Resolver o Simulado UFPR - Nível Médio

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História

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Assim, na manhã quente de 8 de novembro de 1799, segundo o frei, as tropas de linha ocuparam desde cedo a Praça da Liberdade, amplo quadrilátero localizado no centro de Salvador. O povo curioso não parava de chegar [...]. Logo após, os condenados a degredo caminhavam de mãos atadas às costas, precedidos do porteiro do Conselho, com as insígnias do seu cargo, seguido dos quatro réus condenados à pena capital pelo crime de lesa-majestade de primeira cabeça (VALIM, 2009). A respeito da Conjuração Baiana, assinale a alternativa incorreta.
  • A Condenados por conspirarem contra a Coroa de Portugal, dois alfaiates e dois soldados foram considerados os réus do movimento qualificado pelas autoridades do Tribunal da Relação da Bahia, em 1799, de “Sedição dos Mulatos”
  • B Parte dos historiadores que versaram sobre a Conjuração Baiana de 1798, perceberam certo grau de coerência entre a tentativa de participação política dos setores populares e a ideia de república
  • C Conjuração Baiana foi uma revolta social de caráter burguês, que ocorreu na Bahia em 1798. Recebeu uma importante influência dos ideais do Renascimento Cultural e Revolução Industria
  • D A Conjuração Baiana de 1798 deixa de ser um evento de identificação regional, para tornar-se o representante das mais profundas aspirações de amplos setores da sociedade brasileira
  • E Esse movimento defendia a emancipação política do Brasil, ou seja, o fim do pacto colonial com Portugal e a instauração e implantação da República
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O estado de Minas Gerais, durante o período colonial, foi um dos centros econômicos mais importantes do Brasil, justamente pela sua atividade mineradora durante o Ciclo do Ouro. Além do auge dessa época, o estado continua sendo um importante produtor de minério, com presença de indústrias e outros ramos produtivos. Levando em consideração os seus conhecimentos sobre Minas Gerias, complete corretamente a seguinte frase.
A economia de Minas Gerais é caracterizada, principalmente, pela atividade mineradora, sendo o principal estado do país nesse setor. Nele, encontra-se uma das três minas de ___________ existentes em todo o mundo, com uma duração estimada de 400 anos, desde que mantidos os níveis atuais de extração. Assim, o estado é responsável por 29% de todos os minérios extraídos no país. Além disso, há uma forte presença de____________, com destaque para o ramo automobilístico. Na agropecuária, destaca-se a produção de__________, milho, soja, cana-de-açúcar e, principalmente, leite e café.
Assinale a alternativa que contém as palavras que preenchem corretamente as lacunas, de cima para baixo:

  • A Ferro, revendedoras, carne caprina.
  • B Manganês, indústrias, carne caprina.
  • C Titânio, revendedoras, carne bovina.
  • D Nióbio, indústrias, carne bovina.
  • E Ferro, indústrias, carne bovina.
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Leia o trecho abaixo para responder a questão subsequente:

“A ______________ iniciou-se em 1889, quando aconteceu a Proclamação da República, no dia 15 de novembro. Esse acontecimento iniciou-se pela manhã do dia citado quando os militares liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca derrubaram o Visconde de Ouro Preto do Gabinete Ministerial. Na sequência do dia, José do Patrocínio, vereador no Rio de Janeiro, proclamou a República.”

(Fonte adaptada: https://brasilescola.uol.com.br/).

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna:

  • A Coluna Prestes.
  • B República Velha.
  • C Era Vargas.
  • D Revolução Praieira.
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Qual fator geográfico possibilitou o desenvolvimento da civilização egípcia na antiguidade?

  • A A presença de cidades que possuíam conhecimento avançado em técnicas de produção de armamento.
  • B A existência de florestas que produziam frutos para o consumo da população.
  • C A existência do Rio Nilo, que além de fertilizar as terras e possibilitar a prática da agricultura, servia para a pesca.
  • D O clima chuvoso da região, que favorecia a prática da agricultura.
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Durante a Guerra da Tríplice Aliança contra o governo do Paraguai, os meios navais do Brasil, para avançar ao longo do Rio Paraguai, tiveram que vencer diversas passagens fortificadas, destacando-se entre elas:

  • A Cuevas, Curupaiti e Corrientes.
  • B Riachuelo, Curuzu e Araquari.
  • C Araquari, Corrientes e Humaitá.
  • D Curuzu, Mercedes e Cuevas.
  • E Curupaiti, Humaitá e Curuzu.
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Em 1553, Nicolau Durand de Villegagnon foi nomeado Vice-Almirante da Bretanha e desenvolveu um plano para fundar uma colônia na Baía de Guanabara (RJ); Qual o nome do núcleo da colônia que Villegagnon instalou na ilha que atualmente tem seu nome?

  • A Ilha Franco-Tupinanbá.
  • B França Antártica.
  • C Coligny.
  • D Ilha da Glória.
  • E Henryville.
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A partir de 1865, com o desafio criado pela guerra da Tríplice Aliança contra o governo do Paraguai, causou-se um novo surto de desenvolvimento da construção naval no país. Nesse período foram construídos no Arsenal da Corte os seguintes navios, EXCETO:

  • A canhoneira a vapor e dois navios encouraçados, em 1866.
  • B corveta encouraçada Sete de Setembro, em 1868.
  • C canhoneira a vapor de rodas, em 1866.
  • D corveta e três encouraçados, em 1868
  • E navio encouraçado e duas bombardeiras, em 1867.
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Diversos intrusos desafiaram os interesses ultramarinos de Portugal durante os séculos XVI e XVII. Qual foi o primeiro povo que teve seus navios na costa brasileira comercializando com os nativos da terra, forçando Portugal a reagir, enviando expedições guarda-costas e iniciando a colonização no Brasil?

  • A Italiano.
  • B Inglês.
  • C Holandês.
  • D Espanhol.
  • E Francês.
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Foi considerada a primeira sublevação ocorrida no período regencial, no Grão-Pará, que se generalizou em 1835, com a ocupação da capital da província, Belém:

  • A Guerra dos Farrapos.
  • B Cabanagem.
  • C Sabinada.
  • D Balaiada.
  • E Revolta Praieíra.
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A África conheceu dois tipos de escravidão, um interno, concernente às sociedades africanas, e outro externo, voltado inicialmente para o Mediterrâneo e, posteriormente, para o Atlântico. Comparando os dois sistemas, o segundo representou:

  • A diminuição das guerras internas entre as tribos.
  • B deslocamento populacional forçado no espaço global.
  • C troca igualitária de experiências culturais entre Europa e África.
  • D ingresso da população africana no modelo civilizatório europeu.
  • E acúmulo de recursos para acesso das comunidades africanas ao capitalismo.

Geografia

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Temos visto cada vez mais enxurradas que afetam particularmente a região Sudeste do Brasil, durante o verão, quando o clima tropical traz normalmente o período chuvoso. Mas se esse é um aspecto climático tradicional, por que parece que a cada ano as enxurradas aumentam nessa região? Segundo a literatura sobre o tema, a concentração das enxurradas, causando enchentes, decorre do aumento do escoamento superficial das águas das chuvas na região, que por sua vez ocorre diretamente por causa do(a):

  • A desmatamento da Floresta Amazônica.
  • B derretimento das calotas polares nos oceanos Ártico e Antártico.
  • C ampliação das áreas urbanizadas, onde são construídas áreas impermeabilizadas, repercutindo na capacidade de infiltração das águas no solo.
  • D aumento da mineração de ouro e bauxita no extremo norte do Brasil, a exemplo do estado de Roraima.
  • E construção usinas termelétricas, que usam a energia nuclear em vez da solar.
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O Pico da Bandeira é o terceiro ponto mais alto do Brasil, com 2.892 metros de altitude, situado no interior do Parque Nacional do Caparaó, na divisa dos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. Trata-se de um(a):

  • A acidente geográfico natural.
  • B acidente geográfico artificial.
  • C área de vulcanismo.
  • D área de terremoto.
  • E planície litorânea.
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A maior bacia hidrográfica do estado do Espírito Santo, com cerca de 83.400 km², é a bacia do rio:

  • A Paraíba do Sul.
  • B Jequitinhonha.
  • C São Francisco.
  • D Doce.
  • E Xingu.
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Cadeias orogênicas ou dobramentos correspondem a grandes curvamentos côncavos e convexos que surgem na superfície terrestre, resultantes de forças tectônicas, ou seja, da orogenia no decorrer da história geológica. Nesse contexto, é correto afirmar que as cadeias orogênicas recentes ou dobramentos recentes formam:

  • A os pampas gaúchos.
  • B extensas planícies alagadas.
  • C extensos planaltos, consumidos pela erosão ao longo do tempo.
  • D grandes bacias sedimentares, preenchidas ao longo do tempo por detritos ou sedimentos.
  • E grandes montanhas e cordilheiras de elevadas altitudes.
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Os fusos horários são cada uma das áreas em que se divide a Terra na direção dos meridianos, tendo por base o seu movimento de rotação, que leva cerca de 24 horas para ser realizado. Os fusos horários estão concentrados nos meridianos das longitudes, que são múltiplos de 15°– resultado da divisão dos 360° da circunferência da Terra pelas 24 horas (aproximadamente) que o nosso planeta leva para completar o movimento de rotação. Todos os horários são definidos em relação ao fuso do Meridiano de Grenwich. Referenciado em seus conhecimentos sobre fuso horário, analise a figura a seguir e determine os horários. Sabendo-se que, no fuso horário de Grenwich, são 18 horas, quais são os horários dos seguintes locais: Rio Branco, São Paulo e Fernando de Noronha, respectivamente?

Fonte: http://grupoevolucao.com.br/livro/Geografia1/fusos_horrios_do_territrio_brasileiro.html

  • A 13 horas, 15 horas e 16 horas.
  • B 16 horas, 14 horas e 12 horas.
  • C 18 horas, 15 horas e 16 horas.
  • D 15 horas, 14 horas e 13 horas.
  • E 15 horas, 16 horas e 17 horas.
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O Brasil é o país que concentra a maior parcela da principal floresta tropical do mundo, a Amazônia. Nessa floresta, além de riquezas naturais, há um mundo de gente, falas, olhares, saberes, cores, cheiros e histórias. Marque a alternativa CORRETA sobre a colonização recente da Amazônia e os seus impactos sociais e culturais.

  • A A colonização recente da Amazônia é marcada pela presença de inúmeros pequenos projetos que buscam desenvolver a sustentabilidade da região.
  • B Nos garimpos, houve restrição à chegada de novos exploradores; essas áreas eram restritas à população local.
  • C Em sua história mais recente, a população amazônica concentra apenas a presença de índios e estrangeiros.
  • D O sistema hídrico da região Amazônica pouco interfere na realidade socioeconômica da sua população.
  • E A língua e a cultura indígenas dos povos da Amazônia foram sendo extintos à medida que seus falantes foram sendo exterminados.
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Um grupo de turistas vai visitar alguns municípios do Espírito Santo. Eles vão sair de Vila Velha para Cachoeiro de Itapemirim.


Considerando o mapa do Espírito Santo e a rosa dos ventos, eles percorrerão as direções:

  • A nordeste – sudoeste.
  • B noroeste – sudeste.
  • C norte – sul.
  • D sudeste – noroeste.
  • E sudoeste – nordeste.
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Durante o mês de janeiro ocorrem muitas chuvas. Enchentes e desabamentos estão relacionados com fatores naturais e também com ações humanas.

Que fatores humanos contribuem para a ocorrência desses problemas?

  • A Acúmulo de lixo, falta de planejamento urbano e preservação da mata ciliar dos rios
  • B Falta de planejamento urbano, ocupação desordenada e preservação da mata ciliar dos rios
  • C Falta de planejamento urbano, presença de vegetação nas encostas e preservação da mata ciliar dos rios
  • D Ocupação desordenada, acúmulo de lixo e presença de vegetação nas encostas
  • E Ocupação desordenada, falta de planejamento urbano e acúmulo de lixo
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Observe a imagem e analise as afirmativas.

I. A vegetação, em sua maior parte, é semelhante à de savana, com gramíneas, arbustos e árvores esparsas. II. As árvores têm caules retorcidos e raízes longas, que permitem a absorção da água III. Durante a estação de seca quase todas as plantas perdem as folhas para diminuir a transpiração e evitar a perda de água armazenada.

Pode-se associar à vegetação revelada pela imagem, apenas a(s) afirmativa(s)

  • A III
  • B I e II
  • C I e III
  • D II e III
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Observe a imagem e analise as afirmativas


I. A vegetação, em sua maior parte, é semelhante à de savana, com gramíneas, arbustos e árvores esparsas.

II. As árvores têm caules retorcidos e raízes longas, que permitem a absorção da água

III. Durante a estação de seca quase todas as plantas perdem as folhas para diminuir a transpiração e evitar a perda de água armazenada.

Pode-se associar à vegetação revelada pela imagem, apenas a(s) afirmativa(s)

  • A III
  • B I e II
  • C I e III
  • D II e III

Português

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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

O uso dos dois-pontos no trecho “No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não”, explica-se, pois

  • A anuncia uma citação.
  • B trata-se de uma enumeração explicativa.
  • C indica a consequência do que foi enunciado.
  • D exprime uma interrupção da fala do narrador.
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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

No trecho “...levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele não sabe se vem dos outros ou dele mesmo.”, o termo em destaque exprime uma ideia de

  • A tempo.
  • B lugar.
  • C modo.
  • D intensidade.
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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

Em “Também os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente...”, o verbo em destaque foi empregado corretamente, obedecendo às regras de concordância verbal. Assinale a alternativa em que a obediência a essas regras não foi observada

  • A Havia muitas pessoas que gostariam de provar novos sabores.
  • B Revisei o artigo que me foi entregue havia duas semanas.
  • C Devem haver muitos amigos que colaboram com o nosso fracasso.
  • D Hipóteses haverão de existir sobre as causas desses insucessos.
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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

É possível observar a obediência às regras de regência verbal no trecho “...levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo”, em que o verbo levar foi empregado como transitivo direto e indireto. Assinale a alternativa em que o verbo destacado não atende às regras de Regência Verbal, de acordo com a Norma Padrão da Língua Portuguesa.

  • A Os amigos não lhe perdoam por não conseguir perder peso.
  • B As reportagens sobre regimes e dietas não o interessavam mais.
  • C O gerente chamou os funcionários para uma reunião de urgência.
  • D jovem respondeu a pergunta que lhe foi feita objetivamente.
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Assinale a alternativa em que o uso do acento grave, indicador de crase, é facultativo.

  • A "E pareciam a sua imaginação em três figuras vivas: uma mulher muito formosa; uma figura negra de olho de brasa e pé de cabra; e o mundo, coisa vaga e maravilhosa (...)." (Eça de Queirós)
  • B "Por mais que eu mesmo conhecesse o dano/ a que dava ocasião minha brandura,/ nunca pude fugir ao ledo engano." (Cláudio M. da Costa)
  • C "Talvez, prezado amigo, que imagine/ que neste momento se conserve/ eterna a sua glória." (Tomá A. Gonzaga)
  • D "Deixei os dois na varanda e fiquei no pátio, a respeitosa distância." (Mia Couto)
26

Leia: 


No contexto da tira, funciona como verbo de ligação:
  • A parece
  • B disse
  • C jogar
  • D jogando
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Marque a alternativa cuja palavra apresenta cinco fonemas:
  • A Filha
  • B Molhada
  • C Guerra
  • D Fixa
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Assinale a alternativa em que a palavra tenha sido acentuada seguindo regra distinta da das demais.

  • A Fósseis (linha 4)
  • B Colômbia (linha 11)
  • C crânios (linha 26)
  • D fêmeas (linha 35)
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Com relação ao uso do sinal indicativo de crase, assinale a alternativa correta.

  • A As aulas na Universidade vão de segunda à sexta.
  • B Os resultados do trabalho virão à partir de abril.
  • C Foi solicitado à todas as professoras que chegassem às nove horas.
  • D As tradições de um povo são transmitidas de geração à geração.
  • E Refiro-me sempre àquilo que foi estabelecido na lei.
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Assinale a alternativa em que a palavra, no texto, exerça papel adjetivo.

  • A norte (linha 10)
  • B recentemente (linha 14)
  • C adquirido (linha 19)
  • D esses (linha 39)
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