Resolver o Simulado FCC

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Conhecimentos Bancários

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O quadro apresenta em sua coluna da esquerda o indicador contábil-financeiro e na coluna da direita a definição.

Indicador

1. Índice de liquidez geral

2. Índice de liquidez seca

3. Composição do endividamento

4. Margem líquida


Definição

I. faz uma relação dos ativos de maior liquidez no ativo circulante, excluindo-se os estoques, com as obrigações compostas no passivo circulante.

II. resulta da razão entre o passivo circulante e a soma do passivo circulante com o não circulante.

III. resulta da razão entre a soma do ativo circulante acrescido do realizável a longo prazo e o passivo circulante acrescido do exigível a longo prazo.

IV. apresenta o lucro líquido como proporção das vendas líquidas.


A correta correlação entre o indicador contábil-financeiro e sua definição está em

  • A 1-I; 2-III; 3-IV; 4-II.
  • B 1-III; 2-II; 3-I; 4-IV.
  • C 1-I; 2-II; 3-IV; 4-III.
  • D 1-IV; 2-I; 3-II; 4-III.
  • E 1-III; 2-I; 3-II; 4-IV.
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Considere as afirmações abaixo, a respeito do Balanço de Pagamentos de um país.


I. Uma venda à vista de mercadoria pelo país A ao país B implica um fluxo monetário na direção oposta. No país A, registra-se o valor como crédito para o país na conta de Exportações e, simultaneamente, um débito para sua conta Rendas de Capitais.

II. Uma compra financiada de uma máquina fornecida por uma empresa estrangeira corresponde à troca de um produto importado por um título de dívida.

III. Uma doação de produtos em espécie, de residentes do país A para não-residentes, pode ser vista como uma transação na qual os residentes dão dinheiro a não-residentes e estes, automaticamente, compram produtos domésticos.

IV. O resgate, pelo país A, de um título de dívida sob posse de um credor externo, sendo o pagamento feito em dinheiro, gera um registro de saída, na Conta de Capitais, do país A.


Está correto o que se afirma APENAS em

  • A III e IV.
  • B I, III e IV.
  • C II, III e IV.
  • D I, II e III.
  • E I e II.
3

No início do ano de 2017, o economista André Lara Resende publicou um artigo intitulado “Juros e Conservadorismo Intelectual”, em periódico especializado de grande circulação no país. O texto gerou grande polêmica, na imprensa, entre os economistas.


Escreve o autor:


Veja-se a que ponto chegamos em matéria de confusão e perplexidade. Os bancos centrais promoveram uma experiência radical de expansão monetária. Duas das três versões dos modelos macroeconômicos dominantes preveem resultados flagrantemente incompatíveis com o que efetivamente ocorreu. O único modelo compatível com a estabilidade observada da inflação é o neokeynesiano mais recente, na sua vertente neo-fisheriana, utilizado apenas na fronteira acadêmica, pois além de sérias complicações analíticas, inverte a relação entre juros e inflação. A condução da política monetária estaria assim, há décadas, seriamente equivocada. Esta não é, como poderia parecer, uma conclusão de contumazes críticos da teoria dominante. É o resultado lógico do arcabouço teórico da moderna macroeconomia, que inspira a condução das políticas monetárias no mundo, quando confrontado com evidência empírica dos últimos anos.

A proposição de Resende em seu artigo é a hipótese de que

  • A a eficácia da política fiscal está condicionada ao nível de atividade da economia.
  • B juros altos, no longo prazo, podem gerar aceleração da inflação.
  • C há um paradoxo entre inflação e nível de emprego, no curto prazo.
  • D há sinais de retorno da inflação inercial na economia brasileira.
  • E a política monetária é ineficaz para estimular a atividade econômica.
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Em uma situação onde um ativo está denominado em taxa prefixada e se queira transformar o rendimento para pós-fixado, equivalente ao rendimento dos depósitos interfinanceiros (DI), deve-se utilizar uma posição

  • A tomada em contratos futuros de DI.
  • B vendida em opções cambiais.
  • C comprada em Preço Unitário (PU), no âmbito dos contratos futuros de DI.
  • D de swap com posição ativa prefixada e posição passiva pós-fixada.
  • E em contrato a termo de moedas.

Administração Financeira e Orçamentária

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No contexto das atividades financeiras públicas,

  • A o resultado positivo do Banco Central do Brasil deixou de ser transferido ao Tesouro Nacional.
  • B o orçamento público cria os recursos necessários para a execução das despesas fixadas.
  • C a fixação de despesas em montante não superior às receitas previstas atende ao princípio da transparência.
  • D a dívida flutuante representa os passivos financeiros que necessitam de autorização orçamentária para seu pagamento.
  • E um exemplo de aplicação do princípio da unidade de caixa se dá com a Conta Única do Tesouro Nacional.

Conhecimentos Bancários

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Na presença de uma crise interna com deterioração fiscal,

  • A o regime de câmbio flutuante pode acelerar os benefícios das rendas geradas com as exportações.
  • B o câmbio fixo contribuirá para a normalização do cenário, já que a crise fiscal não se comunica com os pressupostos desse regime cambial.
  • C a inexistência de reservas cambiais sinaliza a conveniência de se adotar o regime de câmbio fixo.
  • D as exportações devem ser coibidas, já que estas causarão desequilíbrios monetários internos.
  • E políticas contracionistas produzem imediata contribuição para a volta ao crescimento.

Administração Financeira e Orçamentária

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No processo orçamentário, o crédito extraordinário se caracteriza por ser

  • A inicial.
  • B destinado a reforçar uma prévia dotação orçamentária.
  • C destinado a despesas urgentes e imprevistas.
  • D ordinário.
  • E resultante de prévia autorização do Legislativo.

Conhecimentos Bancários

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Compete ao Conselho Monetário Nacional

  • A receber os recolhimentos compulsórios das instituições financeiras.
  • B realizar operações de redesconto e empréstimos à instituições financeiras bancárias.
  • C exercer o controle do crédito sob todas as suas formas.
  • D regular a constituição, o funcionamento e a fiscalização de instituições financeiras.
  • E exercer a fiscalização das instituições financeiras e aplicar as penalidades previstas.
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No domínio dos regimes cambiais,

  • A o regime de câmbio flutuante ocorre entre bandas estabelecidas pelo Banco Central.
  • B o regime de câmbio fixo resulta no ajustamento da taxa de câmbio pelas forças de mercado.
  • C uma insuficiência de oferta de divisas é resolvida pela ação do Banco Central, no regime de câmbio flutuante puro.
  • D o enfrentamento de crises é facilitado com o câmbio fixo, mesmo sem reservas cambiais.
  • E o regime de câmbio flutuante não requer a intervenção do Banco Central.
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O Depósito Interfinanceiro, também chamado de Certificado de Depósito Interfinanceiro,

  • A pode atuar como instrumento de gestão da liquidez das instituições financeiras.
  • B pode ser emitido por empresas industriais, reduzindo o custo do funding.
  • C apresenta benefício por constituir forma de captação no mercado internacional.
  • D deve ter sua emissão autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários, quando o emissor for uma sociedade anônima de capital aberto.
  • E tem prazo mínimo de 30 dias.
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Ao Conselho Monetário Nacional compete uma série de atribuições, EXCETO

  • A delimitar o capital mínimo das instituições financeiras privadas.
  • B emitir moeda-papel e moeda metálica.
  • C fixar as diretrizes e normas da política cambial.
  • D disciplinar o crédito e as operações creditícias.
  • E regulamentar, fixando limites, prazos e outras condições, as operações de redesconto.
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Em 1988, o sistema financeiro no Brasil sofreu significativa mudança no modelo de segmentação e organização, ao ser criada a figura

  • A do banco comercial.
  • B do banco de câmbio.
  • C do banco múltiplo.
  • D das instituições de pagamento.
  • E da cooperativa de crédito de livre adesão.
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O redesconto é um instrumento clássico de política monetária que, se expandido,

  • A pode abrir espaço para os bancos realizarem novas operações de crédito.
  • B reduz as disponibilidades dos bancos.
  • C provoca instantâneo aumento da carteira de crédito do sistema bancário.
  • D não é utilizado em época de crise bancária.
  • E representa um imediato aumento do passivo dos bancos.
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Uma empresa exerce atividades internacionais, com o que assume, constantemente, obrigações em moeda estrangeira. Para se proteger do risco cambial, essa empresa poderá:

I. Vender opções de compra de moeda estrangeira.

II. Comprar contratos futuros de moeda estrangeira.

III. Comprar opções de venda de moeda estrangeira.

Está correto o que se afirma em

  • A I, II, e III.
  • B II, apenas.
  • C I e II, apenas.
  • D III, apenas.
  • E I, apenas.
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No mercado de derivativos, é correto afirmar que

  • A o lançador de uma opção de venda tem a obrigação de vender o ativo-objeto, se o titular exercer o seu direito.
  • B o titular tem a obrigação de vender o ativo-objeto, em uma put.
  • C o lançador tem a obrigação de comprar o ativo-objeto, em uma opção de compra, se o titular exercer seu direito.
  • D em uma call, o titular tem o direito de comprar ou não o ativo-objeto.
  • E em uma opção de venda, o titular tem a obrigação de comprar o ativo-objeto.
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Uma decorrência do movimento de globalização financeira foi a ampliação dos impactos das turbulências internacionais em economias abertas. Uma forma de se atuar com um escudo de proteção para amortecer esses impactos é aplicando o regime de câmbio

  • A flutuante, que permitirá ao Banco Central maior liberdade para atuar na política monetária.
  • B fixo, que não demanda intervenções do Banco Central.
  • C flutuante, eis que o Banco Central é obrigado a intervir quando houver excesso de demanda por moeda estrangeira.
  • D fixo, eis que, com isso, os efeitos da taxa de câmbio ocorrerão fundamentalmente na balança comercial, sem afetar as movimentações financeiras internacionais.
  • E fixo, porém com banda rígida, com intervenções do Banco Central.
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A respeito dos chamados intermediários financeiros, é INCORRETO afirmar:

  • A o Banco Central, por ser caracterizado como “banco dos bancos”, atua da mesma forma que os demais intermediários financeiros.
  • B sua função de intermediação financeira é a de fazer a ponte entre poupadores e tomadores de recursos.
  • C a diferenciação entre os vários instrumentos financeiros está calcada em características variáveis de risco, liquidez, rentabilidade e emitente.
  • D a diferença básica entre um intermediário financeiro bancário e um intermediário financeiro não-bancário consiste em que estes não captam recursos por meio de depósitos à vista.
  • E bancos de investimentos, as chamadas financeiras (sociedades de crédito, financiamento e investimento) e as firmas de leasing (sociedades de arrendamento mercantil) são exemplos de intermediários financeiros não-bancários.
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Integram o Conselho Monetário Nacional − CMN:

  • A o Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, o Presidente do Banco Central do Brasil, o Presidente da Caixa Econômica Federal (Presidente) e o Presidente do Banco do Brasil.
  • B o Ministro-Chefe da Casa Civil, o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão (Presidente), o Presidente do Banco Central do Brasil e o Presidente do Banco do Brasil.
  • C o Ministro da Integração Nacional, o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco do Brasil (Presidente).
  • D o Ministro da Fazenda (Presidente), o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central do Brasil.
  • E o Ministro da Fazenda, o Presidente do Banco Central do Brasil e o Presidente do Banco do Brasil (Presidente).
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Sobre os diferentes regimes de taxa de câmbio, é correto afirmar que

  • A a experiência histórica com regime de câmbio fixo, nos países em desenvolvimento, revela ser esse regime o que garante a maior estabilidade das contas externas, pois prescinde das estruturas de importações e exportações dos países, pois é garantido que o mercado internacional financeiro garante plena liquidez em todos os momentos.
  • B uma taxa de câmbio flexível implica um ajustamento do balanço de pagamentos por meio da elevação da taxa de juros, uma vez que a taxa de câmbio apenas pode variar para baixo.
  • C em um regime de taxa de câmbio flexível é possível ter metas de taxa real de câmbio, pois pode-se sempre ajustar a taxa nominal de câmbio para atingir-se um nível real do câmbio.
  • D um regime de câmbio fixo torna a política monetária de uma país emissor de moeda não conversível mais eficaz, pois permite à autoridade monetária prevenir qualquer ataque especulativo contra a moeda, independentemente do nível de suas reservas internacionais de divisas estrangeiras.
  • E uma taxa de câmbio ajustável (com flutuação suja) significa que a autoridade monetária pode intervir no mercado de câmbio para impor limites à flutuação da taxa de câmbio. No Brasil, o Banco Central costuma intervir no mercado de contratos futuros de câmbio com os chamados swaps cambiais
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Um dos principais problemas de países primário-exportadores consiste obter divisas estrangeiras para financiar suas importações de forma sustentada e sistemática. Para tanto, é fundamental considerar o papel da taxa de câmbio real como um dos mais relevantes indicadores de comércio internacional de cada nação. Portanto,

  • A a capacidade de importar de um país é dada pela razão exportações/produto interno bruto.
  • B uma taxa de câmbio real elevada significa um duplo efeito negativo sobre a balança de comércio, uma vez que indica que os preços no mercado internacional estão mais baixos do que no mercado interno, gerando baixos influxos de divisas via exportações e elevadas importações.
  • C uma apreciação da taxa de câmbio nominal apenas gera resultados negativos sobre a balança comercial se não for acompanhada por uma elevação proporcional dos preços dos bens exportados pelo país no mercado internacional ou por uma queda proporcional do nível de preços doméstico.
  • D quanto menos diversificada for a pauta de importações de um país, menos vulnerável se torna a economia, pois o produto importado pode ser rapidamente substituído por produção doméstica.
  • E a hipótese da deterioração dos termos de troca sugere que países exportadores de produtos com alto conteúdo tecnológico tendem a se tornar cada vez mais dependentes de produtos primários e, por isso, mais sujeitos a crises de balanço de pagamentos com maior volatilidade da taxa de câmbio real.

Estatística

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Considere as seguintes afirmações relacionadas à incorporação do risco na avaliação de projetos de investimentos:



I. A análise de sensibilidade auxilia na identificação de parâmetros cuja alteração pode acarretar impactos na decisão sobre um determinado projeto.

II. A simulação de Monte Carlo resolve os problemas de incerteza inerentes ao projeto, garantindo a adequação da decisão do investidor.

III. A distribuição de impactos e probabilidades de eventos de risco é muitas vezes colocada em uma matriz de riscos.

IV. A análise de cenários busca identificar o impacto, no projeto, decorrente de apenas um único parâmetro de cada vez.


Está correto o que se afirma em

  • A II e IV, apenas.
  • B II, III e I V, apenas.
  • C I, II, III e IV.
  • D I e III, apenas.
  • E I, II e IV, apenas.

Matemática Financeira

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Em um processo de decisão sobre projetos de investimento, conta-se com as seguintes informações:


- custo de oportunidade, representado pela taxa mínima de atratividade, de 15%, e recursos próprios de $ 6 milhões e recursos de terceiros disponíveis de $ 4 milhões.

- projeto 1: VPL = $ 1,2 milhão; investimento necessário de $ 11 milhões.

- projeto 2: VPL = $ 0,9 milhão; investimento necessário de $ 7,5 milhões.

- projeto 3: VPL = $ 0,4 milhão; investimento necessário de $ 7 milhões.

- projeto 4: VPL = $ 0,0 milhão; investimento necessário de $ 5 milhões.

- projeto 5: VPL = (-) $ 1,5 milhão; investimento necessário de $ 4 milhões.


A melhor decisão será a aceitação

  • A dos projetos 1 e 2, conjuntamente.
  • B do projeto 2.
  • C do projeto 4.
  • D dos projetos 2 e 3, conjuntamente.
  • E do projeto 5.
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Considere que durante a avaliação de um projeto, verificou-se a possibilidade de se aplicar análise de sensibilidade para a depreciação dos equipamentos envolvidos. Ao se estender o prazo para a depreciação, o Valor Presente Líquido (VPL) do projeto passou de (-) $1.250.000,00 para (-) $100.000,00, sendo a taxa de atratividade de 17%. Como resultado, tem-se que

  • A o projeto deixou de ser aceitável.
  • B o projeto continua sendo aceitável.
  • C o projeto é sensível à variação na depreciação.
  • D o projeto continua apresentando Taxa Interna de Retorno (TIR) superior ao custo de oportunidade dado pelo investidor.
  • E a nova depreciação não altera a decisão sobre o projeto.

Gerência de Projetos

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Para a construção de um projeto de investimento,

  • A pode-se dispensar a preparação do fluxo de caixa, se o projeto utilizar recursos de terceiros.
  • B busca-se verificar se há viabilidade técnica, ou seja, se o projeto consegue remunerar adequadamente o capital investido.
  • C consideram-se os custos fixos enquanto os custos variáveis são desprezados.
  • D a localização constitui elemento relevante, embora seja incapaz de levar à rejeição econômica do projeto.
  • E é preciso considerar a necessidade de se utilizar premissas.

Matemática Financeira

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Um investidor obteve um empréstimo à taxa de juros de 2% ao mês e ainda restam três parcelas mensais, iguais e consecutivas para sua liquidação. O valor de cada parcela é R$ 520.200,00 e a primeira das três parcelas vencerá daqui a 30 dias. O investidor quer alterar a forma de pagamento mantendo a mesma taxa de juros e propõe à instituição financeira a liquidação da seguinte forma:


− Uma parcela de R$ 200.000,00 hoje.

− Uma parcela (X) daqui a 60 dias.


O valor da parcela (X) que o investidor terá que desembolsar para liquidar o empréstimo é, em reais,

  • A 1.352.724,00.
  • B 1.360.600,00.
  • C 1.300.196,08.
  • D 1.360.804,00.
  • E 1.326.200,00.

Português

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                              Conversa sobre o liberalismo


      O liberalismo promoveu uma ideia curiosa: para fazer a felicidade de todos (ou, ao menos, da maioria), não seria necessário decidir qual é o bem comum e, logo, impor aos cidadãos que se esforçassem para realizá-lo. Seria suficiente que cada um se preocupasse com seus interesses e seu bem-estar. Essa atitude espontânea garantiria o melhor mundo possível para todos. Afinal, nenhum malandro seria tolo a ponto de perseguir seu interesse particular de maneira excessiva, pois isso comprometeria o bem-estar dos outros e produziria conflitos que reverteriam contra o suposto malandro.

      Ora, o liberalismo, aparentemente, pegou pra valer. Não paro de encontrar pessoas convencidas de que, cuidando só de seus interesses, elas, no mínimo, não fazem mal a ninguém. O caso seguinte ilustra o que digo.

      Converso com o moço que dirige o táxi. Falamos de perspectivas políticas. Ele está indignado com a corrupção das altas e das baixas esferas da política, convencido de que, não fossem os ladrões, o país avançaria e resolveríamos todos os nossos problemas. Concordo, mas aponto que, mesmo calculando generosamente, o dinheiro que some na corrupção não seria suficiente para mudar o Brasil. Sem dúvida, deve ser bem inferior ao dinheiro que o governo deixa de arrecadar por causa da sonegação banal: rendas não declaradas, notas fiscais que só aparecem sob pedido e por aí vai. Pergunto-lhe então quanto ele paga de Imposto de Renda. Ganho a famosa resposta: “Não adianta pagar, porque nada volta para a gente.” Alego que não adianta esperar que algo volte se a gente não paga.

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 252-253)

Há ocorrência de forma verbal na voz passiva e pleno atendimento às normas de concordância na frase:

  • A Costuma ocorrer com frequência, conforme a argumentação do autor do texto, distorções graves quanto ao que se entende por liberalismo.
  • B Não é dado a ninguém presumir que seus interesses pessoais, em todos os casos, haja de coincidir com os de seus semelhantes.
  • C Por que razão esperar que sejamos aquinhoados de um conjunto de benefícios que nada fizemos por merecer?
  • D Os impostos de renda dos sonegadores não poderão reverter em investimentos capazes de gerar benefícios públicos.
  • E O motorista de táxi acabou por fornecer ao autor argumentos que o deixou convencido da justeza de sua teoria sobre os liberais de ocasião.
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo, do escritor e crítico profissional de literatura e teatro Décio de Almeida Prado.


                                         Vocação de escritor


      Os escritores, como os oficiais das forças armadas, são promovidos, seja por merecimento, seja por antiguidade. Alguns impõem-se ao público e aos seus pares em poucos golpes de audácia e talento. São os escritores natos, de vocação imperiosa e irresistível. Outros - e talvez seja este o meu caso - crescem na estima da classe intelectual graças à continuidade de um trabalho de muitos e muitos anos. Escrevem por força do ofício, mas é possível que preferissem permanecer como leitores inveterados.

      Quando vejo e revejo a minha vida, que já vai longa, passam-me pela memória várias imagens, as mais antigas às vezes, mais nítidas que as recentes. Verifico então, não sem surpresa, que fiz muitas coisas com as quais não contava e deixei de fazer outras tantas que planejara, é verdade que no plano superficial da vontade, não das forças mais profundas da personalidade.

      Na minha meninice, sonhei muito em ser poeta. Depois, já na adolescência, na hora difícil de optar por uma profissão, desejei ser médico, como meu pai, casando, de certo modo, clínica e literatura. Já no fim dos estudos superiores, na falta de melhor, tentei ser professor de filosofia, matéria que, apesar de não ter “a cabeça metafísica”, ensinei por bastante tempo em colégios estaduais, sem qualquer proveito para Aristóteles e Kant, mas com imenso prazer pessoal e alguma aquiescência dos alunos. Não podia imaginar que, levado, certa vez, a escrever uma crítica de teatro, estava definindo, para sempre, o meu futuro. Confesso que tenho orgulho em haver contribuído, na medida das minhas forças, para que o teatro saísse da posição humilhante de primo pobre que ocupava entre as artes literárias brasileiras.

(Adaptado de: PRADO, Décio de Almeida. Seres, coisas, lugares. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, 181-182)

O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado em:

  • A Não (faltar) ao autor, a despeito de suas vocações aparentes, bastante ânimo para reerguer o prestígio do teatro nacional.
  • B Quando a alguém não (ocorrer) atender seus impulsos primeiros, é possível que venha a atender sua vocação essencial.
  • C Diante das condições que (atravessar), naqueles anos, o teatro nacional, não hesitou o autor em buscar redimi-lo.
  • D Seria preciso que o (recomendar) amigos para a função de crítico teatral para que o autor efetivamente se consagrasse nesse trabalho.
  • E Aos alunos de colégio (brindar) o professor com suas aulas sobre Kant e Aristóteles, de modo modesto, segundo ele mesmo confessa.
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As regras de concordância estão respeitadas na frase:

  • A Entender a língua e eliminar o preconceito linguístico pode ser visto como um dos objetivos centrais do Atlas linguístico do Amapá.
  • B Em um atlas linguístico registra-se as diversas formas de falar do povo de uma região geograficamente definida.
  • C A diversidade de variantes linguísticas justificam-se pelas diferentes formas de colonização no território brasileiro.
  • D São possíveis que muitas maneiras diferentes de se comunicar sejam registradas em uma única região do Brasil.
  • E O “Atlas Linguístico do Brasil” fez com que fosse lançado uma série de publicações de atlas regionais e estaduais por todo o país.
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Os intelectuais e a escrita


    Poderia uma função social para os intelectuais − quer dizer, poderiam os próprios intelectuais − ter existido antes da invenção da escrita? Dificilmente. Sempre houve uma função social para xamãs, sacerdotes, magos e outros servos e senhores de ritos, e é de supor que também para aqueles que hoje chamaríamos de artistas. Mas como existir intelectuais antes da invenção de um sistema de escrita e de números que precisava ser manipulado, compreendido, interpretado, aprendido e preservado? Entretanto, com o advento desses modernos instrumentos de comunicação, cálculo e, acima de tudo, memória, as exíguas minorias que dominavam essas habilidades provavelmente exerceram mais poder social durante uma época do que os intelectuais jamais voltaram a exercer.
    Os que dominavam a escrita, como nas primeiras cidades das primeiras economias agrárias da Mesopotâmia, puderam se tornar o primeiro “clero”, classe de governantes sacerdotais. Até os séculos XIX e XX, o monopólio da capacidade de ler e escrever no mundo alfabetizado e a instrução necessária para dominá-la também implicavam um monopólio de poder, protegido da competição pelo conhecimento de línguas escritas especializadas, ritual ou culturalmente prestigiosa.
    De outro lado, a pena jamais teve mais poder do que a espada. Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos não poderia ter havido nem Estados, nem grandes economias, nem, menos ainda, os grandes impérios históricos do mundo antigo.

(Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 226-227)

São exemplos de uma mesma função sintática os elementos sublinhados na frase:

  • A Sempre houve uma função social para xamãs, sacerdotes, magos e outros servos.
  • B Mas como existir intelectuais antes da invenção da escrita?
  • C Os que dominavam a escrita puderam se tornar o primeiro clero.
  • D O monopólio da capacidade de ler e escrever no mundo alfabetizado e a instrução necessária para dominá-lo implicavam um monopólio de poder.
  • E Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos jamais poderia ter havido Estados.
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Atenção: Leia abaixo o Capítulo I do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão.

Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.

– Continue, disse eu acordando.

– Já acabei, murmurou ele.

– São muito bonitos.

Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.

Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.

(ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 79-80.)

...como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes... (1° parágrafo)


Em relação à oração que a sucede, a oração destacada expressa sentido de

  • A causa.
  • B comparação.
  • C consequência.
  • D proporção.
  • E conclusão.
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