Resolver o Simulado Fundação de Pesquisas e Estudos Sócio-econômicos - SC (FEPESE) - Nível Superior

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Raciocínio Lógico

1
Um grupo de 500 estudantes participa de uma pesquisa. Sabe-se que desses estudantes, 200 estudam Física, 240 estudam Matemática, 80 estudam Matemática e Física. Se um desses estudantes for sorteado, a probabilidade de que ele não estude Matemática e nem Física é:
  • A 14%.
  • B 28%.
  • C 36%.
  • D 45%.
  • E 50%.
2

Se A = {–1, 1, 2, 4, 8, 16} e B = {–2, –1, 0, 1, 2, 3}, então o conjunto das partes de (AUB)U(A∩B) possui

  • A 23 elementos.
  • B 28 elementos.
  • C 29 elementos.
  • D 212 elementos.
  • E 215 elementos.
3

Considere as seguintes proposições:
I – Se Jorge fala, então Mateus fica quieto; II – Mateus fica quieto ou Ana é bonita.
Se I é verdadeira e II é falsa, infere-se que

  • A Ana não é bonita ou Mateus não fica quieto, e Jorge fala.
  • B Ana não é bonita e Mateus não fica quieto e Jorge não fala.
  • C Ana é bonita e Mateus não fala, ou Jorge fala.
  • D Mateus fica quieto e Ana não é bonita e Jorge não fala.
  • E Mateus não fica quieto ou Ana é bonita, e Jorge fala.
4

Considere as proposições a seguir.
P: trabalhar mais de 30 anos; Q: aposentar-se com salário integral; R: ser mulher.
A sentença lógica (P˄R) → Q significa que

  • A aposentar-se com salário integral é necessário para ser mulher e trabalhar mais de 30 anos.
  • B aposentar-se com salário integral é suficiente para ser mulher e trabalhar mais de 30 anos.
  • C ser mulher ou trabalhar mais de 30 anos é necessário para aposentar-se com salário integral.
  • D ser mulher e trabalhar mais de 30 anos é necessário para aposentar-se com salário integral.
  • E ser mulher ou trabalhar mais de 30 anos é suficiente para aposentar-se com salário integral.
5

Considere a sentença: “Se Arlindo é baixo, então Arlindo não é atleta.” Assinale a opção que apresenta a sentença logicamente equivalente à sentença dada.

  • A “Se Arlindo não é atleta, então Arlindo é baixo.”
  • B “Se Arlindo não é baixo, então Arlindo é atleta.”
  • C “Se Arlindo é atleta, então Arlindo não é baixo.”
  • D “Arlindo é baixo e atleta.”
  • E “Arlindo não é baixo e não é atleta.”

Matemática

6

Uma progressão aritmética e uma progressão geométrica têm ambas o primeiro termo igual a 20. Além disso, seus respectivos terceiro termos são estritamente positivos e coincidem. Assim como o segundo termo da progressão aritmética excede o segundo termo da progressão geométrica em 10. Portanto, o terceiro termo das progressões é:

  • A 100.
  • B 80.
  • C 50.
  • D 40.
  • E 30.
7

Para obter tonalidades diferentes de tintas de cor cinza misturam-se quantidades arbitrárias de tintas de cores branca e preta.


José possui 150 ml de uma tinta cinza que contém apenas 10% de tinta branca.


Assinale a opção que indica a quantidade de tinta branca que José deve acrescentar à tinta que possui, de forma que a nova mistura contenha 40% de tinta branca.

  • A 45 ml.
  • B 60 ml.
  • C 75 ml.
  • D 90 ml.
  • E 105 ml.
8

Sabendo que o dia 06 de maio de um certo ano foi um domingo, então o dia 25 de setembro desse mesmo ano foi:

  • A Uma terça-feira.
  • B Uma quarta-feira.
  • C Uma quinta-feira.
  • D Uma sexta-feira
9

Uma moeda de um real é lançada duas vezes. A probabilidade do resultado ser cara no primeiro lançamento e coroa no segundo lançamento é:

  • A 1
  • B 1/2
  • C 1/4
  • D 1/8
10

Ao quadruplicar a aresta de um cubo, seu volume aumentará, em:

  • A 08 vezes
  • B 16 vezes
  • C 32 vezes
  • D 64 vezes

Engenharia Ambiental e Sanitária

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O licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos é regido por uma série de critérios técnicos, avaliação de projetos e caracterização das atividades. Uma das legislações que tratam e definem critérios sobre o assunto é a Resolução CONAMA n° 237/1997. Considere as definições abaixo sobre o assunto.


I. Licença Prévia (LP) − concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação.

II. Licença de Instalação (LI) − autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante.

III. Licença de Operação (LO) − autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação.


Está correto o que se afirma em

  • A III, apenas.
  • B I e III, apenas.
  • C II e III, apenas.
  • D I e II, apenas.
  • E I, II e III.
12

Considere um processo de licenciamento ambiental de empreendimento que se deseja instalar na divisa entre dois Municípios de um mesmo Estado. Um Município tem 1/3 da população do outro e 30% mais industrias. O empreendimento pode causar significativa degradação ambiental. Neste caso, o

  • A licenciamento deve ser realizado pelo Município mais populoso independentemente do número de indústrias existentes.
  • B licenciamento deve ser realizado pelo Município mais industrializado.
  • C licenciamento deve ser realizado pelo órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal.
  • D EIA/RIMA não é necessário se o empreendimento for licenciado no Município mais industrializado.
  • E EIA/RIMA deve ser realizado independentemente do local de instalação e a participação da sociedade não é obrigatória.
13

Uma empresa quer iniciar atividade na incineração de lixo para geração de energia com capacidade superior a 10 MW. Nesse caso, é correto afirmar que

  • A de acordo com a Resolução CONAMA n° 01/1986, só será necessário realizar estudo de impacto ambiental se o empreendimento estiver localizado próximo à área de proteção de manancial.
  • B poderá obter licença do Município uma vez que a capacidade a ser instalada é isenta de estudo de impacto ambiental.
  • C está isento do estudo de impacto ambiental, de acordo com a Resolução CONAMA n° 01/86, por se tratar de atividade de interesse social.
  • D conforme Resolução CONAMA n° 01/86, por ser atividade modificadora do meio ambiente, deverá realizar estudo de impacto ambiental para obtenção das licenças necessárias ao funcionamento da atividade.
  • E o estudo de impacto ambiental só será necessário se o empreendimento for instalado na divisa ou compreenda mais de um Município ou Estado.

Português

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Marque a opção em que a palavra NÃO apresenta dígrafo.
  • A Campo.
  • B Cachorro.
  • C Quero.
  • D Quase.
  • E Nascer.
15
Analise as afirmativas a seguir e marque em qual das opções a palavra melhor funciona como advérbio.
  • A Conheço isso melhor que você.
  • B Ela é muito melhor que vocês.
  • C Não há nada melhor que um dia após o outro.
  • D Viva em paz que você terá vida melhor.
  • E Esse auditório é melhor que o outro.
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                              Conversa sobre o liberalismo


      O liberalismo promoveu uma ideia curiosa: para fazer a felicidade de todos (ou, ao menos, da maioria), não seria necessário decidir qual é o bem comum e, logo, impor aos cidadãos que se esforçassem para realizá-lo. Seria suficiente que cada um se preocupasse com seus interesses e seu bem-estar. Essa atitude espontânea garantiria o melhor mundo possível para todos. Afinal, nenhum malandro seria tolo a ponto de perseguir seu interesse particular de maneira excessiva, pois isso comprometeria o bem-estar dos outros e produziria conflitos que reverteriam contra o suposto malandro.

      Ora, o liberalismo, aparentemente, pegou pra valer. Não paro de encontrar pessoas convencidas de que, cuidando só de seus interesses, elas, no mínimo, não fazem mal a ninguém. O caso seguinte ilustra o que digo.

      Converso com o moço que dirige o táxi. Falamos de perspectivas políticas. Ele está indignado com a corrupção das altas e das baixas esferas da política, convencido de que, não fossem os ladrões, o país avançaria e resolveríamos todos os nossos problemas. Concordo, mas aponto que, mesmo calculando generosamente, o dinheiro que some na corrupção não seria suficiente para mudar o Brasil. Sem dúvida, deve ser bem inferior ao dinheiro que o governo deixa de arrecadar por causa da sonegação banal: rendas não declaradas, notas fiscais que só aparecem sob pedido e por aí vai. Pergunto-lhe então quanto ele paga de Imposto de Renda. Ganho a famosa resposta: “Não adianta pagar, porque nada volta para a gente.” Alego que não adianta esperar que algo volte se a gente não paga.

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 252-253)

Há ocorrência de forma verbal na voz passiva e pleno atendimento às normas de concordância na frase:

  • A Costuma ocorrer com frequência, conforme a argumentação do autor do texto, distorções graves quanto ao que se entende por liberalismo.
  • B Não é dado a ninguém presumir que seus interesses pessoais, em todos os casos, haja de coincidir com os de seus semelhantes.
  • C Por que razão esperar que sejamos aquinhoados de um conjunto de benefícios que nada fizemos por merecer?
  • D Os impostos de renda dos sonegadores não poderão reverter em investimentos capazes de gerar benefícios públicos.
  • E O motorista de táxi acabou por fornecer ao autor argumentos que o deixou convencido da justeza de sua teoria sobre os liberais de ocasião.
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo, do escritor e crítico profissional de literatura e teatro Décio de Almeida Prado.


                                         Vocação de escritor


      Os escritores, como os oficiais das forças armadas, são promovidos, seja por merecimento, seja por antiguidade. Alguns impõem-se ao público e aos seus pares em poucos golpes de audácia e talento. São os escritores natos, de vocação imperiosa e irresistível. Outros - e talvez seja este o meu caso - crescem na estima da classe intelectual graças à continuidade de um trabalho de muitos e muitos anos. Escrevem por força do ofício, mas é possível que preferissem permanecer como leitores inveterados.

      Quando vejo e revejo a minha vida, que já vai longa, passam-me pela memória várias imagens, as mais antigas às vezes, mais nítidas que as recentes. Verifico então, não sem surpresa, que fiz muitas coisas com as quais não contava e deixei de fazer outras tantas que planejara, é verdade que no plano superficial da vontade, não das forças mais profundas da personalidade.

      Na minha meninice, sonhei muito em ser poeta. Depois, já na adolescência, na hora difícil de optar por uma profissão, desejei ser médico, como meu pai, casando, de certo modo, clínica e literatura. Já no fim dos estudos superiores, na falta de melhor, tentei ser professor de filosofia, matéria que, apesar de não ter “a cabeça metafísica”, ensinei por bastante tempo em colégios estaduais, sem qualquer proveito para Aristóteles e Kant, mas com imenso prazer pessoal e alguma aquiescência dos alunos. Não podia imaginar que, levado, certa vez, a escrever uma crítica de teatro, estava definindo, para sempre, o meu futuro. Confesso que tenho orgulho em haver contribuído, na medida das minhas forças, para que o teatro saísse da posição humilhante de primo pobre que ocupava entre as artes literárias brasileiras.

(Adaptado de: PRADO, Décio de Almeida. Seres, coisas, lugares. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, 181-182)

O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado em:

  • A Não (faltar) ao autor, a despeito de suas vocações aparentes, bastante ânimo para reerguer o prestígio do teatro nacional.
  • B Quando a alguém não (ocorrer) atender seus impulsos primeiros, é possível que venha a atender sua vocação essencial.
  • C Diante das condições que (atravessar), naqueles anos, o teatro nacional, não hesitou o autor em buscar redimi-lo.
  • D Seria preciso que o (recomendar) amigos para a função de crítico teatral para que o autor efetivamente se consagrasse nesse trabalho.
  • E Aos alunos de colégio (brindar) o professor com suas aulas sobre Kant e Aristóteles, de modo modesto, segundo ele mesmo confessa.
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       Brasil fabricará medicamentos a partir da biodiversidade do país


      Para desenvolver a indústria farmacêutica do Brasil, nada melhor do que trabalhar com aquilo que temos de melhor: dono da maior fauna e flora do planeta, o país ainda tem milhares de espécies vegetais não catalogadas e que podem contribuir para a fabricação de medicamentos responsáveis pelo tratamento de diferentes enfermidades.

      Em uma parceria inédita, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) somou esforços com o Aché Laboratórios e a empresa Phytobios para encontrar moléculas de plantas que podem contribuir para remédios destinados às áreas de oncologia e dermatologia. O acordo foi assinado na última segunda-feira (11 de dezembro), durante um evento no auditório do CNPEM, em Campinas.

      Com investimento planejado de R$ 10 milhões, as primeiras expedições comandadas pela Phytobios já reuniram exemplares de diferentes espécies vegetais que serão analisados no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), que faz parte do CNPEM. “A expedição em busca das espécies é algo bastante complexo: temos de ter um cuidado enorme para não danificar o meio ambiente durante as coletas, além de preservar o material vegetal encontrado”, afirma Cristina Ropke, CEO da Phytobios. “Temos de coletar plantas na época em que elas estão floridas ou frutificadas para que um botânico especialista naquela família as identifique de maneira apropriada.”

      À frente de projetos como o Sirius — maior projeto científico e tecnológico em desenvolvimento no Brasil —o CNPEM conta com equipamentos capazes de realizar a análise das moléculas e mapear suas potencialidades para o tratamento de enfermidades como o combate a diferentes tipos de câncer.

(Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/12/brasil-fabricara-medicamentos-partir-da-biodiversidade-do-pais. html.)

O uso do acento grave em “À frente de projetos como o Sirius — maior projeto científico e tecnológico em desenvolvimento no Brasil [...]” (4º§) é de uso obrigatório. Indique, a seguir, o fragmento em que o acento grave foi empregado INCORRETAMENTE.
  • A “Primeiro smartphone com leitor de digitais integrado à tela vai ser chinês.”
  • B “Florianópolis vive hoje o temor de que 2017 termine com notícias semelhantes às que estrearam o ano.”
  • C “Uma garota de 9 anos teve o cabelo cortado à força por duas tias e duas primas no último fim de semana.”
  • D “Todo o atendimento ao público será realizado de segunda à domingo conforme determinado anteriormente.”
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O liberalismo é uma importante teoria política e econômica que exprime os anseios da burguesia. Surge em oposição ao absolutismo dos reis e à teoria econômica do mercantilismo, defendendo os direitos da iniciativa privada e restringindo o mais possível as atribuições do Estado. Locke foi o primeiro teórico liberal.

Presenciou na Inglaterra as lutas pela deposição dos Stuarts, tendo se refugiado na Holanda por razões políticas. De lá regressa quando, vitoriosa a Revolução de 1688, Guilherme de Orange é chamado para consolidar a nova monarquia parlamentar inglesa. (Maria Lúcia de Arruda Aranha in História da Educação).

As expressões “defendendo” e “restringindo”, utilizadas no texto, referem-se a(o):

  • A gerúndio.
  • B imperativo.
  • C pretérito perfeito.
  • D subjuntivo.
  • E futuro do pretérito.
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Aldrovando Cantagalo veio ao mundo em virtude dum erro de gramática. Durante sessenta anos de vida terrena pererecou como um peru em cima da gramática. E morreu, afinal, vítima dum novo erro de gramática. Mártir da gramática, fique este documento da sua vida como pedra angular para uma futura e bem merecida canonização.

Havia em Itaoca um pobre moço que definhava de tédio no fundo de um cartório.

Escrevente. Vinte e três anos. Magro. Ar um tanto palerma. Ledor de versos lacrimogêneos e pai duns acrósticos dados à luz no “Itaoquense”, com bastante sucesso.

Vivia em paz com as suas certidões quando o frechou venenosa seta de Cupido. Objeto amado: a filha mais moça do coronel Triburtino, o qual tinha duas, essa Laurinha, do escrevente, então nos dezessete, e a do Carmo, encalhe da família, vesga, madurota, histérica, manca da perna esquerda e um tanto aluada.

Triburtino não era homem de brincadeira. Esguelara um vereador oposicionista em plena sessão da câmara e desd’aí se transformou no tutu da terra. Toda gente lhe tinha um vago medo; mas o amor, que é mais forte que a morte, não receia sobrecenhos enfarruscados nem tufos de cabelos no nariz.

Ousou o escrevente namorar-lhe a filha, apesar da distância hierárquica que os separava. Namoro à moda velha, já se vê, pois que nesse tempo não existia a gostosura dos cinemas. Encontros na igreja, à missa, troca de olhares, diálogos de flores – o que havia de inocente e puro. Depois, roupa nova, ponta de lenço de seda a entremostrar-se no bolsinho de cima e medição de passos na rua d’Ela, nos dias de folga. Depois, a serenata fatal à esquina, com o

Acorda, donzela...

Sapecado a medo num velho pinho de empréstimo. Depois, bilhetinho perfumado.

Aqui se estrepou...

Escrevera nesse bilhetinho, entretanto, apenas quatro palavras, afora pontos exclamativos e reticências:

Anjo adorado!

Amo-lhe!

Para abrir o jogo bastava esse movimento de peão. Ora, aconteceu que o pai do anjo apanhou o bilhetinho celestial e, depois de três dias de sobrecenho carregado, mandou chamá-lo à sua presença, com disfarce de pretexto – para umas certidõesinhas, explicou.

Apesar disso, o moço veio um tanto ressabiado, com a pulga atrás da orelha. Não lhe erravam os pressentimentos. Mas o pilhou portas aquém, o coronel trancou o escritório, fechou a carranca e disse:

- A família Triburtino de Mendonça é a mais honrada desta terra, e eu, seu chefe natural, não permitirei nunca – nunca, ouviu? – que contra ela se cometa o menor deslize.

Parou. Abriu uma gaveta. Tirou de dentro o bilhetinho cor-de-rosa, desdobrou-o.

- É sua esta peça de flagrante delito?

O escrevente, a tremer, balbuciou medrosa confirmação.

- Muito bem! Continuou o coronel em tom mais sereno. Ama, então, minha filha e tem a audácia de o declarar... Pois agora…

O escrevente, por instinto, ergueu o braço para defender a cabeça e relanceou os olhos para a rua, sondando uma retirada estratégica.

- ... é casar! Concluiu de improviso o vingativo pai.

O escrevente ressuscitou. Abriu os olhos e a boca, num pasmo. Depois, tornando a si, comoveu-se e, com lágrimas nos olhos disse, gaguejante:

- Beijo-lhe as mãos, coronel! Nunca imaginei tanta generosidade em peito humano! Agora vejo com que injustiça o julgam aí fora!…

Velhacamente o velho cortou-lhe o fio das expansões.

- Nada de frases, moço, vamos ao que serve: declaro-o solenemente noivo de minha filha!

E voltando-se para dentro, gritou:

- Do Carmo! Venha abraçar o teu noivo!

O escrevente piscou seis vezes e, enchendo-se de coragem, corrigiu o erro.

- Laurinha, quer o coronel dizer…

O velho fechou de novo a carranca.

- Sei onde trago o nariz, moço. Vassuncê mandou este bilhete à Laurinha dizendo que ama- “lhe”. Se amasse a ela deveria dizer amo-“te”. Dizendo “amo-lhe” declara que ama a uma terceira pessoa, a qual não pode ser senão a Maria do Carmo. Salvo se declara amor à minha mulher (…).


(LOBATO, Monteiro. O Colocador de Pronomes. In: PINTO, Edith Pimentel (org.). O Português do Brasil: textos críticos e teóricos II - 1920-1945 – Fontes para a teoria e a história. São Paulo: Edusp, [1924] 1981, p. 51-79.)

Assinale a opção que corresponde à descrição temporal do verbo sublinhado em “Esguelara um vereador oposicionista em plena sessão da câmara...”.

  • A O tempo verbal expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente terminado.
  • B O tempo verbal manifesta ação pretérita concluída antes de outra ação do passado ter se iniciado.
  • C A locução verbal destacada é formada pela terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, eliminando-se a terminação – AM e adicionando o sufixo adequado.
  • D O verbo neste tempo deve formar-se com o verbo auxiliar “ter” (ou “haver” na linguagem formal) no pretérito imperfeito, seguido do particípio passado do verbo principal.
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As regras de concordância estão respeitadas na frase:

  • A Entender a língua e eliminar o preconceito linguístico pode ser visto como um dos objetivos centrais do Atlas linguístico do Amapá.
  • B Em um atlas linguístico registra-se as diversas formas de falar do povo de uma região geograficamente definida.
  • C A diversidade de variantes linguísticas justificam-se pelas diferentes formas de colonização no território brasileiro.
  • D São possíveis que muitas maneiras diferentes de se comunicar sejam registradas em uma única região do Brasil.
  • E O “Atlas Linguístico do Brasil” fez com que fosse lançado uma série de publicações de atlas regionais e estaduais por todo o país.
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Os intelectuais e a escrita


    Poderia uma função social para os intelectuais − quer dizer, poderiam os próprios intelectuais − ter existido antes da invenção da escrita? Dificilmente. Sempre houve uma função social para xamãs, sacerdotes, magos e outros servos e senhores de ritos, e é de supor que também para aqueles que hoje chamaríamos de artistas. Mas como existir intelectuais antes da invenção de um sistema de escrita e de números que precisava ser manipulado, compreendido, interpretado, aprendido e preservado? Entretanto, com o advento desses modernos instrumentos de comunicação, cálculo e, acima de tudo, memória, as exíguas minorias que dominavam essas habilidades provavelmente exerceram mais poder social durante uma época do que os intelectuais jamais voltaram a exercer.
    Os que dominavam a escrita, como nas primeiras cidades das primeiras economias agrárias da Mesopotâmia, puderam se tornar o primeiro “clero”, classe de governantes sacerdotais. Até os séculos XIX e XX, o monopólio da capacidade de ler e escrever no mundo alfabetizado e a instrução necessária para dominá-la também implicavam um monopólio de poder, protegido da competição pelo conhecimento de línguas escritas especializadas, ritual ou culturalmente prestigiosa.
    De outro lado, a pena jamais teve mais poder do que a espada. Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos não poderia ter havido nem Estados, nem grandes economias, nem, menos ainda, os grandes impérios históricos do mundo antigo.

(Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 226-227)

São exemplos de uma mesma função sintática os elementos sublinhados na frase:

  • A Sempre houve uma função social para xamãs, sacerdotes, magos e outros servos.
  • B Mas como existir intelectuais antes da invenção da escrita?
  • C Os que dominavam a escrita puderam se tornar o primeiro clero.
  • D O monopólio da capacidade de ler e escrever no mundo alfabetizado e a instrução necessária para dominá-lo implicavam um monopólio de poder.
  • E Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos jamais poderia ter havido Estados.
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No texto que segue, algumas palavras em destaque foram transcritas sem o necessário acento gráfico.


Medo que seduz


No Brasil, algumas editoras, como a carioca DarkSide, têm se dedicado a relançar classicos[1] do terror. (...) São histórias de fantasmas, busca pela eternidade, sonhos e pesadelos — tudo aquilo que desafia o conforto da razão. A variedade ilustra o que o organizador Alcebíades Diniz, em seu posfacio[2], chama de “expansão do fantástico”, representada no livro não só pelos temas e abordagens, mas tambem[3] pela origem dos textos, escritos originalmente em ingles[4], espanhol, alemão e russo.

DAMASCENO, Renan. Medo que seduz. Estado de Minas. Caderno Pensar, p. 1, 1 jun. 2018. Adaptado.


A justificativa correta para a acentuação de cada palavra numerada encontra-se em

  • A [4] uma oxítona.
  • B [3] uma proparoxítona.
  • C [2] um monossílabo tônico.
  • D [1] uma paroxítona terminada em hiato.
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Atenção: Leia abaixo o Capítulo I do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão.

Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.

– Continue, disse eu acordando.

– Já acabei, murmurou ele.

– São muito bonitos.

Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.

Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.

(ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 79-80.)

...como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes... (1° parágrafo)


Em relação à oração que a sucede, a oração destacada expressa sentido de

  • A causa.
  • B comparação.
  • C consequência.
  • D proporção.
  • E conclusão.
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O dicionário Houaiss lista um conjunto de valores mais frequentes da preposição em: tempo, lugar, maneira de ser, estado, modo, distribuição, forma como se pratica uma ação, finalidade, conformidade, equivalência e valor.


Assinale a frase em que essa preposição tem seu valor corretamente identificado.

  • A “Comecei uma dieta, cortei a bebida e alguns pratos e, em catorze dias, perdi duas semanas.” / distribuição.
  • B “Se você insiste em emagrecer meu conselho é: coma o quanto quiser. Apenas não engula.” / maneira de ser.
  • C “Difícil coisa é, cidadãos, entrar em discussão com a barriga vazia.” / estado.
  • D “Tomei comprimidos, mas desisti de me matar por esse método. Gasta-se uma fortuna em clínicas de desintoxicação.” / finalidade.
  • E “A família é um conjunto de pessoas que se defendem em bloco e se atacam em particular.” / modo.
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Em todas as frases a seguir foram sublinhados o adjetivo e o termo substantivo a que ele se refere e com que concorda; assinale a frase em que essa referência está indicada corretamente.

  • A “Ser marido é um trabalho de tempo integral.”
  • B “A cachaça de Minas é das mais saborosas do país.”
  • C “Os maridos das mulheres de que gostamos são sempre uns imbecis.”
  • D “É preciso realmente que um homem morra para que outros possam apurar o seu justo valor.”
  • E “Há quem esteja disposto a morrer para fazer com que morram os seus inimigos.”
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A frase abaixo em que os dois vocábulos sublinhados pertencem à mesma classe gramatical é:

  • A “Com o bom sou bom, mas mesmo com quem não é bom, sou bom, pois boa é a virtude.”
  • B “Mais vale um cachorro amigo que um amigo cachorro.”
  • C “O muito torna-se pouco quando se deseja um pouco mais.”
  • D “Conheceríamos muito melhor muitas coisas se não quiséssemos identificá-las com melhor precisão.”
  • E “O mal menor é aquele que te faz menos mal.”
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Assinale a opção que indica a frase em que a locução sublinhada foi corretamente substituída.

  • A “Só conhece realmente uma pessoa quem a ama sem esperança.” / inesperadamente.
  • B “Não se pode deixar de esforçar-se, entregando-se ao destino; quem consegue obter óleo das sementes sem esforço?” / esforçadamente.
  • C “Não há alegria sem vinho.” / sobriamente.
  • D “A beleza, inclusive na arte, não pode ser examinada sem pudor.” / pudicamente.
  • E “Quando somos belas, ficamos ainda mais belas sem adornos.” / desnudas.
29

Assinale a frase em que a forma sublinhada está corretamente grafada.

  • A “Sabe-se lá por quê, quando faço a barba no banho, se tento cantarolar um motivo breve e atual, me corto.”
  • B “Marido e mulher amavam os hóspedes, porquê sem eles acabavam brigando.”
  • CPor que amou muito, Madalena teve seus pecados perdoados.”
  • D “Eis os crimes porque os homens devem ser punidos por Deus.”
  • E “Às vezes somos castigados sem saber porquê.”
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“O homem nunca poderá ser igual a um animal: ou se eleva e torna-se melhor, ou se precipita e torna-se muito pior”.
Sobre as ocorrências do vocábulo se nesse pensamento, assinale a afirmativa correta.

  • A A primeira ocorrência mostra valor diferente da terceira.
  • B Todas as ocorrências possuem valor diferente.
  • C Todas as ocorrências exemplificam reciprocidade.
  • D Todas as ocorrências mostram valor de reflexividade.
  • E A segunda ocorrência tem valor diferente das demais.
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Assinale a frase em que o se pode ter não só o valor de reciprocidade mas também o de reflexividade

  • A “Nas grandes coisas, os homens se mostram como lhes convém se mostrar; nas pequenas mostram-se como são”.
  • B “Pelas roupas rasgadas mostram-se os vícios menores; as vestes de cerimônia e as peles escondem todos eles”.
  • C “É preciso sempre desculpar-se por ter agido bem – nada fere mais do que isso”.
  • D “Os maiores males sempre se infiltraram na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem”.
  • E “Ao lermos os grandes filósofos, temos a impressão de que todos se conheciam muito bem”.
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Assinale a opção que apresenta a frase em que a forma verbal sublinhada está corretamente acentuada.

  • A “Nas grandes coisas, os homens se mostram como lhes convém se mostrar; nas pequenas mostram-se como são”.
  • BDêem-nos as coisas supérfluas da vida e dispensaremos o necessário”.
  • C “O envelhecimento ocorre apenas dos 25 aos 30 anos. O que se obtêm até esse momento é o que se conservará para sempre”.
  • D “Quase todos os jovens mantém a própria opinião em situações polêmicas”.
  • E “O velho detêm a sabedoria de gerações”.
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Um princípio geral de formulação textual diz que, a primeira vez em que é citada, uma entidade deve ser precedida de artigo indefinido e, quando citada pela segunda vez e outras, deve ser precedida do artigo definido. Ocorre, porém, que, em alguns casos, mesmo citadas pela primeira vez, algumas entidades aparecem precedidas de artigo definido. Uma das razões é quando se trata de uma entidade emoldurada, ou seja, quando um vocábulo anterior faz supor a nova entidade como já conhecida.


A frase abaixo que exemplifica o que se afirma acima é:

  • A Um carro entrava na garagem com os pneus furados.
  • B Uma aluna aproximou-se do policial que estava na esquina.
  • C Uma das passageiras dirigiu-se ao guarda sentado a seu lado.
  • D Um dia, todos voltaremos ao lugar onde nascemos.
  • E Umas férias vou tirar no ano que vem.
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