Resolver o Simulado Prefeitura Municipal de Petrolina - IBAM - Nível Superior

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Pedagogia

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Paulo Freire nos fala sobre a responsabilidade ética de professores e professoras no exercício da docência e acrescenta que, além da formação científica, são necessários outros pressupostos para a prática educativa, tais como: a correção ética, o respeito aos outros, a coerência, a capacidade de viver e de aprender com o diferente, dentre outros.

Diz que, tão importante quanto o ensino dos conteúdos, é a postura ética do professor que deve ser coerente com o que pensa, faz, diz e escreve.

O autor nos ensina, ainda, que o educador ético deve assumir suas posições com clareza, sem negar ou esconder sua postura diante dos alunos, sabendo e assumindo que ela pode ser até rejeitada.

O educador deve, também, reconhecer que sua prática:

  • A deverá ser apolítica, de modo a não inspirar tendências ideológicas.
  • B nunca pode ser neutra, simplesmente porque a neutralidade não existe.
  • C será sempre de transformador de padrões estabelecidos.
  • D é balizada por instrumentos institucionais de organização pública.
  • E não depende de influências externas porque tem autonomia irrestrita.
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Acerca de interdisciplinaridade e globalização, assinale a opção correta.

  • A Com a globalização, o debate acerca do direito à diferença foi enfraquecido e, consequentemente, o debate a respeito da diversidade cultural foi anulado.
  • B A maior vantagem gerada pela globalização é a concentração da produção e do poder econômico, o que coloca à margem um grande contingente da população mundial.
  • C No plano cultural, a globalização cria grupos de identidades voltados para a produção intelectual e também para a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais.
  • D No plano educacional, o processo de globalização cria uma homogeneização cultural, de modo que a luta do campo educacional inclui a abertura para que a cultura dos grupos excluídos do currículo escolar seja representada.
  • E No plano econômico, a globalização tem acentuado o processo de dependência cultural, mas tem evidenciado a igualdade financeira crescente entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento.
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O Estatuto da Criança e do Adolescente reconhece o grupo familiar formado por pais, filhos e demais parentes próximos como família

  • A extensa ou ampliada.
  • B natural.
  • C adotiva.
  • D nuclear.
  • E substituta.
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De acordo com a Lei Federal n° 9.394/1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, artigo 4° , o dever do Estado com educação escolar pública será efetivado, entre outras ações, mediante garantia de

  • A informação a pai ou mãe, exclusivamente aos conviventes com seus filhos ou, se for o caso, aos responsáveis legais, sobre a frequência, o comportamento, as sanções recebidas e o rendimento dos alunos, bem como sobre as regras determinadas pela instituição de ensino.
  • B educação básica obrigatória e gratuita de 0 (zero) a 18 (dezoito) anos de idade; ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria.
  • C atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino.
  • D notificação ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público da relação dos alunos da educação básica que apresentem quantidade de faltas acima de vinte e cinco por cento do percentual permitido em lei.
  • E organização da educação básica em séries anuais ou ciclos, e calendário escolar adequado às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, podendo, com isso, reduzir o número de horas e dias letivos previstos na lei.
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No mundo atual, globalizado, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm se incorporado a diversas áreas do desenvolvimento humano, entre elas a da educação. Nesse contexto, segundo Moran (2004), o professor, do ponto de vista metodológico, necessita aprender a contrabalançar processos de organização e de “provocação” na sala de aula. Para o referido autor, uma das dimensões fundamentais do educar consiste em auxiliar os alunos a descobrirem uma lógica dentro do caos de informações que possuímos, organizar numa síntese coerente (ainda que momentânea) das informações dentro de um campo de conhecimento. Moran afirma que compreender consiste em organizar, sistematizar, comparar, avaliar e contextualizar. Uma segunda dimensão pedagógica busca questionar essa compreensão, criando uma tensão para ultrapassá-la, transformá-la, caminhando em direção a novas sínteses, novas formas de compreensão.


Para isso, Moran afirma, nesse texto, que o professor precisa

  • A elaborar uma rotina que favoreça os conteúdos que são mais desafiadores para os alunos, de modo que possam estudar e evoluir mesmo quando sozinhos.
  • B questionar, tensionar, provocar o nível da compreensão existente.
  • C propor aos alunos a realização de projetos e atividades mais interativas, tornando o aprendizado mais significativo.
  • D usar meios criativos que facilitem aos alunos guardar as informações com mais facilidade.
  • E transmitir com clareza os conteúdos previstos para a turma.
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Na obra coletiva A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva, as autoras Edilene Ropoli et. al. afirmam que a inclusão cinde com as concepções que sustentam as escolas, questionando os fundamentos dos sistemas educacionais.
Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre os ambientes escolares, segundo a referida obra.

  • A Em ambientes escolares excludentes, a identidade é uma construção histórico-cultural, instável, inacabada e heterogênea.
  • B Em ambientes escolares inclusivos, o Projeto Político-Pedagógico tem como compromisso a dimensão cognitiva do educando para as avaliações externas.
  • C Em ambientes escolares inclusivos, potencializa-se a segregação de alunos com necessidades especiais educacionais pela atuação das Salas de Recursos Multifuncionais.
  • D Em ambientes escolares excludentes, elege-se uma identidade específica através da qual as outras identidades são avaliadas e hierarquizadas.
  • E Em ambientes escolares inclusivos, o currículo e os conteúdos a serem ensinados à classe como um todo ficam limitados por conta dos poucos alunos com deficiência.
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Em “Avaliação mediadora: uma relação dialógica na construção do conhecimento”, Hoffmann (in Revista Ideias, n° 22, p. 54) argumenta que a concepção comportamentalista sobre a avaliação manifesta-se na prática avaliativa de um grande número de professores. Tais profissionais demonstram não perceber o autoritarismo intrínseco a essa concepção. Quando dominados pela convicção de que a forma de avaliar na perspectiva comportamentalista é a melhor que se conhece, esses professores não podem evoluir no sentido de dois princípios presentes em uma avaliação mediadora (tipo de avaliação defendido por Hoffmann).
Na visão de Hoffmann, segundo o artigo em pauta, os dois princípios presentes em uma avaliação mediadora são o

  • A da intencionalidade e o da reflexão crítica.
  • B do acompanhamento reflexivo e o do diálogo.
  • C do desempenho e o do engajamento.
  • D do diagnóstico e o do acompanhamento reflexivo.
  • E do diagnóstico e o do processual e formativo.
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De acordo com o livro Projeto-político pedagógico da escola: uma construção possível, organizado por Ilma Veiga, é correto afirmar que o projeto político-pedagógico

  • A baseia-se na racionalização da burocracia e na fragmentação pela especialização da divisão do trabalho, marcando a importância da hierarquia na tomada de decisões.
  • B é um processo acabado, fixo e imutável, pois precisa ser executado tão logo seja consolidado pelo sistema educacional.
  • C relaciona-se com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis, ou seja, como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula.
  • D é um documento construído para ser encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento das tarefas.
  • E procura a centralização do trabalho pedagógico, fornecendo políticas de qualidade do ensino que unifica as ações escolares em âmbito federal.
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No mundo atual, globalizado, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm se incorporado a diversas áreas do desenvolvimento humano, entre elas a da educação. Nesse contexto, segundo Moran (2004), o professor, do ponto de vista metodológico, necessita aprender a contrabalançar processos de organização e de “provocação” na sala de aula. Para o referido autor, uma das dimensões fundamentais do educar consiste em auxiliar os alunos a descobrirem uma lógica dentro do caos de informações que possuímos, organizar numa síntese coerente (ainda que momentânea) das informações dentro de um campo de conhecimento. Moran afirma que compreender consiste em organizar, sistematizar, comparar, avaliar e contextualizar. Uma segunda dimensão pedagógica busca questionar essa compreensão, criando uma tensão para ultrapassá-la, transformá-la, caminhando em direção a novas sínteses, novas formas de compreensão.


Para isso, Moran afirma, nesse texto, que o professor precisa

  • A usar meios criativos que facilitem aos alunos guardar as informações com mais facilidade.
  • B questionar, tensionar, provocar o nível da compreensão existente.
  • C elaborar uma rotina que favoreça os conteúdos que são mais desafiadores para os alunos, de modo que possam estudar e evoluir mesmo quando sozinhos.
  • D propor aos alunos a realização de projetos e atividades mais interativas, tornando o aprendizado mais significativo.
  • E transmitir com clareza os conteúdos previstos para a turma.
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Na obra coletiva A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva, as autoras Edilene Ropoli et. al. afirmam que a inclusão cinde com as concepções que sustentam as escolas, questionando os fundamentos dos sistemas educacionais.
Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre os ambientes escolares, segundo a referida obra.

  • A Em ambientes escolares inclusivos, o currículo e os conteúdos a serem ensinados à classe como um todo ficam limitados por conta dos poucos alunos com deficiência.
  • B Em ambientes escolares excludentes, a identidade é uma construção histórico-cultural, instável, inacabada e heterogênea.
  • C Em ambientes escolares inclusivos, potencializa-se a segregação de alunos com necessidades especiais educacionais pela atuação das Salas de Recursos Multifuncionais.
  • D Em ambientes escolares inclusivos, o Projeto Político-Pedagógico tem como compromisso a dimensão cognitiva do educando para as avaliações externas.
  • E Em ambientes escolares excludentes, elege-se uma identidade específica através da qual as outras identidades são avaliadas e hierarquizadas.

Tecnologia Educacional

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No que se refere ao uso de novas tecnologias educativas, é correto afirmar que

  • A a aplicação de novas tecnologias no ensino tenha a vantagem de não exigir a formação dos professores, uma vez que a maioria dos brasileiros tem acesso à Internet e já está familiarizada com os computadores.
  • B o uso da tecnologia não signifique simplesmente transpor o conteúdo do quadro‐negro para o computador. A metodologia do ensino deve ser pensada junto ao uso do recurso tecnológico.
  • C utilizar computadores no ensino regular seja bastante recomendado, mas o uso de aparelhos como tablets e smartphones seja desaconselhável por distrair os alunos.
  • D as tecnologias, apesar de importantes, devam ser utilizadas com cautela. Por exemplo, o uso de jogos pode ser um fator de aumento da dispersão durante as aulas, além de estimular que o aluno se afaste das atividades tradicionais.
  • E haja um limite para o uso da tecnologia. Disciplinas como português, matemática e ciências são mais facilmente adaptáveis ao uso das tecnologias, mas estas são dificilmente aplicáveis a disciplinas como educação física e artes.
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1967: “Qual seu número de seguro social?”/ “Um segundo... deixe‐me pegar meu cartão”.

2007: “Qual seu número de telefone?”/ “Hum... deixa eu dar uma olhada”.

2047: “Qual é o seu nome?”/ “Ah... que droga!”.


Considerando a charge, sua tradução e as relações entre memória e uso da tecnologia, assinale a alternativa correta.

  • A A charge faz uma alusão ao fato de que o uso da tecnologia está causando problemas na memória de longo prazo.
  • B O uso da tecnologia tem desvirtuado o comportamento das pessoas de coisas importantes e simples, como agendas e anotações.
  • C A charge prevê o que, em pouco tempo, ocorrerá com a memória das pessoas se elas pararem de exercitá‐la.
  • D A mensagem da charge é que se deveria retornar ao uso de lápis e papel como forma de manter a memória em dia.
  • E A charge mostra que sempre se recorre às tecnologias como recursos de memória e estes têm se tornado cada vez mais virtuais.
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Um dos papéis do técnico-administrativo em educação é o de gerir conflitos que se apresentam no ambiente escolar. A respeito desse tema, assinale a alternativa correta.

  • A O diálogo é o único instrumento na gestão de conflitos, por ser o caminho da mediação. Dialogar é o suficiente para que todos percebam que, entre pessoas, há semelhanças e diferenças.
  • B A solução de conflitos no ambiente escolar passa pela compreensão de que as pessoas envolvidas neste universo vêm de realidades distintas e de processos educacionais desnivelados.
  • C Cabe ao coordenador de gestão de conflitos julgar as ações de cada indivíduo, aceitando-as e respeitando-as independentemente das possibilidades da instituição de ensino.
  • D Considerando que o conflito é um embate entre pessoas originado de subjetividades, a ouvidoria é uma terapêutica perigosa, uma vez que pode levar a outros embates, como é o caso das fofocas.
  • E Na escola, lida-se com muitas pessoas, por isso não se deve levar em conta os aspectos emocionais, culturais e psicológicos que compõem a personalidade de cada um.
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A respeito da interação entre as disciplinas, assinale a alternativa correta.

  • A Na multidisciplinaridade, há cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento, mas, nesse caso, trata-se de uma ação coordenada.
  • B A interdisciplinaridade caracteriza-se por uma ação simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática comum. Essa atuação, no entanto, ainda é muito fragmentada, uma vez que não se explora a relação entre os conhecimentos disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre as disciplinas.
  • C Multidisciplinaridade pressupõe uma organização, uma articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares orientadas por um interesse comum. Nesse ponto de vista, a interdisciplinaridade só vale a pena se for uma maneira eficaz de se atingirem metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos membros da unidade escolar.
  • D A transdisciplinaridade representa um nível de integração disciplinar aquém da interdisciplinaridade. Trata-se de uma proposta relativamente recente no campo epistemológico.
  • E A interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Ela parte da necessidade sentida por escolas, professores e alunos de explicar, compreender, intervir, mudar, prever algo que desafia uma disciplina isolada e atrai a atenção de mais de um olhar.
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A respeito da Declaração de Salamanca, assinale a alternativa correta.

  • A Declara que as pessoas com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas especiais, que deverão integrá-las em uma pedagogia centralizada na criança, capaz de atender a essas necessidades.
  • B Solicita que os governos adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de política, matriculando todas as crianças em escolas especiais.
  • C Exige que os governos garantam programas de treinamento de professores, tanto em serviço como durante a formação, para atuarem na educação especial.
  • D Cobra das autoridades mecanismos participatórios centralizados para planejamento, revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e adultos com necessidades educacionais especiais.
  • E Chama a atenção dos governantes para o atendimento das pessoas com deficiência na rede regular de ensino.
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Alguns autores afirmam que as pessoas podem expandir sua inteligência emocional aprendendo a controlar suas emoções e a motivarem-se; podem também maximizar a eficácia da inteligência emocional desenvolvendo a capacidade de comunicação, a destreza interpessoal e a habilidade como mentores emocionais. A respeito desse assunto, assinale a alternativa correta.

  • A Não é necessário que um indivíduo compreenda o que o faz agir como age para que ele busque melhores resultados.
  • B A consciência de si leva à consciência dos outros, mas desfavorece um melhor relacionamento.
  • C O conhecimento subjetivo a respeito da natureza da própria personalidade desfavorece escolhas melhores.
  • D A autoconsciência é o cerne das aptidões que expandem a inteligência emocional.
  • E A autoconsciência aguçada impede o monitoramento e a observação de si mesmo.
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A respeito do projeto político-pedagógico da escola, assinale a alternativa correta.

  • A A construção do projeto pedagógico independe do planejamento no contexto de um processo participativo, em que o passo inicial é a elaboração do marco referencial.
  • B Dissociar a tarefa pedagógica do aspecto político é difícil, uma vez que o educador é político enquanto educador, e o político é educador pelo próprio fato de ser político.
  • C A construção do projeto pedagógico da escola é um momento privilegiado que definirá os rumos da escola por um longo período, independentemente de seu processo de aplicação.
  • D Apesar de nascer da própria realidade, tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais tais problemas aparecem, o projeto pedagógico não se volta para essa realidade.
  • E O projeto pedagógico preocupa-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que camufle os conflitos e as contradições existentes na escola.
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Os conceitos de gênero, raça e etnia, ao serem trabalhados na sala de aula em uma perspectiva da valorização da(s) identidade(s) dos múltiplos sujeitos que convivem no mesmo espaço da escola, devem ter um posicionamento político, a fim de desconstruir os estereótipos e os estigmas que foram atribuídos historicamente a alguns grupos sociais.


J. K. Nogueira et al. Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre adversidade cultural na educação escolar. In: Educação escolar, formação de professores, diversidade cultural. A questão racial no Brasil e as relações de gênero. Internet: (com adaptações).


Acerca desse tema, assinale a alternativa correta.
  • A Mobilizar uma ação a favor dos padrões e dos processos de exclusão instituídos é um grande passo para a implantação de uma diversidade cultural, pois as diferenças são socialmente construídas e estão envolvidas com as relações de poder.
  • B A diferença biológica é apenas o ponto de partida para a construção social do que é ser homem ou ser mulher. O sexo é atribuído ao biológico enquanto o gênero é uma construção social e histórica. A noção de gênero aponta para a dimensão das relações sociais do feminino e do masculino.
  • C Os termos “etnia” e “raça” são idênticos pelo fato de demarcarem que um indivíduo pode ter a mesma cor de pele que o outro, o mesmo tipo de cabelo e, ao mesmo tempo, traços culturais e sociais que os distinguem, caracterizando, assim, etnias e raças diferentes.
  • D O termo “etnia” tem uma conotação política e é utilizado, com frequência, nas relações sociais brasileiras, para informar como determinadas características físicas, como cor da pele, tipo de cabelo, entre outras, influenciam, interferem e até mesmo determinam o destino e o lugar social dos sujeitos.
  • E O conceito de gênero surgiu entre as estudiosas feministas para concordar com a ideia da essência, explicação pautada no determinismo biológico, uma visão naturalista, universal e imutável do comportamento. Tal determinismo serviu para justificar as desigualdades entre ambos os gêneros, a partir de suas diferenças físicas.
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Acerca da organização e do planejamento do trabalho pedagógico, assinale a alternativa correta.

  • A Planejamento educacional é o processo contínuo que se preocupa com o para onde ir e quais as maneiras adequadas para chegar lá, tendo em vista a situação presente e as possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto às necessidades da sociedade quanto às do indivíduo.
  • B O plano de ensino é um processo de reflexão, de tomada de decisão sobre a ação; processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis, visando à concretização de objetivos, em prazos determinados e etapas definidas a partir dos resultados das avaliações.
  • C O plano de aula é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, mas de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e participativa.
  • D Projeto pedagógico é o plano de disciplinas, de unidades e experiências propostas pela escola, pelos professores, pelos alunos ou pela comunidade. Situa-se em um nível bem mais específico e concreto em relação aos outros planos, pois define e operacionaliza toda a ação escolar existente no plano curricular.
  • E Plano Nacional da Educação é o registro dos resultados do planejamento da educação escolar. É o documento mais global; expressa orientações gerais que sintetizam as ligações do projeto pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos.
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A respeito do tema educação, trabalho e desenvolvimento sustentável, assinale a alternativa correta.

  • A Os termos mundo do trabalho e mercado de trabalho são sinônimos.
  • B As políticas públicas da educação tecnológica dos últimos anos têm como pano de fundo o mercado de trabalho.
  • C A formação profissional tecnológica, expressa na legislação atual, tem utilizado o termo mundo do trabalho.
  • D A educação deve tomar para si a tarefa de construção e de consolidação de valores éticos e políticos do mercado de trabalho.
  • E O desenvolvimento sustentável tem de ser objeto exclusivo da educação tecnológica.

Português

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Considere o seguinte trecho de um texto publicado na revista Mente Curiosa (Ano 3, nº 49, fev. 2019): As selfiessão comuns nas redes sociais. O termo americano não tem tradução para o português, elas basicamente funcionam como __________. O que as pessoas não sabem é que essas publicações revelam muito sobre a __________ de quem posta e têm um impacto direto na de quem vê.


Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima, na ordem em que aparecem no texto.

  • A auto retrato – auto estima.
  • B autorretrato – autoestima.
  • C auto-retrato – autoestima.
  • D auto-retrato – auto-estima.
  • E autorretrato – auto-estima
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Texto 1


Antes que elas cresçam


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, pôsteres e agendas coloridas de Pilot. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.

Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.



Affonso Romano de Sant´ Anna (Fonte: http://www.releituras.com/arsant_antes.asp, acesso em janeiro de 2020.)




Texto 2


POEMA ENJOADINHO


Filhos... Filhos?

Melhor não tê-los!

Mas se não os temos

Como sabê-lo?

Se não os temos

Que de consulta

Quanto silêncio

Como o queremos!

Banho de mar

Diz que é um porrete...

Cônjuge voa

Transpõe o espaço

Engole água

Fica salgada

Se iodifica

Depois, que boa

Que morenaço

Que a esposa fica!

Resultado: filho,

E então começa

A aporrinhação:

Cocô está branco

Cocô está preto

Bebe amoníaco

Comeu botão. F

ilhos? Filhos.

Melhor não tê-los

Noite de insônia

Cãs prematuros

Prantos convulsos

Meu Deus, salvai-o!

Filhos são o demo

Melhor não tê-los...

Mas se não os temos

Como sabê-los?

Como saber

Que macieza

Nos seus cabelos

Que cheiro morno

Na sua carne

Que gosto doce

Na sua boca!

Chupam gilete

Bebem xampu

Ateiam fogo

No quarteirão

Porém, que coisa

Que coisa louca

Que coisa linda

Que os filhos são!


(Fonte: Vinícius de Moraes. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1987. p. 261-2.)

Como recurso de embelezamento textual, a “licença poética” autoriza que os desvios em relação à normapadrão façam parte dos textos, por exemplo, em “Como sabê-los?”, assinale a alternativa com colocação pronominal correta:

  • A “Melhor não tê-los!”
  • B “Se não os temos”
  • C “Meu Deus, o salvai!”
  • D “Como queremo-nos”
  • E “Iodificar-se-ia”
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A questão diz respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-la.



(Adaptado de Folha de S.Paulo, em 29/01/2020)

“... em vez de simplesmente entregarem ao turista o lugar para onde ele vai.” (linhas 32 a 34). É correto afirmar que o verbo “vai” utilizado na frase acima está regido de forma:

  • A Correta, pois apresenta o sentido de “deslocar-se para algum lugar”, sendo, contudo, preferível a utilização da preposição “a”.
  • B Incorreta, pois apresenta o sentido de “desejar algo”, devendo ser regido pela preposição “a”.
  • C Incorreta, pois apresenta o sentido de “chegar a outro nível”, devendo ser regido pela preposição “de”.
  • D Correta, pois apresenta o sentido de “emancipar-se”.
  • E Correta, pois apresenta o sentido de “ir além dos limites de algo”.
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A questão diz respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-la.



(Adaptado de Folha de S.Paulo, em 29/01/2020)

De acordo com as regras de concordância, é correto afirmar que a locução verbal “seja comprado” (linha 6) do texto está flexionada de forma:

  • A Incorreta, pois o verbo “ser”, quando empregado no sentido de “existir”, é impessoal.
  • B Incorreta, pois a concordância nas locuções verbais deve ser efetuada no verbo principal.
  • C Correta, pois concorda com seu sujeito simples “o livro” (linha 5).
  • D Incorreta, pois deveria concordar em número, pessoa e gênero com o núcleo do sujeito simples “espécie” (linha 7).
  • E Incorreta, pois deveria concordar em número, pessoa e gênero com os núcleos do sujeito composto “curso” (linha 7), “palestra” (linha 7) e “exposição” (linha 8).
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Leia o texto a seguir e resposta à questão.


“Nascido sob o signo do Barroco, o Brasil tem sua fisionomia e alma compostos até hoje de seu sopro místico. Aqui, o Barroco não foi um estilo artístico passageiro, mas a substância básica de toda uma nova síntese cultural. Se há um traço que perpassa as diferentes manifestações da cultura brasileira, é justamente esse barroquismo latente, com as vibrações e ressonâncias que lhe são típicas: extremos da fé, cupidez do poder, anseios messiânicos, ilusão de grandeza, impulso da contradição, exaltação dos sentidos, êxtase da festa, convivência das disparidades, atração das vertigens, mágica das palavras, sonho da glória, pendor para o exuberante e o monumental, gosto da tragédia, horror da miséria e compulsão à esperança. Não cabe, portanto, falar numa era do Barroco, sendo mais apropriado tentar entender essa dimensão barroca profunda que assinala toda a história do Brasil”.


(SEVCENKO, Nicolau. Pindorama revisitada: cultura e sociedade em tempos de virada. Editora Peirópolis: São Paulo, 2000)

“Não cabe, portanto, falar numa era do Barroco, sendo mais apropriado tentar entender essa dimensão barroca profunda que assinala toda a história do Brasil”.

Com relação ao excerto destacado acima e às palavras sublinhadas, assinale a alternativa correta:

  • A quanto à análise morfológica, “cabe falar” é uma locução verbal, na qual o primeiro verbo está na terceira pessoa do singular e o segundo está no infinitivo impessoal. Quanto à análise sintática, “cabe falar” é verbo transitivo indireto.
  • B quanto à análise morfológica, “Barroco” é substantivo próprio masculino. Quanto à análise sintática, é complemento adnominal.
  • C quanto à análise morfológica, “apropriado” é adjetivo simples derivado do radical “próprio”. Quanto à análise sintática, é objeto direto.
  • D quanto à análise morfológica, “tentar entender” é sujeito simples. Quanto à análise sintática, é locução verbal composta por dois verbos no infinitivo impessoal.
  • E quanto à análise morfológica, “dimensão” é substantivo comum masculino. Quanto à análise sintática, é objeto direto.
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Para Maria da Graça
Paulo Mendes Campos
Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada ou viceversa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia, pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?"
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste. [...]

Adaptado de: https://contobrasileiro.com.br/tag/cronica-de-paulomendes-campos/ Acesso em: 04/02/2020.
Sobre os conectivos em destaque no excerto que segue, assinale a alternativa correta.
“Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.”
  • A Ambos têm função explicativa.
  • B A primeira ocorrência estabelece uma relação de causa; a segunda, de consequência.
  • C A primeira ocorrência estabelece uma relação de conclusão; a segunda, de explicação.
  • D A primeira ocorrência estabelece uma relação de explicação; a segunda, de conclusão.
  • E Ambos tem função conclusiva.
27

A gratidão tem o poder de salvar vidas (ou por que você deveria escrever aquela nota de agradecimento)


Richard Gunderman. Tradução: Camilo Rocha



A gratidão pode ser mais benéfica do que costumamos supor. Um estudo recente pediu que pessoas escrevessem uma nota de agradecimento para alguém e depois estimassem o quão surpreso e feliz o recebedor ficaria. Invariavelmente, o impacto foi subestimado. Outro estudo avaliou os benefícios para a saúde de se escrever bilhetes de obrigado. Os pesquisadores descobriram que escrever apenas três notas de obrigado ao longo de três semanas melhorava a satisfação com a vida, aumentava sentimentos de felicidade e reduziria sintomas de depressão.

Existem múltiplas explicações para os benefícios da gratidão. Uma é o fato de que expressar gratidão encoraja os outros a continuarem sendo generosos, promovendo, assim, um ciclo virtuoso de bondade em relacionamentos. Da mesma maneira, pessoas agradecidas talvez fiquem mais propensas a retribuir com seus próprios atos de bondade. Falando de modo mais amplo, uma comunidade em que as pessoas se sentem agradecidas umas com as outras tem mais chance de ser um lugar agradável para se viver do que uma caracterizada por suspeição e ressentimento mútuos.

Os efeitos benéficos da gratidão podem ir ainda mais longe. Por exemplo, quando muitas pessoas se sentem bem sobre o que outra pessoa fez por elas, elas sentem um senso de elevação, com um consequente reforço da sua consideração pela humanidade. Alguns se inspiram a tentar se tornar também pessoas melhores, fazendo mais para ajudar a trazer o melhor nos outros e trazendo mais bondade para o mundo à sua volta.

É claro, atos de bondade também podem fomentar desconforto. Por exemplo, se pessoas sentem que não são merecedoras de bondade ou suspeitam que há algum motivo por trás da bondade, os benefícios da gratidão não se realizarão. Do mesmo modo, receber bondade pode fazer surgir um senso de dívida, deixando nos beneficiários uma sensação de que precisam pagar de volta a bondade recebida. A gratidão pode florescer apenas se as pessoas têm confiança o suficiente em si mesmas e nos outros para permitir que isso aconteça.

Outro obstáculo para a gratidão é frequentemente chamado de senso de merecimento. Em vez de sentir um benefício como uma virada boa, as pessoas às vezes o veem como um mero pagamento do que lhes é devido, pelo qual ninguém merece nenhum crédito moral. Ainda que seja importante ver que a justiça está sendo feita, deixar de lado oportunidades por sentimentos genuínos e expressões de generosidade também podem produzir uma comunidade mais impessoal e fragmentada.

Quando Defoe retratou a personagem Robinson Crusoe fazendo da ação de graças uma parte diária de sua vida na ilha, ele estava antecipando descobertas nas ciências sociais e medicina que não apareceriam por centenas de anos. Ele também estava refletindo a sabedoria de tradições religiosas e filosóficas que têm início há milhares de anos. A gratidão é um dos estados mentais mais saudáveis e edificantes, e aqueles que a adotam como hábito estão enriquecendo não apenas suas próprias vidas mas também as vidas daqueles à sua volta.


Adaptado de: https://www.nexojornal.com.br/externo/2018/08/11/Agratid%C3%A3o-tem-o-poder-de-salvar-vidas-ou-por-quevoc%C3%AA-deveria-escrever-aquela-nota-de-agradecimento Acesso em: 04 fev. 2020.

A expressão em destaque em “Outro obstáculo para a gratidão […]” (5º parágrafo) retoma
  • A “Os efeitos benéficos da gratidão” – (3º parágrafo).
  • B “atos de bondade” – (4º parágrafo).
  • C “senso de dívida” – (4º parágrafo).
  • D “beneficiários” – (4º parágrafo).
  • E “comunidade mais impessoal e fragmentada.” – (5º parágrafo).
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Leia o texto para responder à questão 

TABACARIA
Fernando Pessoa
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim. Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo não estão nesta hora génios-para-si-mesmo sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
[...]

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
[...]

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
(Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Atica, 1944-252)


Considerando os aspectos de coesão e coerência, marque a alternativa em que as substituições, respectivamente, estejam em conformidade com os elementos destacados nos versos: “Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.” / “Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,” / “Ainda que não more nela...”

  • A as quais / Porém / quiçá / Mesmo que.
  • B em que / Entretanto / sem dúvida / assim que.
  • C nas quais / Mais / provavelmente / Posto que.
  • D quais / Todavia / possivelmente / Á medida que.
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Para Maria da Graça
Paulo Mendes Campos
Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada ou viceversa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia, pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?"
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste. [...]

Adaptado de: https://contobrasileiro.com.br/tag/cronica-de-paulomendes-campos/ Acesso em: 04/02/2020.
Assinale a alternativa que analisa corretamente a função sintática de “Dinah” no trecho “Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?”.
  • A Sujeito que pratica a ação de falar.
  • B Vocativo para quem o discurso é dirigido.
  • C Sujeito que pratica a ação de comer.
  • D Palavra que complementa o sentido do verbo “falar”, completando seu sentido.
  • E Palavra que complementa o sentido do nome “verdade”.
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Da oração “É interessante esse raciocínio” (l. 23-24), o conteúdo sublinhado é seu:

  • A Sujeito.
  • B Adjunto adnominal.
  • C Objeto direto.
  • D Complemento nominal.
  • E Predicativo do objeto.
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