Resolver o Simulado Professor de Anos Iniciais - FAFIPA - Nível Superior

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Matemática

1
Uma fábrica de chocolates iniciou sua produção com 40 mil barras de chocolates por dia e, a cada dia, deve produzir 20% a mais do que produziu no dia anterior. Considerando as informações relacionadas à produção da fábrica, assinale a alternativa CORRETA:
  • A No quarto dia foram produzidas mais de 70 mil barras de chocolates.
  • B Até o terceiro dia foram produzidas mais de 150 mil barras de chocolates.
  • C No quinto dia foram produzidas mais de 83 mil barras de chocolates.
  • D A produção do primeiro e do segundo dia juntas é inferior à produção do quinto dia.
  • E Em cinco dias a fábrica não terá produzido 300 mil barras de chocolates.
2
Considere a função real f(x) = |x − 4| que também pode ser representada pelo gráfico abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Imagem relacionada à questão do Questões Estratégicas
  • A f(−1) = −5.
  • B f(−3) + f(3) = 0.
  • C f(−2) = f(10).
  • D f(4) = f(−4).
  • E f(0) = −4.
3
No início do ano foram abertas as matriculas de determinada escola. Após iniciar as matriculas, o diretor teve a ideia de escrever uma função quadrática para descrever a quantidade de matriculas a cada dia. A lei de formação construída pelo diretor é f(n) = -0, 2x² + 4x, em que n é dado em dias e f(n) é a quantidade de crianças matriculadas após n dias da primeira matricula. Sabendo disso, assinale a alternativa que representa, respectivamente, o dia que mais realizaram matriculas e quantas matriculas foram realizadas nesse dia:
  • A No oitavo dia, com vinte e duas matriculas realizadas.
  • B No décimo dia, com vinte matriculas realizadas.
  • C No décimo segundo dia, com vinte e duas matriculas realizadas.
  • D No décimo quarto dia, com dezoito matriculas realizadas.
  • E No décimo sexto dia, com vinte matriculas realizadas.
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Observe as sequências abaixo e assinale a alternativa CORRETA:


SEQUÊNCIA 1 2 4 8 ... S1n

SEQUÊNCIA 2 50 70 90 ... S2n

  • A Quando n = 10, S1n < S2n.
  • B A sucessão numérica da sequência 1 é uma progressão aritmética de razão 2.
  • C Para qualquer valor de n, S1n > S2n.
  • D A sucessão numérica da sequência 2 é uma progressão geométrica de razão 20.
  • E A diferença entre o S11 e oS211 é de 1798.
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Um colecionador de carros se deparou com a seguinte situação: tenho 6 carros, mas apenas 5 garagens, dos 6 carros que tenho, o mais velho é meu preferido. Considerando que em cada garagem cabe apenas um carro e que o colecionador não construirá outra garagem, de quantas maneiras diferentes os carros podem ocupar as garagens, nunca ficando sem garagem o carro preferido?
  • A 120.
  • B 600.
  • C 800.
  • D 450.
  • E 220.
6
O quadro abaixo mostra as médias dos 24 alunos do 1º ano do curso de Matemática, no primeiro bimestre de um determinado ano:
Imagem relacionada à questão do Questões Estratégicas

De acordo com as notas obtidas, assinale a alternativa CORRETA:
  • A A moda das médias dos alunos é 5,0.
  • B A mediana das médias dos alunos é 8,0.
  • C A média aritmética das médias dos alunos é inferior a 5,5.
  • D A mediana das médias dos alunos é superior à média aritmética das médias dos alunos.
  • E A média aritmética das médias dos alunos é superior a mediana das médias dos alunos.
7
Assinale a alternativa CORRETA com relação aos pontos A (0,0), B (-6,7) E c (3,-4)
  • A Os pontos podem ser vértices de um mesmo triângulo.
  • B Os pontos estão alinhados.
  • C O ponto B está localizado no quarto quadrante
  • D O ponto C está localizado no segundo quadrante.
  • E Os pontos B e C estão localizados respectivamente no primeiro e no terceiro quadrante.
8
O quadro abaixo mostra as médias dos 20 alunos do 1º ano do curso de Matemática, no primeiro bimestre de um determinado ano:
Imagem relacionada à questão do Questões Estratégicas De acordo com as notas obtidas, assinale a alternativa CORRETA:


  • A A moda das médias dos alunos é 5,0.
  • B A mediana das médias dos alunos é 8,0.
  • C A média aritmética das médias dos alunos é inferior a 5,5.
  • D A mediana das médias dos alunos é superior à média aritmética das médias dos alunos.
  • E A média aritmética das médias dos alunos é superior a mediana das médias dos alunos.
9
O conjunto dos números reais (ℝ) é formado pela união de outros conjuntos numéricos: naturais (ℕ), inteiros (ℤ), racionais (ℚ) e irracionais. Das alternativas a seguir, qual representa um conjunto de múltiplos de um número real e, ao mesmo tempo, um subconjunto dos números naturais?
  • A {1, 5, 7, 9, 11, 13}.
  • B {−1, 5, −7, 9, −11, 13}.
  • C {1, −5, 7, −9, 11, −13}.
  • D {⋯ , 27 , 36, 45, 54, 63, 72, ⋯ }.
  • E {1, 5, 7, −9, −11, −13}.
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Para uma excursão, no teatro municipal de São Paulo, um colégio alugou 7 ônibus. Em cada ônibus foram colocados 23 alunos. Além dos alunos todas as mães também foram acompanhar seus filhos. Pergunta: quantas pessoas ao todo participaram dessa excursão sabendo que cada mãe tinha somente um filho?
  • A Participaram da excursão 184 pessoas.
  • B Participaram da excursão 250 pessoas.
  • C Participaram da excursão 370 pessoas.
  • D Participaram da excursão 450 pessoas.
  • E Participaram da excursão 720 pessoas.

Pedagogia

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Nas várias áreas do currículo escolar existem, implícita ou explicitamente, ensinamentos a respeito dos temas transversais, isto é, todos educam em relação a questões sociais por meio de suas concepções e dos valores que veiculam nos conteúdos, no que elegem com critério de avaliação, na metodologia de trabalho que adotam, nas situações didáticas que propõem aos alunos. Indo além do que se refere à organização dos conteúdos, o trabalho com a proposta da transversalidade se define em torno de quatro pontos. Assinale a alternativa que NÃO apresenta um destes pontos:
  • A Os temas não constituem novas áreas, pressupondo um tratamento integrado nas diferentes áreas.
  • B A proposta da transversalidade traz necessidade de a escola refletir e atuar conscientemente na educação de valores e atitudes em todas as áreas, garantindo que a perspectiva político-social se expresse no direcionamento do trabalho pedagógico.
  • C Os temas transversais dividem aleatoriamente toda prática educativa que exceptua relações entre os alunos, entre os professores, entre os professores e alunos e entre alguns grupos específicos da comunidade escolar.
  • D A perspectiva transversal aponta uma transformação da prática pedagógica, pois rompe o confinamento da atuação dos professores as atividades pedagogicamente formalizadas e amplia a responsabilidade com a formação dos alunos.
  • E A inclusão dos temas implica a necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda escolaridade, o que possibilitará um tratamento cada vez mais profundo das questões eleitas.
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De acordo com os PCNEM, a UNESCO propõe quatro saberes que funcionam como pilares da educação nas sociedades contemporâneas. São saberes cuja conquista ultrapassa a mera aquisição de informação, uma vez que abarcam a formação humana e social do indivíduo. Assinale a alternativa que NÃO apresenta um destes saberes:
  • A Aprender a produzir.
  • B Aprender a conhecer.
  • C Aprender a fazer.
  • D Aprender a viver com os outros.
  • E Aprender a ser.
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Longe de ser instrumento de pressão e castigo, a avaliação deve mostrar-se útil para as partes envolvidas- professores, alunos e escola- contribuindo para análises das etapas vencidas, no sentido de alcançar objetivos previamente traçados. Para tanto, constitui-se num processo contínuo de diagnóstico da situação. Do ponto de vista do estudante, qual a utilidade da avaliação?
  • A Instrumento de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades.
  • B Mecanismo exclusivo para obtenção de nota para aprovação.
  • C Utensílio utilizado para equiparar os conteúdos das aulas.
  • D Dispositivo elaborado pelo professor para cumprir planejamento.
  • E Instrumento de comparação de evolução no decorrer das aulas.
14
De acordo com os PCNEM, a educação física é organizada em três eixos. Quais são os conceitos que são abordados no eixo “Contextualização Sociocultural”?
  • A Cultura; Análise e síntese; Linguagem corporal.
  • B Signo e símbolo; Globalização versus localização; Ginástica.
  • C Cultura; Globalização versus localização; Negociação de sentidos.
  • D Cultura; Interlocução, significação, dialogismo; Signo e símbolo.
  • E Análise e síntese; Correlação, identidade e integração; Negociação de sentidos.
15
Como podemos definir o processo de equilibração da teoria de Piaget?
  • A Mecanismo de organização de estruturas cognitivas, que visa levar o indivíduo de uma forma de adaptação à realidade, obrigando o indivíduo a resolver os conflitos cognitivos constantes.
  • B O equilíbrio é o norte que o organismo almeja e sempre conquista graças à acomodação cognitiva.
  • C O processo de equilibração é o ápice da aprendizagem cognitiva, haja visto que são poucos momentos que o indivíduo é colocado em situações de aprendizado.
  • D Mecanismo obtido após anos de interações com relação ao objeto e o seu próprio organismo.
  • E Processo de maturação do organismo através de ações intra pessoal.
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Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA das quatro fases do desenvolvimento da criança:
  • A Sensório-motor; pré-operatório; operatório formal e operatório concreto.
  • B Pré-operatório; sensório-motor; operatório formal e operatório concreto.
  • C Operatório formal; sensório-motor; pré-operatório e operatório concreto.
  • D Sensório-motor; pré-operatório; operatório concreto e operatório formal.
  • E Pré-operatório; operatório formal; operatório concreto e sensório-motor.
17
A educação é um fenômeno social. Consequentemente, ela é parte integrante das relações sociais, econômicas, políticas e culturais de uma determinada sociedade. Dessa forma, configura-se como um processo de mudança da sociedade, atrelada às relações sociais existentes na sociedade. Nesse sentido, assinale a alternativa INCORRETA:
  • A A prática educativa, e especialmente os objetivos e conteúdos do ensino e o trabalho docente, estão determinados por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas.
  • B As finalidades e os meios da educação insubordinam-se à estrutura e dinâmica das relações entre as classes sociais, ou seja, são socialmente determinados.
  • C A prática educativa que ocorre em várias instâncias da sociedade é determinada por valores, normas e particularidades da estrutura social a que está subordinada.
  • D A estrutura social e as formas sociais pelas quais a sociedade se organiza são uma decorrência do fato de que, desde o início da sua existência, os homens vivem em grupos; sua vida está na dependência da vida de outros membros do grupo social, ou seja, a história humana, a história da sua vida e a história da sociedade se constituem e se desenvolvem na dinâmica das relações sociais.
  • E A organização da sociedade, a existência das classes sociais, o papel da educação estão implicados nas formas que as relações sociais vão assumindo pela ação prática concreta dos homens.
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A prática educativa, a vida cotidiana, as relações professor e aluno, os objetivos da educação, o trabalho docente, nossa percepção do aluno estão carregados de significados sociais que se constituem na dinâmica das relações entre classes, entre raças, entre grupos religiosos, entre homens e mulheres, jovens e adultos. Nesse contexto, assinale a alternativa INCORRETA:
  • A Para quem lida com a educação, tendo em vista a formação humana dos indivíduos vivendo em contextos sociais determinados, é imprescindível que desenvolva a capacidade de descobrir as relações sociais reais implicadas em cada acontecimento, em cada situação real da sua vida e da sua profissão, em cada matéria que ensina como também nos discursos, nos meios de comunicação de massa, nas relações cotidianas na família e no trabalho.
  • B O campo específico de atuação profissional e política do professor é a escola, à qual cabem tarefas de assegurar aos alunos um sólido domínio de conhecimentos e habilidades, o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de pensamento independente, crítico e criativo.
  • C Quanto mais se diversificam as formas de educação extraescolar e quanto mais à minoria dominante refina os meios de difusão da ideologia burguesa, tanto mais a educação escolar perde importância, principalmente para as classes trabalhadoras.
  • D A responsabilidade social da escola e dos professores é muito grande, pois cabe-lhes escolher qual concepção de vida e de sociedade deve ser trazida à consideração dos alunos e quais conteúdos e métodos lhes propiciam o domínio dos conhecimentos e a capacidade de raciocínio necessários à compreensão da realidade social e à atividade prática na profissão, na política, nos movimentos sociais.
  • E A escola cumpre objetivos e exigências da sociedade conforme interesses de grupos e classes sociais que a constituem, sendo que, o ensino cria condições metodológicas e organizativas para o processo de transmissão e assimilação de conhecimentos e desenvolvimento das capacidades intelectuais e processos mentais dos alunos tendo em vista o entendimento crítico dos problemas sócias.
19
A formação profissional é um processo pedagógico, intencional e organizado, de preparação teórico-científica e técnica do professor para dirigir competentemente o processo de ensino. Nessa perspectiva, sobre a didática e a formação profissional do professor, assinale (C) para alternativa CORRETA e (I) para alternativa INCORRETA:

( ) O processo didático efetiva a mediação escolar de objetivos, conteúdos e métodos das matérias de ensino.
( ) A didática pode constituir-se em teoria da educação.
( ) A didática descreve e explica os nexos, relações e ligações entre ensino e a aprendizagem; investiga os fatores codeterminantes desses processos; indica princípios, condições e meios de direção do ensino, tendo em vista a aprendizagem, que são comuns ao ensino das diferentes disciplinas de conteúdos específicos.
( ) A didática se caracteriza como mediação entre as bases teórico-científicas da educação escolar e a prática docente.

Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA:
  • A C, I, C, C.
  • B C, C, I, C.
  • C C, C, C, C.
  • D C, C, C, I.
  • E I, I, C, C.
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O processo de ensino pode ser entendido como o conjunto de atividades organizadas, visando alcançar determinados resultados (domínio de conhecimentos e desenvolvimento das capacidades cognitivas), tendo como ponto de partida o nível atual de conhecimentos, experiências e de desenvolvimento mental dos alunos. Consideremos algumas características desse processo:

I. O ensino é um processo, ou seja, caracteriza-se pelo desenvolvimento e transformação progressiva das capacidades intelectuais dos alunos em direção ao domínio dos conhecimentos e habilidades, e sua aplicação.
II. O processo de ensino visa alcançar determinados resultados em termos de domínio de conhecimentos, habilidades, hábitos, atitudes, convicções e de desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos.
III. O ensino tem um caráter bilateral em virtude de que combina a atividade do professor (ensinar) com a atividade do aluno (aprender). O processo de ensino faz interagir dois momentos indissociáveis: a transmissão e a assimilação passiva de conhecimentos e habilidades.

Estão CORRETAS:
  • A Apenas I e II.
  • B Apenas III.
  • C Apenas II e III.
  • D Apenas I e III.
  • E Todas as assertivas.

Português

21

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Poema de sete faces (1930)

Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.


O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.



Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

- dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond01.htm último acesso: 17 de fevereiro de 2021. e https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/revista/artigos/artigo/ 1022/oculos-de-leitura-conversando-sobre-poesia último acesso: 17 de fevereiro de 2021.





No poema "Com licença poética" no trecho "Mas o que sinto escrevo.", a conjunção "Mas", no texto, tem o sentido de:
  • A Adversativa.
  • B Alternativa.
  • C Explicativa.
  • D Aditiva.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Poema de sete faces (1930)

Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.


O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.



Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

- dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond01.htm último acesso: 17 de fevereiro de 2021. e https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/revista/artigos/artigo/ 1022/oculos-de-leitura-conversando-sobre-poesia último acesso: 17 de fevereiro de 2021.





"Meu Deus, por que me abandonaste", nesse trecho o termo que inicia a oração é um:
  • A Sujeito.
  • B Vocativo.
  • C Aposto.
  • D Pronome de tratamento.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Celso Furtado: 100 anos do paraibano que mudou a economia (adaptado)


O renovado debate sobre o papel do Estado na economia, suscitado pelo contexto da pandemia de covid-19, traz ideias do autor de volta para o centro da discussão, no ano de seu centenário.


Quando tinha apenas 17 anos, na Paraíba, Celso Furtado anotou em seu diário: "Hoje eu decidi que vou escrever um livro sobre a história da civilização brasileira." O que poderia ser um devaneio juvenil se materializou duas décadas depois, quando o pensador publicou, em 1958, Formação econômica do Brasil, maior obra de referência do pensamento econômico brasileiro.

O clássico trouxe um até então inédito entrelaçamento entre história e economia. Furtado analisa os vários ciclos econômicos, do açúcar ao início da indústria, para identificar o cerne do subdesenvolvimento brasileiro. Estava ali a ideia que aprofundaria em quase 30 livros dali em diante: o subdesenvolvimento não era etapa natural de um processo, mas uma realidade perene, derivada da inserção do Brasil e países semelhantes, exportadores de insumos, na economia mundial - a dinâmica "centro-periferia".

Neste domingo (26/07), é celebrado o centenário de nascimento do economista. Se o calendário de eventos e comemorações, que incluía seminários e quatro novos livros sobre Furtado, foi afetado pela pandemia, a conjuntura trouxe suas ideias de volta para o centro do debate. Durante a crise atual, a atuação do Estado como indutor e planejador da atividade econômica voltou de vez à carga.

Nos Estados Unidos e na Europa, governos lançaram mão de pacotes emergenciais orçados em trilhões de dólares. Mesmo entre economistas liberais, a intervenção estatal foi amplamente defendida nesses países.

"Mas antes mesmo da pandemia, há três ou quatro anos, já discutíamos um retorno do papel do Estado na França e na Europa, pelo que tem sido chamado de 'políticas orçamentárias'. Além disso, ficou claro para muitos economistas que as políticas monetárias não são tão eficazes sozinhas", comenta o economista francês Pierre Salama, que foi aluno, assistente e, depois, colega de Furtado em seu tempo como professor na Universidade Paris-Sorbonne.

"Esse retorno do Estado não significa reestatização, não é disso que se trata. É uma intervenção ativa, com políticas industriais inteligentes. (...)", completa Salama.

No Brasil, frente à pandemia, governo e Congresso criaram um orçamento especial de guerra para suspender mão do teto de gastos temporariamente e financiar o auxílio emergencial e a complementação salarial, além de mais linhas de crédito via bancos públicos. Segundo o IBGE, em junho os benefícios ao cidadão alcançaram direta ou indiretamente 104 milhões de brasileiros, quase a metade da população.

Na comparação com as iniciativas estrangeiras, todavia, o aporte ainda é tímido em termos de volume. As medidas tomadas até aqui são reconhecidas pelo próprio governo como muletas no pior momento da crise. (...)

O presidente Jair Bolsonaro tem sugestões de toda parte na mesa, mas convive com o contrapeso de uma equipe econômica criada para resistir ao aumento do gasto público.

Poucos estariam aptos como Celso Furtado, vivo fosse, a opinar na atual encruzilhada. O economista atuou, no início dos anos 1950, na criação e aplicação das técnicas de planejamento econômico da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas.

Em seguida, frequentou, como diretor do BNDES e depois ministro de Estado, o dia a dia de quatro governos: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e José Sarney. Exilado entre os tempos de serviço prestados para os dois últimos presidentes listados, esteve por 20 anos à frente das cátedras de Economia do Desenvolvimento e Economia Latino-Americana da Universidade Paris-Sorbonne, na França.

A despeito do currículo, não surpreenderia se Furtado fosse rechaçado hoje em dia por razões políticas. Foi o que aconteceu em 1964, quando seu nome constava na primeira lista de indesejados pela ditadura militar, e Furtado teve de deixar o país. No dia seguinte à sua cassação política, recebeu convites para lecionar em três prestigiadas universidades dos Estados Unidos: Harvard, Columbia e Yale, para onde acabou indo. Um ano depois, o presidente francês de direita, Charles de Gaulle, autorizou sua contratação para a maior universidade de seu país.

Pierre Salama, que testemunhou enquanto estudante a chegada de Furtado à França, conta que as ideias do brasileiro revolucionaram a compreensão de desenvolvimento econômico na França. Até então, os franceses que estudavam o tema focavam as ex-colônias africanas, razão pela qual eram oficialmente chamados de "professores de colônias". Não consideravam, por exemplo, a possibilidade de economias industrializadas conviverem de forma perene com o subdesenvolvimento, como é o caso do Brasil e de outras economias latino-americanas.

"Por outro lado, para os que eram de esquerda a única razão do subdesenvolvimento era o saque dos países do Terceiro Mundo. Não havia uma abordagem científica. E então chega Furtado e nos explica. Foi estrondoso, e ele fez muito sucesso", já havia dito Salama à revista Cadernos do Desenvolvimento anos atrás.

Consagradora, a passagem pela Sorbonne duraria 20 anos. O período representou um doloroso hiato para o economista acostumado à dupla função de intelectual e estadista. "Ele ficava com a cabeça no Brasil", lembra a tradutora Rosa Freire d'Aguiar, viúva de Furtado. Era difícil estar exilado para quem, até pouco, formulava políticas prioritárias de governo.

Foi o caso da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1959. Elencado por JK no mesmo nível de prioridade que a construção de Brasília, o projeto tinha o objetivo de promover e coordenar o desenvolvimento da região. Além da industrialização, Furtado propunha o fim do modelo latifundiário monocultor, mais propenso a riscos climáticos, e um desenho econômico adaptável à seca - na contramão das "políticas hidráulicas" que ocupavam o debate.

A iniciativa despertou grande interesse internacional. Em 1961, Furtado foi a Washington como superintendente da Sudene para se encontrar com o então presidente dos EUA, John Kennedy, que decidiu apoiar um programa de cooperação com o órgão. Embora exista até hoje, a iniciativa foi relegada a segundo plano durante a ditadura militar e não recuperou o protagonismo conferido sob a gestão do economista.

"Para ele, o conhecimento só servia se fosse para prestar serviço à comunidade", comenta o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Furtado olhava as formas como a economia se relacionava com a vida social, para pensar em que medida poderia beneficiar a vida das pessoas em sociedade. Sua vida sempre se confundiu com a história da sociedade brasileira", diz. 

https://www.dw.com/pt-br/celso-furtado-100-anos-do-paraibano-que-mudou-a-econ
omia/a-54322701 último acesso: 17 de fevereiro de 2021.


A partir da leitura do texto e de sua classificação no que diz respeito ao gênero e à tipologia textual, assinale a alterativa CORRETA:
  • A É uma notícia que retrata a morte de Celso Furtado, relatando fatos e situações que levaram a ser pouco ou nada reconhecido no Brasil.
  • B É um texto jornalísticos que traz informações sobre a vida e a obra de um pensador e economista brasileiro reconhecido mundialmente.
  • C É um texto narrativo que conta a vida de Celso Furtado, um pensador economista brasileiro com trabalhos reconhecidos por todo o mundo.
  • D É um texto injuntivo que demonstra como deveria ser feita a organização econômica brasileira, tendo como base o pensamento de Celso Furtado.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Celso Furtado: 100 anos do paraibano que mudou a economia (adaptado)


O renovado debate sobre o papel do Estado na economia, suscitado pelo contexto da pandemia de covid-19, traz ideias do autor de volta para o centro da discussão, no ano de seu centenário.


Quando tinha apenas 17 anos, na Paraíba, Celso Furtado anotou em seu diário: "Hoje eu decidi que vou escrever um livro sobre a história da civilização brasileira." O que poderia ser um devaneio juvenil se materializou duas décadas depois, quando o pensador publicou, em 1958, Formação econômica do Brasil, maior obra de referência do pensamento econômico brasileiro.

O clássico trouxe um até então inédito entrelaçamento entre história e economia. Furtado analisa os vários ciclos econômicos, do açúcar ao início da indústria, para identificar o cerne do subdesenvolvimento brasileiro. Estava ali a ideia que aprofundaria em quase 30 livros dali em diante: o subdesenvolvimento não era etapa natural de um processo, mas uma realidade perene, derivada da inserção do Brasil e países semelhantes, exportadores de insumos, na economia mundial - a dinâmica "centro-periferia".

Neste domingo (26/07), é celebrado o centenário de nascimento do economista. Se o calendário de eventos e comemorações, que incluía seminários e quatro novos livros sobre Furtado, foi afetado pela pandemia, a conjuntura trouxe suas ideias de volta para o centro do debate. Durante a crise atual, a atuação do Estado como indutor e planejador da atividade econômica voltou de vez à carga.

Nos Estados Unidos e na Europa, governos lançaram mão de pacotes emergenciais orçados em trilhões de dólares. Mesmo entre economistas liberais, a intervenção estatal foi amplamente defendida nesses países.

"Mas antes mesmo da pandemia, há três ou quatro anos, já discutíamos um retorno do papel do Estado na França e na Europa, pelo que tem sido chamado de 'políticas orçamentárias'. Além disso, ficou claro para muitos economistas que as políticas monetárias não são tão eficazes sozinhas", comenta o economista francês Pierre Salama, que foi aluno, assistente e, depois, colega de Furtado em seu tempo como professor na Universidade Paris-Sorbonne.

"Esse retorno do Estado não significa reestatização, não é disso que se trata. É uma intervenção ativa, com políticas industriais inteligentes. (...)", completa Salama.

No Brasil, frente à pandemia, governo e Congresso criaram um orçamento especial de guerra para suspender mão do teto de gastos temporariamente e financiar o auxílio emergencial e a complementação salarial, além de mais linhas de crédito via bancos públicos. Segundo o IBGE, em junho os benefícios ao cidadão alcançaram direta ou indiretamente 104 milhões de brasileiros, quase a metade da população.

Na comparação com as iniciativas estrangeiras, todavia, o aporte ainda é tímido em termos de volume. As medidas tomadas até aqui são reconhecidas pelo próprio governo como muletas no pior momento da crise. (...)

O presidente Jair Bolsonaro tem sugestões de toda parte na mesa, mas convive com o contrapeso de uma equipe econômica criada para resistir ao aumento do gasto público.

Poucos estariam aptos como Celso Furtado, vivo fosse, a opinar na atual encruzilhada. O economista atuou, no início dos anos 1950, na criação e aplicação das técnicas de planejamento econômico da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas.

Em seguida, frequentou, como diretor do BNDES e depois ministro de Estado, o dia a dia de quatro governos: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e José Sarney. Exilado entre os tempos de serviço prestados para os dois últimos presidentes listados, esteve por 20 anos à frente das cátedras de Economia do Desenvolvimento e Economia Latino-Americana da Universidade Paris-Sorbonne, na França.

A despeito do currículo, não surpreenderia se Furtado fosse rechaçado hoje em dia por razões políticas. Foi o que aconteceu em 1964, quando seu nome constava na primeira lista de indesejados pela ditadura militar, e Furtado teve de deixar o país. No dia seguinte à sua cassação política, recebeu convites para lecionar em três prestigiadas universidades dos Estados Unidos: Harvard, Columbia e Yale, para onde acabou indo. Um ano depois, o presidente francês de direita, Charles de Gaulle, autorizou sua contratação para a maior universidade de seu país.

Pierre Salama, que testemunhou enquanto estudante a chegada de Furtado à França, conta que as ideias do brasileiro revolucionaram a compreensão de desenvolvimento econômico na França. Até então, os franceses que estudavam o tema focavam as ex-colônias africanas, razão pela qual eram oficialmente chamados de "professores de colônias". Não consideravam, por exemplo, a possibilidade de economias industrializadas conviverem de forma perene com o subdesenvolvimento, como é o caso do Brasil e de outras economias latino-americanas.

"Por outro lado, para os que eram de esquerda a única razão do subdesenvolvimento era o saque dos países do Terceiro Mundo. Não havia uma abordagem científica. E então chega Furtado e nos explica. Foi estrondoso, e ele fez muito sucesso", já havia dito Salama à revista Cadernos do Desenvolvimento anos atrás.

Consagradora, a passagem pela Sorbonne duraria 20 anos. O período representou um doloroso hiato para o economista acostumado à dupla função de intelectual e estadista. "Ele ficava com a cabeça no Brasil", lembra a tradutora Rosa Freire d'Aguiar, viúva de Furtado. Era difícil estar exilado para quem, até pouco, formulava políticas prioritárias de governo.

Foi o caso da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1959. Elencado por JK no mesmo nível de prioridade que a construção de Brasília, o projeto tinha o objetivo de promover e coordenar o desenvolvimento da região. Além da industrialização, Furtado propunha o fim do modelo latifundiário monocultor, mais propenso a riscos climáticos, e um desenho econômico adaptável à seca - na contramão das "políticas hidráulicas" que ocupavam o debate.

A iniciativa despertou grande interesse internacional. Em 1961, Furtado foi a Washington como superintendente da Sudene para se encontrar com o então presidente dos EUA, John Kennedy, que decidiu apoiar um programa de cooperação com o órgão. Embora exista até hoje, a iniciativa foi relegada a segundo plano durante a ditadura militar e não recuperou o protagonismo conferido sob a gestão do economista.

"Para ele, o conhecimento só servia se fosse para prestar serviço à comunidade", comenta o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Furtado olhava as formas como a economia se relacionava com a vida social, para pensar em que medida poderia beneficiar a vida das pessoas em sociedade. Sua vida sempre se confundiu com a história da sociedade brasileira", diz. 

https://www.dw.com/pt-br/celso-furtado-100-anos-do-paraibano-que-mudou-a-econ
omia/a-54322701 último acesso: 17 de fevereiro de 2021.


A respeito do tema do texto sobre o economista Celso Furtado, assinale a alternativa CORRETA:
  • A A desvalorização do Brasil nos dias de hoje, por causa de uma economia de terceiro mundo baseada numa história de desigualdade.
  • B A relação internacional desigual que o Brasil tem com a França ao longo da história, principalmente durante a pandemia do coronavírus.
  • C A relevância dos estudos de Furtado para resolver a crise do Brasil em relação à pandemia do coronavírus.
  • D A importância do economista e pensador Celso Furtado para a compreensão da economia no Brasil e no mundo.
25

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Celso Furtado: 100 anos do paraibano que mudou a economia (adaptado)


O renovado debate sobre o papel do Estado na economia, suscitado pelo contexto da pandemia de covid-19, traz ideias do autor de volta para o centro da discussão, no ano de seu centenário.


Quando tinha apenas 17 anos, na Paraíba, Celso Furtado anotou em seu diário: "Hoje eu decidi que vou escrever um livro sobre a história da civilização brasileira." O que poderia ser um devaneio juvenil se materializou duas décadas depois, quando o pensador publicou, em 1958, Formação econômica do Brasil, maior obra de referência do pensamento econômico brasileiro.

O clássico trouxe um até então inédito entrelaçamento entre história e economia. Furtado analisa os vários ciclos econômicos, do açúcar ao início da indústria, para identificar o cerne do subdesenvolvimento brasileiro. Estava ali a ideia que aprofundaria em quase 30 livros dali em diante: o subdesenvolvimento não era etapa natural de um processo, mas uma realidade perene, derivada da inserção do Brasil e países semelhantes, exportadores de insumos, na economia mundial - a dinâmica "centro-periferia".

Neste domingo (26/07), é celebrado o centenário de nascimento do economista. Se o calendário de eventos e comemorações, que incluía seminários e quatro novos livros sobre Furtado, foi afetado pela pandemia, a conjuntura trouxe suas ideias de volta para o centro do debate. Durante a crise atual, a atuação do Estado como indutor e planejador da atividade econômica voltou de vez à carga.

Nos Estados Unidos e na Europa, governos lançaram mão de pacotes emergenciais orçados em trilhões de dólares. Mesmo entre economistas liberais, a intervenção estatal foi amplamente defendida nesses países.

"Mas antes mesmo da pandemia, há três ou quatro anos, já discutíamos um retorno do papel do Estado na França e na Europa, pelo que tem sido chamado de 'políticas orçamentárias'. Além disso, ficou claro para muitos economistas que as políticas monetárias não são tão eficazes sozinhas", comenta o economista francês Pierre Salama, que foi aluno, assistente e, depois, colega de Furtado em seu tempo como professor na Universidade Paris-Sorbonne.

"Esse retorno do Estado não significa reestatização, não é disso que se trata. É uma intervenção ativa, com políticas industriais inteligentes. (...)", completa Salama.

No Brasil, frente à pandemia, governo e Congresso criaram um orçamento especial de guerra para suspender mão do teto de gastos temporariamente e financiar o auxílio emergencial e a complementação salarial, além de mais linhas de crédito via bancos públicos. Segundo o IBGE, em junho os benefícios ao cidadão alcançaram direta ou indiretamente 104 milhões de brasileiros, quase a metade da população.

Na comparação com as iniciativas estrangeiras, todavia, o aporte ainda é tímido em termos de volume. As medidas tomadas até aqui são reconhecidas pelo próprio governo como muletas no pior momento da crise. (...)

O presidente Jair Bolsonaro tem sugestões de toda parte na mesa, mas convive com o contrapeso de uma equipe econômica criada para resistir ao aumento do gasto público.

Poucos estariam aptos como Celso Furtado, vivo fosse, a opinar na atual encruzilhada. O economista atuou, no início dos anos 1950, na criação e aplicação das técnicas de planejamento econômico da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas.

Em seguida, frequentou, como diretor do BNDES e depois ministro de Estado, o dia a dia de quatro governos: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e José Sarney. Exilado entre os tempos de serviço prestados para os dois últimos presidentes listados, esteve por 20 anos à frente das cátedras de Economia do Desenvolvimento e Economia Latino-Americana da Universidade Paris-Sorbonne, na França.

A despeito do currículo, não surpreenderia se Furtado fosse rechaçado hoje em dia por razões políticas. Foi o que aconteceu em 1964, quando seu nome constava na primeira lista de indesejados pela ditadura militar, e Furtado teve de deixar o país. No dia seguinte à sua cassação política, recebeu convites para lecionar em três prestigiadas universidades dos Estados Unidos: Harvard, Columbia e Yale, para onde acabou indo. Um ano depois, o presidente francês de direita, Charles de Gaulle, autorizou sua contratação para a maior universidade de seu país.

Pierre Salama, que testemunhou enquanto estudante a chegada de Furtado à França, conta que as ideias do brasileiro revolucionaram a compreensão de desenvolvimento econômico na França. Até então, os franceses que estudavam o tema focavam as ex-colônias africanas, razão pela qual eram oficialmente chamados de "professores de colônias". Não consideravam, por exemplo, a possibilidade de economias industrializadas conviverem de forma perene com o subdesenvolvimento, como é o caso do Brasil e de outras economias latino-americanas.

"Por outro lado, para os que eram de esquerda a única razão do subdesenvolvimento era o saque dos países do Terceiro Mundo. Não havia uma abordagem científica. E então chega Furtado e nos explica. Foi estrondoso, e ele fez muito sucesso", já havia dito Salama à revista Cadernos do Desenvolvimento anos atrás.

Consagradora, a passagem pela Sorbonne duraria 20 anos. O período representou um doloroso hiato para o economista acostumado à dupla função de intelectual e estadista. "Ele ficava com a cabeça no Brasil", lembra a tradutora Rosa Freire d'Aguiar, viúva de Furtado. Era difícil estar exilado para quem, até pouco, formulava políticas prioritárias de governo.

Foi o caso da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1959. Elencado por JK no mesmo nível de prioridade que a construção de Brasília, o projeto tinha o objetivo de promover e coordenar o desenvolvimento da região. Além da industrialização, Furtado propunha o fim do modelo latifundiário monocultor, mais propenso a riscos climáticos, e um desenho econômico adaptável à seca - na contramão das "políticas hidráulicas" que ocupavam o debate.

A iniciativa despertou grande interesse internacional. Em 1961, Furtado foi a Washington como superintendente da Sudene para se encontrar com o então presidente dos EUA, John Kennedy, que decidiu apoiar um programa de cooperação com o órgão. Embora exista até hoje, a iniciativa foi relegada a segundo plano durante a ditadura militar e não recuperou o protagonismo conferido sob a gestão do economista.

"Para ele, o conhecimento só servia se fosse para prestar serviço à comunidade", comenta o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Furtado olhava as formas como a economia se relacionava com a vida social, para pensar em que medida poderia beneficiar a vida das pessoas em sociedade. Sua vida sempre se confundiu com a história da sociedade brasileira", diz. 

https://www.dw.com/pt-br/celso-furtado-100-anos-do-paraibano-que-mudou-a-econ
omia/a-54322701 último acesso: 17 de fevereiro de 2021.


De acordo com o texto, leia atentamente a sentença: "Consagradora, a passagem pela Sorbonne duraria 20 anos", assinale a alternativa que melhor explica a relação entre a palavra "Consagradora" e as demais palavras da sentença.
  • A A palavra "Consagradora" está concordando com "Sorbonne" e exerce a função de objeto direto.
  • B A palavra "Consagradora" está sendo conjugada por "Sorbonne" e atua como sujeito da oração.
  • C A palavra "Consagradora" é objeto direto do verbo "duraria" e adjunto adnominal de "20 anos" com "passagem" e atua como adjunto adnominal.
  • D A palavra "Consagradora" está concordando com "passagem" e exerce a função de adjunto adnominal.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Celso Furtado: 100 anos do paraibano que mudou a economia (adaptado)


O renovado debate sobre o papel do Estado na economia, suscitado pelo contexto da pandemia de covid-19, traz ideias do autor de volta para o centro da discussão, no ano de seu centenário.


Quando tinha apenas 17 anos, na Paraíba, Celso Furtado anotou em seu diário: "Hoje eu decidi que vou escrever um livro sobre a história da civilização brasileira." O que poderia ser um devaneio juvenil se materializou duas décadas depois, quando o pensador publicou, em 1958, Formação econômica do Brasil, maior obra de referência do pensamento econômico brasileiro.

O clássico trouxe um até então inédito entrelaçamento entre história e economia. Furtado analisa os vários ciclos econômicos, do açúcar ao início da indústria, para identificar o cerne do subdesenvolvimento brasileiro. Estava ali a ideia que aprofundaria em quase 30 livros dali em diante: o subdesenvolvimento não era etapa natural de um processo, mas uma realidade perene, derivada da inserção do Brasil e países semelhantes, exportadores de insumos, na economia mundial - a dinâmica "centro-periferia".

Neste domingo (26/07), é celebrado o centenário de nascimento do economista. Se o calendário de eventos e comemorações, que incluía seminários e quatro novos livros sobre Furtado, foi afetado pela pandemia, a conjuntura trouxe suas ideias de volta para o centro do debate. Durante a crise atual, a atuação do Estado como indutor e planejador da atividade econômica voltou de vez à carga.

Nos Estados Unidos e na Europa, governos lançaram mão de pacotes emergenciais orçados em trilhões de dólares. Mesmo entre economistas liberais, a intervenção estatal foi amplamente defendida nesses países.

"Mas antes mesmo da pandemia, há três ou quatro anos, já discutíamos um retorno do papel do Estado na França e na Europa, pelo que tem sido chamado de 'políticas orçamentárias'. Além disso, ficou claro para muitos economistas que as políticas monetárias não são tão eficazes sozinhas", comenta o economista francês Pierre Salama, que foi aluno, assistente e, depois, colega de Furtado em seu tempo como professor na Universidade Paris-Sorbonne.

"Esse retorno do Estado não significa reestatização, não é disso que se trata. É uma intervenção ativa, com políticas industriais inteligentes. (...)", completa Salama.

No Brasil, frente à pandemia, governo e Congresso criaram um orçamento especial de guerra para suspender mão do teto de gastos temporariamente e financiar o auxílio emergencial e a complementação salarial, além de mais linhas de crédito via bancos públicos. Segundo o IBGE, em junho os benefícios ao cidadão alcançaram direta ou indiretamente 104 milhões de brasileiros, quase a metade da população.

Na comparação com as iniciativas estrangeiras, todavia, o aporte ainda é tímido em termos de volume. As medidas tomadas até aqui são reconhecidas pelo próprio governo como muletas no pior momento da crise. (...)

O presidente Jair Bolsonaro tem sugestões de toda parte na mesa, mas convive com o contrapeso de uma equipe econômica criada para resistir ao aumento do gasto público.

Poucos estariam aptos como Celso Furtado, vivo fosse, a opinar na atual encruzilhada. O economista atuou, no início dos anos 1950, na criação e aplicação das técnicas de planejamento econômico da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas.

Em seguida, frequentou, como diretor do BNDES e depois ministro de Estado, o dia a dia de quatro governos: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e José Sarney. Exilado entre os tempos de serviço prestados para os dois últimos presidentes listados, esteve por 20 anos à frente das cátedras de Economia do Desenvolvimento e Economia Latino-Americana da Universidade Paris-Sorbonne, na França.

A despeito do currículo, não surpreenderia se Furtado fosse rechaçado hoje em dia por razões políticas. Foi o que aconteceu em 1964, quando seu nome constava na primeira lista de indesejados pela ditadura militar, e Furtado teve de deixar o país. No dia seguinte à sua cassação política, recebeu convites para lecionar em três prestigiadas universidades dos Estados Unidos: Harvard, Columbia e Yale, para onde acabou indo. Um ano depois, o presidente francês de direita, Charles de Gaulle, autorizou sua contratação para a maior universidade de seu país.

Pierre Salama, que testemunhou enquanto estudante a chegada de Furtado à França, conta que as ideias do brasileiro revolucionaram a compreensão de desenvolvimento econômico na França. Até então, os franceses que estudavam o tema focavam as ex-colônias africanas, razão pela qual eram oficialmente chamados de "professores de colônias". Não consideravam, por exemplo, a possibilidade de economias industrializadas conviverem de forma perene com o subdesenvolvimento, como é o caso do Brasil e de outras economias latino-americanas.

"Por outro lado, para os que eram de esquerda a única razão do subdesenvolvimento era o saque dos países do Terceiro Mundo. Não havia uma abordagem científica. E então chega Furtado e nos explica. Foi estrondoso, e ele fez muito sucesso", já havia dito Salama à revista Cadernos do Desenvolvimento anos atrás.

Consagradora, a passagem pela Sorbonne duraria 20 anos. O período representou um doloroso hiato para o economista acostumado à dupla função de intelectual e estadista. "Ele ficava com a cabeça no Brasil", lembra a tradutora Rosa Freire d'Aguiar, viúva de Furtado. Era difícil estar exilado para quem, até pouco, formulava políticas prioritárias de governo.

Foi o caso da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1959. Elencado por JK no mesmo nível de prioridade que a construção de Brasília, o projeto tinha o objetivo de promover e coordenar o desenvolvimento da região. Além da industrialização, Furtado propunha o fim do modelo latifundiário monocultor, mais propenso a riscos climáticos, e um desenho econômico adaptável à seca - na contramão das "políticas hidráulicas" que ocupavam o debate.

A iniciativa despertou grande interesse internacional. Em 1961, Furtado foi a Washington como superintendente da Sudene para se encontrar com o então presidente dos EUA, John Kennedy, que decidiu apoiar um programa de cooperação com o órgão. Embora exista até hoje, a iniciativa foi relegada a segundo plano durante a ditadura militar e não recuperou o protagonismo conferido sob a gestão do economista.

"Para ele, o conhecimento só servia se fosse para prestar serviço à comunidade", comenta o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Furtado olhava as formas como a economia se relacionava com a vida social, para pensar em que medida poderia beneficiar a vida das pessoas em sociedade. Sua vida sempre se confundiu com a história da sociedade brasileira", diz. 

https://www.dw.com/pt-br/celso-furtado-100-anos-do-paraibano-que-mudou-a-econ
omia/a-54322701 último acesso: 17 de fevereiro de 2021.


No texto, o trecho "O período representou um doloroso hiato para o economista acostumado à dupla função de intelectual e estadista", a palavra "hiato" tem o sentido de:
  • A Interrupção entre dois acontecimentos.
  • B Encontro vocálico em sílabas diferentes.
  • C Local de habitação.
  • D Fenda no corpo humano.
27

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Poema de sete faces (1930)

Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.


O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.



Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

- dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond01.htm último acesso: 17 de fevereiro de 2021. e https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/revista/artigos/artigo/ 1022/oculos-de-leitura-conversando-sobre-poesia último acesso: 17 de fevereiro de 2021.





Leia atentamente o trecho da questão e assinale a alternativa CORRETA em relação à função sintática da oração "vai carregar bandeira"
"Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira." 
  • A Aposto.
  • B Objeto Direto.
  • C Adjunto Adverbial.
  • D Sujeito.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Poema de sete faces (1930)

Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.


O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.



Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

- dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond01.htm último acesso: 17 de fevereiro de 2021. e https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/revista/artigos/artigo/ 1022/oculos-de-leitura-conversando-sobre-poesia último acesso: 17 de fevereiro de 2021.





Em relação ao texto "Com licença poética", de Adélia Prado, é CORRETO afirmar.
  • A Adélia apresenta um eu lírico sofrido sem disposição para enfrentar os problemas da vida, numa atitude de covardia diante de seus percalços.
  • B O poema expressa um eu lírico feminino que aborda o universo da mulher a partir de um ponto de vista afirmativo e positivo e que lida com as adversidades de ser mulher.
  • C A narradora conta a história de uma mulher que, apesar dos sofrimentos, consegue vencer como dona de casa, contrária ao homem amaldiçoado.
  • D A crônica apresenta um ponto de vista que degrada a mulher, pois ela está envergonhada por não conseguir carregar a bandeira.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Poema de sete faces (1930)

Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.


O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.



Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

- dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond01.htm último acesso: 17 de fevereiro de 2021. e https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/revista/artigos/artigo/ 1022/oculos-de-leitura-conversando-sobre-poesia último acesso: 17 de fevereiro de 2021.





Assinale a alternativa que corresponde ao desenvolvimento do tema do texto "Poema de sete faces" de Drummond:
  • A Os versos de Drummond são divididos em sete estrofes, pois representam os sete casamentos do poeta.
  • B O texto retrata um eu lírico que se manifesta malfadado, pois desde o início de sua vida "um anjo torto" o conduz.
  • C O texto retrata um mundo romântico de desilusão amorosa, como aponta o trecho "que correm atrás das mulheres".
  • D O poema apresenta um eu lírico entregue ao universo espiritual ao clamar por Deus e pelo diabo.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Poema de sete faces (1930)

Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.


O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.



Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

- dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond01.htm último acesso: 17 de fevereiro de 2021. e https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/biblioteca/nossas-publicacoes/revista/artigos/artigo/ 1022/oculos-de-leitura-conversando-sobre-poesia último acesso: 17 de fevereiro de 2021.





Em relação aos textos "Poema de sete faces" e "Com licença poética", assinale a alternativa CORRETA.
  • A Os poemas de Drummond e de Adélia Prado são duas faces de um mesmo eu lírico, pois os dois demonstram o ponto de vista da mulher que sofre o descaso de seu amor.
  • B "Com licença poética" dialoga com o "Poema de sete faces", mas apresenta um universo diferente, pois critica a obra drummondiana, diminuindo o valor desse poeta que já estava ultrapassado em relação ao olhar de Adélia Prado.
  • C O poema "Com licença poética" apresenta intertextualidade em relação ao "Poema de sete faces", pois seu início apresenta as mesmas palavras, demonstrando uma intenção em dialogar com o poema de Drummond.
  • D Escritores de uma mesma época, Drummond e Adélia Prado demonstram a dificuldade dos centros urbanos em uma linguagem rebuscada e próxima do clássico. Ambos poemas reforçam a poética pelo purismo linguístico.

Conhecimentos Gerais

31
Embora saibamos que a língua é um sistema padronizado regido por um conjunto normativo chamado gramática, que ordena a linguagem verbal, é preciso ter em mente que toda e qualquer língua não se apresenta uniforme. Isso ocorre não só em diversos países que a utilizam, mas também o próprio território brasileiro. A título de exemplo, pode ser citado no Brasil, como no interior de São Paulo, regiões do Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, um falar típico, mas que não perde sua configuração. A esse sistema chamamos:
  • A Vício de linguagem localizada.
  • B Dialeto.
  • C Poliglota na própria língua.
  • D Expectativa de aprendizagem localizada.
  • E Modalidade de uso.
32
Pela sua importância científica e ambiental, são tombados como bens patrimoniais da União. São mais de 10 mil sítios tombados espalhados por todo o Brasil, principalmente nos Estados do Piauí, Minas Gerais e Santa Catarina. As primeiras descobertas, que datam de 1879, na Espanha, passaram a chamar esse ramo da arte de: 
  • A Museu de História Natural ao Ar Livre.
  • B Arte Rupestre.
  • C Hieroglifos.
  • D Desenhos Paleolíticos.
  • E Arte de Boquique Latino Americana.
33
O seu surgimento na sociedade como um todo tem provocado intensas discussões e muita polêmica. Essa denominação se dá ao procedimento de se reconhecer como verdadeira uma situação que apenas parece real. Estamos nos reportando a:
  • A Modelos Invertidos.
  • B Bullyng.
  • C Teoria da Aparência.
  • D Ação e Reação.
  • E Dimensão Ilusória.
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Arquiteto com obras conhecidas como O Conjunto da Pampulha, Edifícios de Brasília, O Pavilhão Brasileiro da feira Internacional de Nova York. A consagração de seu talento veio com a exposição montada no Musée des Arts Décoratifs, no Louvre em 1964 (a primeira que a instituição dedicava a um arquiteto). A quem estamos nos referindo?
  • A Di Cavalcanti.
  • B Pinacoteca do Estado de São Paulo e seu acervo.
  • C Oscar Niemeyer.
  • D Cândido Portinari.
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Longe da sonhada paz, 2019 herdará pelo menos oito das maiores guerras e conflitos armados em curso, com seus graus de complexidade elevados pela interferência de potências regionais e mundiais. O quadro para o próximo ano será tão intrincado para a diplomacia e doloroso para as populações civis envolvidas quanto o registrado em 2018 (https://veja.abril.com.br). A guerra na Síria se tornou ainda mais violenta e complicada com o envolvimento, principalmente, de quais países?
  • A Rússia, Estados Unidos, Brasil e França.
  • B Irã, Turquia e Portugal.
  • C Estados Unidos, Itália, Venezuela e França.
  • D Turquia, China, Japão e Rússia.
  • E Rússia, Estados Unidos, Irã e Turquia.
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Na década de 1920, era nítida a preocupação de se discutir a identidade e os rumos da nação brasileira. As ideias do futurismo, do dadaísmo e do surrealismo poderiam ser integradas à nossa cultura desde que fossem reelaboradas (https://cpdoc.fgv.br...). No quadro de Tarsila do Amaral está expressa plasticamente a ideia da integração cultural, que significa "o homem que come" e foi intitulado de:
  • A Loucura.
  • B Ciganos.
  • C Criança Morta.
  • D Guerra e Paz.
  • E Abaporu.
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De acordo com o Conselho Internacional de Museus, o ICOM, museu é uma instituição permanente, aberta ao público, sem fins lucrativos, que adquire, conserva, pesquisa e expõe coleções e objetos de caráter cultural ou científico para fins de estudo, educação e entretenimento. Analise as alternativas abaixo e assinale aquela que não corresponde ao conceito de museu ou suas tipologias:
  • A Em se tratando de museus de história natural, os dioramas são fundamentais para que o museu possa desenvolver exposições didáticas.
  • B Na atualidade, o ecomuseu tem sido considerado como um museu sem acervo, apresentando uma mudança na concepção de objeto estudado, acompanhando a tendência de dessacralização que a nova museologia prega.
  • C O conhecimento da museologia pode ser empregado conforme a tipologia de espaços culturais.
  • D Quando se trata de interatividade, os museus, sendo fixos ou móveis, podem usar recursos como: exposições temáticas, maquetes, hologramas, audiovisuais, videodiscos, maquete animada, entre outros.
  • E Cada museu possui um espólio exclusivo, constituído por peças únicas e uma realidade singular, definida através dessa mesma exclusividade.
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Em 31 de dezembro de 2020, encerra-se a validade de um importante fundo, que se constitui um mecanismo de redistribuição de recursos destinados à Educação Básica. Assinale a alternativa que contém a sigla correspondente a esse fundo:
  • A Fundef.
  • B Fundeb.
  • C Funrural.
  • D FNDE.
  • E Funart.
39
Assinale a alternativa que contém a problemática abordada pela campanha Janeiro Branco:
  • A Cultura da Paz.
  • B Câncer de Mama.
  • C Câncer de Próstata.
  • D Acidentes de Trânsito.
  • E Saúde Mental.
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Para melhorar a segurança e a privacidade dos usuários no dia a dia, desde 21 de janeiro de 2019, o aplicativo de mensagens Whatsapp limitou o encaminhamento, para outros contatos, de mensagens recebidas. Assinale a alternativa que contém o número máximo de contatos para os quais é possível encaminhar uma mensagem recebida no Whatsapp:
  • A 20.
  • B 15.
  • C 10.
  • D 5.
  • E 1.
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Um conhecido ator brasileiro nasceu em Arapongas-PR, em 1948. Assinale a alternativa que contém o nome desse autor:
  • A Tony Ramos.
  • B Paulo José.
  • C Ney Latorraca.
  • D José Mayer.
  • E Alexandre Frota.
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O novo Estatuto do Controle de Armas de Fogo assegura a todos os cidadãos que cumprirem os requisitos mínimos exigidos em lei o direito de possuir e portar armas de fogo para legítima defesa ou proteção do próprio patrimônio. Quais são estes requisitos necessários para se obter o direito ao porte de armas?


Analise as assertivas e assinale a alternativa CORRETA:

I. Ter no mínimo 25 anos para comprar armas no país.

II. Ocupação lícita e residência certa.

III. Comprovar capacidade técnica e psicológica para o manejo e uso de armas de fogo.

IV. Não exceder o limite de 3 armas por pessoa.

V. Não possuir condenação por crime culposo.

  • A As assertivas II e III estão corretas.
  • B As assertivas I e II estão corretas.
  • C As assertivas IV e V estão corretas.
  • D Todas as assertivas estão corretas.
  • E Todas as assertivas estão incorretas.
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Qual o nome do cartunista brasileiro, que foi sucesso nos anos 60 com o lançamento da primeira revista em quadrinhos brasileira, A Turma do Pererê, feita por um só autor?
  • A Jaguar.
  • B Millôr Fernandes.
  • C Henfil.
  • D Ziraldo.
  • E Maurício de Souza.
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O PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) ou, em inglês, United Nations Environment Programme, UNEP, é um programa da ONU voltado à proteção do meio ambiente e à promoção do desenvolvimento sustentável. Esse programa foi criado em:
  • A 1965.
  • B 1972.
  • C 1989.
  • D 2001.
  • E 2016.
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Em relação às manifestações artísticas, sociais e culturais, assinale a alternativa INCORRETA:
  • A Bacurau é um filme brasileiro, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e estrelado por, entre outros artistas, Sônia Braga.
  • B Carolina de Jesus foi uma escritora brasileira conhecida por seu livro Quarto de Desejo: Memórias da Favela publicado em 1940.
  • C A obra Retirantes, de Candido Portinari, retrata pessoas que se retiram de uma região para outra em busca de condições melhores de vida.
  • D O álbum Mulher do fim do mundo, da cantora e compositora brasileira Elza Soares, foi reconhecido pelo jornal americano The New York Times como um dos melhores álbuns de 2016.
  • E Em algumas religiões afro-brasileiras, Xangô é o nome da divindade da justiça.