Resolver o Simulado Professor - SHDIAS - Nível Superior

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Português

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O liberalismo é uma importante teoria política e econômica que exprime os anseios da burguesia. Surge em oposição ao absolutismo dos reis e à teoria econômica do mercantilismo, defendendo os direitos da iniciativa privada e restringindo o mais possível as atribuições do Estado. Locke foi o primeiro teórico liberal.

Presenciou na Inglaterra as lutas pela deposição dos Stuarts, tendo se refugiado na Holanda por razões políticas. De lá regressa quando, vitoriosa a Revolução de 1688, Guilherme de Orange é chamado para consolidar a nova monarquia parlamentar inglesa. (Maria Lúcia de Arruda Aranha in História da Educação).

As expressões “defendendo” e “restringindo”, utilizadas no texto, referem-se a(o):

  • A gerúndio.
  • B imperativo.
  • C pretérito perfeito.
  • D subjuntivo.
  • E futuro do pretérito.
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Aldrovando Cantagalo veio ao mundo em virtude dum erro de gramática. Durante sessenta anos de vida terrena pererecou como um peru em cima da gramática. E morreu, afinal, vítima dum novo erro de gramática. Mártir da gramática, fique este documento da sua vida como pedra angular para uma futura e bem merecida canonização.

Havia em Itaoca um pobre moço que definhava de tédio no fundo de um cartório.

Escrevente. Vinte e três anos. Magro. Ar um tanto palerma. Ledor de versos lacrimogêneos e pai duns acrósticos dados à luz no “Itaoquense”, com bastante sucesso.

Vivia em paz com as suas certidões quando o frechou venenosa seta de Cupido. Objeto amado: a filha mais moça do coronel Triburtino, o qual tinha duas, essa Laurinha, do escrevente, então nos dezessete, e a do Carmo, encalhe da família, vesga, madurota, histérica, manca da perna esquerda e um tanto aluada.

Triburtino não era homem de brincadeira. Esguelara um vereador oposicionista em plena sessão da câmara e desd’aí se transformou no tutu da terra. Toda gente lhe tinha um vago medo; mas o amor, que é mais forte que a morte, não receia sobrecenhos enfarruscados nem tufos de cabelos no nariz.

Ousou o escrevente namorar-lhe a filha, apesar da distância hierárquica que os separava. Namoro à moda velha, já se vê, pois que nesse tempo não existia a gostosura dos cinemas. Encontros na igreja, à missa, troca de olhares, diálogos de flores – o que havia de inocente e puro. Depois, roupa nova, ponta de lenço de seda a entremostrar-se no bolsinho de cima e medição de passos na rua d’Ela, nos dias de folga. Depois, a serenata fatal à esquina, com o

Acorda, donzela...

Sapecado a medo num velho pinho de empréstimo. Depois, bilhetinho perfumado.

Aqui se estrepou...

Escrevera nesse bilhetinho, entretanto, apenas quatro palavras, afora pontos exclamativos e reticências:

Anjo adorado!

Amo-lhe!

Para abrir o jogo bastava esse movimento de peão. Ora, aconteceu que o pai do anjo apanhou o bilhetinho celestial e, depois de três dias de sobrecenho carregado, mandou chamá-lo à sua presença, com disfarce de pretexto – para umas certidõesinhas, explicou.

Apesar disso, o moço veio um tanto ressabiado, com a pulga atrás da orelha. Não lhe erravam os pressentimentos. Mas o pilhou portas aquém, o coronel trancou o escritório, fechou a carranca e disse:

- A família Triburtino de Mendonça é a mais honrada desta terra, e eu, seu chefe natural, não permitirei nunca – nunca, ouviu? – que contra ela se cometa o menor deslize.

Parou. Abriu uma gaveta. Tirou de dentro o bilhetinho cor-de-rosa, desdobrou-o.

- É sua esta peça de flagrante delito?

O escrevente, a tremer, balbuciou medrosa confirmação.

- Muito bem! Continuou o coronel em tom mais sereno. Ama, então, minha filha e tem a audácia de o declarar... Pois agora…

O escrevente, por instinto, ergueu o braço para defender a cabeça e relanceou os olhos para a rua, sondando uma retirada estratégica.

- ... é casar! Concluiu de improviso o vingativo pai.

O escrevente ressuscitou. Abriu os olhos e a boca, num pasmo. Depois, tornando a si, comoveu-se e, com lágrimas nos olhos disse, gaguejante:

- Beijo-lhe as mãos, coronel! Nunca imaginei tanta generosidade em peito humano! Agora vejo com que injustiça o julgam aí fora!…

Velhacamente o velho cortou-lhe o fio das expansões.

- Nada de frases, moço, vamos ao que serve: declaro-o solenemente noivo de minha filha!

E voltando-se para dentro, gritou:

- Do Carmo! Venha abraçar o teu noivo!

O escrevente piscou seis vezes e, enchendo-se de coragem, corrigiu o erro.

- Laurinha, quer o coronel dizer…

O velho fechou de novo a carranca.

- Sei onde trago o nariz, moço. Vassuncê mandou este bilhete à Laurinha dizendo que ama- “lhe”. Se amasse a ela deveria dizer amo-“te”. Dizendo “amo-lhe” declara que ama a uma terceira pessoa, a qual não pode ser senão a Maria do Carmo. Salvo se declara amor à minha mulher (…).


(LOBATO, Monteiro. O Colocador de Pronomes. In: PINTO, Edith Pimentel (org.). O Português do Brasil: textos críticos e teóricos II - 1920-1945 – Fontes para a teoria e a história. São Paulo: Edusp, [1924] 1981, p. 51-79.)

Assinale a opção que corresponde à descrição temporal do verbo sublinhado em “Esguelara um vereador oposicionista em plena sessão da câmara...”.

  • A O tempo verbal expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente terminado.
  • B O tempo verbal manifesta ação pretérita concluída antes de outra ação do passado ter se iniciado.
  • C A locução verbal destacada é formada pela terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, eliminando-se a terminação – AM e adicionando o sufixo adequado.
  • D O verbo neste tempo deve formar-se com o verbo auxiliar “ter” (ou “haver” na linguagem formal) no pretérito imperfeito, seguido do particípio passado do verbo principal.
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Os intelectuais e a escrita


    Poderia uma função social para os intelectuais − quer dizer, poderiam os próprios intelectuais − ter existido antes da invenção da escrita? Dificilmente. Sempre houve uma função social para xamãs, sacerdotes, magos e outros servos e senhores de ritos, e é de supor que também para aqueles que hoje chamaríamos de artistas. Mas como existir intelectuais antes da invenção de um sistema de escrita e de números que precisava ser manipulado, compreendido, interpretado, aprendido e preservado? Entretanto, com o advento desses modernos instrumentos de comunicação, cálculo e, acima de tudo, memória, as exíguas minorias que dominavam essas habilidades provavelmente exerceram mais poder social durante uma época do que os intelectuais jamais voltaram a exercer.
    Os que dominavam a escrita, como nas primeiras cidades das primeiras economias agrárias da Mesopotâmia, puderam se tornar o primeiro “clero”, classe de governantes sacerdotais. Até os séculos XIX e XX, o monopólio da capacidade de ler e escrever no mundo alfabetizado e a instrução necessária para dominá-la também implicavam um monopólio de poder, protegido da competição pelo conhecimento de línguas escritas especializadas, ritual ou culturalmente prestigiosa.
    De outro lado, a pena jamais teve mais poder do que a espada. Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos não poderia ter havido nem Estados, nem grandes economias, nem, menos ainda, os grandes impérios históricos do mundo antigo.

(Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 226-227)

São exemplos de uma mesma função sintática os elementos sublinhados na frase:

  • A Sempre houve uma função social para xamãs, sacerdotes, magos e outros servos.
  • B Mas como existir intelectuais antes da invenção da escrita?
  • C Os que dominavam a escrita puderam se tornar o primeiro clero.
  • D O monopólio da capacidade de ler e escrever no mundo alfabetizado e a instrução necessária para dominá-lo implicavam um monopólio de poder.
  • E Os guerreiros sempre conquistaram os escritores, mas sem estes últimos jamais poderia ter havido Estados.
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No texto que segue, algumas palavras em destaque foram transcritas sem o necessário acento gráfico.


Medo que seduz


No Brasil, algumas editoras, como a carioca DarkSide, têm se dedicado a relançar classicos[1] do terror. (...) São histórias de fantasmas, busca pela eternidade, sonhos e pesadelos — tudo aquilo que desafia o conforto da razão. A variedade ilustra o que o organizador Alcebíades Diniz, em seu posfacio[2], chama de “expansão do fantástico”, representada no livro não só pelos temas e abordagens, mas tambem[3] pela origem dos textos, escritos originalmente em ingles[4], espanhol, alemão e russo.

DAMASCENO, Renan. Medo que seduz. Estado de Minas. Caderno Pensar, p. 1, 1 jun. 2018. Adaptado.


A justificativa correta para a acentuação de cada palavra numerada encontra-se em

  • A [4] uma oxítona.
  • B [3] uma proparoxítona.
  • C [2] um monossílabo tônico.
  • D [1] uma paroxítona terminada em hiato.
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Atenção: Leia abaixo o Capítulo I do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder à questão.

Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.

– Continue, disse eu acordando.

– Já acabei, murmurou ele.

– São muito bonitos.

Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.

Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.

(ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 79-80.)

...como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes... (1° parágrafo)


Em relação à oração que a sucede, a oração destacada expressa sentido de

  • A causa.
  • B comparação.
  • C consequência.
  • D proporção.
  • E conclusão.
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O dicionário Houaiss lista um conjunto de valores mais frequentes da preposição em: tempo, lugar, maneira de ser, estado, modo, distribuição, forma como se pratica uma ação, finalidade, conformidade, equivalência e valor.


Assinale a frase em que essa preposição tem seu valor corretamente identificado.

  • A “Comecei uma dieta, cortei a bebida e alguns pratos e, em catorze dias, perdi duas semanas.” / distribuição.
  • B “Se você insiste em emagrecer meu conselho é: coma o quanto quiser. Apenas não engula.” / maneira de ser.
  • C “Difícil coisa é, cidadãos, entrar em discussão com a barriga vazia.” / estado.
  • D “Tomei comprimidos, mas desisti de me matar por esse método. Gasta-se uma fortuna em clínicas de desintoxicação.” / finalidade.
  • E “A família é um conjunto de pessoas que se defendem em bloco e se atacam em particular.” / modo.
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Em todas as frases a seguir foram sublinhados o adjetivo e o termo substantivo a que ele se refere e com que concorda; assinale a frase em que essa referência está indicada corretamente.

  • A “Ser marido é um trabalho de tempo integral.”
  • B “A cachaça de Minas é das mais saborosas do país.”
  • C “Os maridos das mulheres de que gostamos são sempre uns imbecis.”
  • D “É preciso realmente que um homem morra para que outros possam apurar o seu justo valor.”
  • E “Há quem esteja disposto a morrer para fazer com que morram os seus inimigos.”
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Assinale a frase em que a forma sublinhada está corretamente grafada.

  • A “Sabe-se lá por quê, quando faço a barba no banho, se tento cantarolar um motivo breve e atual, me corto.”
  • B “Marido e mulher amavam os hóspedes, porquê sem eles acabavam brigando.”
  • CPor que amou muito, Madalena teve seus pecados perdoados.”
  • D “Eis os crimes porque os homens devem ser punidos por Deus.”
  • E “Às vezes somos castigados sem saber porquê.”
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“O homem nunca poderá ser igual a um animal: ou se eleva e torna-se melhor, ou se precipita e torna-se muito pior”.
Sobre as ocorrências do vocábulo se nesse pensamento, assinale a afirmativa correta.

  • A A primeira ocorrência mostra valor diferente da terceira.
  • B Todas as ocorrências possuem valor diferente.
  • C Todas as ocorrências exemplificam reciprocidade.
  • D Todas as ocorrências mostram valor de reflexividade.
  • E A segunda ocorrência tem valor diferente das demais.
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Assinale a frase em que o se pode ter não só o valor de reciprocidade mas também o de reflexividade

  • A “Nas grandes coisas, os homens se mostram como lhes convém se mostrar; nas pequenas mostram-se como são”.
  • B “Pelas roupas rasgadas mostram-se os vícios menores; as vestes de cerimônia e as peles escondem todos eles”.
  • C “É preciso sempre desculpar-se por ter agido bem – nada fere mais do que isso”.
  • D “Os maiores males sempre se infiltraram na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem”.
  • E “Ao lermos os grandes filósofos, temos a impressão de que todos se conheciam muito bem”.

Pedagogia

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O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera como aprendiz aquele que aprende uma profissão, dentro das normas da legislação sobre educação. No Capítulo V - Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho - define-se o que é considerado como aprendizagem, da seguinte forma:

  • A Ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os diretos trabalhistas e previdenciários.
  • B Ao adolescente portador de deficiência é assegurado trabalho protegido.
  • C Considera-se aprendizagem a formação técnicoprofissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor.
  • D É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos, salvo na condição de aprendiz.
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A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) define que a “educação, dever da família e do Estado, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. No artigo 3° , tem-se os princípios que basearão o ensino. O princípio do artigo 3° que se refere ao aspecto “ideais da solidariedade humana” é o:

  • A condições de permanência na escola
  • B respeito à liberdade e apreço à tolerância
  • C garantia de padrão de qualidade
  • D valorização da experiência extraescolar
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A denominação mais adequada para uma estratégia de formação de professores que realize diagnósticos e ofereça formações específicas, para que cada professor possa escolher aquelas que respondam melhor aos seus desafios profissionais, é: 
  • A Percurso personalizado.
  • B Convivência.
  • C Formação entre pares.
  • D Laboratórios de aprendizagem.
  • E Simulados para professores.
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No quarto capítulo do seu livro Filosofia da Educação, a autora Maria Lúcia de Arruda Aranha faz uma colocação a respeito do conceito de cultura. Segundo a autora:

  • A É possível considerar o conceito de cultura, em sentido estrito, como a produção intelectual de um povo, expressa nas produções filosóficas, cientificas, artísticas, literárias, religiosas, em resumo, nas suas manifestações espirituais.
  • B O indivíduo que não participa do saber da elite deve ser considerado inculto, pois é incapaz de produzir cultura.
  • C Apesar de haver sociedades regidas por relações de dominação, isso não impede que as pessoas do povo sejam impedidas de elaborar criticamente a sua própria produção cultural.
  • D A cultura popular resulta dos meios de comunicação de massa, como o cinema, o rádio, a televisão, vídeo, a imprensa, e as grandes revistas.
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No livro “Educação Matemática Crítica: a questão da democracia” o autor, Ole Skovsmose, enfatiza que “Na Educação Crítica, é essencial que os problemas se relacionem com situações e conflitos sociais fundamentais, e é importante que os estudantes possam reconhecer os problemas como seus próprios problemas”. Neste contexto, sobre a Educação Matemática orientada a problemas e a Educação Crítica é correto afirmar que:

  • A O professor deve elaborar manuais que contenham exemplos de modelagem matemática, e o processo de educação deve caminhar de um exemplo preparado para outro exemplo preparado. O que os estudantes têm de fazer é calcular, encontrar soluções e resolver problemas já bem definidos.
  • B O problema deve ter relevância subjetiva para o estudante, deve estar relacionado a processos importantes na sociedade e, o engajamento dos estudantes na situação-problema deve servir como base para um engajamento político e social (posterior).
  • C Cabe ao professor selecionar, a partir dos livros didáticos, os problemas que serão tratados em sala de aula, ainda que estes não tenham nenhuma ligação com a realidade do aluno, mas que sejam uteis para o aprendizado pretendido.
  • D O professor deve selecionar problemas que enfatizem a aplicação da matemática e ilustrar as várias maneiras de a matemática ser útil.
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No primeiro capítulo de seu livro Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade, Ubiratan D’Ambrosio questiona motivos comumente utilizados para justificar o ensino da Matemática. Segundo ele, apenas estes não seriam suficientes para justificar o ensino da matemática, mas é necessário considerar que a matemática pode ser um forte fator de progresso social, rechaçando-se o seu uso para manter e reforçar as desigualdades e injustiças sociais. Segundo D’Ambrosio, o ensino da matemática com a intensidade que é usual está associado aos seguintes valores:

  • A Utilitário, cultural, formativo (do raciocínio), sociológico (pela sua universalidade), e estético.
  • B Utilitário, religioso, formativo (pela sua disciplina), e sociológico (pelo caráter classificatório).
  • C Formativo (por tornar possível compreender as ciências), sociológico (pela sua universalidade), e artístico (por estar presente na descrição da realidade).
  • D Cultural (por estar presente nas manifestações culturais), religioso (por fazer parte de todos os sistemas religioso presentes nas sociedades), e científico (por estabelecer as bases do pensamento científico).

Libras

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Sobre cultura e cultura surda, é correto afirmar:

  • A Etnocentrismo é a visão focada nos aspectos étnicos de um grupo.
  • B Assim como a acontece com a Identidade, cada individuo tem sua própria cultura. Nenhum surdo é igual ao outro, pois cada um tem sua própria cultura.
  • C Para Silva (2009), Cultura é um campo de produção de significados no qual os diferentes grupos sociais, situados em posições diferenciadas de poder, lutam pela imposição de seus significados à sociedade mais ampla.
  • D O vocábulo “cultura” vem do latim, Colere, significando originalmente “cultivo de plantas”. Essa origem etimológica explica a estreita relação entre natureza e cultura nos significados atuais atribuídos ao termo Cultura.
  • E Diversos autores definem cultura como conjunto de crenças, valores, costumes e conhecimentos, portanto, quanto mais conhecimentos o sujeito aprende na escola, mais cultura ele tem. Surdos escolarizados costumam ter mais cultura que os demais.
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Sobre os modelos de representação da surdez é correto afirmar que o modelo:

  • A socioantropológico é também conhecido como Bilinguismo.
  • B clínico terapêutico pode ser também denominado de Oralismo ou de Ouvintismo.
  • C socioantropológico surge na década de 1990 a partir da intensa luta dos movimentos surdos organizados.
  • D clínico-terapêutico compreende as dificuldades acadêmicas apresentadas pelos surdos como decorrentes da condição da surdez e não das práticas pedagógicas.
  • E socioantropológico é embasado na teoria sócio interacionista de Vygotsky e afirma que a compensação do déficit deve acontecer através de práticas voltadas para a reabilitação do surdo.
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Sobre a História norte americana da Educação de surdos é correto afirmar que:

  • A a primeira escola para surdos nos Estados Unidos surgiu em 1788, um século antes do Congresso de Milão.
  • B Thomas Gallaudet volta da Europa no final do século XVIII entusiasmado com as experiências francesas de educação de surdos e cria a Universidade Gallaudet, em Washington D.C.
  • C Thomas Gallaudet volta da Europa trazendo com ele dois professores surdos Laurente Clerc e Jean Massieu, formados pelo Instituo de Surdos Mudos de Paris e criam juntos o “American Asylum for the deaf”, em Hartford.
  • D Thomas Gallaudet, pai da pequena Alice, viaja para a Europa no final do século XVIII em busca de informações e de experiências bem sucedidas de educação de surdos que o ajudassem a criar a 1ª escola norte americana para surdos.
  • E na década de 1980, os estudantes surdos da Universidade de Gallaudet, em Washington, decretaram greve. O movimento que reuniu mais de 3 mil jovens e repercutiu bastante na imprensa americana tinha como principal reivindicação a indicação de um Reitor surdo.
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Sobre as abordagens educacionais para surdos, é correto afirmar que:

  • A para Skliar (1999) a educação bilíngue é uma “neo-metodologia”.
  • B o Bimodalismo é uma prática proposta pela abordagem bilíngue que valoriza igualmente as línguas orais e línguas de sinais.
  • C os Estados Unidos foi o primeiro país a reconhecer legalmente a língua de sinais, em 1981, e a implementar a proposta de educação bilíngue para surdos nas escolas públicas.
  • D Nogueira (1994) aponta estudos que evidenciam que crianças que crescem em ambientes de Comunicação Total demostram mais habilidade para se comunicar e têm mais êxito na escola.
  • E para Marta Ciccone (1996), a Comunicação Total é uma filosofia Educacional que se preocupa com ideias paternalistas, embora também seja uma proposta de valorização de abordagens alternativas que possam permitir ao surdo trocar ideias e exprimir sentimentos desde sua mais tenra idade.
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Sobre os artefatos culturais do Povo Surdo propostos por Strobel (2008), é correto afirmar que:

  • A artes como dança, pintura, música, teatro e escultura são artefatos culturais do Povo surdo.
  • B os gestos caseiros são considerados como parte do artefato cultural linguístico do Povo surdo.
  • C a língua de sinais compõe o artefato cultural linguístico, o artefato mais importante e que determina o pertencimento a cultura surda.
  • D o artefato cultural literatura surda não inclui produções acadêmicas de surdos, apenas produções de gêneros literários como contos e poemas.
  • E a autora considera o artefato cultural material, como as companhias luminosas e as babás eletrônicas que vibram, o artefato mais importante por que possibilita a acessibilidade do surdo.
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Sobre o atual Plano Nacional de Educação, é correto afirmar que:

  • A o Plano Nacional de Educação tem vigência de 10 anos, tendo o plano atual iniciado em 2011, se encerrará em 2021.
  • B o Documento é dividido em várias partes e os objetivos, metas e diretrizes propostas se vinculam a um nível de ensino ou a uma modalidade de ensino. Uma das modalidades é “Educação de surdos”.
  • C a Estratégia 4.7 propõe garantir a oferta de educação bilíngue, em Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, aos alunos surdos em escolas e classes bilíngues e aos alunos deficientes auditivos em escolas inclusivas.
  • D a Estratégia 4.7 propõe garantir a oferta de educação bilíngue, em Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e a língua portuguesa como segunda língua em ambas as modalidades, aos alunos surdos e com deficiência auditiva de zero a dezessete anos, em escolas e classes bilíngues.
  • E a Estratégia 4.7 propõe garantir a oferta de educação bilíngue, em Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, aos alunos surdos e com deficiência auditiva de zero a dezessete anos, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas.
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Sobre a legislação relacionada à surdez, é correto afirmar que:

  • A a Lei 10.436 de 2002 torna a Libras uma língua oficial do Brasil.
  • B de acordo com a Lei 13.146/15 as pessoas surdas ou com outras deficiências têm direito a atendimento prioritário na restituição de imposto de renda e na tramitação processual e procedimentos judiciais.
  • C a Lei 10.098 de 2000, torna obrigatório que os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens incluam em toda a sua programação janelas com interpretação em Libras para garantir o direito de acesso à informação às pessoas portadoras de deficiência auditiva.
  • D a Lei 8.213/91 prevê que todas as empresas públicas e privadas estão obrigadas a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, incluindo aí os surdos ou deficientes auditivos.
  • E de acordo com o Decreto 5626/05 a formação de docentes para o ensino de Libras no ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua.
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Sobre a relação entre identidades, surdez e Pós-Modernismo é correto afirmar que:

  • A A partir do conceito Pós-moderno de identidade, é possível afirmar que há uma única identidade surda.
  • B A identidade em uma perspectiva Pós-moderna é vista como algo dinâmico, portanto que se modifica ao longo da vida e nos diferentes contextos.
  • C Para Gladis Perlin (1998), a identidade surda é sempre múltipla e contraditória, mas se fixa e se estabelece definitivamente na adolescência.
  • D Para o Pós-modernismo, a identidade é construída a partir da diferença, portanto, para a formação de uma identidade surda, o mais importante é que os surdos convivam com pessoas diferentes deles, como os ouvintes.
  • E De acordo com Perlin (1988), ao longo da história, os modelos clínicos de educação têm contribuído para negar a identidade surda, mas o bilinguismo e o biculturalismo vem mudando essa realidade e fornecendo elementos para fomentar uma política das identidades.
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Sobre a comunidade surda, é correto afirmar que:

  • A para Humphries e Padden (1988), a comunidade surda é composta por surdos e ouvintes.
  • B para Strobel (2008) a comunidade surda é uma só, ainda que localizada em diferentes países.
  • C surdos com identidades surdas híbridas e identidades surdas flutuantes não podem ser membros da comunidade surda.
  • D para Skliar (1997) somente os surdos sinalizantes envolvidos na luta política em defesa dos direitos dos surdos compõem a comunidade a surda.
  • E para Padden e Humpries (1988) apenas surdos fazem parte da comunidade surda, a única exceção são os Codas, filhos ouvintes de pais surdos que também são considerados como parte da comunidade surda.
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De acordo com Skliar (1999) é correto afirmar que:

  • A a surdez pode ser representada na base de dois níveis principais: diferença política e experiência visual.
  • B a surdez pode ser representada na base de quatro níveis diferenciados e politicamente independentes um do outro.
  • C as representações sobre a surdez são um território por onde transitam discursos e práticas assimétricas quanto à relação de poder/saber que os determinam.
  • D as representações sobre a surdez pode ser facilmente enquadradas em um dos dois modelos conceituais opostos: clínico terapêutico e sócio antropológico.
  • E dentre os modelos de representação da surdez é possível identificar a “falsidade” ou a verdade intrínseca a essas representações.
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Sobre a Inclusão para surdos é correto afirmar que:

  • A o atual Plano municipal de Educação da prefeitura de Fortaleza prevê o ensino de Libras como disciplina obrigatória em toda a educação básica.
  • B na França, a Educação bilíngue para surdos, funciona, através, de um único modelo: de classes, apenas para surdos, inseridas em escolas regulares.
  • C de acordo com dados do INEP/MEC Entre 2006 e 2009, foram fechadas 13.552 vagas em classes e escolas específicas para alunos surdos e com deficiência auditiva e apenas 8 mil novas matrículas de alunos surdos e com deficiência auditiva surgiram em classes comuns do ensino regular.
  • D de acordo com a Declaração de Salamanca (1994), a importância da língua de sinais como meio de comunicação entre os surdos deveria ser reconhecida e provisão deveria ser feita no sentido de garantir que todas as pessoas surdas tenham acesso à educação em sua língua nacional de sinais, porém sempre em salas de escolas comuns/regulares.
  • E em Fortaleza, a Resolução Nº 001/2009 – Conselho Municipal de Educação de Fortaleza – afirma em seu Artigo 8º: “Nas turmas em que houver estudantes com deficiência ou transtorno do desenvolvimento global, o número de educandos deverá ser reduzido, considerando a seguinte composição: § 1º O número máximo de estudantes com deficiência, superdotação ou transtorno global do desenvolvimento poderá ser até 03 (três) estudantes por turma”.
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De acordo com Harlan Lane, é correto afirmar que:

  • A há na literatura científica muitas adjetivações negativas atribuídas ao surdo, tais como: “bárbaro”, “traiçoeiro”, “malandro” e “servil”.
  • B a Psicologia da surdez, diferente do que acontece na Medicina e na Fonoaudiologia, não desenvolve uma ação paternalista junto aos surdos.
  • C o baixo rendimento de surdos em testes psicológicos é decorrente apenas das limitações dos examinadores ouvintes quanto ao uso da língua de sinais.
  • D as características atribuídas aos surdos pelos psicólogos coincidem com as características atribuídas aos nativos africanos: força, determinação e capacidade de luta.
  • E no Audismo, são os ouvintes e suas instituições que fazem declarações sobre os surdos, aprovam (ou não) as opiniões sobre eles, descreve-os, orienta-os e decide sobre eles. Compete ao ouvinte decidir sobre o surdo.
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Sobre a história da educação de surdos e a abordagem oralista é correto afirmar que:

  • A em 1889, um ano após o Congresso de Milão, o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos) cria novo regulamento, estabelecendo o método oral puro para todas as disciplinas.
  • B na Antiguidade e Idade Média, a abordagem oralista exercia forte influência na Educação dos surdos, que eram obrigados a aprender a falar para poderem ter acesso aos direitos civis comuns a outros cidadãos.
  • C na antiguidade, os surdos eram considerados incapazes pela sociedade, a igreja católica acreditava que eles não tinham almas imortais e não poderiam participar dos sacramentos, como acontecia com as pessoas que escutavam.
  • D para Skliar (1997), a principal motivação para a defesa da implantação do método oral nas escolas para surdos foi decorrente de influências religiosas, pois o aprendizado da fala permitiria que os surdos pudessem realizar a confissão.
  • E entre os principais educadores da Idade Moderna, estão Juan Pablo Bonet, Rodrigues Pereire, J. Conrad Amman e Thomas Braidwood. Todos eles acreditavam que a fala/oralidade e a escrita deveriam ser as únicas ferramentas para educar os surdos.
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“A significação passa, então, a ser o centro da atenção e a linguagem tem sua transparência questionada, uma vez que entra em jogo o “fator humano”. De veículo encarregado de transporte dos significados ou instrumento de comunicação e expressão de pensamentos, a linguagem passa a ser considerada um fenômeno ainda mais complexo, uma vez que, como disse o filósofo alemão Martin Heidegger, “a linguagem nos fala”, e, muitas vezes, diz mais (ou menos) do que querem nossas intenções conscientes” (MARINHO SILVA, 2006).


Sobre a semântica na Libras, assinale a alternativa correta.

  • A O verbo cortar, em Libras, envolve um instrumento, mas não requer a existência de um agente que usa um instrumento para causar uma mudança em um paciente.
  • B NÃO-TER FARINHA. IR BUSCAR, conforme Brito (2010), pode ser tomado como ordem, mas a expressão facial demonstra que se aproxima também a um ato de pedir.
  • C O grupo de verbos sem flexão para pessoa do discurso está dividido, segundo diversas propostas de análises, nos subgrupos: mudança de posse, comunicação e interação social.
  • D Conforme Brito (2010), em Libras, a intimidade não pode ser definida como uma relação familiar existente entre os participantes de uma interação que independe das classes sociais a que pertencem.
  • E Em uma perspectiva semântico-pragmática, somente os verbos simples na Libras possuem movimento linear iniciado no espaço neutro próximo ao ponto convencionado para a primeira pessoa (loc) e finalizando no espaço neutro convencionado.
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