Resolver o Simulado Professor de Educação Infantil e de Ensino Fundamental – Anos Iniciais

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Pedagogia

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A escolarização promove o avanço para além das características inatas, por meio da apropriação da cultura material e intelectual presente na atividade humana. O homem não nasce ou se faz naturalmente homem, como explica Saviani (2005), para saber pensar e sentir, para saber querer, agir ou avaliar é preciso aprender, o que implica o trabalho educativo. Nesse sentido não é correto afirmar que:
  • A O trabalho educativo é árduo, mas o homem como apresenta características natas, aprende com mais facilidade e sem mediação do outro.
  • B A educação humaniza o homem.
  • C O saber que importa à educação é aquele que resulta do processo de aprendizagem.
  • D O homem não aprende nada naturalmente.
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Relacione as colunas e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.


1. Avaliação Diagnóstica.

2. Avaliação Somativa.

3. Avaliação Formativa.


( ) Os avaliadores tem recursos para produzir tarefas de alunos aleatoriamente, planejamento de trabalhos de grupos, permitindo inferências mais defensáveis.


( ) Basicamente identifica as principais insuficiências nos anos iniciais à realização de outras aprendizagens. Orienta a organização de ensino e aprendizagem em etapas posteriores a aprendizagem corretiva ou terapêutica.


( ) Usada antes do ensino, deve atender aos propósitos de verificar os alunos que não possuem habilidades, pré-requisitos ao assunto, a fim de que o ensino de recuperação coloque-os em situação de trabalhar visando o desejado.

  • A 2 – 3 – 1.
  • B 1 – 2 – 3.
  • C 3 – 2 – 1.
  • D 2 – 1 – 3.
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Paulo Freire nos fala sobre a responsabilidade ética de professores e professoras no exercício da docência e acrescenta que, além da formação científica, são necessários outros pressupostos para a prática educativa, tais como: a correção ética, o respeito aos outros, a coerência, a capacidade de viver e de aprender com o diferente, dentre outros.

Diz que, tão importante quanto o ensino dos conteúdos, é a postura ética do professor que deve ser coerente com o que pensa, faz, diz e escreve.

O autor nos ensina, ainda, que o educador ético deve assumir suas posições com clareza, sem negar ou esconder sua postura diante dos alunos, sabendo e assumindo que ela pode ser até rejeitada.

O educador deve, também, reconhecer que sua prática:

  • A deverá ser apolítica, de modo a não inspirar tendências ideológicas.
  • B nunca pode ser neutra, simplesmente porque a neutralidade não existe.
  • C será sempre de transformador de padrões estabelecidos.
  • D é balizada por instrumentos institucionais de organização pública.
  • E não depende de influências externas porque tem autonomia irrestrita.
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Acerca de interdisciplinaridade e globalização, assinale a opção correta.

  • A Com a globalização, o debate acerca do direito à diferença foi enfraquecido e, consequentemente, o debate a respeito da diversidade cultural foi anulado.
  • B A maior vantagem gerada pela globalização é a concentração da produção e do poder econômico, o que coloca à margem um grande contingente da população mundial.
  • C No plano cultural, a globalização cria grupos de identidades voltados para a produção intelectual e também para a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais.
  • D No plano educacional, o processo de globalização cria uma homogeneização cultural, de modo que a luta do campo educacional inclui a abertura para que a cultura dos grupos excluídos do currículo escolar seja representada.
  • E No plano econômico, a globalização tem acentuado o processo de dependência cultural, mas tem evidenciado a igualdade financeira crescente entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento.
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O Estatuto da Criança e do Adolescente reconhece o grupo familiar formado por pais, filhos e demais parentes próximos como família

  • A extensa ou ampliada.
  • B natural.
  • C adotiva.
  • D nuclear.
  • E substituta.
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De acordo com a Lei Federal n° 9.394/1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, artigo 4° , o dever do Estado com educação escolar pública será efetivado, entre outras ações, mediante garantia de

  • A informação a pai ou mãe, exclusivamente aos conviventes com seus filhos ou, se for o caso, aos responsáveis legais, sobre a frequência, o comportamento, as sanções recebidas e o rendimento dos alunos, bem como sobre as regras determinadas pela instituição de ensino.
  • B educação básica obrigatória e gratuita de 0 (zero) a 18 (dezoito) anos de idade; ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria.
  • C atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino.
  • D notificação ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público da relação dos alunos da educação básica que apresentem quantidade de faltas acima de vinte e cinco por cento do percentual permitido em lei.
  • E organização da educação básica em séries anuais ou ciclos, e calendário escolar adequado às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, podendo, com isso, reduzir o número de horas e dias letivos previstos na lei.
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Assinale a alternativa correta a partir dos conceitos de aprendizagem e desenvolvimento para Piaget.

  • A A aprendizagem é, em geral, provocada, como oposta ao que é espontâneo.
  • B A aprendizagem explica o desenvolvimento, pois o contrário deformaria o estado real das coisas.
  • C A aprendizagem é ligada ao desenvolvimento das funções mentais, relacionando-se com a totalidade de estruturas do conhecimento.
  • D A aprendizagem é o processo essencial e cada elemento do desenvolvimento ocorre como uma função da aprendizagem total.
  • E O desenvolvimento é a soma de unidades de experiências de aprendizagens.
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Segundo Teresa Mauri (in Coll,1999, capítulo 4), atualmente, são três as concepções da aprendizagem e do ensino escolar mais habituais entre os docentes. Para a primeira concepção, aprender consiste em conhecer as respostas corretas para as perguntas formuladas pelos professores, cabendo ao ensino reforçar positivamente tais respostas. Para a segunda concepção, aprender consiste em adquirir conhecimentos relevantes de uma cultura, competindo ao ensino proporcionar aos alunos as informações de que necessitam. Finalmente, para a terceira concepção, a aprendizagem escolar consiste em construir conhecimentos culturais a partir de atividade pessoal; o aluno é um ser ativo que aprende a aprender.


Conforme expõe Mauri no referido texto, nessa terceira vertente, o papel do ensino consiste em

  • A auxiliar os alunos na construção dos aludidos conhecimentos culturais.
  • B promover, nos alunos, o desejo de aprender.
  • C potencializar o processo de aprendizagem dos alunos.
  • D transmitir, de forma sistemática, os conhecimentos relevantes.
  • E adaptar os conteúdos ao desenvolvimento individual dos alunos.
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Em “Avaliação mediadora: uma relação dialógica na construção do conhecimento”, Hoffmann (in Revista Ideias, n° 22, p. 54) argumenta que a concepção comportamentalista sobre a avaliação manifesta-se na prática avaliativa de um grande número de professores. Tais profissionais demonstram não perceber o autoritarismo intrínseco a essa concepção. Quando dominados pela convicção de que a forma de avaliar na perspectiva comportamentalista é a melhor que se conhece, esses professores não podem evoluir no sentido de dois princípios presentes em uma avaliação mediadora (tipo de avaliação defendido por Hoffmann).
Na visão de Hoffmann, segundo o artigo em pauta, os dois princípios presentes em uma avaliação mediadora são o

  • A do acompanhamento reflexivo e o do diálogo.
  • B da intencionalidade e o da reflexão crítica.
  • C do diagnóstico e o do acompanhamento reflexivo.
  • D do desempenho e o do engajamento.
  • E do diagnóstico e o do processual e formativo.
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Jonas, lendo a respeito da visão interdisciplinar e transversal do conhecimento, verificou que a transversalidade é um modo de se organizar o trabalho didático-pedagógico, modo esse que procura reintegrar aspectos da realidade que ficaram isolados uns dos outros pelo tratamento disciplinar. Ele também verificou que a transversalidade, assim como a interdisciplinaridade, rejeita a concepção de conhecimento que toma a realidade como algo estável, pronto e acabado.

A partir das leituras feitas, nomeadamente do art. 13, § 6° , da Resolução CNE/CEB n° 04/2010, Jonas tomou ciência de que, na abordagem curricular, a transversalidade está ligada à dimensão didático-pedagógica enquanto a interdisciplinaridade refere-se

  • A a uma alternativa metodológica na qual o aprendizado ocorre de forma interligada.
  • B à abordagem epistemológica dos objetos de conhecimento.
  • C ao engajamento de educadores em um trabalho coletivo.
  • D à justaposição de conhecimentos de diferentes disciplinas.
  • E à divisão tradicional do ensino em disciplinas.

Português

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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

No trecho “...levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele não sabe se vem dos outros ou dele mesmo.”, o termo em destaque exprime uma ideia de

  • A tempo.
  • B lugar.
  • C modo.
  • D intensidade.
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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

Em “Também os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente...”, o verbo em destaque foi empregado corretamente, obedecendo às regras de concordância verbal. Assinale a alternativa em que a obediência a essas regras não foi observada

  • A Havia muitas pessoas que gostariam de provar novos sabores.
  • B Revisei o artigo que me foi entregue havia duas semanas.
  • C Devem haver muitos amigos que colaboram com o nosso fracasso.
  • D Hipóteses haverão de existir sobre as causas desses insucessos.
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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

É possível observar a obediência às regras de regência verbal no trecho “...levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo”, em que o verbo levar foi empregado como transitivo direto e indireto. Assinale a alternativa em que o verbo destacado não atende às regras de Regência Verbal, de acordo com a Norma Padrão da Língua Portuguesa.

  • A Os amigos não lhe perdoam por não conseguir perder peso.
  • B As reportagens sobre regimes e dietas não o interessavam mais.
  • C O gerente chamou os funcionários para uma reunião de urgência.
  • D jovem respondeu a pergunta que lhe foi feita objetivamente.
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TEXTO I
Os outros que ajudam (ou não)

Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos quarenta anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.
O homem frequentou os Alcoólicos Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo do AA o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano – renunciando a conviver com o filho bebê. Voltou para casa (e para as reuniões do AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra – apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e sentou-se na mesa para festejar e jantar. E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de premier cru de Château Lafite: agora que estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é? O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou era (e sempre foi) não sua companheira de vida, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado. Quem foi fumante e conseguiu parar quase certamente já encontrou um amigo que um dia lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que parou, você vai poder fumar de vez em quando – só um não pode fazer mal.
Também há os que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.
Há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo que ele já não sabe se vem dos outros ou dele mesmo. Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço – e até elogios (quando merecidos).
Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar do sedentarismo, da obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros registram e transmitem, todos os dias, os seus fracassos e os seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não.
Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!"). Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não vai parar de comer, fumar ou beber – apenas vai passar a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os nossos próximos, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?
Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tivessem) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo o nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu. Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser a nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que a nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

CONTARDO, Calligaris. Todos os reis estão nus. Org. Rafael Cariello. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

O uso dos dois-pontos no trecho “No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos integrantes instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e os demais sabem imediatamente se ele progrediu ou não”, explica-se, pois

  • A anuncia uma citação.
  • B trata-se de uma enumeração explicativa.
  • C indica a consequência do que foi enunciado.
  • D exprime uma interrupção da fala do narrador.
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Marque a alternativa em que o adjetivo está no grau comparativo de superioridade.

  • A No banquete, as frutas pareciam tão saborosas quanto as hortaliças.
  • B A lembrança de Aureliano foi mais imposta do que desejada.
  • C Ambas eram amicíssimas do proprietário do casarão.
  • D A viúva ficou excessivamente triste com o episódio.
16

Assinale a alternativa em que o uso do acento grave, indicador de crase, é facultativo.

  • A "E pareciam a sua imaginação em três figuras vivas: uma mulher muito formosa; uma figura negra de olho de brasa e pé de cabra; e o mundo, coisa vaga e maravilhosa (...)." (Eça de Queirós)
  • B "Por mais que eu mesmo conhecesse o dano/ a que dava ocasião minha brandura,/ nunca pude fugir ao ledo engano." (Cláudio M. da Costa)
  • C "Talvez, prezado amigo, que imagine/ que neste momento se conserve/ eterna a sua glória." (Tomá A. Gonzaga)
  • D "Deixei os dois na varanda e fiquei no pátio, a respeitosa distância." (Mia Couto)
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Em relação às regras de concordância verbal, assinale a alternativa CORRETA:

  • A Precisam-se de encanadores.
  • B Plastifica-se documentos.
  • C Necessita-se de porteiros.
  • D Aluga-se apartamentos na praia.
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Considere o seguinte trecho:


A popularização do modelo de educação _____ distância (EAD) tornou-a praticamente um sinônimo de acesso _____ tecnologia, refletindo os tempos atuais de amplo acesso _____ internet. No entanto, esse modelo já é secular. Data de meados de 1904 o primeiro curso profissionalizante por correspondência no Brasil. Após essa fase, tornaram-se comuns os cursos por rádio e televisão. O advento da internet – considerada a principal ferramenta do EAD – e a popularização dos microcomputadores pessoais impulsionaram _____ modalidade.

(Disponível em: http://www.amanha.com.br/posts/view/7188/un inter-democratizando-o-conhecimento)


Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima, na ordem em que aparecem no texto.

  • A à – à – à – à
  • B à – à – à – a
  • C à – a – à – à
  • D a – à – à – a
19

Leia: 


No contexto da tira, funciona como verbo de ligação:
  • A parece
  • B disse
  • C jogar
  • D jogando
20
Marque a alternativa cuja palavra apresenta cinco fonemas:
  • A Filha
  • B Molhada
  • C Guerra
  • D Fixa

Noções de Informática

21

O cartão de memória representa hoje um dos dispositivos de armazenamento mais compacto e barato do mercado. Por conta de seu tamanho reduzido, é muito usado, por exemplo, em celulares, câmeras digitais, etc. Dentre os diversos padrões disponíveis, um deles possui categorias conhecidas como Type-M e Type-H. Assinale a alternativa que indica corretamente o nome do padrão que comporta essas duas categorias.

  • A xD Card
  • B MS Card
  • C SD Card
  • D PC Card
22

Os periféricos de um computador podem ser categorizados como de entrada e de saída. O teclado é um bom exemplo de periférico de entrada, pois por meio dele o usuário pode inserir informações. Já o monitor é um exemplo de periférico de saída, pois é utilizado para apresentar informações ao usuário. A respeito do teclado e do monitor, assinale a alternativa que indica, respectivamente, os nomes de padrões de conectores que podem ser utilizados para conectar estes periféricos a um computador.

  • A USB e AGP
  • B DVI e VGA
  • C PS/2 e HDMI
  • D USB e P5
23

O Windows 10 é a versão mais nova do sistema operacional da Microsoft. Ao acessarmos seu painel de controle, visualizamos uma série de configurações, dentre elas, a opção de “Data e Hora”. A respeito dos controles que podemos configurar dentro desta opção, analise as afirmativas a seguir:
I. É possível ativar a visualização de horas de até dois novos fusos horários através da aba “Relógios Adicionais”. II. A aba “Horário na Internet” apresenta ao usuário a data e hora das principais cidades do mundo. Escolhendo o nome de uma cidade nesta aba, podemos ajustar a data e hora do sistema operacional. III. Dentre as opções presentes na aba “Data e Hora” podemos, por exemplo, escolher o fuso horário desejado para configuração do sistema operacional.
É correto o que se afirma

  • A apenas em I e II.
  • B apenas em II e III.
  • C apenas em I e III.
  • D em I, II e III.
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O Microsoft Office é um pacote de aplicativos de escritório composto por aplicativos como Word, Excel e PowerPoint. A respeito do Microsoft Excel 2013, assinale a alternativa que indica corretamente o valor que será exibido na célula B1 considerando que esta célula apresenta como fórmula a expressão =TETO(MÉDIASES(A1:A6;A1:A6;">4");3) e que as células de A1 até A6 estão preenchidas, respectivamente, com os valores 8, 1, 4, 5, 6 e 7.

  • A 3
  • B 9
  • C 7
  • D 6
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Acerca das noções de hardware, sabemos que hardware compreende toda a parte física do computador. Analise as afirmativas a seguir, considerando-as verdadeiras ou falsas.


I - Impressoras e monitores são periféricos de saída, porém monitores touch screen (telas sensíveis ao toque) são periféricos de entrada e saída.

II - Scanner e teclado são periféricos de saída, porém impressoras multifuncionais (função de impressora e scanner) são periféricos de entrada e saída.

III - Impressoras e monitores são periféricos de saída, porém impressoras multifuncionais (função de impressora e scanner) são periféricos de entrada e saída.

IV - Scanner e mouse são periféricos de saída, porém monitores touch screen (telas sensíveis ao toque) são periféricos de entrada e saída.


São verdadeiras apenas as assertivas:

  • A I e II.
  • B II e III.
  • C III e IV.
  • D I e III.
  • E II e IV.
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Qual o nome do dispositivo ou programa de computador utilizado para capturar e armazenar dados trafegando em uma rede de computadores, que pode ser usado por um invasor para capturar informações sensíveis (como senhas de usuários), em casos onde estejam sendo utilizadas conexões inseguras, ou seja, sem criptografia?

  • A Antivírus
  • B Sniffer
  • C Código malicioso
  • D DDoS
  • E Backdoor
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Leia o trecho a seguir e responda a questão subsequente: “O ________________ refere-se a todo programa de computador que pode ser executado, copiado, modificado e redistribuído sem que haja a necessidade da autorização do seu proprietário para isso. Ele disponibiliza para seus usuários e desenvolvedores o livre acesso ao código-fonte para que possam realizar alterações da maneira que desejarem.” (Fonte adaptada: https://canaltech.com.br/).
A alternativa que preenche a lacuna acima corretamente é:

  • A Firmware.
  • B Software Livre.
  • C Phishing.
  • D Worm.
  • E Malware.
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O recurso Histórico de Arquivos, do Windows 10, permite realizar cópias de segurança (backup) de arquivos.


Considerando-se que esse recurso esteja ativado, uma maneira correta de exibir as versões anteriores de um arquivo, utilizando o Explorador de Arquivos, é clicar com o botão direito do mouse sobre o arquivo e, em seguida, clicar em

  • A Listar histórico.
  • B Descompactar arquivo.
  • C Exibir versões anteriores.
  • D Exibir histórico de arquivo.
  • E Restaurar versões anteriores.
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Quando um usuário acessa uma página na internet e lhe seja apresentado um certificado digital válido, criptografando a seção, é correto afirmar que o protocolo utilizado pelo usuário neste acesso é?

  • A HTTPS
  • B HTTP
  • C SSID
  • D WPA
  • E SMTP
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Podemos definir o sistema operacional como um software primário que opera entre o hardware do dispositivo e milhares de outros softwares, os aplicativos. Sua função é administrar e gerenciar os recursos de um sistema, desde componentes de hardware e sistemas de arquivos a programas de terceiros, estabelecendo a interface entre o computador e o usuário. É possível afirmar que entre as alternativas abaixo, não é um sistema operacional:

  • A Syllable.
  • B ChromeOS.
  • C Opera.
  • D eComStation.
  • E Linux.
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