Prova da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG) - Museólogo - Prova FURG (2025) - Questões Comentadas

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A musealização da Arqueologia é um processo que articula a Museologia e a Arqueologia em torno do patrimônio. Essa articulação é fundamentalmente definida pela diferença de foco conceitual entre as duas disciplinas em relação aos vestígios materiais. Qual é o papel específico da Museologia nesse processo de musealização, de acordo com as vertentes teóricas que a definem como um campo autônomo de conhecimento?

  • A A escavação e a pesquisa de campo dos sítios, com foco na interpretação rigorosa dos contextos de deposição e na classificação taxonômica dos artefatos.
  • B A administração dos sistemas de memória, com a utilização dos vestígios arqueológicos como indicadores para salvaguarda, tratamento e extroversão pública do patrimônio cultural.
  • C A transposição de objetos arqueológicos para a categoria de obras de arte, com priorização da estética e do apelo museográfico em detrimento da sua função contextual.
  • D O foco exclusivo na conservação física e na catalogação dos materiais em reserva, com a consequente desvinculação dos acervos das discussões sobre desenvolvimento territorial.
  • E A determinação do valor de mercado das peças de coleção, com vistas à formação de um capital econômico a ser revertido em políticas públicas de aquisição de bens.

O manejo qualificado de acervos arqueológicos exige a adoção de ações museológico-curatoriais colaborativas que reconheçam a complexidade social e histórica dos materiais. Nesse contexto, qual é o desafio central que essa abordagem busca superar na prática institucional?

  • A A abolição da necessidade de reserva técnica, com priorização da exibição pública de 100% do acervo, como forma de garantir o acesso total e a democratização do acervo.
  • B A priorização do estudo de artefatos de grande porte e de maior visibilidade, em detrimento dos vestígios de menor escala ou de contextos menos monumentais.
  • C A limitação do acesso dos pesquisadores às peças mais frágeis, o que restringe a pesquisa científica, com o objetivo de garantir a integridade física do acervo a longo prazo.
  • D A formação de coleções de origem exclusivamente privada, o que garante que o Estado não interfira nos protocolos de estudo e exibição do material.
  • E O isolamento dos procedimentos de curadoria (estudo e preservação) em relação às ações de extroversão (educação e divulgação), a fim de promover uma atuação integrada, interdisciplinar e multiprofissional do acervo no seu ciclo de vida.

Um dos principais desafios na gestão e na curadoria de acervos arqueológicos em instituições museológicas reside na necessidade de lidar com a chamada “vida dupla” desses materiais, conforme analisa Bruno (2020). Esse conceito refere-se à tensão existente entre o valor intrínseco do objeto e suas implicações. Qual alternativa descreve corretamente essa “vida dupla” e o desafio que ela impõe ao museólogo?

  • A A coexistência entre o valor do vestígio material enquanto documento científico, essencial para a produção de conhecimento, e o seu valor como bem simbólico e patrimonial, mobilizador de identidades e com potencial de extroversão social.
  • B A oscilação entre o fato de serem bens de caráter público, sob guarda do Estado, e a possibilidade de serem transacionados no mercado internacional de antiguidades como peças de alto valor financeiro.
  • C O conflito entre a necessidade de expor o acervo em galerias públicas e a prioridade de manter 100% dos materiais armazenados em reservas técnicas fechadas, a fim de garantir a conservação absoluta.
  • D A dicotomia entre a necessidade de uso das coleções para fins acadêmicos e a proibição de acesso e manuseio por parte de pesquisadores não vinculados ao corpo institucional do museu.
  • E A separação entre os objetos históricos e pré-históricos, que demandam tratamentos curatoriais completamente distintos, dificultando o manejo unificado da coleção.

Segundo Waldisa Rússio, a partir das discussões feitas pelas museólogas Cristina Bruno (2014) e Camila Moraes Wichers (2014), o processo de musealização de objetos e artefatos pressupõe três preocupações fundamentais que servem como parâmetros para a relação entre o ser humano e o objeto no museu. Essas preocupações são:

  • A classificação, valoração e temporalidade.
  • B aquisição, exposição e segurança física.
  • C documentalidade, testemunhalidade e fidelidade.
  • D preservação, curadoria e pesquisa de público.
  • E originalidade, inventário e catalogação.

A Museologia é um campo de conhecimento que se apoia em uma dinâmica teórico-metodológica específica. Qual conceito é identificado como o eixo estruturador da especificidade da Museologia, configurando-se como um conjunto sistêmico de ações técnicas voltadas ao tratamento dos vestígios arqueológicos?

  • A O conceito de fato museal, responsável por configurar-se como o subcampo essencial da Museologia.
  • B O exercício do olhar, que deve ter lucidez e reflexidade como atributos principais.
  • C A cadeia operatória de procedimentos de salvaguarda (conservação e documentação) e de comunicação (exposição e ação educativo-cultural).
  • D O conceito de musealidade, que reside na potencialidade inerente aos vestígios.
  • E O entendimento do patrimônio como o conjunto seletivo e preservado de bens materiais e imateriais.