Resolver o Simulado Polícia Militar do Estado da Bahia (PM-BA) - Soldado da Polícia Militar - FCC - Nível Médio

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Português

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Em defesa da dúvida

Numa época em que tantos parecem ter tanta certeza sobre tudo, vale a pena pensar no prestígio que a dúvida já teve. Nos diálogos de Platão, seu amigo Sócrates pulveriza a certeza absoluta de seus contendores abalando-a por meio de sucessivas perguntas, que os acabam convencendo da fragilidade de suas convicções. Séculos mais tarde, o filósofo Descartes ponderou que o maior estímulo para se instituir um método de conhecimento é considerar a presença desafiadora da dúvida, como um primeiro passo.

Lendo os jornais e revistas de hoje, assistindo na TV a entrevistas de personalidades, o que não falta são especialistas infalíveis em todos os assuntos, na política, na ciência, na economia, nas artes. Todos têm receitas imediatas e seguras para a solução de todos os problemas. A hesitação, a dúvida, o tempo para reflexão são interpretados como incompetência, passividade, absenteísmo. É como se a velocidade tecnológica, que dá o ritmo aos nossos novos hábitos, também ditasse a urgência de constituirmos nossas certezas.

A dúvida corresponde ao nosso direito de suspender a verdade ilusória das aparências e buscar a verdade funda daquilo que não aparece. Julgar um fato pelo que dele diz um jornal, avaliar um problema pelo ângulo estrito dos que nele estão envolvidos é submeter-se à força de valores já estabelecidos, que deixamos de investigar. A dúvida supõe a necessidade que tem a consciência de se afastar dos julgamentos já produzidos, permitindo-se, assim, o tempo necessário para o exame mais detido da matéria a ser analisada. A dúvida pode ser o primeiro passo para o caminho das afirmações que acabam sendo as mais seguras, porque mais refletidas e devidamente questionadas.

(Cássio da Silveira, inédito)

Os tempos e modos verbais estão adequadamente correlacionados na completude da frase: Se lêssemos os jornais e revistas de hoje com espírito crítico apurado pela dúvida,

  • A muitos dos mais notórios preconceitos em que incorremos acabarão sendo evitados.
  • B evita-se a precipitação de julgamento com que estamos respondemos aos fatos.
  • C haveremos de compreender o quanto fôssemos injustos em nossas avaliações precipitadas.
  • D mais complexos acabariam por se revelar aqueles fatos que julgávamos tão cristalinos.
  • E as interpretações que vimos dando aos fatos acabarão sendo outras, mais justas.
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Um dos poemas mais notáveis da língua inglesa é dedicado por Edgar Allan Poe a uma mulher a quem deu o nome de Helena. Seria ela efetivamente, para o poeta, uma encarnação da princesa homérica? Seja qual for a resposta, em seu poema ele lhe dizia que sua beleza era maior do que a de uma mortal. Ao contemplá-la, ele tinha consciência de reviver acontecimentos passados, que ainda lhe eram presentes e familiares, pois assim se via transportado de volta “à glória que foi a Grécia e à grandeza que foi Roma”.
Esses versos tornaram-se um clichê usado para exprimir o que se considera um irreversível compromisso entre o passado e o presente. Eis aí duas culturas, a grega e a romana, que na Antiguidade se reuniram para criar uma civilização comum, a qual continua existindo como um fato histórico no interior de nossa própria cultura contemporânea. O clássico ainda vive e se move, e mantém seu ser como um legado que provê o fundamento de nossas sensibilidades. Poe certamente acreditava nisso; e é possível que isso em que ele acreditava ainda seja por nós obscuramente sentido como verdadeiro, embora não de modo consciente.
Se Grécia e Roma foram, para Poe, uma espécie de casa, em cujos familiares cômodos ele gostava de morar, se Roma e Grécia têm ainda alguma realidade atual para nós, esse estado de coisas funda-se num pequeno fato tecnológico. A civilização dos gregos e romanos foi a primeira na face da terra fundada na atividade do leitor comum; a primeira capaz de dar à palavra escrita uma circulação geral; a primeira, em suma, a tornar-se letrada no pleno sentido deste termo, e a transmitir-nos o seu conhecimento letrado.


(Fragmento adaptado de Eric A. Havelock. A revolução da
escrita na Grécia e suas consequências culturais
. Trad. de
Ordep José Serra. São Paulo: Editora da UNESP;
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. p.45-6)



... assim [ele] se via transportado de volta “à glória que foi a Grécia e à grandeza que foi Roma".

Ambos os sinais indicativos de crase devem ser mantidos caso o segmento sublinhado seja substituído por:
  • A enaltecia.
  • B louvava.
  • C aludia.
  • D mencionava.
  • E evocava.
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O conceito de indústria cultural foi criado por Adorno e Horkheimer, dois dos principais integrantes da Escola de Frankfurt. Em seu livro de 1947, Dialética do esclarecimento, eles conceberam o conceito a fim de pensar a questão da cultura no capitalismo recente. Na época, estavam impactados pela experiência no país cuja indústria cultural era a mais avançada, os Estados Unidos, local onde os dois pensadores alemães refugiaram-se durante a Segunda Guerra.
Segundo os autores, a cultura contemporânea estaria submetida ao poder do capital, constituindo-se num sistema que englobaria o rádio, o cinema, as revistas e outros meios - como a televisão, a novidade daquele momento -, que tenderia a conferir a todos os produtos culturais um formato semelhante, padronizado, num mundo em que tudo se transformava em mercadoria descartável, até mesmo a arte, que assim se desqualificaria como tal. Surgiria uma cultura de massas que não precisaria mais se apresentar como arte, pois seria caracterizada como um negócio de produção em série de mercadorias culturais de baixa qualidade. Não que a cultura de massa fosse necessariamente igual para todos os estratos sociais; haveria tipos diferentes de produtos de massa para cada nível socioeconômico, conforme indicações de pesquisas de mercado. O controle sobre os consumidores seria mediado pela diversão, cuja repetição de fórmulas faria dela um prolongamento do trabalho no capitalismo tardio.
Muito já se polemizou acerca dessa análise, que tenderia a estreitar demais o campo de possibilidades de mudança em sociedades compostas por consumidores supostamente resignados.O próprio Adorno chegou a matizá-la depois. Mas o conceito passou a ser muito utilizado, até mesmo por quem diverge de sua formulação original. Poucos hoje discordariam de que o mundo todo passa pelo "filtro da indústria cultural", no sentido de que se pode constatar a existência de uma vasta produção de mercadorias culturais por setores especializados da indústria.
Feita a constatação da amplitude alcançada pela indústria cultural contemporânea, são várias as possibilidades de interpretá-la. Há estudos que enfatizam o caráter alienante das consciências imposto pela lógica capitalista no âmbito da cultura, a difundir padrões culturais hegemônicos. Outros frisam o aspecto da recepção do espectador, que poderia interpretar criativamente - e não de modo resignado - as mensagens que lhe seriam passadas, ademais, de modo não unívoco, mas com multiplicidades possíveis de sentido.

(RIDENTI, Marcelo. Indústria cultural: da era do rádio à era da informática no Brasil. In: Agenda brasileira. São Paulo: Cia das Letras, 2011, p. 292 a 301)

As normas de concordância estão plenamente respeitadas em:

  • A Cada uma das expressões dos produtos da indústria cultural reproduzem as pessoas tais como foram estereotipadas pela indústria como um todo.
  • B Na atual era da informática, o uso de computadores pessoais e de diversos recursos interativos levanta novas questões para a indústria cultural.
  • C Com o fim de preencherem todos os sentidos dos trabalhadores de modo útil ao capital, a cultura teria passado ao domínio da racionalidade administrativa.
  • D A história da indústria cultural, nos países de industrialização recente, confundem-se com as da própria implantação tardia da indústria.
  • E Como sistema mundial, a indústria da cultura não se restringe ao centro e impõem-se também em nações periféricas.
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Atualidade do velho Sêneca

Encontra-se nos textos dos antigos clássicos uma sabedoria que não tem prazo de validade. Contemporâneo de Cristo, o sábio Sêneca, espanhol de nascimento que fez vida na Roma de Nero, deixou-nos um legado fundamental: princípios de uma corrente filosófica identificada com o estoicismo, cujas raízes se devem à cultura grega. Sêneca dedicou-se, em vários textos, à defesa desses princípios, cujo sentido está em disciplinar nossa vida para levá-la a bom termo, ou seja, atravessá- la com sabedoria e proveito.
Um dos princípios fundamentais: evitar o excesso das paixões, que perturbam a tranquilidade da alma. O homem estoico não se deixa arrastar por sonhos irrealizáveis, nem estabelece para si o cumprimento de metas distintas: valoriza o dia a dia, encontra o prazer nas experiências cotidianas mais simples, aceitando o limite de sua força pessoal. A sabedoria está em vivermos o que é possível, para que na velhice não fiquemos a lamentar tudo o que não foi alcançado. Sábio é também não esquecer que os sofrimentos e as dores são inevitáveis: por isso, estejamos sempre preparados para o que é tão previsível como um infortúnio. Contando com ele, sofreremos menos.
Para os estoicos, a inevitabilidade da morte deve estar no horizonte, não para atemorizar-nos, mas para nos lembrar que a vida é tão mais preciosa quanto a saibamos limitada pela própria natureza. Morrerá melhor quem melhor viva, ensina Sêneca, e o tempo da vida é de qualquer modo suficiente para quem sabe vivê-lo e aproveitá-lo em todos os momentos presentes, em vez de projetá-lo para o futuro ideal que nunca chega.
A influência direta ou indireta desses princípios encontra-se em um sem-número de escritores. Em nossa literatura, o poeta Manuel Bandeira parece ter acolhido algumas convicções estoicas: sua vida e sua poesia fizeram-se sob a égide do limite, do menor, do imediato, em vez de aspirarem ao grandioso, ao infinito, ao transcendente. A simplicidade dos poemas de Bandeira está carregada da sabedoria de quem está atento ao que vive. O cotidiano é, para esse poeta, uma fonte permanente de poesia. Ler seus versos é aproximar-se dos sentimentos comuns que ganham inesperada altura.
Não se pode, talvez, afirmar que Bandeira tenha lido Sêneca e com ele aprendido a viver melhor. Mas é certo que Sêneca gostaria de vir a ler os poemas de Bandeira.

(Valdir Callado, inédito)

Está correta a flexão de todas as formas verbais da frase:

  • A O que é novo não destitue o que é velho quando este influi, de fato, na ordenação dos paradigmas de uma época.
  • B Sêneca não se absteve de enfrentar os limites da condição humana, o que requer coragem e constitui prova de sábia humildade
  • C Não há hoje quem detenhe essa ânsia, que parece rresistível, de só desejar o que é grande, o que é excepcional, o que é altamente desafiador.
  • D Nem mesmo meus mais jovens alunos conteram seu entusiasmo quando, diante das lições de Sêneca, reconheceram o valor que ele atribui à simplicidade.
  • E Se ele perfazer todo o percurso das leituras obrigatórias, não deixará de se entusiasmar com as lições dos velhos estoicos.
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Considere os segmentos 1, 2 e 3 abaixo e os comentários que os seguem.


1. Mas pode-se elaborar melhor essa análise.


2. Se tudo é opinião, tudo é não-notícia.


3. ...não propriamente pelo que dizem, mas principalmente pelo que tentam esconder.


I. A formulação "Mas essa análise pode ser mais bem elaborada" respeita as orientações da gramática normativa, tanto quanto a redação de 1.


II. A formulação "Tudo é não-notícia, à medida que tudo é opinião" preserva a relação estabelecida entre os fatos na redação de 2.


III. A formulação "não exatamente pelo que dizem, mas sobretudo pelo que tentam esconder" mantém o sentido e a correção vistos em 3.


Está correto o que se afirma APENAS em 

  • A I.
  • B I e II.
  • C II e III.
  • D III.
  • E I e III.
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Em 1973, um livro afirmou que as plantas são seres sencientes que têm emoções, preferem música clássica a rock'n'roll e podem reagir a pensamentos não expressos verbalmente de seres humanos a centenas de quilômetros de distância. Entrou para a lista de best-sellers do New York Times, na categoria não ficção.
A Vida Secreta das Plantas, de Peter Tompkins e Christopher Bird, apresentou uma fascinante miscelânea de ciência botânica autêntica, experimentos fajutos e culto místico da natureza, que arrebatou a imaginação do público numa época em que o ideário new age começava a ser assimilado pela cultura dominante. As passagens mais memoráveis descreviam os experimentos de Cleve Backster, um ex-agente da CIA especialista em detectores de mentiras. Em 1966, porque lhe deu na veneta, Bakster ligou um galvanômetro - medidor de correntes elétricas - à folha de uma dracena plantada num vaso do seu escritório. Ficou pasmo ao constatar que, quando ele imaginava a dracena pegando fogo, a agulha do polígrafo se mexia, registrando um surto de atividade elétrica indicador de que a planta sentia estresse. “A planta leu a mente dele?", indagam os autores. Backster teve vontade de sair pelas ruas gritando: “As plantas pensam!"
Nos anos seguintes, vários botânicos sérios tentaram em vão reproduzir o “efeito Backster". Boa parte da ciência em A Vida Secreta das Plantas caiu em descrédito. Mas o livro deixou sua marca na cultura. Norte-americanos começaram a conversar com plantas e a tocar Mozart para elas, e sem dúvida muitos ainda o fazem. Isso pode parecer inofensivo - provavelmente sempre haverá uma veia sentimentalista a influenciar nosso modo de ver as plantas -, mas, na opinião de muitos botânicos, esse livro causou danos duradouros a sua área de estudo. Segundo o biólogo Daniel Chamovitz, Tompkins e Bird foram responsáveis por emperrar “importantes pesquisas sobre o comportamento das plantas, pois os cientistas passaram a desconfiar de qualquer estudo que sugerisse paralelos entre sentidos dos animais e sentidos dos vegetais”.

(POLLAN, Michael. “A Planta Inteligente", In: Piauí, maio de 2014. p. 63-64)

A frase que pode ser corretamente transposta para a voz passiva encontra-se em:

  • A Boa parte da ciência em A Vida Secreta das Plantas caiu em descrédito.
  • B ... provavelmente sempre haverá uma veia sentimentalista...
  • C Isso pode parecer inofensivo...
  • D ... de qualquer estudo que sugerisse paralelos entre sentidos...
  • E ... que as plantas são seres sencientes...
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Delicadezas colhidas com mão leve


Era sábado e estávamos os dois na redação vazia da revista. Esparramado na cadeira, Guilherme roía o que lhe restava das unhas, levantava-se, andava de um lado para outro, folheava um jornal velho, suspirava. Aí me veio com esta:
- Meu texto é melhor que eu.
A frase me fez rir, devolveu a alegria a meu amigo e poderia render uma discussão sobre quem era melhor, Guilherme Cunha Pinto ou o texto do Guilherme Cunha Pinto. Os que foram apenas leitores desse jornalista tão especial, morto já faz tempo, não teriam problema em escolher as matérias que ele assinava, que me enchiam de uma inveja benigna.
Inveja, por exemplo, da mão leve com que ele ia buscar e punha em palavras as coisas mais incorpóreas e delicadas. Não era com ele, definitivamente, a simplificação grosseira que o jornalismo tantas vezes se concede, com a desculpa dos espaços e horários curtos, e que acaba fazendo do mundo algo chapado, previsível, sem graça. Guilherme não aceitava ser um mero recolhedor de aspas, nas entrevistas, nem sair à rua para ajustar os fatos a uma pauta. Tinha a capacidade infelizmente rara de se deixar tocar pelas coisas e pessoas sobre as quais ia escrever, sem ideias prontas nem pé atrás. Pois gostava de coisas e de pessoas, e permitia que elas o surpreendessem. Olhava-as com amorosa curiosidade - donde os detalhes que faziam o singular encanto de suas matérias. O personagem mais batido se desdobrava em ângulos inéditos quando o repórter era ele. Com suavidade descia ao fundo da alma de seus entrevistados, sem jamais pendurá-los no pau de arara do jornalismo inquisitorial. Deu forma a textos memoráveis e produziu um título desde então citado e recitado nas redações paulistanas: “Picasso morreu, se é que Picasso morre”.


(Adaptado de: WERNECK Humberto. Esse inferno vai acabar.
Porto Alegre: Arquipélago, 2001. p.45 e 46)


As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

  • A Os textos memoráveis que, com a arte desse jornalista, apresentava sempre uma perspectiva especial, encantavam a todos os seus fiéis leitores.
  • B Com a maioria dos jornalistas acontecem, frequentemente, que se submetam às fáceis acomodações dessa desafiadora profissão.
  • C Aos leitores dos grandes jornalistas cabem não apenas ler com prazer suas matérias, mas encantar- se com o ângulo criativo pelo qual trata suas matérias.
  • D Quem, entre os muitos jornalistas de hoje, habilita-se a desafiar os rígidos paradigmas que lhes impinge a direção de um jornal?
  • E Ainda haveriam, numa época de tanta pressa e tanta precipitação, jornalistas capazes de surpreender o leitor com uma linguagem de fato criativa?
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Atenção: Para responder às questões de números 1 a 11, considere o texto abaixo.

Se um cachorro “pensa” ou não, “tem consciência” ou não, isso depende da definição escolhida. Algumas pessoas não atribuirão “consciência” a criatura alguma que não seja capaz de abstrair um conceito geral com base em fatos particulares e, a partir daí, aplicar o aparato da lógica formal de modo a fazer inferências para além desses fatos. Outros conferem “consciência” a criaturas que reconhecem seus parentes consanguíneos e se recordam de locais prévios relacionados a situações de perigo ou de prazer. Pelo primeiro critério, os cães não têm consciência; pelo segundo, têm. Mas os cães permanecem sendo cães e sentindo aquilo que sentem, sem levar em consideração os rótulos escolhidos por nós.

No contexto dos esforços internacionais para conservar a biodiversidade, essa questão assume uma importância central, uma vez que o argumento clássico sobre os motivos pelos quais uma criatura supostamente decente e moral como o Homo sapiens pode maltratar e até mesmo exterminar outras espécies se assenta sobre uma posição extrema num continuum. A tradição cartesiana, formulada explicitamente no século XVII, mas presente, sem dúvida, numa forma “popular” ou em outras versões, ao longo de toda história humana, sustenta que os outros animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos e que apenas os homens gozam de “consciência”, não importa como ela seja definida. Nas versões radicais dessa teoria, até mesmo a dor e o sofrimento manifestos de outros mamíferos (tão palpáveis para nós, e da maneira mais visceral, uma vez que as expressões vocais e faciais desses parentes evolutivos próximos são semelhantes às nossas próprias reações aos mesmos estímulos) nada mais sinalizam do que uma resposta automática sem nenhuma representação interna em termos de sentimento − porque os outros animais não têm consciência alguma. Assim, levando adiante esse argumento, poderíamos nos preocupar com a extinção em função de outras razões, mas não em virtude de alguma espécie de dor ou sofrimento associado a essas mortes inevitáveis.

Não acredito que muitas pessoas sustentem nos dias de hoje uma versão tão forte da posição cartesiana, mas a tradição de se considerar os animais “inferiores” como “menos capazes de sentir” certamente persiste como um paliativo que ajuda a justificar nossa rapacidade − do mesmo modo como os nossos ancestrais racistas argumentavam que os “insensíveis” índios eram incapazes de experimentar alguma forma de dor conceitual ou filosófica pela perda de seu ambiente ou modo de vida (desde que os territórios reservados suprissem suas necessidades corporais de alimento e segurança), e que os “primitivos” africanos não lamentariam a terra natal e a família abandonadas à força uma vez que a escravidão lhes assegurasse a sobrevivência do ponto de vista físico.

... uma vez que as expressões vocais e faciais desses parentes evolutivos próximos são semelhantes às nossas próprias reações aos mesmos estímulos...

Sem que qualquer outra modificação seja feita na frase acima, o sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o segmento sublinhado seja substituído por:

  • A afiguram.
  • B parecem.
  • C correspondem.
  • D lembram.
  • E rememoram.
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Quanto ao emprego do sinal indicativo de crase, respeitado o padrão culto escrito, a única alternativa correta é:

  • A Essa foi uma estratégia que serviu ao Brasil e a maioria dos países inseridos na turma dos remediados.
  • B O estudo dá ênfase à educação e às telecomunicações, ajudando à entender por que o Brasil cresce pouco em comparação à outras nações de economia emergente.
  • C O país tem de fazer a transição à um sistema que premie o desempenho de professores e que garanta à todos os alunos talentosos resultados de excelência em exames internacionais.
  • D Vimos uma estratégia equivocada à época da reserva de informática. O país pagou um preço, porque a reserva não gerou “campeões nacionais” e ainda deixou os usuários atrasados em relação à população de outros países.
  • E O processo de urbanização levou à transferir atividades dos setores de subsistência, de baixo valor de mercado, para atividades mais modernas, que envolvem mais capital e mais tecnologia. Mas isso ocorreu sem novos requisitos à novas estratégias educacionais.
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Velhas cartas

Você nunca saberá o bem que sua carta me fez...” Sinto um choque ao ler esta carta antiga que encontro em um maço de outras. Vejo a data, e então me lembro onde estava quando a recebi. Não me lembro é do que escrevi que fez tanto bem a uma pessoa. Passo os olhos por essas linhas antigas, elas dão notícias de amigos, contam uma ou outra coisa do Rio e tenho curiosidade de ver como ela se despedia de mim. É do jeito mais simples: “A saudade de...”
Agora folheio outras cartas de amigos e amigas; são quase todas de apenas dois ou três anos atrás. Mas como isso está longe! Sinto-me um pouco humilhado, pensando como certas pessoas me eram necessárias e agora nem existiriam mais na minha lembrança se eu não encontrasse essas linhas rabiscadas em Londres ou na Suíça. “Cheguei neste instante; é a primeira coisa que faço, como prometi, escrever para você, mesmo porque durante a viagem pensei demais em você...”
Isto soa absurdo a dois anos e meio de distância. Não faço a menor ideia do paradeiro dessa mulher de letra redonda; ela, com certeza, mal se lembrará do meu nome. E esse casal, santo Deus, como era amigo: fazíamos planos de viajar juntos pela Itália; os dias que tínhamos passado juntos eram “inesquecíveis”.
E esse amigo como era amigo! Entretanto, nenhum de nós dois se lembrou mais de procurar o outro. (...) As cartas mais queridas, as que eram boas ou ruins demais, eu as rasguei há muito. Não guardo um documento sequer das pessoas que mais me afligiram e mais me fizeram feliz. Ficaram apenas, dessa época, essas cartas que na ocasião tive pena de rasgar e depois não me lembrei de deitar fora. A maioria eu guardei para responder depois, e nunca o fiz. Mas também escrevi muitas cartas e nem todas tiveram resposta
.

(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 1978. p. 271/272)


Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas na frase:

  • A Se nos dispormos a ler velhas cartas, surpreenderemo-nos com elas.
  • B Não há nada que detenhe o ímpeto da curiosidade quando passamos a reler cartas antigas.
  • C Quem dá com um velho maço de cartas já intue que ali haverá matéria de muito interesse.
  • D Que mais quererá um leitor das velhas cartas senão que reconstituam um tempo já morto?
  • E Não conteram o espanto quando deram com cartas que julgavam para sempre perdidas.
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Só me faltam seis meses e 28 dias para estar em condições de me aposentar. Deve fazer pelo menos cinco anos que mantenho este cômputo diário de meu saldo de trabalho. Na verdade, preciso tanto assim do ócio? Digo a mim mesmo que não, que não é do ócio que preciso, mas do direito a trabalhar no que eu quiser. Por exemplo? Jardinagem, quem sabe. É bom como descanso ativo para os domingos, para contrabalançar a vida sedentária e também como defesa secreta contra minha futura e garantida artrite.

(Mário Benedetti. A trégua. Trad. de Joana Angelica D’Avila Melo)

Diz o autor que ...... pelo menos cinco anos vem contando os dias para sua aposentadoria (daqui ...... seis meses, segundo seus cálculos), ...... partir da qual pensa em dedicar-se ..... jardinagem.

Completam adequadamente as lacunas da frase acima, na ordem dada:

  • A há - a - a - à
  • B a - há - a - à
  • C há - a - à - a
  • D a - há - à - à
  • E há - há - a - a
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Vaidade do humanismo

A vaidade, desde sua etimologia latina vanitas, aponta para o vazio, para o sentimento que habita o vão. Mas é possível tratar dela com mais condescendência do que os moralistas rigorosos que costumam condená-la inapelavelmente. Pode-se compreendê-la como uma contingência humana que talvez seja preciso antes reconhecer com naturalidade do que descartar como um vício abominável. Como se sabe, a vaidade está em todos nós em graus e com naturezas diferentes, e há uma vaidade que devemos aceitar: aquela que corresponde não a um mérito abstrato da pessoa, a um dom da natureza que nos tornasse filhos prediletos do céu, mas a algum trabalho que efetivamente tenhamos realizado, a uma razão objetiva que enraíza a vaidade no mesmo chão que foi marcado pelo nosso melhor
esforço, pelo nosso trabalho de humanistas.
Na condição de humanistas, temos interesse pelo estudo das formações sociais, dos direitos constituídos e do papel dos indivíduos, pela liberdade do pensamento filosófico que se pensa a si mesmo para pensar o mundo, pela arte literária que projeta e dá forma em linguagem simbólica aos desejos mais íntimos; por todas as formas, enfim, de conhecimento que ainda tomam o homem como medida das coisas. Talvez nosso principal desafio, neste tempo de vertiginoso avanço tecnológico,
esteja em fazer da tecnologia uma aliada preciosa em nossa busca do conhecimento real, da beleza consistente e de um mundo mais justo - todas estas dimensões de maior peso do que qualquer virtualidade. O grande professor e intelectual palestino Edward Said, num livro cujo título já é inspiração para uma plataforma de trabalho - Humanismo e crítica democrática - afirma a certa altura: “como humanistas, é da linguagem que partimos”; “o ato de ler é o ato de colocar-se na posição do autor, para quem escrever é uma série de decisões e escolhas expressas em palavras”. Nesse sentido, toda leitura é o compartilhamento do sujeito leitor com o sujeito escritor - compartilhamento justificado não necessariamente poradesão a um ponto de vista, mas pelo interesse no reconhecimento e na avaliação do ponto de vista do outro. Que seja este um nosso compromisso fundamental. Que seja esta a nossa vaidade de humanistas.

(Derval Mendes Sapucaia, inédito)

Ocorrem adequada transposição de voz verbal e perfeita correlação entre tempos e modos na seguinte passagem:
I. A vaidade, uma vez justificável, deixa de ser um vício abominável. = Se a justificarmos, a vaidade já não seria um vício abominável.
II. Ele toleraria a vaidade, desde que pudesse justificá-la. = A vaidade seria tolerada, desde que ela pudesse ser justificada por ele.
III. Ele não vê como poderia justificar a vaidade que eventualmente o assalta. = A vaidade não é vista justificada por ele, quando eventualmente é por ela assaltado.

Está correto o que consta APENAS em

  • A II e III.
  • B I.
  • C II.
  • D III.
  • E I e II.
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Dona Doida
Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso,
com trovoada e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
(PRADO, Adélia. Poesia Reunida. São Paulo, Siciliano, 1991, p. 108)

Na construção do poema, predomina o tipo

  • A dissertativo, sinalizado por pronomes possessivos, como minha e meu.
  • B descritivo, sinalizado por advérbios como exatamente e .
  • C descritivo, sinalizado por verbos como choveu e repudiaram.
  • D dissertativo, sinalizado por advérbios, como quando e depois.
  • E narrativo, sinalizado por advérbios como agora e quando.
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O primeiro... problema que as árvores parecem propor-nos é o de nos conformarmos com a sua mudez. Desejaríamos que falassem, como falam os animais, como falamos nós mesmos. Entretanto, elas e as pedras reservam-se o privilégio do silêncio, num mundo em que todos os seres têm pressa de se desnudar. Fiéis a si mesmas, decididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos, procuram as árvores ignorar tudo de uma composição social que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta, fundada que está na linguagem articulada, no jogo de transmissão do mais íntimo pelo mais coletivo.

Grave e solitário, o tronco vive num estado de impermeabilidade ao som, a que os humanos só atingem por alguns instantes e através da tragédia clássica. Não logramos comovê-lo, comunicar-lhe nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade, consideramo-lo um elemento da paisagem, e pintamo-lo. Ele pende, lápis ou óleo, de nossa parede, mas esse artifício não nos ilude, não incorpora a árvore à atmosfera de nossos cuidados. O fumo dos cigarros, subindo até o quadro, parece vagamente aborrecê-la, e certas árvores de Van Gogh, na sua crispação, têm algo de protesto.

De resto, o homem vai renunciando a esse processo de captura da árvore através da arte. Uma revista de vanguarda reúne algumas dessas representações, desde uma tapeçaria persa do século IV, onde aparece a palmeira heráldica, até Chirico, o criador da árvore genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título: Decadência da Árvore. Vemos através desse documentário que num Claude Lorrain da Pinacoteca de Munique, Paisagem com Caça, a árvore colossal domina todo o quadro, e a confusão de homens, cães e animal acuado constitui um incidente mínimo, decorativo. Já em Picasso a árvore se torna raríssima, e a aventura humana seduz mais o pintor do que o fundo natural em que ela se desenvolve.

O que será talvez um traço da arte moderna, assinala- do por Apollinaire, ao escrever: "Os pintores, se ainda observam a natureza, já não a imitam, evitando cuidadosamente a reprodução de cenas naturais observadas ou reconstituídas pelo estudo... Se o fim da pintura continua a ser, como sempre foi, o prazer dos olhos, hoje pedimos ao amador que procure tirar dela um prazer diferente do proporcionado pelo espetáculo das coisas naturais". Renunciamos assim às árvores, ou nos permitimos fabricá-las à feição dos nossos sonhos, que elas, polidamente, se permitem ignorar.

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. "A árvore e o homem", em Passeios na Ilha, Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 7-8)

Identifica-se um efeito e sua causa, respectivamente, nos segmentos:

  • A incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade // consideramo-lo um elemento da paisagem (2o parágrafo)
  • B a aventura humana seduz mais o pintor // do que o fundo natural em que ela se desenvolve (3o parágrafo)
  • C decididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos // procuram as árvores ignorar tudo (1o parágrafo)
  • D Renunciamos assim às árvores // ou nos permitimos fabricá-las (4o parágrafo)
  • E que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta // fundada que está na linguagem articulada (1o parágrafo)
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“Se os cachorros correm livremente, por que eu não posso fazer isso também?”, pergunta Bob Dylan em “New Morning” . Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, humanos supersocializados: o anseio de nos livrarmos de todos os constrangimentos artificiais decorrentes do fato de vivermos em uma sociedade civilizada em que às vezes nos sentimos presos a uma correia. Um conjunto cultural de regras tácitas e inibições está sempre governando as nossas interações coti­dianas com os outros.
Uma das razões pelas quais os cachorros nos atraem é o fato de eles serem tão desinibidos e livres. Parece que eles jogam com as suas próprias regras, com a sua própria lógica interna. Eles vivem em um universo paralelo e diferente do nosso - um universo que lhes concede liberdade de espírito e paixão pela vida enormemente atraentes para nós. Um cachorro latindo ao vento ou uivando durante a noite faz agitar-se dentro de nós alguma coisa que também quer se expressar.
Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção as nossas convenções so­ ciais. Metem o nariz onde não são convidados, pulam para cima do sofá, devoram alegremente a comida que cai da mesa. Os cachorros raramente se refreiam quando querem fazer alguma coisa. Eles não compartilham conosco as nossas inibições. Suas emoções estão ã flor da pele e eles as manifestam sempre que as sentem,


(Adaptado de Matt Weistein e Luke Barber. Cão que late não morde. Trad. de Cristina Cupertino. S.Paulo: Francis, 2005. p 250)


Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, hu­manos supersocializados...

O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o verbo grifado acima está empregado em:

  • A Eles vivem em um universo paralelo...
  • B ... jogam com as suas próprias regras...
  • C Suas emoções estão à flor da pele...
  • D ... devoram alegremente a comida.
  • E Os cachorros são uma constante fonte de diversão...
16

Atenção: As questões de números 9 a 15 referem-se ao texto
seguinte.


Secretária

Procuro um documento de que preciso com urgência. Não o encontro, mas me demoro a decifrar minha própria letra, nas notas de um caderno esquecido que os misteriosos movimentos da papelada pelas minhas gavetas fizeram vir à tona. Isso é o que dá encanto ao costume da gente ter tudo desarrumado. Tenho uma secretária que é um gênio nesse sentido. Perdeu, outro dia, cinquenta páginas de uma tradução que tanto me custou.
Tem um extraordinário senso divinatório: rasga apenas o que é estritamente necessário guardar, mas conserva com rigoroso carinho o recibo da segunda prestação de um aparelho de rádio que comprei em S. Paulo em 1941. Isso fornece algumas emoções líricas inesperadas: quem não se comove de repente quando está procurando um aviso de banco e encontra uma conta de hotel de Teresina de quatro anos atrás, com a discriminação das despesas extraordinárias, inclusive uma garrafa de água mineral? Caio em estado de pureza e humildade: tomar uma água mineral em Teresina, num quarto de hotel, quatro anos atrás...
Há também papéis de visão amarga, que eu deveria ter rasgado dez anos atrás; mas a mão caprichosa de minha jovem secretária, que os preservou carinhosamente, não será a própria mão da consciência a me apontar esse remorso velho, a me dizer que devo lembrar o quanto posso ser inconsciente e egoísta? Seria melhor talvez esquecer isso; e tento me defender diante desses papéis velhos que me acusam do fundo do passado. Não, eu não fui mau; andava tonto; e pelo menos fui sincero...
Meus arquivos, na sua desordem, não revelam apenas a imaginação desordenada e o capricho estranho da minha secretária. Revelam a desarrumação mais profunda que não é de meus papéis, é da minha vida.


(Adaptado de Rubem Braga, O homem rouco)

O emprego e a flexão dos verbos estão plenamente adequados na frase:

  • A Os que já se detiveram diante de velhos papéis e com eles se entreteram haverão de compreender os sentimentos do autor do texto.
  • B O cronista requis nossa atenção para as revelações que lhe surgiram à medida que se ia deparando com remotos documentos.
  • C Uma vez evocado seu interesse pelos velhos papéis que a secretária amealhara, o autor quase não contera o espanto de tantas revelações.
  • D Ninguém quererá lembrar-se das decisões injustas, pois imergirá nos tormentos que a dolorosa culpa, fortalecida, sempre reconstitui.
  • E A secretária não se propora a colocar os papéis em ordem, pois de tal modo os organizara que apenas os documentos desimportantes logo transpareciam.
17
Nosso espaço

Já somos mais de 6 bilhões, não contando o milhão e pouco que nasceu desde o começo desta frase. Se fosse um planeta bem administrado isso não assustaria tanto. Mas é, além de tudo, um lugar mal frequentado. Temos a fertilidade de coelhos e o caráter dos chacais, que, como se sabe, são animais sem qualquer espírito de solidariedade. As megacidades, que um dia foram símbolos da felicidade bem distribuída que a ciência e a técnica nos trariam - um helicóptero em cada garagem e caloria sintética para todos, segundo as projeções futuristas de anos atrás -, se transformaram em representações da injustiça sem remédio, cidadelas de privilégio cercadas de miséria, uma réplica exata do mundo feudal, só que com monóxido de carbono.
Nosso futuro é a aglomeração urbana e as sociedades se dividem entre as que se preparam - conscientemente ou não - para um mundo desigual e apertado e as que confiam que as cidadelas resistirão às hordas sem espaço. Os jornais ficaram mais estreitos para economizar papel, mas também porque diminui a área para a expansão dos cotovelos. Adeus advérbios de modo e frases longas, adeus frivolidades e divagações superficiais como esta. A tendência de tudo feito pelo homem é a diminuição - dos telefones e computadores portáteis aos assentos na classe econômica. O próprio ser humano trata de perder volume, não por razões estéticas ou de saúde, mas para poder caber no mundo.

(Adaptado de Luís Fernando Veríssimo, O mundo é bárbaro)


Tendo em vista o rápido crescimento populacional, o autor imagina, com seu humor peculiar, que o futuro da humanidade se caracterizará

  • A pela dispersão das pessoas por áreas até agora pouco povoadas, abandonando os centros urbanos já congestionados.
  • B pela inevitável redução do espaço físico de convívio, o que fará da diminuição de tudo uma necessidade geral.
  • C por pesados investimentos nas áreas da ciência e da tecnologia, de modo a modernizar e agilizar os meios de comunicação.
  • D por uma revolucionária distribuição de renda, sem a qual se renderão as ricas cidadelas às hordas das classes humilhadas.
  • E pelo advento das megacidades, em que devem cumprir-se as alentadoras metas futuristas projetadas anos atrás.
18

Ô de casa!

Acredito que acabei me adaptando a esse mundo moderno. Esse mundo de Facebook, Instagram, WhatsApp. Sinto saudade de quê? De um álbum de retratos com as folhas separadas por papel celofane, de um envelope verde e amarelo debaixo da porta? Talvez. Mas saudade de rebobinar uma fita K-7? Nenhuma.
Custei a me adaptar a algumas coisas: escrever direto no computador, bater fotos sem filme, ter uma agenda eletrônica. Mas hoje acho tudo isso o máximo, ao ponto de não ter a mínima saudade da minha máquina de escrever Remington, dos filmes Ektachrome ou da minha agenda Pombo com capa de couro.
Hoje cedo eu me lembrei da minha mãe à beira do fogão separando os marinheiros do arroz e tirando as pedras do feijão. Quando a campainha tocava, ela sempre exclamava: − Quem será?
O mundo era assim. As pessoas iam à casa das outras sem avisar, sem hora nem dia marcado. Chegavam de repente, sem mais nem menos.
Por mais amigo que seja, quem hoje bate na porta do outro sem avisar? Há três semanas que estou combinando um almoço com um grande amigo. Quando eu posso, ele não pode. Quando ele pode, sou eu que não posso. Já trocamos uns cinco e-mails e uns dez recados pelo celular. E o almoço ainda não aconteceu.
Estou pensando seriamente em sair daqui uma hora dessas, chegar à casa dele e tocar a campainha. Se não tiver campainha, vou bater palmas e gritar: − Ô de casa!

(Adaptado de: VILLAS, Alberto. Disponível em: www.cartacapital.com.br/cultura/o-de-casa-8837.html. Acessado em: 05.09.2015)

A frase citada do texto que permanece correta após o acréscimo das vírgulas é:

  • A Já trocamos, uns cinco e-mails e uns dez recados, pelo celular. (quinto parágrafo)
  • B Acredito, que acabei me adaptando, a esse mundo moderno. (primeiro parágrafo)
  • C Há três semanas, que estou combinando, um almoço com um grande amigo. (quinto parágrafo)
  • D Hoje cedo, eu me lembrei da minha mãe, à beira do fogão, separando os marinheiros do arroz e tirando as pedras do feijão. (terceiro parágrafo)
  • E Estou pensando, seriamente, em sair daqui uma hora dessas, chegar, à casa dele e tocar, a campainha. (sexto parágrafo)
19
Seria verdade que o homem, ao ser expulso do paraíso, sofreu como condenação ter de trabalhar? O trabalho é um castigo? Seria o ócio uma dádiva? Independentemente da necessidade de trabalhar para ganhar o sustento, muitas vezes enfrentando tarefas enfadonhas e repetitivas, impondo-se o deslocamento de casa até a fábrica ou o escritório, com horas de sacrifício dentro do metrô ou do ônibus, penso que o trabalho dá sentido à vida.
Somos condenados a viver. Nascemos, e nas condições que se apresentam, devendo enfrentar a situação de filho de beltrano e de sicrana, rico ou pobre, brasileiro, suíço ou angolano. Viver é uma aventura que de plano enfrenta o barulho depois do confortável silêncio do útero materno. Inicia-se o percurso e cabe a cada qual afirmar sua individualidade.
Cada qual se põe na vida diante desta empreitada: obter sua realização pessoal. Pela via do trabalho a pessoa marca sua individualidade, assinala sua passagem por esta vida, ocupa as horas do cotidiano visando a construir sua autoestima e a conquista importante do reconhecimento dos demais.
O trabalho atua em duas frentes: permite, de um lado, que as pessoas se afirmem perante si mesmas, motivando a busca de realização, podendo trazer orgulho no sucesso ou dor diante de eventual fracasso; e, de outro lado, faz surgir entre os consorciados o reconhecimento de uma condição própria como sapateiro, mecânico, médico, professor, cozinheiro. Esse espaço na sociedade causa satisfação ou desilusão, se reconhecido como o melhor sapateiro do bairro ou o pior cozinheiro da região.
Assim, fracassar na execução de uma profissão ou ofício é do jogo da vida. Mais frustrante mesmo é nem sequer entrar no jogo para fazer algo com sua cara, com seu jeito, da sua forma, esperando infantilmente contar com acontecimentos externos para conseguir preencher o vazio de uma existência sem rosto.
Dois fenômenos da atual sociedade digital, na qual mais se mexem os dedos no iPhonedo que se ativam os neurônios, indicam uma falsa felicidade não derivada da efetivação de um projeto, mas sim de fatores marcadamente efêmeros, visivelmente enganosos: os relacionamentos pela rede Facebook e o culto às celebridades.
A urgência hoje vivida de compartilhar imediatamente todos os acontecimentos (ouvir uma música, comprar uma roupa, deliciar-se com um vinho, trocar um olhar) retira a vivência da realidade do âmbito individual, pois o essencial é antes dividir com alguém o sucedido para receber imediatamente o assentimento elogioso do que sentir isoladamente o prazer do fato, transformando-se, dessa maneira, o mundo numa grande academia do elogio mútuo. A satisfação, então, vem de fora, pois algo só vale se outrem vier a curtir. Instala-se um novo cartesianismo: eu compartilho, logo, existo.
Outra futilidade alienante domina os espíritos: a celebração das celebridades, os famosos, a mais perfeita criação artificial da mídia. Ídolos passageiros, sem conteúdo, apenas virtuais, povoam a fantasia. A existência perde consistência. Muitos são os espíritos empreendedores, porém, infelizmente, repetem-se hoje jovens para os quais a conquista árdua, a afirmação profissional deixa de ser importante para que eventuais fracassos não sejam sofridos, mas disfarçados, driblados pelo compartilhamento elogioso de momentos irrelevantes ou pelo consumismo desenfreado, que substitui o ser pelo possuir. A vida deixa de ter cor, passa em branco.


(Miguel Reale Júnior. O Estado de S. Paulo. A2, 6 de abril de 2013, com adaptações)

Na parte inicial do texto, voltada principalmente para o trabalho, observa-se

  • A valorização do ócio como contestação para o fato de que o trabalho tenha se transformado em castigo por determinação divina, como consta do relato bíblico.
  • B insistência no emprego do verbo enfrentar, que remete à luta pela vida e à busca da autoestima e do reconhecimento social, vistos como empreitada.
  • C conclusão da ideia de que é difícil, senão impossível, alterar as condições que se apresentam por ocasião do nosso nascimento, e que devem ser superadas
  • D antecipação do assunto que passará a ser desenvolvido, e que se encontra resumido no segmento necessidade de trabalhar para ganhar o sustento.
  • E evidência de que o trabalho será sempre motivo de desgaste, tanto físico quanto moral, pois temos, muitas vezes, de enfrentar tarefas enfadonhas e repetitivas.
20
Conselhos ao candidato

Certa vez um enamorado da Academia, homem ilustre e aliás perfeitamente digno de pertencer a ela, escreveu-me sondando-me sobre as suas possibilidades como candidato. Não pude deixar de sentir o bem conhecido calefrio aquerôntico, porque então éramos quarenta na Casa de Machado de Assis e falar de candidatura aos acadêmicos sem que haja vaga é um pouco desejar secretamente a morte de um deles. O consultado poderá dizer consigo que “praga de urubu não mata cavalo". Mas, que diabo, sempre impressiona. Não impressionou ao conde Afonso Celso, de quem contam que respondeu assim a um sujeito que lhe foi pedir o voto para uma futura vaga:

-Não posso empenhar a minha palavra. Primeiro porque o voto é secreto; segundo porque não há vaga; terceiro porque a futura vaga pode ser a minha, o que me poria na posição de não poder cumprir com a minha palavra, coisa a que jamais faltei em minha vida.

Se eu tivesse alguma autoridade para dar conselhos ao meu eminente patrício, dir-lhe-ia que o primeiro dever de um candidato é não temer a derrota, não encará-la como uma capitis diminutio, não enfezar com ela. Porque muitos dos que se sentam hoje nas poltronas azuis do Trianon, lá entraram a duras penas, depois de uma ou duas derrotas. Afinal a entrada para a Academia depende muito da oportunidade e de uma coisa bastante indefinível que se chama “ambiente". Fulano? Não tem ambiente. [...]

Sempre ponderei aos medrosos ou despeitados da derrota que é preciso considerar a Academia com certo senso de humour. Não tomá-la como o mais alto sodalício intelectual do país. Sobretudo nunca se servir da palavra “sodalício", a que muitos acadêmicos são alérgicos. Em mim, por exemplo, provoca sempre urticária.

No mais, é desconfiar sempre dos acadêmicos que prometem: “Dou-lhe o meu voto e posso arranjar-lhe mais um". Nenhum acadêmico tem força para arranjar o voto de um colega. Mas vou parar, que não pretendi nesta crônica escrever um manual do perfeito candidato.

(BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993, vol. único, p. 683-684)

*aquerôntico =relativo ou pertencente a Aqueronte, um dos rios do Inferno, atravessado pelos mortos na embarcação conduzida pelo barqueiro Caronte.

*capitis diminutio:expressão latina de caráter jurídico empregada para designar a diminuição de capacidade legal.

A resposta dada pelo conde Afonso Celso, transcrita no 2 o parágrafo, é exemplo de

  • A um raciocínio completo, com as razões que justificam o posicionamento de quem fala.
  • B argumentos que se sucedem, aparentemente, de modo lógico, porém sem resultado objetivo.
  • C uma resposta evasiva, em razão da intempestiva consulta feita pelo candidato.
  • D certa incoerência voluntária na sequência de dados oferecidos pelo acadêmico citado.
  • E um capcioso jogo de palavras cujo sentido, no entanto, não permite conclusão alguma.

Raciocínio Lógico

21

Em uma festa foi servido suco de uva em copos de 300 mililitros, de 450 mililitros e de 500 mililitros. O suco era retirado de garrafas de 2 litros e só se abria uma nova garrafa quando acabava o suco da anterior. Sabendo que foram servidos 13 copos pequenos, 17 copos médios e 11 copos grandes, e ainda supondo que não houve qualquer perda ao se encherem os copos, o total de garrafas de 2 litros que precisou ser aberto é igual a

  • A 17.
  • B 18.
  • C 9.
  • D 11.
  • E 8.
22

Comparando-se a remuneração, por hora trabalhada, dos serviços A e B, verificou-se que no serviço B a remuneração era 25% a menos do que a remuneração no serviço A. Roberto trabalhou 8 horas no serviço A e 4 horas no serviço B. Paulo trabalhou 4 horas no serviço A e 8 horas no serviço B. A porcentagem a mais que Roberto recebeu, por suas 12 horas de trabalho, em relação ao que Paulo recebeu, por suas 12 horas de trabalho, é igual a:

  • A 50
  • B 10
  • C 25
  • D 0
  • E 12,5
23

Uma circunferência contém 11 marcas, cada uma delas no- meada com uma letra do alfabeto, em sequência, a partir da letra A. Dois jogadores iniciam um jogo com as respectivas fichas sobre a marca da letra A. Cada um deles, em sua jo- gada, sorteia um número em um dado comum (de 1 a 6), sendo que se o número sorteado for par ele avança, no sentido horário, o número de marcas indicada no dado, e se o número sorteado for ímpar ele avança, no sentido anti- horário, o número de marcas indicada no dado.



Nos seus sorteios, um dos jogadores sorteou os núme- ros: 4, 3, 2, 3, 6 e 5. O outro jogador sorteou os núme- ros 6, 6, 1, 4, 3 e 4. Após realizarem todos os movimentos das fichas, o maior número de marcas que estão entre as duas fichas é igual a

  • A 9.
  • B 6.
  • C 8
  • D 7.
  • E 5.
24

Duas pessoas, A e B, estão de costas, encostadas uma na outra num terreno plano. Estão olhando para direções opostas. A pessoa A caminha 1 metro na direção que olha, gira 90° para esquerda e caminha 2 metros nessa nova direção, gira 90° para a direita e caminha 4 metros nessa nova direção, gira 90° para esquerda e caminha 8 metros nessa nova direção e para. A pessoa B caminha 1 metro na direção que olha, gira 90° para sua direita e caminha 1 metro nessa nova direção, gira 90° para sua esquerda e caminha 3 metros nessa nova direção, gira 90° para sua direita e caminha 3 metros nessa nova direção, gira 90° para sua esquerda e caminha 2 metros nessa nova direção, gira 90° para sua direita e caminha 6 metros nessa nova direção e para. Após esses movimentos de ambas as pessoas, a distância entre elas é de

  • A 8 metros.
  • B 9 metros.
  • C 10 metros.
  • D 11 metros.
  • E 12 metros.
25

Um litro de sangue humano tem aproximadamente 5 bilhões de glóbulos vermelhos. Um indivíduo com cerca de 5 litros de sangue terá uma quantidade aproximada de glóbulos vermelhos em seu sangue igual a

  • A 2,5 . 1010.
  • B 510.
  • C 2509
  • D 259.
  • E 2,5 . 108.
26

A versão atual de certo automóvel consome 0,15 litros de gasolina para cada quilômetro rodado. O fabricante anun- ciou que a nova versão desse carro, a ser lançada no próximo ano, terá uma redução de 20% no consumo de gaso- lina em relação à versão atual. De acordo com a informação do fabricante, para rodar 200 quilômetros, a nova versão desse automóvel consumirá um total de litros de gasolina igual a:

  • A 20
  • B 24
  • C 28
  • D 30
  • E 36
27

Eram 22 horas e em uma festa estavam 729 mulheres e 512 homens. Verificou-se que, continuadamente a cada meia hora, a quarta parte dos homens ainda presentes na festa ia embora. Também se verificou que, continuadamente a cada meia hora, a terça parte das mulheres ainda presentes na festa ia embora. Desta forma, pode-se afirmar que o número de homens presentes a festa não é menor que o número de mulheres também presentes na festa após às

  • A 22h30min
  • B 23h.
  • C 23h30min.
  • D 00h.
  • E 00h30min.
28

Mapeando 21 funcionários quanto ao domínio das habilidades A, B e C, descobriu-se que nenhum deles dominava, simultaneamente, as três habilidades. Já com domínio de duas habilidades simultâneas há, pelo menos, uma pessoa em todas as possibilidades. Também há quem domine apenas uma dessas habilidades seja qual habilidade for. O intrigante no mapeamento é que em nenhum grupo, seja de domínio de uma ou de duas habilidades, há número igual de pessoas. Sabendo-se que o total daqueles que dominam a habilidade A são 12 pessoas e que o total daqueles que dominam a habilidade B também são 12 pessoas, o maior número possível daqueles que só dominam a habilidade C é igual a

  • A 3.
  • B 1.
  • C 2.
  • D 4.
  • E 5.
29

A negação de “Ruy Barbosa é abolicionista e Senador Dantas é baiano” é:

  • A Ruy Barbosa não é abolicionista e Senador Dantas não é baiano.
  • B Ruy Barbosa é baiano e Senador Dantas é abolicionista.
  • C Ruy Barbosa não é abolicionista ou Senador Dantas não é baiano.
  • D Ruy Barbosa é baiano ou Senador Dantas não é abolicionista.
  • E Ruy Barbosa é Senador Dantas e Senador Dantas é Ruy Barbosa.
30

Há 2 anos, a Universidade Delta implantou um processo em que os alunos da graduação realizam uma avaliação da qualidade didática de todos os seus professores ao final do semestre letivo. Os professores mal avaliados pelos alunos em três semestres consecutivos são demitidos da instituição. Desde então, as notas dos alunos têm aumentado: a média das notas atuais é 70% maior do que a média de 2 anos atrás.

A causa mais provável para o aumento de 70% nas notas é

  • A a melhoria da qualidade das aulas em geral, o que garante que os alunos aprendam os conteúdos de maneira mais profunda, elevando a média das avaliações.
  • B a melhoria da qualidade dos alunos que entraram na Universidade Delta nos últimos 2 anos, atraídos pelo processo de avaliação dos docentes.
  • C a demissão dos professores mal avaliados, que são substituídos por professores mais jovens, com mais energia para motivar os alunos para o estudo.
  • D o aumento da cola durante as avaliações, fenômeno que tem sido observado, nos últimos anos, nas principais instituições educacionais brasileiras.
  • E uma diminuição no nível de dificuldade das avaliações elaboradas pelos professores, receosos de serem mal avaliados pelos alunos caso sejam exigentes.
31

Considere uma lista de trinta números formada pelos dez primeiros múltiplos naturais dos números 5, 10 e 15. Descarte dessa lista todos os números que aparecem mais de uma vez. Depois dos descartes, a quantidade de números que permanecem na lista é igual a:

  • A 15
  • B 10
  • C 9
  • D 11
  • E 8
32

Dentre os 696 participantes de um congresso de saneamento básico 3/4 deles são engenheiros. Sabe-se que 1/6 desses engenheiros também são químicos. Do grupo de todos os participantes 1/12 não são nem engenheiros nem químicos. Os demais participantes do congresso são todos químicos. O número total de químicos que participam desse congresso é igual a

  • A 522.
  • B 435.
  • C 116.
  • D 203.
  • E 174.
33

No almoxarifado de certa empresa há um rolo de arame cujo fio mede 0,27 km de comprimento. Se todo o fio desse rolo for cortado em pedaços iguais, cada qual com 120 cm de comprimento, o número de partes que serão obtidas é

  • A 225
  • B 205
  • C 180
  • D 160
  • E 155
34

Ricardo, Mateus e Lucas são três amigos que cursam faculdades de medicina, engenharia e direito. Cada um dos três usa um meio diferente de transporte para chegar à faculdade: ônibus, automóvel e bicicleta. Para descobrir o que cada um cursa e o meio de transporte que utilizam, temos o seguinte:

- Mateus anda de bicicleta;
- Quem anda de ônibus não faz medicina;
- Ricardo não cursa engenharia e Lucas estuda direito.

Considerando as conclusões:

I. Lucas vai de ônibus para a faculdade de direito.

II. Mateus estuda medicina.

III. Ricardo vai de automóvel para a faculdade.

Está correto o que consta em

  • A I, apenas.
  • B III, apenas.
  • C II e III, apenas.
  • D I e III, apenas.
  • E I, II e III.
35

Em um clube com 160 associados, três pessoas, A, B e C (não associados), manifestam seu interesse em participar da eleição para ser o presidente deste clube. Uma pesquisa realizada com todos os 160 associados revelou que

- 20 sócios não simpatizam com qualquer uma destas pessoas.
- 20 sócios simpatizam apenas com a pessoa A.
- 40 sócios simpatizam apenas com a pessoa B.
- 30 sócios simpatizam apenas com a pessoa C.
- 10 sócios simpatizam com as pessoas A, B e C.

A quantidade de sócios que simpatizam com pelo menos duas destas pessoas é

  • A 20
  • B 30
  • C 40
  • D 50
  • E 60
36

Na primeira fase de um jogo de computador, um gato verde e outro vermelho perseguem um ratinho, controlado pelo jogador, por toda a tela. Cada vez que o jogo muda de fase, o número de gatos verdes na tela é duplicado e surgem três novos gatos vermelhos. Ao se iniciar a décima fase do jogo, o ratinho será perseguido por um total de

  • A 281 gatos.
  • B 540 gatos.
  • C 543 gatos.
  • D 1.052 gatos.
  • E 1.055 gatos.
37

Palmira faz parte de um grupo de 10 funcionários do Banco do Brasil cuja média das idades é 30 anos. Se Palmira for excluída do grupo, a média das idades dos funcionários restantes passa a ser 27 anos. Assim sendo, a idade de Palmira, em anos, é

  • A 60.
  • B 57.
  • C 54.
  • D 52.
  • E 48.
38

Uma costureira precisa cortar retalhos retangulares de 15 cm por 9 cm para decorar uma bandeira. Para isso, ela dispõe de uma peça de tecido, também retangular, de 55 cm por 20 cm. Considerando que um retalho não poderá ser feito costurando dois pedaços menores, o número máximo de retalhos que ela poderá obter com essa peça é igual a

  • A 7
  • B 10
  • C 8
  • D 9
  • E 6
39
A figura indica o marcador de combustível de um carro em três instantes diferentes (I, II, III). No instante I o motorista havia acabado de completar o tanque de combustível do carro, que tem capacidade de 60 litros. O instante II representa quando o carro completou x quilômetros percorridos depois do abastecimento no instante I. O instante III representa quando o carro completou y quilômetros depois do abastecimento no instante I.


Considerando que o consumo médio de combustível desse carro de I até II foi de 12 quilômetros por litro, e de I até III foi de 10 quilômetros por litro, então, a distância percorrida pelo carro de II até III, em quilômetros, foi igual a:
  • A 170.
  • B 215.
  • C 205.
  • D 195.
  • E 185.

Geografia

40

A viscosidade de um fluído está relacionada com o escoamento deste, onde o movimento relativo das suas partículas desencadeia um atrito interno entre essas partículas. Neste contexto, justifica-se que a água escoa mais facilmente que o óleo em razão

  • A da tensão de escoamento do material (gráfico tensão × deformação).
  • B do coeficiente de elasticidade das partículas
  • C da coesão entre as partículas do fluído.
  • D dos componentes da grandeza velocidade que atuam no sentido normal da superfície.
  • E da pressão atmosférica que age sobre os fluídos, tendo como referência o nível do mar.
41

Os mananciais são reservas hídricas ou fontes utilizadas para o abastecimento público de água. Registros oficiais sobre os mananciais existentes na Região Metropolitana de São Paulo afirmam que

  • A o complexo da Represa Billings foi idealizado e construído para atender as necessidades de abastecimento de água na Grande São Paulo e, por esta razão, teve o abastecimento de água complementado pelo bombeamento de água do Rio dos Meninos, Tamanduateí e Pinheiros.
  • B a região está bem estruturada e conta com mananciais volumosos e de qualidade que dispensa esta região de importar água, assim como, dispensa a empresa concessionária de investir em sistemas de tratamento avançado, utilizado para transformar água de péssima qualidade em água potável.
  • C a produção de água na região metropolitana excede em 50% os níveis de consumo, o que implica em ter-se reservas suficientes para garantir o abastecimento pelos próximos 10 anos, mesmo considerando uma taxa de crescimento real de 5 % ao ano.
  • D a baixa disponibilidade hídrica da região - localizada próxima às cabeceiras do Rio Tietê - foi acentuada ao longo de sua história em função da poluição e da destruição de seus mananciais, entre eles os rios Tietê, Pinheiros, Ipiranga, Anhangabaú e Tamanduateí.
  • E as áreas de mananciais existentes na região, ao contrário do que ocorre na maioria dos países da América do Sul, nunca ultrapassaram os limites de proteção, sendo que nos últimos 15 anos a mancha urbana, a criação de polos industriais e o despejo de efluentes das empresas estiveram sobre severa fiscalização e controle, não representando riscos para o abastecimento de água.
42

Considerando os cursos d’água e os levantamentos topográficos a eles relacionados, a imagem que ilustra a formação de talvegue é a

  • A
  • B
  • C
  • D
  • E
43

Brasil e Bolívia, em dezembro deste ano, chegaram a um acordo para aumentar a receita boliviana com a exportação de gás natural. No início das negociações, os bolivianos exigiam um reajuste de US$ 4,20 para US$ 5 por milhão de BTU importado pelo Brasil. Porém, esse aumento era considerado, pelos negociadores brasileiros, pouco factível e sem base técnica e econômica. Contudo, a Bolívia queria de qualquer forma aumentar a receita com a exportação de gás.

Brasil e Bolívia, em dezembro deste ano, chegaram a um acordo para aumentar a receita boliviana com a exportação de gás natural. No início das negociações, os bolivianos exigiam um reajuste de US$ 4,20 para US$ 5 por milhão de BTU importado pelo Brasil. Porém, esse aumento era considerado, pelos negociadores brasileiros, pouco factível e sem base técnica e econômica. Contudo, a Bolívia queria de qualquer forma aumentar a receita com
a exportação de gás.
(Adaptado de http://ueba.com.br/forum/index.php?showtopic=85030)

A solução encontrada pelos dois países foi



  • A reconhecer que o gás enviado pela Bolívia é rico em GLP (mistura de metano e butano), etano e gasolina natural. Essas commodities têm valor alto no mercado internacional e, agora, serão pagas em separado pela cotação internacional.
  • B fazer um reajuste de 252% sobre o preço do gás fornecido para a Termo Cuiabá. Hoje, a termelétrica paga um preço diferenciado de apenas US$ 1,19 por milhão de BTU de gás natural importado da Bolívia. Como o preço era considerado completamente defasado por ambas as partes, foi acertado um reajuste para US$ 3,20 por milhão de BTU.
  • C cumprir um acordo de consumo mínimo pagando por 30 milhões de metros cúbicos ao dia de gás, ainda que o consumo médio diário transportado pelo Gasoduto Bolívia-Brasil seja de 10 milhões.
  • D reconhecer que, partir de janeiro de 2003, a Petrobras passou a dever à GTB pagamentos mensais de cerca de US$ 510 mil referentes à construção e ao uso das instalações de compressão do lado boliviano do gasoduto (Contrato Adicional).
  • E compensar as alegadas perdas bolivianas com o gás com o investimento brasileiro na construção de uma nova refinaria de petróleo e de uma rodovia de 306 quilômetros entre as cidades bolivianas de Villa Tunari e San Ignacio de Moxos.
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As lagoas de baixa profundidade, entre 0,5 a 2,5 metros, e que possibilitam a complementação de qualquer outro sistema de tratamento de esgotos, fazem a remoção de bactérias e vírus de forma mais eficiente, devido à incidência da luz solar, já que a radiação ultravioleta atua como um processo de desinfecção. Esses dispositivos de tratamento de esgoto são chamados de lagoas

  • A de flotação.
  • B anaeróbias.
  • C facultativas.
  • D de infiltração.
  • E de maturação.
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O ciclo hidrológico teve início por meio do processo de

  • A solidificação, a partir do congelamento da água existente nos polos da terra - norte e sul.
  • B condensação, devido à diminuição da temperatura ocorrida na superfície do planeta.
  • C vaporização, a partir do processo de erupção dos vulcões, provocando o aumento da temperatura do planeta.
  • D liquefação, decorrente do derretimento das geleiras existentes no polo sul da terra.
  • E transpiração, provocando a evaporação da água existente no reino vegetal, em abundância na superfície do planeta.
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No estado de São Paulo, as contribuições não domésticas que chegam até as ETEs (Estação de Tratamento de Esgoto) por meio de rede ou caminhões coletores são cobradas pelo custo do serviço prestado, tendo-se como base o volume e a carga poluidora. A carga poluidora deste esgoto é calculada considerando-se

  • A a demanda bioquímica/demanda química de oxigênio e os sólidos suspensos totais.
  • B a carga de poluentes em excesso e os custos de operação e manutenção da ETE.
  • C o volume de água consumido e a tarifa de sobrecarga com base na demanda bioquímica.
  • D os limites de inibição do processo biológico aeróbio e a capacidade de tratamento da ETE.
  • E a carga de digestão anaeróbia e o fator técnico de poluição estimado.
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Até o ano de 2012, cerca de 45,39% da vegetação natural nordestina jã desapareceu. Entre 2002 e 2008, os estados que mais desmataram foram Bahia e Ceará. Neste perío­ do, 2% da vegetação foram queimados, principalmente, para fazer lenha e carvão. As conseqüências ambientais do desmatamento revelam-se muito sérias, pois envolvem a perda da biodiversidade e a desertificação.

A vegetação que sofre o desmatamento é

  • A o mangue.
  • B a caatinga.
  • C a mata dos cocais.
  • D a mata atlântica.
  • E o cerrado.
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Quando do estudo de uma bacia hidrográfica, se faz necessário a análise dos cursos d’água que estão drenando a região e uma classificação muito utilizada é o método de considerar a constância do escoamento, o qual apresenta a classificação:

  • A sinuoso, subterrâneo e retilíneo.
  • B tributário, flutuante e infiltrado.
  • C perene, intermitente e efêmero.
  • D decaído, retentor e instantâneo.
  • E hipsométrico, coordenado e perturbado.
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Um dos fatores considerados na determinação de hidrologia de uma região é a topografia, que influencia, entre outros parâmetros,

  • A a pressão de saturação de vapor d’água e o preenchimento de vazios na rede de observação.
  • B os escoamentos subterrâneos e a quantidade de vapor d’água no ar.
  • C a composição de pressões parciais exercidas pelos gases e a velocidade instantânea do vento.
  • D a precipitação e a ocorrência de lagos e pântanos.
  • E a instabilidade convectiva e os índices de desempenho dinâmico.
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No tratamento do esgoto líquido, a fase em que o sólido restante do processo vai para o fundo e a parte líquida já está sem 90% das impurezas, ocorre

  • A no decantador secundário.
  • B na caixa de areia.
  • C nos tanques de aeração.
  • D nas grades.
  • E no decantador primário.
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A ciência que mede e analisa as características físicas e químicas da água, incluindo métodos, técnicas e instrumentação, utilizados em hidrologia, é a

  • A hidrometria.
  • B fluviometria.
  • C linigrafometria.
  • D linimetria.
  • E pluviometria.
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Entre as recomendações sobre a qualidade das águas para consumo humano, está:

  • A a alcalinidade é importante na neutralização das gorduras ingeridas, razão pela qual os índices de magnésio da água devem ser próximo a zero.
  • B o pH deve estar entre 5,0 e 8,0.
  • C a realização de análises pelo método da água estagnada para verificação da presença de sulfetos de hidrogênio e fosforados nas águas de abastecimento público.
  • D a concentração mínima de cloro residual livre, em qualquer ponto da rede de distribuição, deverá ser de 0,2 mg/L.
  • E há que se submeter toda água tratada a ser distribuída para consumo humano ao procedimento de Osmose Reversa.
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As mais importantes bacias hidrográficas do estado de São Paulo, por ordem de importância, são as formadas pelos seguintes rios, assim como, sendo que na maior delas ocorrem os principais reservatórios neles instalados, conforme descrito:

  • A Tietê-Pinheiros, São Lourenço e Pardo Mogi-Guaçu; Mogi das Cruzes, Catiguá e Mascate.
  • B Atibainha, Tietê e Corumbataí; Mascate, Aços Anhanguera e Batovi.
  • C Sorocaba, Do peixe e Tietê; Raposo Tavares, São João e Fazenda Santa Terezinha
  • D Paraíba do Sul, Jacupiranga e Pinheiros; São José, Ingatuba e Promissão.
  • E Tietê, Pardo Mogi-Guaçu e Paraíba do Sul; Ponte Nova, Taiaçupeba e Biritiba-Mirim.
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Da nascente à foz, o rio São Francisco percorre quase 3 mil quilômetros e banha quatro estados nordestinos. Sobre esse rio é correto afirmar:

  • A A mais extensa área navegável do rio encontra-se no estado do Ceará.
  • B Durante o verão, transforma-se em rio intermitente porque parte do seu leito seca,
  • C Na maior parte da área banhada por ele. predomina o clima equatorial.
  • D Ao longo do seu curso foram instaladas várias usinas hidrelétricas.
  • E Nas suas margens os solos são pouco férteis, o que impede as atividades agrícolas.
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Uma rede de distribuição dotada de estação elevatória tipo booster

  • A uniformizar e facilitar as medições de consumo de água de uso legítimo em núcleos habitacionais de baixa renda.
  • B aumentar a pressão e/ou vazão em adutoras ou redes de distribuição de água para o abastecimento de regiões mais altas ou remotas.
  • C equalizar as forças aplicadas em paredes curvas de estações volumétricas de água submetidas a esforços hídricos.
  • D introduzir um suplemento de água na parte do sistema de abastecimento que responde pelo cálculo do balanço hídrico.
  • E monitorar o volume de água entregue a grandes consumidores inseridos no sistema de distribuição de água e que geram gastos elevados com manutenção.
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Segundo o Censo 2010, a região segue sendo a mais populosa do Brasil, com 80.353.724 pessoas, ou seja, 42,1% da população brasileira. Entre os cinco estados mais populosos do Brasil, três pertencem a esta região.

(Adaptado http;//www,tbge.gov br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1766)

O texto refere-se ã região

  • A Centro-Oeste
  • B Nordeste
  • C Sul
  • D Norte
  • E Sudeste
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A água de reuso, produzida nas estações de tratamento de água, torna-se uma fonte de renda para as empresas de tratamento e distribuição de água do país. A destinação maior desse produto e o maior ganho que isso representa, são, respectivamente,

  • A uso domésticos em processos de lavagem de piso e geração de energia elétrica nas estações de tratamento de esgoto.
  • B abastecimento de lagos decorativos com rega de plantas e redução dos volume de vetores responsáveis pelas doenças transmitidas por contato.
  • C lavagem de automóveis nos postos de abastecimento e duplicação do volume de água potável distribuído nos núcleos habitacionais de baixa renda.
  • D lavagem de calçadas públicas e telhados, assim como seu resfriamento e aumento da demanda de consumidores nas capitais.
  • E uso industrial e percentual maior de água potável mantidas nos mananciais - cerca de 25%.
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