Resolver o Simulado CEFET-MG - Nível Médio

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Redação Oficial

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Foge às normas de formatação de um ofício, segundo o Manual de Redação da Presidência da República, a alternativa:
  • A É obrigatório a partir da segunda página, constar o número da página.
  • B Deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e 6 pontos após cada parágrafo.
  • C Devem ser impressos em papel, tamanho A4, todos os tipos de documentos do Padrão Ofício (29,7 x 21,0cm).
  • D Deve-se usar o vocativo seguido de vírgula em aviso. Este deve ser expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia.
  • E É dispensável, nas correspondências expedidas pelo Presidente da República, a assinatura do signatário logo após sua identificação, que deve ser feita apenas pelo nome do cargo: Presidente da República Federativa do Brasil.
2

Assinale (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas.

( ) O fecho de uma comunicação oficial deve ser: “Nada mais havendo para o momento, ficamos à disposição para maiores informações.”

( ) O texto – padrão ofício – deve apresentar: introdução – apresentação do assunto; desenvolvimento – detalhamento do assunto; conclusão – reafirmação ou reapresentação do assunto.

( ) O ofício deve apresentar o endereço da pessoa a quem é dirigido, que deve ser identificada por nome e cargo.

( ) As comunicações oficiais, excluídas as assinadas pelo Presidente da República, devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura.

( ) O vocativo “Sr. Chefe” e o pronome de tratamento “Vossa Senhoria”, modernamente, estarão corretamente empregados para qualquer autoridade que não seja o Presidente da República.

A sequência correta é

  • A F, F, F, V, V.
  • B F, V, V, F, F.
  • C V, F, V, V, F.
  • D F, V, F, V, V.
  • E F, V, V, V, F.
3

Empregou-se corretamente o pronome de tratamento em:

  • A Vossa Excelência, Coronel Mário da Silva, devereis encaminhar Vossa comunicação no prazo de dez dias.
  • B Vossa Excelência, Senador Paulo de Castro, deverá encaminhar sua comunicação no prazo de dez dias.
  • C Digníssimo Sr. Presidente da República, V.S.ª devereis encaminhar vossa comunicação no prazo de dez dias.
  • D Ilustríssimo Sr. Major Gonçalo de Souza, V. Ex.ª devereis encaminhar vossa comunicação no prazo de dez dias.
  • E Vossa Eminência, Pedro de Salles, Reitor da Universidade Rural deverá encaminhar sua comunicação no prazo de dez dias.
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São partes corretas de um documento Padrão Ofício e suas respectivas formalidades, EXCETO:
  • A Assunto: resumo do teor do documento.
  • B Local e data, em que foi assinado, por extenso.
  • C Texto: apresentação de, no máximo, três assuntos.
  • D Destinatário: nome e cargo da pessoa a quem é dirigido.
  • E Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede.
5

A elaboração de correspondência e de atos oficiais deve caracterizar-se, EXCETO, pelo(a):

  • A clareza.
  • B concisão.
  • C formalidade.
  • D pessoalidade.
  • E padrão culto da linguagem.
6

Quanto à redação oficial, marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas.

( ) Ao dirigir-se a um senador, o tratamento será Vossa Senhoria.
( ) No memorando, o destinatário é mencionado pelo cargo que ocupa.
( ) Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial praticamente idênticas.
( ) Tanto o aviso quanto o ofício têm como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública.
( ) Em comunicações oficiais, deve-se usar o tratamento digníssimo (DD) para autoridades executivas.

A sequência correta é

  • A V, V, F, F, V
  • B F, F, F, V. F
  • C V, F, V, F, V.
  • D F, V, V, V, F.
  • E F, V, F, F, V.
7

Quanto à redação oficial, é correto afirmar, EXCETO:

  • A Em sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do padrão ofício, com acréscimo do vocativo.
  • B Dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo do texto preservado para consulta posterior.
  • C Segundo o novo padrão de linguagem, é facultativo o emprego de Vossa Senhoria para qualquer autoridade.
  • D Na comunicação oficial, o fecho para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República, deve ser: respeitosamente.
  • E Na forma, o memorando difere do padrão ofício ao mencionar seu destinatário pelo cargo que ocupa.
8

Em uma redação oficial, o pronome de tratamento deve respeitar o destinatário. Relacione os pronomes de tratamento às respectivas autoridades:

1. Vossa Eminência
2. Vossa Senhoria
3. Vossa Magnificência
4. Vossa Excelência


( ) Cardeal
( ) Presidente da República
( ) General
( ) Tenente
( ) Reitor

A ordem correta é

  • A 1, 4, 4, 2, 3.
  • B 1, 4, 2, 4, 3.
  • C 1, 3, 2, 2, 4.
  • D 3, 1, 4, 4, 4.
  • E 3, 4, 2, 2, 3.
9

A ordem sequencial correta em um MEMORANDO deve ser:

  • A Vocativo, Título, Texto, Fecho.
  • B Data, Título,Texto, Assunto.
  • C Título, Assunto, Destinatário, Vocativo.
  • D Título, Assunto, Destinatário, Remetente.
  • E Título, Destinatário, Assunto, Texto.

Português

10

Ao substituir a frase I pela frase II, a regência verbal contraria a norma culta em:

  • A I. O padre perdoou ao pecador. II. O padre perdoa os nossos pecados.
  • B I. O aluno respondeu às questões. II. O aluno respondeu a elas.
  • C I. Os filhos resistem a obedecer aos pais. II. Os filhos resistem a obedecer-lhes.
  • D I. O deputado não representava os excluídos. II. O deputado não os representava.
  • E I. O médico assistia à televisão do hospital. II. O médico assistia a funcionária do hospital.
11

Coloque (V) para verdadeira e (F) para falsa na relação exemplo/figura.

( ) O jovem quase morreu de rir. (eufemismo)

( ) Os cabelos são a moldura do rosto. (metáfora)

( ) O morador de rua foi desta para melhor. (paradoxo)

( ) A bondosa avó de Maria era famosa por maltratar crianças. (ironia)

( ) O cientista finalmente encontrou o elo de ligação do DNA. (pleonasmo)

A sequência correta é

  • A V, F, V, V, F.
  • B F, V, F, V, V.
  • C V, V, F, V, F.
  • D F, V, V, F, F.
  • E V, V, F, F, V.
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A denotação ocorre em:

  • A Os espinhos costumam surgir em várias profissões.
  • B Os aviões, na guerra, semeiam muitas mortes.
  • C A tristeza e as decepções murcharam-lhe o espírito.
  • D O ortopedista dobrou o joelho do acidentado e este desmaiou.
  • E A viagem da noiva matou-lhe toda esperança de felicidade.
13

Preencha as lacunas com “a” ou “à”.

Ignorava _____ quem se dirigir: _____ funcionária da recepção, ou _____ da gerência.

As lacunas acima preenchem-se corretamente com

  • A a – a – a
  • B a – à – a
  • C a – à – à
  • D à – a – à
  • E à – à – à
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Empregou-se corretamente a regência verbal em:

  • A O leitor não chegou no fim do livro.
  • B A prima distante ainda se lembra de mim?
  • C O operário esqueceu do horário do ônibus.
  • D O gerente implicou-se com transações duvidosas.
  • E O bom jornal informa ao público dos acontecimentos.
15
O pronome demonstrativo traz indicação de tempo presente em:
  • A “E mesmo este amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.”
  • B “E mesmo esse amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.”
  • C “E mesmo aquele amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.”
  • D “E mesmo tal amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.”
  • E “E mesmo semelhante amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.”
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Segundo as normas vigentes da ortografia, escreveu-se corretamente:

  • A tijela, raízes.
  • B anéis, cangica.
  • C assunção, ascenção.
  • D conciência, gratuito.
  • E micro-ondas, coocupante.
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A palavra sublinhada pode ser substituída corretamente pela que está entre parênteses em
  • A “Havia andorinhas pousadas nas cornijas daqueles verões.” (molduras)
  • B “Houve um ferralhar de bonde na madrugada.” (repinicar)
  • C “... curando ressaca como um santo purga seus pecados.” (paga)
  • D “Houve uma lassidão que só a ausência de aulas permitia.” (preguiça)
  • E “Só a primeira me colocou diante da grande interrogação do nada.” (interpelação)
18

Não mais do quê

    Houve um momento de areia fina como talco, e esse momento passou. Íamos até a praia de manhã cedo, muito cedo, as crianças, só as crianças e o pai, no Ford preto. Talvez não fosse Ford, mas era preto. E aquela areia nova para mim, menina criada nas pedregosas praias do Mar Adriático, recebia meus pés como uma seda.

    Houve uma primeira fatia de mamão – e pareceu-me ruim –, uma primeira manga – e foi estupenda –, uma primeira noite de verão nos trópicos, com grilos e jasmins, que nunca esquecerei e nunca poderei repetir.

     Houve um primeiro amor na infância, um primeiro amor na adolescência, primeiros amores de juventude. Todo amor é primeiro, porque todo amor é único. E mesmo este meu amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.

     Houve um ferralhar de bonde na madrugada, e jovens em traje a rigor saindo dos bailes da formatura no Centro da cidade, e eu entre esses jovens, arrepanhando a longa saia branca para subir no bonde com meu irmão, e voltar para a casa sacudida sobre os trilhos, sentindo nos braços nus o ar ainda quente da noite. Dançar de rosto colado nos bailes era uma possibilidade, e o som da big band uma certeza.

    Houve um momento de prova oral e estudo de latim. Os “pontos” que caíam eram 10, tiravam-se de dentro de um saquinho de pano como se numa loteria doméstica ou num bingo, e feliz era quem tivesse nome como o meu, começando por M, porque quando chegasse nossa vez já sabíamos quais eram as perguntas dos professores. As mais inteligentes iam à prova oral de biquíni por baixo da roupa, porque já tinham passado por média e saíam do colégio direto para a praia.

    Houve o momento em que a primeira morte atravessou-se no caminho, mas, ao contrário do amor, só uma foi primeira, pois só com a primeira aprendi a viver. As outras nada me ensinaram, repetindose iguais, embora diferentes e com diferentes pessoas. Só a primeira me colocou diante da grande interrogação do nada. As seguintes, não mais.

Houve uma primeira embriaguez de réveillon, e foi primeira e última, porque não gostei nem durante, nem depois. Comi pão seco e bebi água no dia 1º, curando ressaca como um santo purga seus pecados. E como um santo não voltei a pecar.

     Houve momentos de férias, e dias inteiros passados entre sol e sal, para depois entregar o corpo à mansidão da água doce como se mergulha na tina o ferro em brasa. Havia andorinhas pousadas nas cornijas daqueles verões, e a água do mergulho era sempre mais fria embaixo do que em cima.

Houve uma lassidão que só a ausência de aulas permitia, um sono do corpo estendido em areia ou pedra, um hibernar ao contrário, olhos entrefechados, e o mar cintilando entre os cílios. Depois, nadar, nadar, nadar.

    Houve essa outra cidade, esse outro corpo, esse outro espaço de verão. Agora, já não há. E é justo assim. O que era vazio foi tomado pela multidão, o que era elástico foi domado pelo desgaste, os trilhos de bonde dormem debaixo do asfalto, as bocas do metrô emergem nas calçadas, e, se não há mais andorinhas no verão, tampouco há cornijas.

    Um ano veio e se foi, assim como se foi a areia de seda. O próximo ano chega e o recebemos, expectantes, manga nunca provada. Todo momento passa e é só um momento. Nem os carros são todos pretos, nem a vida é mais do que momentos.

Colasanti, Marina. In: Estado de Minas, 02 de janeiro de 2014.

Enumere as considerações da cronista conforme a sequência em que aparecem no texto.

( ) O Ano Novo soa sempre como uma incógnita.

( ) O ensino naquela época era bem diferente.

( ) A vida se divide em partes e vai se transformando.

( ) A dúvida sobre o fim da existência surge oposta ao amor.

( ) O primeiro amor é único seja qual for a idade, a etapa da vida, em que aparece.

A sequência correta é

  • A 4, 1, 5, 2, 3.
  • B 5, 2, 4, 3, 1.
  • C 4, 5, 3, 1, 2.
  • D 2, 1, 3, 4, 5.
  • E 4, 3, 1, 2, 5.
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Não mais do quê

    Houve um momento de areia fina como talco, e esse momento passou. Íamos até a praia de manhã cedo, muito cedo, as crianças, só as crianças e o pai, no Ford preto. Talvez não fosse Ford, mas era preto. E aquela areia nova para mim, menina criada nas pedregosas praias do Mar Adriático, recebia meus pés como uma seda.

    Houve uma primeira fatia de mamão – e pareceu-me ruim –, uma primeira manga – e foi estupenda –, uma primeira noite de verão nos trópicos, com grilos e jasmins, que nunca esquecerei e nunca poderei repetir.

     Houve um primeiro amor na infância, um primeiro amor na adolescência, primeiros amores de juventude. Todo amor é primeiro, porque todo amor é único. E mesmo este meu amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.

     Houve um ferralhar de bonde na madrugada, e jovens em traje a rigor saindo dos bailes da formatura no Centro da cidade, e eu entre esses jovens, arrepanhando a longa saia branca para subir no bonde com meu irmão, e voltar para a casa sacudida sobre os trilhos, sentindo nos braços nus o ar ainda quente da noite. Dançar de rosto colado nos bailes era uma possibilidade, e o som da big band uma certeza.

    Houve um momento de prova oral e estudo de latim. Os “pontos” que caíam eram 10, tiravam-se de dentro de um saquinho de pano como se numa loteria doméstica ou num bingo, e feliz era quem tivesse nome como o meu, começando por M, porque quando chegasse nossa vez já sabíamos quais eram as perguntas dos professores. As mais inteligentes iam à prova oral de biquíni por baixo da roupa, porque já tinham passado por média e saíam do colégio direto para a praia.

    Houve o momento em que a primeira morte atravessou-se no caminho, mas, ao contrário do amor, só uma foi primeira, pois só com a primeira aprendi a viver. As outras nada me ensinaram, repetindose iguais, embora diferentes e com diferentes pessoas. Só a primeira me colocou diante da grande interrogação do nada. As seguintes, não mais.

Houve uma primeira embriaguez de réveillon, e foi primeira e última, porque não gostei nem durante, nem depois. Comi pão seco e bebi água no dia 1º, curando ressaca como um santo purga seus pecados. E como um santo não voltei a pecar.

     Houve momentos de férias, e dias inteiros passados entre sol e sal, para depois entregar o corpo à mansidão da água doce como se mergulha na tina o ferro em brasa. Havia andorinhas pousadas nas cornijas daqueles verões, e a água do mergulho era sempre mais fria embaixo do que em cima.

Houve uma lassidão que só a ausência de aulas permitia, um sono do corpo estendido em areia ou pedra, um hibernar ao contrário, olhos entrefechados, e o mar cintilando entre os cílios. Depois, nadar, nadar, nadar.

    Houve essa outra cidade, esse outro corpo, esse outro espaço de verão. Agora, já não há. E é justo assim. O que era vazio foi tomado pela multidão, o que era elástico foi domado pelo desgaste, os trilhos de bonde dormem debaixo do asfalto, as bocas do metrô emergem nas calçadas, e, se não há mais andorinhas no verão, tampouco há cornijas.

    Um ano veio e se foi, assim como se foi a areia de seda. O próximo ano chega e o recebemos, expectantes, manga nunca provada. Todo momento passa e é só um momento. Nem os carros são todos pretos, nem a vida é mais do que momentos.

Colasanti, Marina. In: Estado de Minas, 02 de janeiro de 2014.

O título “Não mais do quê” pode ser entendido como um(a):
  • A página do diário de uma adolescente.
  • B relato de considerações sobre o existir.
  • C observação sobre os momentos efêmeros e as incertezas da vida.
  • D crônica e divagações sobre a infância feliz, a juventude e a maturidade infelizes.
  • E conselho aos jovens para não perderem tempo nas férias, aproveitá-las bem, pois a maturidade não é fácil.
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Não mais do quê

    Houve um momento de areia fina como talco, e esse momento passou. Íamos até a praia de manhã cedo, muito cedo, as crianças, só as crianças e o pai, no Ford preto. Talvez não fosse Ford, mas era preto. E aquela areia nova para mim, menina criada nas pedregosas praias do Mar Adriático, recebia meus pés como uma seda.

    Houve uma primeira fatia de mamão – e pareceu-me ruim –, uma primeira manga – e foi estupenda –, uma primeira noite de verão nos trópicos, com grilos e jasmins, que nunca esquecerei e nunca poderei repetir.

     Houve um primeiro amor na infância, um primeiro amor na adolescência, primeiros amores de juventude. Todo amor é primeiro, porque todo amor é único. E mesmo este meu amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.

     Houve um ferralhar de bonde na madrugada, e jovens em traje a rigor saindo dos bailes da formatura no Centro da cidade, e eu entre esses jovens, arrepanhando a longa saia branca para subir no bonde com meu irmão, e voltar para a casa sacudida sobre os trilhos, sentindo nos braços nus o ar ainda quente da noite. Dançar de rosto colado nos bailes era uma possibilidade, e o som da big band uma certeza.

    Houve um momento de prova oral e estudo de latim. Os “pontos” que caíam eram 10, tiravam-se de dentro de um saquinho de pano como se numa loteria doméstica ou num bingo, e feliz era quem tivesse nome como o meu, começando por M, porque quando chegasse nossa vez já sabíamos quais eram as perguntas dos professores. As mais inteligentes iam à prova oral de biquíni por baixo da roupa, porque já tinham passado por média e saíam do colégio direto para a praia.

    Houve o momento em que a primeira morte atravessou-se no caminho, mas, ao contrário do amor, só uma foi primeira, pois só com a primeira aprendi a viver. As outras nada me ensinaram, repetindose iguais, embora diferentes e com diferentes pessoas. Só a primeira me colocou diante da grande interrogação do nada. As seguintes, não mais.

Houve uma primeira embriaguez de réveillon, e foi primeira e última, porque não gostei nem durante, nem depois. Comi pão seco e bebi água no dia 1º, curando ressaca como um santo purga seus pecados. E como um santo não voltei a pecar.

     Houve momentos de férias, e dias inteiros passados entre sol e sal, para depois entregar o corpo à mansidão da água doce como se mergulha na tina o ferro em brasa. Havia andorinhas pousadas nas cornijas daqueles verões, e a água do mergulho era sempre mais fria embaixo do que em cima.

Houve uma lassidão que só a ausência de aulas permitia, um sono do corpo estendido em areia ou pedra, um hibernar ao contrário, olhos entrefechados, e o mar cintilando entre os cílios. Depois, nadar, nadar, nadar.

    Houve essa outra cidade, esse outro corpo, esse outro espaço de verão. Agora, já não há. E é justo assim. O que era vazio foi tomado pela multidão, o que era elástico foi domado pelo desgaste, os trilhos de bonde dormem debaixo do asfalto, as bocas do metrô emergem nas calçadas, e, se não há mais andorinhas no verão, tampouco há cornijas.

    Um ano veio e se foi, assim como se foi a areia de seda. O próximo ano chega e o recebemos, expectantes, manga nunca provada. Todo momento passa e é só um momento. Nem os carros são todos pretos, nem a vida é mais do que momentos.

Colasanti, Marina. In: Estado de Minas, 02 de janeiro de 2014.

“Todo momento passa e é só um momento.”

Com essa observação, a cronista quer dizer que
  • A o passado precisa ser esquecido.
  • B o amanhã é sempre uma surpresa.
  • C o dia de hoje deve ser bem aproveitado.
  • D a transitoriedade da vida é uma verdade incontestável.
  • E a vida é bastante parecida com a manga nunca provada.
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Não mais do quê

    Houve um momento de areia fina como talco, e esse momento passou. Íamos até a praia de manhã cedo, muito cedo, as crianças, só as crianças e o pai, no Ford preto. Talvez não fosse Ford, mas era preto. E aquela areia nova para mim, menina criada nas pedregosas praias do Mar Adriático, recebia meus pés como uma seda.

    Houve uma primeira fatia de mamão – e pareceu-me ruim –, uma primeira manga – e foi estupenda –, uma primeira noite de verão nos trópicos, com grilos e jasmins, que nunca esquecerei e nunca poderei repetir.

     Houve um primeiro amor na infância, um primeiro amor na adolescência, primeiros amores de juventude. Todo amor é primeiro, porque todo amor é único. E mesmo este meu amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.

     Houve um ferralhar de bonde na madrugada, e jovens em traje a rigor saindo dos bailes da formatura no Centro da cidade, e eu entre esses jovens, arrepanhando a longa saia branca para subir no bonde com meu irmão, e voltar para a casa sacudida sobre os trilhos, sentindo nos braços nus o ar ainda quente da noite. Dançar de rosto colado nos bailes era uma possibilidade, e o som da big band uma certeza.

    Houve um momento de prova oral e estudo de latim. Os “pontos” que caíam eram 10, tiravam-se de dentro de um saquinho de pano como se numa loteria doméstica ou num bingo, e feliz era quem tivesse nome como o meu, começando por M, porque quando chegasse nossa vez já sabíamos quais eram as perguntas dos professores. As mais inteligentes iam à prova oral de biquíni por baixo da roupa, porque já tinham passado por média e saíam do colégio direto para a praia.

    Houve o momento em que a primeira morte atravessou-se no caminho, mas, ao contrário do amor, só uma foi primeira, pois só com a primeira aprendi a viver. As outras nada me ensinaram, repetindose iguais, embora diferentes e com diferentes pessoas. Só a primeira me colocou diante da grande interrogação do nada. As seguintes, não mais.

Houve uma primeira embriaguez de réveillon, e foi primeira e última, porque não gostei nem durante, nem depois. Comi pão seco e bebi água no dia 1º, curando ressaca como um santo purga seus pecados. E como um santo não voltei a pecar.

     Houve momentos de férias, e dias inteiros passados entre sol e sal, para depois entregar o corpo à mansidão da água doce como se mergulha na tina o ferro em brasa. Havia andorinhas pousadas nas cornijas daqueles verões, e a água do mergulho era sempre mais fria embaixo do que em cima.

Houve uma lassidão que só a ausência de aulas permitia, um sono do corpo estendido em areia ou pedra, um hibernar ao contrário, olhos entrefechados, e o mar cintilando entre os cílios. Depois, nadar, nadar, nadar.

    Houve essa outra cidade, esse outro corpo, esse outro espaço de verão. Agora, já não há. E é justo assim. O que era vazio foi tomado pela multidão, o que era elástico foi domado pelo desgaste, os trilhos de bonde dormem debaixo do asfalto, as bocas do metrô emergem nas calçadas, e, se não há mais andorinhas no verão, tampouco há cornijas.

    Um ano veio e se foi, assim como se foi a areia de seda. O próximo ano chega e o recebemos, expectantes, manga nunca provada. Todo momento passa e é só um momento. Nem os carros são todos pretos, nem a vida é mais do que momentos.

Colasanti, Marina. In: Estado de Minas, 02 de janeiro de 2014.

A perspectiva da narradora, no texto, indica um(a)
  • A olhar irônico.
  • B atitude comodista.
  • C postura romântica.
  • D personalidade equilibrada.
  • E posicionamento de impotência.
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Não mais do quê

    Houve um momento de areia fina como talco, e esse momento passou. Íamos até a praia de manhã cedo, muito cedo, as crianças, só as crianças e o pai, no Ford preto. Talvez não fosse Ford, mas era preto. E aquela areia nova para mim, menina criada nas pedregosas praias do Mar Adriático, recebia meus pés como uma seda.

    Houve uma primeira fatia de mamão – e pareceu-me ruim –, uma primeira manga – e foi estupenda –, uma primeira noite de verão nos trópicos, com grilos e jasmins, que nunca esquecerei e nunca poderei repetir.

     Houve um primeiro amor na infância, um primeiro amor na adolescência, primeiros amores de juventude. Todo amor é primeiro, porque todo amor é único. E mesmo este meu amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.

     Houve um ferralhar de bonde na madrugada, e jovens em traje a rigor saindo dos bailes da formatura no Centro da cidade, e eu entre esses jovens, arrepanhando a longa saia branca para subir no bonde com meu irmão, e voltar para a casa sacudida sobre os trilhos, sentindo nos braços nus o ar ainda quente da noite. Dançar de rosto colado nos bailes era uma possibilidade, e o som da big band uma certeza.

    Houve um momento de prova oral e estudo de latim. Os “pontos” que caíam eram 10, tiravam-se de dentro de um saquinho de pano como se numa loteria doméstica ou num bingo, e feliz era quem tivesse nome como o meu, começando por M, porque quando chegasse nossa vez já sabíamos quais eram as perguntas dos professores. As mais inteligentes iam à prova oral de biquíni por baixo da roupa, porque já tinham passado por média e saíam do colégio direto para a praia.

    Houve o momento em que a primeira morte atravessou-se no caminho, mas, ao contrário do amor, só uma foi primeira, pois só com a primeira aprendi a viver. As outras nada me ensinaram, repetindose iguais, embora diferentes e com diferentes pessoas. Só a primeira me colocou diante da grande interrogação do nada. As seguintes, não mais.

Houve uma primeira embriaguez de réveillon, e foi primeira e última, porque não gostei nem durante, nem depois. Comi pão seco e bebi água no dia 1º, curando ressaca como um santo purga seus pecados. E como um santo não voltei a pecar.

     Houve momentos de férias, e dias inteiros passados entre sol e sal, para depois entregar o corpo à mansidão da água doce como se mergulha na tina o ferro em brasa. Havia andorinhas pousadas nas cornijas daqueles verões, e a água do mergulho era sempre mais fria embaixo do que em cima.

Houve uma lassidão que só a ausência de aulas permitia, um sono do corpo estendido em areia ou pedra, um hibernar ao contrário, olhos entrefechados, e o mar cintilando entre os cílios. Depois, nadar, nadar, nadar.

    Houve essa outra cidade, esse outro corpo, esse outro espaço de verão. Agora, já não há. E é justo assim. O que era vazio foi tomado pela multidão, o que era elástico foi domado pelo desgaste, os trilhos de bonde dormem debaixo do asfalto, as bocas do metrô emergem nas calçadas, e, se não há mais andorinhas no verão, tampouco há cornijas.

    Um ano veio e se foi, assim como se foi a areia de seda. O próximo ano chega e o recebemos, expectantes, manga nunca provada. Todo momento passa e é só um momento. Nem os carros são todos pretos, nem a vida é mais do que momentos.

Colasanti, Marina. In: Estado de Minas, 02 de janeiro de 2014.

Os seguintes sentimentos são observados no texto:
  • A angústia e revolta.
  • B descrença e saudade.
  • C nostalgia e otimismo.
  • D pessimismo e indiferença.
  • E impotência e desespero.
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Não mais do quê

    Houve um momento de areia fina como talco, e esse momento passou. Íamos até a praia de manhã cedo, muito cedo, as crianças, só as crianças e o pai, no Ford preto. Talvez não fosse Ford, mas era preto. E aquela areia nova para mim, menina criada nas pedregosas praias do Mar Adriático, recebia meus pés como uma seda.

    Houve uma primeira fatia de mamão – e pareceu-me ruim –, uma primeira manga – e foi estupenda –, uma primeira noite de verão nos trópicos, com grilos e jasmins, que nunca esquecerei e nunca poderei repetir.

     Houve um primeiro amor na infância, um primeiro amor na adolescência, primeiros amores de juventude. Todo amor é primeiro, porque todo amor é único. E mesmo este meu amor que será o último é, antes de todos, o primeiro.

     Houve um ferralhar de bonde na madrugada, e jovens em traje a rigor saindo dos bailes da formatura no Centro da cidade, e eu entre esses jovens, arrepanhando a longa saia branca para subir no bonde com meu irmão, e voltar para a casa sacudida sobre os trilhos, sentindo nos braços nus o ar ainda quente da noite. Dançar de rosto colado nos bailes era uma possibilidade, e o som da big band uma certeza.

    Houve um momento de prova oral e estudo de latim. Os “pontos” que caíam eram 10, tiravam-se de dentro de um saquinho de pano como se numa loteria doméstica ou num bingo, e feliz era quem tivesse nome como o meu, começando por M, porque quando chegasse nossa vez já sabíamos quais eram as perguntas dos professores. As mais inteligentes iam à prova oral de biquíni por baixo da roupa, porque já tinham passado por média e saíam do colégio direto para a praia.

    Houve o momento em que a primeira morte atravessou-se no caminho, mas, ao contrário do amor, só uma foi primeira, pois só com a primeira aprendi a viver. As outras nada me ensinaram, repetindose iguais, embora diferentes e com diferentes pessoas. Só a primeira me colocou diante da grande interrogação do nada. As seguintes, não mais.

Houve uma primeira embriaguez de réveillon, e foi primeira e última, porque não gostei nem durante, nem depois. Comi pão seco e bebi água no dia 1º, curando ressaca como um santo purga seus pecados. E como um santo não voltei a pecar.

     Houve momentos de férias, e dias inteiros passados entre sol e sal, para depois entregar o corpo à mansidão da água doce como se mergulha na tina o ferro em brasa. Havia andorinhas pousadas nas cornijas daqueles verões, e a água do mergulho era sempre mais fria embaixo do que em cima.

Houve uma lassidão que só a ausência de aulas permitia, um sono do corpo estendido em areia ou pedra, um hibernar ao contrário, olhos entrefechados, e o mar cintilando entre os cílios. Depois, nadar, nadar, nadar.

    Houve essa outra cidade, esse outro corpo, esse outro espaço de verão. Agora, já não há. E é justo assim. O que era vazio foi tomado pela multidão, o que era elástico foi domado pelo desgaste, os trilhos de bonde dormem debaixo do asfalto, as bocas do metrô emergem nas calçadas, e, se não há mais andorinhas no verão, tampouco há cornijas.

    Um ano veio e se foi, assim como se foi a areia de seda. O próximo ano chega e o recebemos, expectantes, manga nunca provada. Todo momento passa e é só um momento. Nem os carros são todos pretos, nem a vida é mais do que momentos.

Colasanti, Marina. In: Estado de Minas, 02 de janeiro de 2014.

Pode-se depreender do texto que
  • A o amor vai e volta, às vezes traz desilusões, mas é sempre passageiro.
  • B o maior problema da cronista é não poder andar de bonde na mocidade.
  • C a autora, embora saudosista, mostra-se atenta às mudanças trazidas pelos novos tempos.
  • D a primeira embriaguez é perdoada porque ninguém vai punir uma comemoração de formatura.
  • E a morte atravessa nosso caminho, mais cedo ou mais tarde, embora nada nos ensine.
24

Analise a colocação do pronome oblíquo nas seguintes orações:

I. Garoto, me escuta!
II. Garoto, escuta-me!
III. Aqui, trabalha-se muito.
IV. Aqui se trabalha muito.
V. Ser-me-ia agradável visitá-lo.
VI. Diga-me isto só, lhe pediu o amigo.

Estão corretos os itens

  • A I, II, IV, V.
  • B II, IV, V, VI.
  • C I, III, V, VI.
  • D II, III, IV, V.
  • E I, II, III, VI.
25

Empregou-se um vocábulo fora do novo acordo ortográfico em:

  • A saída – vírus – pincéis
  • B rainha – juiz – raízes
  • C abdômen – vêem – sótão
  • D consistência – exceção – Piauí
  • E marcá-los – redimi-los – preenchê-los
26

Analise a colocação do pronome oblíquo nas seguintes orações:

I. Garoto, me escuta!
II. Garoto, escuta-me!
III. Aqui, trabalha-se muito.
IV. Aqui se trabalha muito.
V. Ser- me- ia agradável visitá-lo.
VI. Diga-me isto só, lhe pediu o amigo.

Estão corretos os itens

  • A I, II, IV, V.
  • B II, IV, V, VI.
  • C I, III, V, VI.
  • D II, III, IV, V.
  • E I, II, III, VI.
27

A partícula SE é um pronome apassivador em:

  • A De repente se precisa de bons digitadores.
  • B Antigamente se puniam os filhos por quaisquer malcriações.
  • C Agora se fala muito do problema da criação de filhos.
  • D Ainda hoje avó e neta se percebem bastante magoadas.
  • E Hoje muitos pais se acham culpados pela miséria dos filhos.
28

O emprego da vírgula está correto em:

  • A A História diz Cícero, é a mestra da vida.
  • B Uns dizem que se matou, outros que fora executado.
  • C Atletas, de várias nacionalidades, participarão da Copa no Brasil.
  • D O dinheiro, o funcionário lutava para conseguí-lo.
  • E Mocidade ociosa, velhice, vergonhosa.
29

Empregou-se corretamente a regência verbal em:

  • A As crianças gostam que lhes ajudemos.
  • B O tio do garoto pagou o dentista.
  • C A mãe perdoou o assassino do filho.
  • D O homem digno prefere um inimigo declarado do que um falso amigo.
  • E Todos os candidatos visam à aprovação no concurso.

Noções de Informática

30
O campo utilizado para encaminhar ou enviar uma cópia oculta de um e-mail é
  • A Cc
  • B Occ
  • C Cco
  • D Ooc
  • E Para
31
A figura abaixo, do MS Office Excel 2007, a partir da sua configuração padrão, representa uma planilha que está sendo editada.



O resultado da fórmula =SOMA(A2:C4)+B1/2 quando aplicada na célula B5 é
  • A 46
  • B 47
  • C 43
  • D 45
  • E 44
32

Os botões , do MS Office Excel 2007 têm a função, respectivamente, de

  • A Negrito, Itálico, Subtotal
  • B Negrito, Itálico, Subtração
  • C Negrito, Inserir, Sublinhado
  • D Negrito, Impressão, Seleção
  • E Negrito, Itálico, Sublinhado
33

O local do MS Office Word 2007, no menu, onde se encontra a opção Cor da Fonte é

  • A Início
  • B Revisão
  • C Exibição
  • D Referências
  • E Correspondências
34
A tecla de função do teclado, nos browser Internet Explorer ou Mozilla Firefox, que, ao ser pressionada, alterna os modos de exibição tela inteira e normal da janela do navegador é
  • A F1
  • B F3
  • C F7
  • D F11
  • E F12
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