mobilizada sociedade civil internacionalizada, tem criado oportunidades inusitadas para países como o Brasil com escasso poder material, mas conhecimentos consistentes da diplomacia multilateral.

Em 2023, o Brasil participou de diversos fóruns multilaterais: em Belém da IV Cúpula dos Chefes da OCTA; em Johanesburgo da Cúpula dos BRICS; em Nova Délhi da Cúpula do G20 e em Nova York da tradicional abertura da AGNU. Como se afirma na diplomacia, “não é o multilateralismo que está em crise, mas o seu tradicional modelo do Conselho de Segurança da ONU.”


Considerando o trecho, analise as afirmativas a seguir a respeito da agência brasileira nestes novos fóruns multilaterais.


I. Na Cúpula Pan-Amazônica (Belém, 2023), a formação de uma aliança inter-regional dos países detentores das maiores florestas tropicais do planeta, apoiou a declaração final “Unidos por Nossas Florestas”, que destacou a necessidade de “de manter a floresta em pé, evitando o ponto de não retorno e preservando sua biodiversidade.”

II. Na Cúpula dos BRICS (Johanesburgo, 2023), a China foi considerada vitoriosa ao obter a aprovação da expansão dos membros do grupo e o Brasil conseguiu inserir a Argentina como seu parceiro regional, de modo que ela obtivesse uma garantia financeira por intermédio do Banco dos BRICS.

III. Na Cúpula do G20 (Nova Délhi, 2023), o Brasil assumiu a presidência temporária do fórum, mas a ausência de Putin e Xi Jimping impediu que o fórum elaborasse uma declaração final e pode prejudicar a assunção do Brasil à presidência do G20 prevista para novembro de 2024.


Está correto o que se afirma em 

  • A I, apenas.
  • B II, apenas.
  • C I e II, apenas
  • D I e III, apenas
  • E I, II e III.
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O conceito de guerra híbrida ou guerra de 4ª geração adentra ao estudo objetivo e científico das guerras como fenômeno social a partir da publicação do artigo The Changing Face of War: Into the Fourth Generation (2005), de autoria de William S. Lind, no qual o autor destaca que a guerra do futuro seria mais fluida, descentralizada, assimétrica, não convencional, envolvendo atores estatais e não estatais. Trata-se, na realidade, de um termo amplo que engloba as ideias de “guerra de informação”, “guerra assimétrica”, “guerra jurídica”, “guerra cultural”, “guerra não convencional”, “guerra irregular”, “guerra subversiva”, “guerra cibernética”, dentre outros. Assim, a guerra híbrida ou guerra de 4ª geração caracteriza-se pela combinação de operações militares e não militares, meios diplomáticos, econômicos, culturais, jurídicos, propagandísticos e outros meios de influência para alcançar os objetivos definidos pela Grande Estratégia de um País. Nesse sentido, Frank Hoffman, em seu livro Conflict in the 21st Century: The Rise of Hybrid Wars (2007), considera a guerra híbrida como uma “gama completa de diferentes modos de guerra, incluindo capacidades convencionais, táticas e formações irregulares, atos terroristas, incluindo violência indiscriminada e coerção e desordem criminal”.


Com relação às diferentes características, vertentes ou vetores das guerras híbridas de quarta geração, analise os itens a seguir. 


I. O conceito de guerra híbrida somente desponta com maior visibilidade na polemologia a partir do contexto de ondas de (des)globalização da economia que tiveram início a partir da implantação da Doutrina Trump, denominada de America First, cuja linha dominante é a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

II. A ideia de lawfare (guerra jurídica), difundida no âmbito da polemologia pelo major-general norte-americano Charles J. Dunlap Jr., é uma das vertentes da guerra híbrida, que se confunde com o ativismo judicial e a judicialização da política, na medida em que é usada a serviço de determinada ideologia ou objetivo políticos. 

III. No contexto atual dos estudos da polemologia, sob a ótica das potências ocidentais, seus adversários estão se tornando cada vez mais adeptos da propagação da guerra jurídica por atores não estatais e autocracias, ao mesmo tempo em que os Estados liberais democráticos tendem a receber maior impacto dessa vertente da guerra híbrida. 


Está correto o que se afirma em 

  • A I, apenas.
  • B II, apenas.
  • C II e III, apenas.
  • D III, apenas.
  • E I, II e III.

Literatura

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A literatura brasileira é rica e diversificada, com uma longa tradição que abrange vários estilos, movimentos e períodos. Nesse sentido, é um dos maiores escritores brasileiros, e suas obras incluem “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Trata-se de:

  • A José de Alencar.
  • B Casimiro de Abreu.
  • C Machado de Assis.
  • D Carlos Drummond de Andrade.
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Machado de Assis, nosso brilhante romancista, publicou obras relacionadas a dois diferentes estilos de época, que foram:

  • A Romantismo / Realismo.
  • B Romantismo / Naturalismo.
  • C Realismo / Naturalismo.
  • D Realismo / Pré-Modernismo.
  • E Pré-Modernismo / Modernismo.
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Assinale o segmento que, por suas características linguísticas, pertence ao escritor Mário de Andrade.

  • A Que milagres de esperteza e de economia não realizou ele nessa construção! Servia de pedreiro, amassava e carregava barro, quebrava pedra; pedra, que o velhaco, fora de horas, junto com a amiga, furtava à pedreira do fundo, da mesma forma que subtraiam o material das casas em obra que havia por ali perto.
  • B HAMLET observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
  • C Nunca mais que o cabriolé de Seu Lula enchesse as estradas com a música de suas campainhas. A família do Santa Fé não ia mais à missa aos domingos. A princípio correra que era doença no velho. Depois inventaram que o carro não podia mais rodar, de podre que estava.
  • D Esta imensa campina, que se dilata por horizontes infindos, é o sertão de minha terra natal. Aí campeia o destemido vaqueiro cearense, que à unha de cavalo acossa o touro indômito no cerrado mais espesso, e o derriba pela cauda com admirável destreza.
  • E Foram. A margem estava traiçoeira e nem se achava bem o que era terra o que era rio entre as mamoranas copadas. Maanape e Jiguê procuravam enlameados até os dentes, degringolando juque! nos barreiros ocultos pela inundação.
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Sobre a obra de Graciliano Ramos, assinale a afirmativa correta.

  • A Tentou modificar a língua portuguesa literária, criando neologismos e ressuscitando arcaísmos de fundo regional.
  • B Como romancista, explorou os romances regionalista, os romances psicológicos e a narrativa de memórias.
  • C Procurou guiar sua produção literária na ordem cronológica de sua própria vida, incluindo em seus textos inúmeras referências autobiográficas.
  • D Modificou a língua literária brasileira, procurando restaurar a pureza do idioma lusitano do século anterior.
  • E Buscou preservar a memória nacional, incluindo em seus textos fatos de nossa vida cultural de origem africana.
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A segunda geração modernista introduziu em nossa literatura um tipo de romance, que se tornou conhecido sobretudo pelas obras de Clarice Lispector.


Esse novo romance é o: 

  • A romance de memórias.
  • B romance psicológico.
  • C romance de aventuras.
  • D romance regionalista.
  • E romance policial.
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O texto abaixo, retirado do romance O Cortiço, que exemplifica a ideologia naturalista na literatura brasileira, é:

  • A João Romão foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhara nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda com o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro.
  • B Ele propôs-lhe morarem juntos e ela concordou de braços abertos, feliz em meter-se de novo com um português, porque, como toda a cafuza, Bertoleza não queria sujeitar-se a negros e procurava instintivamente o homem numa raça superior à sua.
  • C João Romão comprou então, com as economias da amiga, alguns palmos de terreno ao lado esquerdo da venda, e levantou uma casinha de duas portas, dividida ao meio paralelamente à rua, sendo a parte da frente destinada à quitanda e a do fundo para um dormitório que se arranjou com os cacarecos de Bertoleza.
  • D Bertoleza representava agora ao lado de João Romão o papel tríplice de caixeiro, de criada e de amante. Mourejava a valer, mas de cara alegre; às quatro da madrugada estava já na faina de todos os dias, aviando o café para os fregueses e depois preparando o almoço para os trabalhadores de uma pedreira que havia para além de um grande capinzal aos fundos da venda.
  • E João Romão não saia nunca a passeio, nem ia à missa aos domingos; tudo que rendia a sua venda e mais a quitanda seguia direitinho para a caixa econômica e daí então para o banco. Tanto assim que, um ano depois da aquisição da crioula, indo em hasta pública algumas braças de terra situadas ao fundo da taverna, arrematou-as logo e tratou, sem perda de tempo, de construir três casinhas de porta e janela.
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Observe o seguinte segmento:


“Eu dizendo que a Mulher ia lavar o corpo dele. Ela rezava rezas da Bahia. Mandou todo o mundo sair. Eu fiquei. E a Mulher abanou brandamente a cabeça, consoante deu um suspiro simples. Ela me mal-entendia. Não me mostrou de propósito o corpo. Diadorim nu de tudo. E ela disse:  "A Deus dada. Pobrezinha..."

E disse. Eu conheci! Como em todo o tempo antes eu não contei ao senhor e mercê peço: mas para o senhor divulgar comigo, a par, justo o travo de tanto segredo, sabendo somente no átimo em que eu também só soube... Que Diadorim era o corpo de uma mulher, moça perfeita... Estarreci. A dor não pode mais do que a surpresa. A coice d'arma, de coronha...”


Esse segmento permite que se identifique a obra de onde foi retirado, que é: 

  • A Grande Sertão: Veredas / Guimarães Rosa.
  • B Os Sertões / Euclides da Cunha.
  • C Vidas Secas / Graciliano Ramos.
  • D Fogo Morto / José Lins do Rego.
  • E Terras do Sem-Fim / Jorge Amado.
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Assinale a opção que indica romance que surgiu na época romântica, mas, por suas características, se filia preferencialmente ao realismo antecipado.

  • A “Inocência”, do Visconde de Taunay.
  • B “Senhora”, de José de Alencar.
  • C “Iaiá Garcia”, de Machado de Assis.
  • D “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida.
  • E “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães.
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Observe o seguinte texto e assinale a afirmação correta sobre ele:
            'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço             Brinca o luar — dourada borboleta;             E as vagas após ele correm... cansam             Como turba de infantes inquieta.             'Stamos em pleno mar... Do firmamento             Os astros saltam como espumas de ouro...             O mar em troca acende as ardentias, —             Constelações do líquido tesouro...             'Stamos em pleno mar... Dois infinitos             Ali se estreitam num abraço insano,             Azuis, dourados, plácidos, sublimes...             Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...             'Stamos em pleno mar... Abrindo as velas             Ao quente arfar das virações marinhas,             Veleiro brigue corre à flor dos mares,             Como roçam na vaga as andorinhas...

  • A A forma “Stamos” indica a forma antiga de conjugar o verbo “estar”.
  • B Há um paralelismo perfeito entre os primeiros versos de cada estrofe.
  • C A métrica perfeita, os versos decassílabos filiam esse fragmento poético ao Classicismo.
  • D Trata-se do fragmento inicial de um poema lírico, com a temática de amor pela natureza.
  • E Faz parte de um famoso poema abolicionista, expressão de uma poesia oratória.
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Observe o seguinte segmento poético, que retrata a morte da índia Lindoia:


                Leva nos braços a infeliz Lindóia

                O desgraçado irmão, que ao despertá-la

                Conhece, com que dor no frio rosto

                Os sinais do veneno, e vê ferido

                Pelo dente sutil o brando peito.

                Os olhos, em que o Amor reinava, um dia.

                Cheios de morte: e muda aquela língua.

                Que ao surdo vento, e aos ecos tantas vezes

                Contou a larga história de seus males.


Esse famoso trecho pertence a um famoso poema épico do arcadismo brasileiro, que é: 

  • A “Caramuru”, de Santa Rita Durão.
  • B “Vila Rica”, de Cláudio Manoel da Costa.
  • C “A Confederação dos Tamoios”, de Gonçalves de Magalhães.
  • D “O Uraguai”, de Basílio da Gama.
  • E “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga

Conhecimentos Gerais

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Itaipu, que em Tupi Guarani significa “a pedra que canta”, é a usina hidrelétrica que mais gera energia em todo o mundo. A usina possui vinte unidades geradoras, o que significa que, em condições de climas favoráveis (chuvas em níveis normais), a produção pode chegar a 100 bilhões de quilowatts-hora. Utilizando o potencial do rio Paraná no trecho em que o rio passa pelo Estado do Paraná, a Usina de Itaipu é uma empresa internacional, e não estatal como pode parecer. Itaipu é uma Usina Binacional, pois foi construída a partir da Ata do Iguaçu, documento assinado em 22 de junho de 1966. 
 (Disponível em: https://www.infoescola.com/geografia/itaipu-binacional/. Acesso em: 08/10/2023. Adaptado.) 

A construção da Usina de Itaipu surgiu por meio de um acordo entre os seguintes países: 

  • A Brasil e Uruguai.
  • B Brasil e Paraguai.
  • C Paraguai e Uruguai.
  • D Paraguai e Argentina.
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O Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é uma iniciativa governamental destinada a fornecer água para áreas secas e semiáridas do Nordeste brasileiro. O projeto nasceu em 1985, mas só saiu do papel em 2007. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a obra está com 98,98% de execução, restando serviços complementares, que, de acordo com o governo federal, não comprometem a operação do PISF que já fornece água aos estados. 
(Disponível em: https://www.estadao.com.br/estadao-verifica. Acesso em: 08/10/2023. Adaptado.) 

O objetivo primordial do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é: 

  • A Melhorar a infraestrutura de transporte viário na região.
  • B Fomentar o crescimento da industrial na região Nordeste.
  • C Fornecer água para regiões secas e semiáridas do Nordeste.
  • D Construir usinas hidrelétricas ao longo do Rio São Francisco.
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Criado em 1936, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conduziu seu primeiro Censo em 1940, sendo responsável por oito dos doze censos realizados até hoje, visitando todos os domicílios do país e primando pelo rigor estatístico, a fim de retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania.
(Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br. Acesso em: 08/10/2023.) 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está vinculado ao Ministério 

  • A da Fazenda.
  • B das Cidades.
  • C do Desenvolvimento Social.
  • D do Planejamento e Orçamento.
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A camada pré-sal, que representa um novo potencial petrolífero para o país, fica situada nas bacias do Sul e Sudeste do Brasil e tem cerca de 800 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura. Segundo informações da Petrobras, a camada pré- -sal vai desde o litoral do Espírito Santo até o de Santa Catarina e elevará significativamente as reservas de petróleo e gás natural da companhia.
(Disponível em: https://www12.senado.leg.br. Acesso em: 07/10/2023.) 

A descoberta do pré-sal representou para o Brasil:  

  • A Uma diminuição da importação de petróleo.
  • B O status de autossuficiente em relação ao petróleo.
  • C Um aumento da dependência de recursos naturais não renováveis.
  • D Um impacto irrisório em função dos concorrentes como a Arábia Saudita.
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Os blocos econômicos surgiram em um contexto amplo de difusão da globalização, que provoca a conexão das economias do mundo inteiro, transformando o planeta em uma vasta rede de trocas comerciais, culturais, políticas, sociais, dentre outras. Esses blocos começaram a se formar com o propósito de reduzir as fronteiras impostas pelos países, com trocas significativas, como mão de obra, serviços, capitais e fluxo de mercadorias. Além disso, têm como objetivo aumentar o Produto Interno Bruto (PIB), os lucros das empresas e, como consequência, os empregos nos países envolvidos. Os blocos econômicos podem ser organizados pelas seguintes características; analise-as.

I. Zona de livre comércio: os países se unem para a liberação gradual de mercadorias e capitais dentro dos limites territoriais do bloco. É uma integração tímida, visando apenas aos produtos e aos lucros obtidos nessa produção. Como exemplo, podemos citar o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), que envolve os três países da América do Norte: Canadá, Estados Unidos e México.
II. União aduaneira: trata-se de uma evolução da zona livre de comércio. Além da liberação das mercadorias e produtos, é estabelecida uma Tarifa Externa Comum (TEC) aos países de fora do bloco. Isso significa que, quando um país do bloco negociar com outro país que não pertença ao bloco, haverá uma taxa de importação padronizada, igual para todos os que participam da integração econômica. O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um exemplo de bloco que possui a TEC. 
III. Mercado comum: possui a integração mais evoluída. Há as duas características anteriores, como a zona de livre comércio e o estabelecimento da TEC, e outras para promover uma ampliação das relações entre os envolvidos. Essa ampliação busca padronizar leis trabalhistas, legislações econômicas, além da livre circulação de pessoas. Além disso, empresas nacionais podem expandir seus negócios, instalando-se em qualquer um dos países do bloco que está nesse nível de integração.
IV. Distinção econômica e monetária: conforme as relações se intensificam e avançam, o bloco econômico pode chegar ao seu estágio máximo e completo: a adoção de uma economia comum e criação de um banco central do bloco. É o caso da União Europeia, que adotou o euro como moeda oficial em 2002. Porém, essa moeda não é adotada em todos os países que fazem parte desse bloco.

Está correto o que se afirma apenas em 
  • A I e II.
  • B II e III.
  • C I, II e III.
  • D I, III e IV.
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Em 15 de novembro de 2016, o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 95. A PEC 55/2016 foi aprovada pelos senadores. Encaminhada pelo governo de Michel Temer ao Legislativo com o objetivo de equilíbrio das contas públicas por meio de um rígido mecanismo de controle de gastos, a PEC do teto de gastos públicos foi aprovada depois de muita discussão entre os senadores. De acordo com o texto, o teto para 2017, primeiro ano de vigência da PEC, foi definido com base na despesa primária paga em 2016 (incluídos os restos a pagar), com a correção de 7,2%, a inflação prevista para este ano. A emenda à Constituição, conhecida como Teto de Gastos, buscou: 
  • A Limitar os gastos públicos por vinte anos.
  • B Controlar as despesas orçamentárias por dez anos.
  • C Estabelecer limites individualizados para as despesas secundárias.
  • D Controlar a inflação por meio de uma política de correção monetária.
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A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia, que influencia outras taxas de juros do país, como taxas de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. A definição da taxa Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é a taxa de juros média praticada nas operações compromissadas com títulos públicos federais com prazo de um dia útil. O BC realiza operações no mercado de títulos públicos para que a taxa Selic efetiva esteja em linha com a meta da taxa Selic. O órgão responsável pela definição da taxa Selic é: 
  • A Conselho de Política Econômica (CPE) do Banco do Central.
  • B Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco do Central.
  • C Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Ministério da Economia.
  • D Conselho Monetário Nacional (CMN) do Sistema Financeiro Nacional.
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ONU celebra 50 anos da lei sobre cinto de segurança nas estradas 
A obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos carros foi introduzida pela primeira vez na Europa na década de 1970. Uso obrigatório do acessório já salvou milhões e vidas; assim como capacetes para bicicletas e motocicletas; atualmente, 105 países têm legislações sobre o tema. A utilização do cinto de segurança no trânsito ajudou a reduzir o número de ferimentos fatais em 45% a 50% dos condutores e veículos e passageiros que se sentam na frente. Em caso de desastres, pessoas que se sentavam no banco de trás, tiveram risco de morte e ferimentos sérios reduzidos em até 25% por estarem usando o cinto. Todos os anos, 1,35 milhão de pessoas perdem a vida nas estradas. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que marca os 50 anos da lei de obrigatoriedade do cinto de segurança. 
(Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2023. Em: 06/2023.) 

O cinto de segurança é um dos equipamentos mais importantes para a segurança de motoristas e passageiros em um veículo. No Brasil, em relação ao uso do cinto de segurança,
  • A é obrigatório por lei também no banco detrás em todos os veículos em circulação.
  • B o uso de dispositivos de retenção infantil é obrigatório para crianças, mas em hipótese alguma elas são dispensadas do cinto de segurança.
  • C o airbag pode substituir o cinto, pois ambos são dispositivos de segurança projetados para proteger os ocupantes do veículo em caso de colisão.
  • D a infração por não usar o cinto de segurança é considerada leve, e incide em multa, embora não gere perda de pontos na carteira de habilitação.
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17 anos da Lei Maria da Penha e a luta contra o ciclo da violência doméstica ao feminicídio 
Os 17 anos da Lei Maria da Penha foram lembrados em sessão especial no Plenário do Senado. A Lei nº 11.340/2006 classifica os tipos de violência, desde a física e sexual, passando pelos abusos psicológico, sexual e patrimonial. Em caso de violência doméstica e familiar, o agressor poderá ser afastado do lar e, em caso de prisão, fica sem direito à liberdade provisória. Medidas protetivas descumpridas poderão acarretar pena de até dois anos de prisão.
(Disponível em: https://www12.senado.leg.br/tv/programas/em-discussao. Adaptado. Acesso em: 17/09/2023.) 

Tal legislação que representa o marco do enfrentamento do Brasil à violência contra a mulher. A “Lei Maria da Penha” é o principal instrumento legal de coibição à violência contra as mulheres, sendo sancionada em 2006 e, além de focar em punição à agressores, dá ênfase na prevenção e proteção às vítimas. Em relação a essa normativa e à sua repercussão, podemos afirmar corretamente que: 
  • A A violência de gênero, fato estrutural em nossa sociedade, passa a ser do âmbito e responsabilidade da Lei Maria da Penha.
  • B Excluídos os problemas como álcool, drogas ou vulnerabilidade decorrentes da idade da vítima, o agressor feminino se enquadra na Lei Maria da Penha.
  • C Com algumas mudanças, atualmente a Lei Maria da Penha preconiza a proteção à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial e moral da vítima.
  • D Desde a sua criação, as mulheres vítimas, especificamente de violência física, podem solicitar medidas protetivas de urgência e a prisão imediata do agressor.
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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto os pretos e pardos representam 56% da nossa população, a proporção deste grupo entre todos os brasileiros abaixo da linha de pobreza é de 71%; já a fração de brancos é de 27%. Quando olhamos os números de extrema pobreza, a discrepância quase triplica: 73% são negros e 25% brancos. Nessa perspectiva, construir uma sociedade mais igualitária requer a compreensão do papel de cada estrutura socioeconômica na reprodução do racismo para elaborar estratégias efetivas de enfrentamento. Na educação, essa desigualdade é evidente e o combate a ela é indispensável para qualquer mudança, de modo que sem uma educação efetivamente antirracista não é possível pensar em uma sociedade igualitária.
(Disponível em: https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br. Adaptado.) 

Na sociedade brasileira, apesar de absurdas, as diferenças sociais entre brancos e negros são nítidas no cotidiano. Além do aspecto econômico, é evidente o desequilíbrio na garantia de direitos, entre outros aspectos. Nesse contexto, algumas medidas visando diminuir tais discrepâncias existem, tais como: 

  • A A extinção da veiculação, em todo território nacional de mensagens nas mais variadas mídias, ligadas à exclusão sistêmica ou racismo, mesmo de forma velada.
  • B O tratamento e atendimento preferencial no âmbito dos sistemas de saúde, aos indivíduos em situação de fragilidade social ou vítimas de práticas discriminatórias.
  • C A disseminação sistemática do ideal da democracia racial, preconizada e reforçada a partir da implantação na educação, das Cotas Raciais Universitárias a nível nacional.
  • D A obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana que, mesmo com muitos limites, tem contribuído para legitimar as práticas pedagógicas antirracistas já existentes.

Português

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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
No trecho “Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia.” (4º§), o termo sublinhado expressa, no contexto, a ideia de 
  • A tempo.
  • B escolha.
  • C convicção.
  • D veemência.
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Considerando a organização das ideias e as estruturas linguísticas do texto, assinale a alternativa em que a análise está correta. 
  • A No excerto “Mas o movimento era cortado no ar.” (1º§), o “mas” introduz uma ideia de causa, podendo ser substituído pelo “porque”, sem modificação de sentido.
  • B No trecho “Então tínhamos um suspiro de alívio.” (2º§), o termo “então” tem a função de introduzir uma retificação referente à ideia anteriormente apresentada no texto. No contexto, pode ser substituído por “ademais”, sem mudança semântica.
  • C No fragmento “Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.” (7º§), o conector “entretanto” estabelece relação semântica de contraste e pode ser substituído pelo termo “por conseguinte” sem alteração de sentido.
  • D No período “Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; [...]” (10º§), a expressão “para que” apresenta valor semântico de finalidade, podendo ser substituída por “a fim de que”, sem prejuízo de sentido.
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
No trecho “Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante.” (3º§), a palavra destacada pode ser substituída, sem perda semântica, por 
  • A áspero.
  • B austero.
  • C definitivo.
  • D agradável.
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Tendo em vista o uso coerente da linguagem à situação de comunicação do texto apresentado, assinale o trecho selecionado em que podem ser identificados aspectos informais da língua. 
  • AMas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; [...]” (11º§)
  • BFicávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante.” (9º§)
  • CEu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.” (9º§)
  • DAlguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.” (8º§)
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Considerando a relação semântica estabelecida em “Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.” (10º§), é possível afirmar que a expressão “como” denota: 
  • A Finalidade.
  • B Comparação.
  • C Causa, motivo.
  • D Termo de movimento.
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Adjetivo é toda palavra que caracteriza o substantivo, indicando-lhe qualidade, defeito, estado, condição etc. A palavra sublinhada no trecho textual que não exprime qualidade é: 
  • AAli, a dois metros, atrás da porta escura, [...]” (3º§)
  • B “[...] tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago.” (12º§) 
  • C “[...] lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais.” (5º§)
  • DO relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas.” (5º§)
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Em qual das citações relacionadas a seguir está evidenciada uma opinião do articulista do texto? 
  • AO mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca.” (6º§)
  • BHavia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.” (1º§)
  • CNossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, [...]” (2º§)
  • D “[...] senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) [...]” (13º§)
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Os recursos coesivos são um conjunto amplo de mecanismos linguísticos usados para o estabelecimento de relações de sentido entre as partes de um texto verbal, tanto na modalidade oral quanto na escrita. O texto lido é formado por ideias bem articuladas, ligadas umas às outras. Para isso, alguns recursos como o uso de expressões que remetem a outras apresentadas anteriormente foram utilizados. Dentre as expressões textuais destacadas, assinale aquela cuja palavra sublinhada não se trata de uma expressão referencial. 
  • A “[...] eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, [...]” (10º§)
  • BMas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; [...]” (11º§)
  • CNos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, [...]” (1º§)
  • D “[...] que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, [...]” (7º§)
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Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Dentre os trechos destacados a seguir, apresenta-se expressa a ideia de oposição em:
  • A “[...] como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; [...]” (10º§)
  • BSabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, [...]” (3º§)
  • CNo segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; [...]” (4º§)
  • DHavia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.” (1º§)
70
Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
No excerto “Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: ‘Meu Deus, seus olhos estão esverdeando’.” (10º§), a locução adverbial “além de” indica: 
  • A Assertividade.
  • B Intensificação.
  • C Temporalidade.
  • D Acrescentamento.

Sistemas Operacionais

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Um administrador identificou um problema na resolução de nomes realizada em um sistema operacional Microsoft Windows 10 e precisa consultar o conteúdo da cache do DNS Resolver.
Para executar essa consulta, o administrador deve abrir um terminal de comandos e executar o seguinte comando:

  • A ipconfig /displaycache
  • B ipconfig /displaydns
  • C ipconfig /showcache
  • D net display dnscache
  • E net view dnscache
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Muitos sistemas operacionais, como o Linux e o Windows, suportam links simbólicos em seus sistemas de arquivos, o que permite que um arquivo apareça em mais de um diretório. Esses links apontam para outro arquivo e podem ser usados, na maioria das vezes, como o arquivo original.
No Linux, o que acontece com o link simbólico se o arquivo original for apagado?

  • A Aponta para um novo arquivo criado automaticamente.
  • B É apagado automaticamente.
  • C Passa a apontar para /mnt/null.
  • D Torna-se um “link quebrado”.
  • E Torna-se um hard link.
73

Uma funcionária de uma empresa solicitou a um colega, profissional de Informática, que preparasse uma listagem chamada “lista_completa.txt”. Essa listagem deve ser feita no formato longo, ser atualizada e conter todos os arquivos, incluindo os arquivos ocultos, de um diretório e seus subdiretórios. Além disso, a funcionária quer que qualquer listagem anterior que possa existir desses arquivos seja sobrescrita.
Qual é o comando correto no terminal Linux para atender corretamente ao pedido da colega?

  • A s -Rla > lista_completa.txt
  • B ls -Rla >> lista_completa.txt
  • C ls -Rlo > lista_completa.txt
  • D ls -Rlo >> lista_completa.txt
  • E ls -Rto > lista_completa.txt
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Em um sistema operacional moderno, vários processos devem ser atendidos simultaneamente, dando ao usuário a impressão de estarem rodando simultaneamente. Para isso, é necessário gerenciar o processador por meio de algoritmos de escalonamento, que definem que processo executa e quais ficam esperando, de acordo com diferentes parâmetros.
Um dos critérios que podem ser usados para comparar esses algoritmos é o tempo de turnaround, que conta o tempo

  • A entre a submissão de um pedido e a primeira resposta a ele.
  • B que o processo realmente passa sendo executado pelo processador.
  • C que um processo passa em estado de bloqueio, geralmente aguardando uma operação de E/S ser concluída.
  • D total, desde a submissão do processo até a sua conclusão.
  • E total que um processo passa na fila de pronto, aguardando para ser executado pelo processador.
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Assinale a alternativa que apresenta o sistema de arquivos primário para a versão mais recente do sistema operacional Windows Server.

  • A Ext4.
  • B ASPNET.
  • C NTFS.
  • D FAT.
76

João recebe muitos e-mails durante o seu trabalho, e decidiu conectar um segundo monitor no seu notebook, de modo que possa visualizar a janela do e-mail enquanto trabalha com outros aplicativos na tela original do notebook.
O procedimento necessário para a utilização de um segundo monitor pode ser feito por meio do menu Iniciar na opção:

  • A Acessórios do Windows/Ferramenta de Captura.
  • B Configurações/Sistema.
  • C Editor de Vídeo/Dispositivos Externos.
  • D Explorador de Arquivos/Exibir.
  • E Ferramentas Administrativas do Windows/Serviços.
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Um usuário usando o terminal do Linux usa o comando ‘df’. O que será mostraoapós a execução deste comando?

  • A O número de arquivos na pasta atual.
  • B O dia do mês.
  • C A data atual.
  • D quantidade de espaço de disco usado no sistema.
  • E Copia um aquivo.
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No terminal do Linux. O comando que mostra exatamente o caminho do diretório atual é o comando:

  • A dfg.
  • B scanpass.
  • C pwd.
  • D cd.
  • E cp.
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Você está verificando os processos que estão em execução no ambiente de um servidor Linux/Debian. Você localizou um programa que não deveria estar em execução no momento, e para removê-lo você executa a instrução descrita em:
  • A kill <pid>
  • B delete <pid>
  • C revoke <pid>
  • D remove <pid>
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O Sistema Operacional Windows utiliza um arquivo como área de Swap, sendo o mesmo conhecido por:
  • A win.sys
  • B boot.sys
  • C win.sec
  • D pagefile.sys