A genética está na raiz do amor
Por Maurício Horta
(Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-genetica-do-amor/- texto adaptado especialmente para esta prova).
O autor insere, nos parágrafos finais do texto, uma referência ao mito apresentado na obra de Platão para abordar a origem da busca pela "cara-metade". Essa escolha discursiva, que insere uma narrativa mitológica em um texto predominantemente de divulgação científica e argumentação biológica, configura-se como um recurso estratégico. Qual alternativa melhor descreve o uso da intertextualidade com Platão no contexto da coerência e do gênero textual, considerando a situação comunicativa do texto?
- A É um exemplo de intertextualidade implícita que, ao recorrer à variação linguística culta, comprova a validade científica da união humana, rompendo a coerência estabelecida pela teoria do gene egoísta e substituindo o tipo textual argumentativo por um tipo textual narrativo.
- B Trata-se de intertextualidade explícita para fins puramente ornamentais, introduzindo um elemento do gênero mito que não possui função coesiva ou de sustentação, indicando que o autor se dirige a um público acadêmico que valoriza a filosofia em detrimento da biologia evolutiva.
- C Constitui um recurso intertextual explícito que, apesar de pertencer ao gênero mitológico (e ser negado como fato científico), mantém a coerência temática do texto, pois funciona como uma metáfora cultural para o amor romântico, auxiliando o autor a transpor a explicação biológica para a esfera dos sentimentos humanos.
- D A referência a Zeus e à punição dos humanos é um exemplo de variação linguística popular que estabelece um subentendido de que a biologia não explica o amor. Essa estratégia é empregada para garantir a coesão referencial entre a busca pela "cara-metade" e o comportamento reprodutivo dos insetos.
- E Trata-se de um caso de coesão por elipse, em que a ideia de egoísmo genético está oculta no mito da separação. A situação comunicativa impõe o uso desse mito como um argumento de autoridade filosófico para refutar a teoria do gene egoísta e defender que o altruísmo humano é a única forma de amor verdadeiro.