Resolver o Simulado Nível Médio

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Português

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"O amor acaba", disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que a encontro a cada ano ou dois. Marcamos um almoço num dia de semana.Falamos do passado, mas não muito. Falamos do presente, mas não muito. Há uma vontade genuína de se aproximar e o tácito reconhecimento dessa impossibilidade.

Dois velhos amigos, quando se reveem, voltam no ato para o território comum de sua amizade. Reconstroem o pátio da escola, o prédio em que moraram - e o adentram. Para antigos amantes, no entanto, é impossível restabelecer o elo, o elo morreu com o amor, era o amor. O que sobra é feito um cômodo dentro da gente, cheio de objetos valiosos, porém trancado. Sentimos saudades do que está ali dentro, mas não podemos nem queremos entrar. Como disse um grego que viveu e amou há 2.500 anos: não somos mais aquelas pessoas nem é mais o mesmo aquele rio.

Uma vez vi um filme em que alguém declarava: "Se duas pessoas que um dia se amaram não puderem ser amigas, então o mundo é um lugar muito triste". O mundo é um lugar triste, mas não porque antigos amantes não podem ser amigos: sim porque o passado não pode ser recuperado.

(Adaptado de: PRATA, Antonio. Folha de S.Paulo, 20/02/2013)
O mundo é um lugar triste, mas não porque antigos amantes não podem ser amigos: sim porque o passado não pode ser recuperado. (final do texto)

O elemento grifado acima preenche corretamente a lacuna da frase:
  • A Alguns não entendem ...... antigos amantes não podem ser amigos.
  • B É controverso o ...... de antigos amantes não poderem ser amigos.
  • C ...... são antigos amantes, não podem mais ser amigos.
  • D Lamenta-se que o passado não possa ser recuperado, mas não se sabe ao certo o ...... disso.
  • E Sabe que não pode recuperar o passado, mas não compreende ......
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No período ‘“Nessa situação, o paciente dedica a maior parte do seu tempo à TV e esquece compromissos e lazer’” (linhas 6 e 7), caso o termo destacado fosse substituído por a maior parte dos pacientes, de acordo com o que prescreve a norma-padrão acerca da concordância verbal, as formas verbais “dedica” e “esquece”

  • A deveriam obrigatoriamente permanecer na terceira pessoa do singular.
  • B deveriam obrigatoriamente passar para a terceira pessoa do plural.
  • C poderiam tanto permanecer na terceira pessoa do singular quanto passar para a terceira pessoa do plural.
  • D não poderiam passar para a terceira pessoa do plural.
  • E não poderiam permanecer na terceira pessoa do singular.
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Texto II
Até que o beneficiário do plano complete 18 anos, os pais, como responsáveis pelos aportes, têm liberdade para interromper as contribuições e realizar saques. Mas essas medidas vão distanciá-los do objetivo inicial.
“É importante que o compromisso seja mantido. Certa vez um cliente nos disse que resgatar o valor investido seria o mesmo que assaltar o cofrinho do filho”, lembra João Batista Mendes Angelo, da Brasilprev.
(Veja, 9 de maio 2012. Com adaptações)

A expressão “assaltar o cofrinho do filho” só NÃO tem, no texto, um significado relacionado a algo

  • A irônico.
  • B negativo.
  • C econômico.
  • D hipotético.
  • E comparativo.
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Esqueça o mito da multitarefa

Leia o texto todo de uma vez, sem interrupções. Não vale olhar mensagens no celular nem espiar as redes sociais.

Ao cair na tentação de fazer outra coisa durante a leitura, você ___ como um multitarefa. Muita empresa gosta e até espera que seus empregados assumam esse comportamento de tocar várias atividades ao mesmo tempo.

O problema é que o hábito não passa de um mito. Só 2,5% das pessoas são capazes de levar adiante mais de uma tarefa por vez, segundo pesquisa da Universidade Utah, nos Estados Unidos. Elas são chamadas de supertaskers. Os demais mortais só se atrapalham ao tentar ser multitarefa.

Há um problema evidente, já que a maioria das empresas adora ________ quem acumula diversas funções, o que, na prática, é impossível. “Já tive brigas com gestores de RH que insistem em colocar nos anúncios: ‘Capacidade de ser multitarefa’”, afirma Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo. “Isso não existe, não funciona, é irracional.”

Tanto que o consultor criou um teste para verificar se os brasileiros são mesmo capazes de exercer atividades simultaneamente com eficiência. Em 2014, 4.000 profissionais participaram da prova e somente 1% conseguiu ser mais produtivo com um olho no gato e outro no peixe.

Além de ser um tiro no pé da produtividade, tentar dar conta de todo o trabalho de uma vez causa enorme angústia. A pessoa trabalha o dia todo e termina com a sensação ....... nada foi concluído.

Qual a solução para dar conta .....todas as tarefas de maneira eficiente? Não existe milagre, apenas investimento em organização e concentração. “Cada pessoa se organiza de um _____ e precisa descobrir como é mais eficiente”, diz Paula Rizzo, especialista americana em organização.

O primeiro movimento é a consciência de que o descontrole sobre as atividades só atrapalha os resultados. Diante do desafio de chefiar dois times, um no Brasil e outro nos Estados Unidos, José Roberto Pelegrini, de 39 anos, diretor financeiro da JDSU, multinacional especializada em redes de comunicação, decidiu reorganizar sua agenda.

Esse período foi de muito trabalho e ele só conseguiu dar conta do recado porque reviu seu estilo de trabalhar e priorizar tarefas. A fórmula que encontrou passa por fazer listas das atividades semanais e diárias, manter a caixa de e-mail vazia e manter a calma.

O segundo movimento é combater a distração, um desafio que fica mais complexo à medida que o mundo se torna mais conectado. Alternar continuamente a atenção entre várias tarefas prejudica a memória e o raciocínio, o que leva à queda de desempenho.

A sensação de sobrecarga já começa a despertar em muita gente a vontade de viver uma vida menos caótica, mais organizada e produtiva. Segundo um relatório de tendências para 2015, feito pela agência Box 1824, de São Paulo, uma crescente maioria se convence ....... é impraticável levar uma vida tão conectada.

Nesse cenário, surge um contramovimento batizado de quiet bliss, algo como “felicidade silenciosa”, que prega que façamos apenas uma atividade por vez.

Logicamente, isso se aplica ao espaço do trabalho. “De maneira inconsciente, muita gente acha que não merece ter tempo para o descanso”, diz Brigid Schulte, jornalista americana. “Mas esses períodos são fundamentais para pensar sobre o que importa para você, onde você está, para onde está indo e como está gastando seu tempo.”

Quem consegue organizar os horários para ter tempo livre consegue organizar o tempo para trabalhar melhor. É importante saber _____ quando já trabalhou o suficiente.

Para isso, o consultor americano Stephen Lynch propõe três questionamentos: quantas horas você trabalha em média por semana? Você é capaz de se desligar completamente do trabalho um dia por semana? Como você tem melhorado a produtividade das horas que gasta trabalhando? Mudar as respostas a essas perguntas é o caminho para dar conta de tudo e ter uma vida melhor — dentro e fora do escritório.

Considerando a função que desempenham em cada um dos períodos, analise as afirmações que seguem a respeito da palavra que:


I. até espera que seus empregados assumam esse comportamento (l. 04) – conjunção integrante.

II. O problema é que o hábito não passa de um mito (l. 06) – pronome relativo.

III. A fórmula que encontrou passa por fazer listas (l. 28) – pronome relativo.


Quais estão corretas?

  • A Apenas I.
  • B Apenas II.
  • C Apenas III.
  • D Apenas I e II.
  • E Apenas I e III.
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Nascer no Cairo, ser fêmea de cupim

Conhece o vocábulo escardichar? Qual o feminino de cupim? Qual o antônimo de póstumo? Como se chama o natural do Cairo?

O leitor que responder “não sei” a todas estas perguntas não passará provavelmente em nenhuma prova de Português de nenhum concurso oficial. Aliás, se isso pode servir de algum consolo à sua ignorância, receberá um abraço de felicitações deste modesto cronista, seu semelhante e seu irmão.

Porque a verdade é que eu também não sei. Você dirá, meu caro professor de Português, que eu não deveria confessar isso; que é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não conhecer o meu instrumento de trabalho, que é a língua.

Concordo. Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor culto se irrita comigo e me manda um recorte de crônica anotado, apontando erros de Português. Um deles chegou a me passar um telegrama, felicitando-me porque não encontrara, na minha crônica daquele dia, um só erro de Português; acrescentava que eu produzira uma “página de bom vernáculo, exemplar”. Tive vontade de responder: “Mera coincidência” – mas não o fiz para não entristecer o homem.

Espero que uma velhice tranquila – no hospital ou na cadeia, com seus longos ócios – me permita um dia estudar com toda calma a nossa língua, e me penitenciar dos abusos que tenho praticado contra a sua pulcritude. (Sabem qual o superlativo de pulcro? Isto eu sei por acaso: pulquérrimo! Mas não é desanimador saber uma coisa dessas? Que me aconteceria se eu dissesse a uma bela dama: a senhora é pulquérrima? Eu poderia me queixar se o seu marido me descesse a mão?). [...]

Vários problemas e algumas mulheres já me tiraram o sono, mas não o feminino de cupim. Morrerei sem saber isso. E o pior é que não quero saber; nego-me terminantemente a saber, e, se o senhor é um desses cavalheiros que sabem qual é o feminino de cupim, tenha a bondade de não me cumprimentar.

Por que exigir essas coisas dos candidatos aos nossos cargos públicos? Por que fazer do estudo da língua portuguesa uma série de alçapões e adivinhas, como essas histórias que uma pessoa conta para “pegar” as outras? O habitante do Cairo pode ser cairense, cairei, caireta, cairota ou cairiri – e a única utilidade de saber qual a palavra certa será para decifrar um problema de palavras cruzadas. [...]

No fundo o que esse tipo de gramático deseja é tornar a língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através da qual as pessoas se entendam, mas um instrumento de suplício e de opressão que ele, gramático, aplica sobre nós, os ignaros.

Mas a mim é que não me escardicham assim, sem mais nem menos: não sou fêmea de cupim nem antônimo do póstumo nenhum; e sou cachoeirense, de Cachoeiro, honradamente – de Cachoeiro de Itapemirim!

Ao se reescrever a frase “[...] outras pessoas tocam PIANO de ouvido.” substituindo a palavra em destaque por um pronome oblíquo, tem- se o seguinte resultado:

  • A ... outras pessoas tocam- LHE de ouvido.
  • B ... outras pessoas LHE tocamde ouvido.
  • C ... outras pessoas tocam- NO de ouvido.
  • D ... outras pessoas tocam- O de ouvido.
  • E ... outras pessoas tocam- LO de ouvido.
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Analise as frases quanto à concordância verbal.

1. Faltou cinco candidatos neste certame.
2. São exatamente doze horas em ponto.
3. Eu, tu e ele saímos juntos.
4. Reforma-se roupas.
5. Alguns de nós saíram.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

  • A São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
  • B São corretas apenas as afirmativas 4 e 5
  • C São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 5
  • D São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 5.
  • E São corretas apenas as afirmativas 2, 3, 4 e 5.
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Carrocinha de pipoca

Eu sei que a coisa é séria. Se o Kim Jong -Um disparar mesmo os foguetes que está ameaçando disparar contra bases americanas na Ásia, teremos uma guerra nuclear com dimensões e consequências imprevisíveis. Mas lendo sobre o perigo iminente não pude deixar de pensar na história do homem que foi atropelado por uma carrocinha de pipoca. Era um homem cauteloso, que olhava para os dois lados antes de atravessar a rua e só atravessava no sinal, e que dificilmente um carro pegaria. Mas que um dia não viu que vinha uma carrocinha de pipoca, e paft. Já no ambulatório do hospital, onde lhe deram uns pontos no braço, o homem disse que tinha sido atropelado por um motoboy. Em casa, contou que tinha sido atropelado por um carro e só por sorte escapara da morte. Naquela noite, para os amigos que souberam do acidente e foram visitá-lo, especificou: tinha sido atropelado por um BMW. No dia seguinte disse aos colegas de trabalho que tinha sido atropelado por um caminhão e que não sofrera mais que um corte no braço, por milagre. E quando um dos colegas de trabalho comentou que tinha visto o acidente e vira o homem ser atropelado por uma carrocinha de pipoca, gritou: “Calúnia!”

Por que me lembrei do homem que tinha vergonha de ter sido atropelado por uma carrocinha de pipoca? Desde o fim da Guerra Fria a possibilidade de um confronto nuclear entre duas potências, os Estados Unidos e a Rússia, diminuiu, mas os estoques de armas nucleares continuaram e sua proliferação também. Israel se segura para não usar seus foguetes para destruir as bombas nucleares que o Irã está ou não está construindo, Índia e Paquistão vivem comparando seus respectivos arsenais nucleares como guris comparam seus pipis, a França e a Inglaterra têm a bomba... Enfim, ainda se vive num frágil equilíbrio de terror possível, exigindo de todos os nucleares um cuidado extremo, um cuidado de atravessar a rua sem serem atropelados pelo imprevisto. E aí aparece o Kim Jong-Um empurrando uma carrocinha de pipoca em alta velocidade...

(Luiz Fernando Veríssimo, O Globo, 11/04/2013)

Assinale a alternativa em que o valor semântico do conector sublinhado foi corretamente indicado.

  • A “...um cuidado de atravessar a rua sem serem atropelados pelo imprevisto” – concessão.
  • B “...ameaçando disparar contra bases americanas na Ásia...” – lugar.
  • C “...que olhava para os dois lados antes de atravessar a rua...” – modo.
  • D “...o homem disse que tinha sido atropelado por um motoboy.” – causa.
  • E “...não sofrera mais que um corte no braço...” – comparação.
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O destino cruzou o caminho de D. Pedro em situação de desconforto e nenhuma elegância. Ao se aproximar do riacho do Ipiranga, às 16h30 de 7 de setembro de 1822, o príncipe regente, futuro imperador do Brasil e rei de Portugal, estava com dor de barriga. A causa dos distúrbios intestinais é desconhecida. Acredita-se que tenha sido algum alimento malconservado ingerido no dia anterior em Santos, no litoral paulista, ou a água contaminada das bicas e chafarizes que abasteciam as tropas de mula na serra do Mar. Testemunha dos acontecimentos, o coronel Manuel Marcondes de Oliveira Melo, subcomandante da guarda de honra e futuro barão de Pindamonhangaba, usou em suas memórias um eufemismo para descrever a situação do príncipe. Segundo ele, a intervalos regulares D. Pedro se via obrigado a apear do animal que o transportava para “prover-se” no denso matagal que cobria as margens da estrada.

Cada alternativa apresenta segmento transcrito do texto e o mesmo segmento pontuado de modo diferente. A alteração que preserva o respeito ao padrão culto escrito, mas que provoca mudança do sentido original, é a encontrada em:

  • A Ao se aproximar do riacho do Ipiranga, às 16h30 de 7 de setembro de 1822

    Ao se aproximar do riacho do Ipiranga - às 16h30 de 7 de setembro de 1822 -
  • B o príncipe regente, futuro imperador do Brasil e rei de Portugal, estava com dor de barriga.

    o príncipe regente futuro imperador do Brasil, e rei de Portugal, estava com dor de barriga.
  • C Acredita-se que tenha sido algum alimento malconservado ingerido no dia anterior em Santos, no litoral paulista.

    Acredita-se, que tenha sido algum alimento malconservado, ingerido no dia anterior em Santos, no litoral paulista.
  • D ou a água contaminada das bicas e chafarizes que abasteciam as tropas de mula na serra do Mar.

    ou, a água contaminada; das bicas e chafarizes, que abasteciam as tropas de mula na serra do Mar.
  • E Segundo ele, a intervalos regulares D. Pedro se via obrigado a apear do animal que o transportava para “prover-se” no denso matagal que cobria as margens da estrada.

    Segundo ele a intervalos regulares, D. Pedro se via obrigado, a apear do animal que o transportava para “prover-se” no denso matagal que cobria as margens da estrada.
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Profissionais da Esmola


     Atrás de dinheiro fácil, vale fazer de tudo nas esquinas de São Paulo. Vale se fantasiar com uma roupa surrada, fazer cara de pelo amor de Deus com criança no colo, cantar no farol ou até usar cadeira de rodas mesmo sendo capaz de andar.

     Uma reportagem constatou o sucesso dessas artimanhas ao acompanhar a rotina de sete pessoas que transformaram mendicância em profissão, ou seja, não se trata de miseráveis que não encontram outra forma de sobreviver. Todos têm residência fixa e declaram receber entre 30 e 100 reais por dia. Às vezes, fazem ponto em mais de um lugar. Sem nem sequer vender uma bala, essas pessoas faturam, em média, 600 reais por mês. Um bom negócio se comparado ao salário mínimo.

     A fonte que alimenta a mendicância é vasta. Quatro em cada dez paulistanos dão esmola nos semáforos. Em vez de ajudar, quem dá esmola faz da mendicância um trabalho rentável.

     Idade avançada ou problemas físicos, usados frequentemente como desculpa para justificar a situação da maioria desses pedintes, não os impedem de viajar horas de ônibus, da periferia até os cruzamentos escolhidos.

     Mendicância deixou de ser contravenção penal. O artigo que previa prisão de quinze dias a três meses para a prática foi revogado em 2009. Entretanto, a questão é delicada. É difícil separar quem está precisando de ajuda por uma circunstância infeliz da vida daqueles que fizeram da mendicância um emprego.

(Veja, ago.2009. Adaptado)

Assinale a alternativa cuja palavra sintetiza o sentido do trecho: - Vale se fantasiar com uma roupa surrada, fazer cara de pelo amor de Deus com criança no colo, cantar no farol ou até usar cadeira de rodas mesmo sendo capaz de andar.

  • A Ingenuidade.
  • B Tristeza.
  • C Despreparo.
  • D Fingimento.
  • E Aspereza.
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Plataforma

O Rio vive uma contradição no carnaval que parece não ter saída. Não vai longe o tempo em que reclamava da decadência da folia nas ruas. O carnaval tinha se transformado no desfile de escolas de samba, uma festa elitista que se resumia ao que acontecia nos limites do Sambódromo e que era vista por apenas 30 mil pessoas que pagavam caro para participar da brincadeira. E que só durava duas noites. Para quem se diz o maior carnaval do mundo, convenhamos que é muito pouco mesmo. Agora, quando os blocos voltaram a animar as ruas da cidade durante toda a folia e ainda nas semanas que a antecedem, o Rio continua reclamando. Tem bloco demais, tem gente demais, tem pouco banheiro, tem muito banheiro... Carnaval é festa espontânea. Quanto mais organizado, pior. Chico Buarque fala sobre isso no ótimo samba "Plataforma". "Não põe corda no meu bloco/ Nem vem com teu carro-chefe/ Não dá ordem ao pessoal", já dizia ele num disco de antigamente. Bem, como antigamente as letras de Chico sempre queriam dizer outra coisa, é capaz de ele não estar falando de organização do carnaval. Mas à certa altura ele é explícito: "Por passistas à vontade que não dancem o minueto". Para quem está chegando agora, pode parecer o samba do crioulo doido. Mas o compositor faz uma referência ao desfile do Salgueiro de 1963, quando "Xica da Silva" foi apresentada à avenida. A escola "inovou" apresentando uma ala com 12 pares de nobres que dançavam o minueto. Foi um escândalo. Não pode. Passista tem que desfilar livre, leve e solto. Falando disso agora, quando passistas não têm a menor importância, quando eles mal são vistos na avenida, percebe-se que o minueto era o de menos. Mas isso é escola de samba, e o assunto aqui é carnaval de rua (faz tempo que escola de samba não é carnaval de rua). Com o renascimento dos blocos, o Rio recuperou a alegria do carnaval nas calçadas, no asfalto, na areia. E agora? Basta dar uma olhada nas cartas dos leitores aqui do jornal. Reclama um leitor: "Para os moradores de Ipanema, (o carnaval de rua 2011) transformou-se num tormento. Ruas bloqueadas até para o trânsito de pedestres, desrespeito à Lei do Silêncio, atos de atentado ao pudor e, por vezes, de vandalismo". Escreve outro, sobre os mijões, figura que ficou tão popular no período quanto a colombina e o pierrô: "A Guarda Municipal deveria agir com mais atenção e no rigor da lei. Está muito sem ação". Mais um: "Com que direito a prefeitura coloca esses banheiros horrorosos nas avenidas da orla, onde se paga dos IPTUs mais caros do mundo, ocupando vagas de carros que já são tão poucas?" Como se vê, e voltando a citar o samba do Chico, o carioca tem o peito do contra e mete bronca quando o assunto é carnaval. Mas carnaval de rua muito organizado... não sei, não. É como botar o pessoal que sai nos blocos pra dançar o minueto. Carnaval de rua e organização não combinam.

(Artur Xexéo. Revista O Globo, dezembro de 2011)

O título do texto justifica-se, corretamente:

  • A Pela criação de um conteúdo metafórico.
  • B Para estabelecer uma relação de oposição.
  • C Pela referência à canção de Chico Buarque.
  • D Para criar um efeito de humor.
  • E Para ironizara crítica aos moradores.

Administração Pública

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O pensamento social brasileiro oferece várias análises sobre o Estado, sua evolução, seus traços culturais e seus condicionantes históricos. Uma obra importante, de inspiração weberiana, considera que no Brasil não impera a burocracia, a camada profissional que assegura o funcionamento do governo e da administração, mas o estamento. A partir dessa constatação podem ser explicadas várias manifestações da relação Estado e Sociedade, dentre elas a corrupção, o autoritarismo e a passividade popular. Trata-se da seguinte obra:

  • A Formação do Brasil Contemporâneo, de C. Prado Jr.
  • B A Formação do Estado Brasileiro, de O. Ianni
  • C Os donos do poder, de R. Faoro
  • D Raízes do Brasil, de S. B. de Holanda
  • E Burocracia e Ideologia, de M. Tragtembergc
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São princípios expressos da Administração Pública, exceto a

  • A Impessoalidade.
  • B Autotutela.
  • C Moralidade.
  • D Legalidade.
  • E Publicidade.
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Um dos pressupostos da atuação da Administração está centrado na diferença verificada entre eficiência e eficácia. Um dos elementos centrais da eficácia é o de

  • A atingir objetivos.
  • B cumprir tarefas e obrigações.
  • C treinar os subordinados.
  • D resolver problemas.
  • E fazer corretamente as coisas.
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O conceito de eficiência na gestão pública corresponde ao

  • A grau de alcance das metas; é uma medida de resultados para avaliar o desempenho da administração.
  • B uso racional e econômico dos insumos na produção de bens e serviços.
  • C impacto final das ações, ou seja, o grau de satisfação das necessidades e dos desejos da sociedade pelos serviços prestados pela organização.
  • D grau de alcance dos indicadores de resultados estabelecidos no planejamento estratégico da organização.
  • E resultado da avaliação de desempenho e grau de satisfação com os serviços disponibilizados.
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Quanto ao empreendedorismo governamental, assinale a afirmativa correta.

  • A Caracteriza-se em servir ao cidadão dependendo das questões burocráticas e legais.
  • B Não pretende controlar a economia, mas estimular a ação e a parceria da sociedade.
  • C Volta-se para o controle e a consecução de metas otimizadas sem perder a capacidade de decisão
  • D Não se limita a decidir e a dirigir as ações do estado, mas executa também todas suas ações.
  • E Avalia continuamente suas ações mesmo sem a participação da sociedade a fim de atender aos cidadãos como clientes.

Administração Financeira e Orçamentária

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A  classificação  institucional  agrupa  as  despesas  conforme  as  instituições  autorizadas  a  realizá-las,  relacionando  os órgãos da administração pública direta ou indireta responsáveis pela dotação aprovada. São consideradas vantagens  dessa classificação institucional, EXCETO: 
  • A Refere-se ao ponto de partida para a contabilização de custos dos vários serviços.
  • B Permite identificar a unidade responsável pela execução das despesas de determinado programa.
  • C Permite comparação entre os diversos órgãos, quanto ao volume de despesa autorizada/executada.
  • D Combinada com a Classificação Funcional e com a Estrutura Programática, focaliza em detalhes a responsabilidade pela execução do programa.
  • E Tende a gerar rivalidades entre as diferentes instituições na obtenção de recursos quando da preparação do orçamento e da sua aprovação pelo Legislativo.

Administração Pública

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A Petrobras, o Banco do Brasil e a SABESP são exemplos de que tipo de organização?

  • A Empresas públicas.
  • B Empresas de capital aberto.
  • C Organizações paraestatais.
  • D Empresas privadas com capital público.
  • E Sociedades de economia mista.
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Muitos autores desaconselham a mera transposição de diretrizes e ações de qualidade do setor privado para o setor público, dadas as particularidades e a natureza de suas atividades.

Uma prática que impede a implementação de programas voltados à excelência é aquela relacionada:

  • A à existência de liderança tenaz e engajada
  • B à garantia de ação descentralizada e empoderada
  • C à manutenção de interesses e de acordos políticos.
  • D à superação de potenciais resistências e sabotagens
  • E ao estabelecimento de normas e procedimentos flexíveis.
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Uma característica do modelo patrimonialista de administração pública é:

  • A o nepotismo
  • B o formalismo
  • C a visão de futuro
  • D a equidade
  • E o foco no cliente
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Os ?ns da administração pública resumem-se ao objetivo de garantir:

  • A a regulação dos processos administrativos do Estado
  • B o bem comum com foco na classe dominante.
  • C o bem da classe operária em detrimento da classe patronal
  • D o bem comum da coletividade administrada
  • E a gestão do patrimônio do Estado

Direito Administrativo

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NÃO é hipótese de contratação direta por dispensa de licitação contemplada na Lei Federal no 8.666/93 a

  • A contratação de instituição ou organização, pública ou privada, com ou sem fins lucrativos, para a presta- ção de serviços de assistência técnica e extensão rural no âmbito do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária, instituído por lei federal.
  • B alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens imóveis residenciais construídos, destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de programas habitacionais ou de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública.
  • C celebração de termo de parceria com organização da sociedade civil de interesse público, para execução de atividades destinadas à promoção da segurança alimentar e nutricional.
  • D contratação da coleta, processamento e comercialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo, efetuados por associações ou cooperativas formadas exclusivamente por pessoas físicas de baixa renda reconhecidas pelo poder público como catadores de materiais recicláveis, com o uso de equipamentos compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública.
  • E contratação de entidades privadas sem fins lucrativos, para a implementação de cisternas ou outras tecnologias sociais de acesso à água para consumo humano e produção de alimentos, para beneficiar as famílias rurais de baixa renda atingidas pela seca ou falta regular de água.
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Em 12 de janeiro de 2013, Pedro, ex-policial militar, propôs ação declaratória de nulidade de ato administrativo cumulada com pedido de reintegração em cargo público contra o estado do Rio Grande do Norte. O pedido objetiva a declaração de nulidade do ato que o excluiu dos quadros da corporação, publicado no Diário Oficial do Estado e no Boletim do Comando Geral da Polícia Militar em 13 de dezembro de 2007, e a consequente reintegração no cargo de policial militar, sob o fundamento de que o processo administrativo do qual decorreu sua exclusão seria nulo, em função de cerceamento de defesa e violação ao contraditório.

Nessa situação hipotética, de acordo com a jurisprudência dominante, a ação deverá ser julgada

  • A procedente em parte, já que, ainda que a ação declaratória de nulidade seja imprescritível, a pretensão de reintegração no cargo público prescreveu, em função do seu caráter desconstitutivo.
  • B improcedente, tendo em vista a ocorrência de prescrição do direito de ação do autor.
  • C improcedente, em razão da decadência do direito do autor.
  • D procedente, em função da impossibilidade de convalidação do ato administrativo nulo.
  • E procedente, pois a ação declaratória é imprescritível.
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Acerca da intervenção do Estado na propriedade privada, está CORRETA a seguinte proposição:

  • A A autoridade pública poderá requisitar bem particular para prevenir possível dano a prédio tombado pelo patrimônio histórico.
  • B A desapropriação para fins de reforma agrária depende de prévia e justa indenização em dinheiro.
  • C É lícita a desapropriação de bem imóvel particular por utilidade pública para fins de construção de casas populares.
  • D A expropriação de terras em que sejam cultivadas substâncias ilícitas enseja indenização em títulos da dívida pública, resgatáveis em até 20 anos
  • E O expropriado tem direito de discutir, na ação de desapropriação, a efetiva ocorrência da hipótese de utilidade pública.
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Sobre as modalidades de licitação, considere as seguintes afirmativas:

1. Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.

2. Concorrência é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.

3. Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.

4. É permitida a criação de outras modalidades de licitação ou a combinação das referidas na Lei 8.666/93 (Lei Geral de Licitações).

Assinale a alternativa correta.
  • A Somente a afirmativa 2 é verdadeira.
  • B Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
  • C Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
  • D Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
  • E As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
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Determina, expressamente, a Lei n.º 8.666/93 que os contratos administrativos por ela disciplinados regulam-se pelas cláusulas e pelos preceitos de direito público, aplicando- lhes, supletivamente, as disposições do direito privado e os princípios da

  • A especialização.
  • B capacidade contributiva.
  • C teoria geral dos contratos.
  • D teoria específica dos contratos públicos.
  • E motivação.
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Assinale a alternativa que contém apenas requisitos do ato administrativo.

  • A Finalidade, competência e motivo.
  • B Motivo, competência e perfeição.
  • C Efeito, motivo e conteúdo.
  • D Perfeição, finalidade e conteúdo.
  • E Forma, finalidade e efeito.
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No que diz respeito aos agentes públicos, assinale a opção correta

  • A De acordo com posição firmada no STJ, o excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar é causa de nulidade, mesmo quando não comprovado prejuízo à defesa do servidor.
  • B Conforme dispõe a Lei n.º 8.112/1990, é indispensável, no processo administrativo disciplinar, a concessão de prazo para a apresentação, pela defesa, de alegações após o relatório final da comissão processante, sob pena de nulidade processual.
  • C Segundo entendimento do STJ, caso o servidor público adira a programa de demissão voluntária promovido pelo Estado e, anos depois, ingresse novamente no serviço público, mediante aprovação em concurso, tem ele direito à manutenção das vantagens pessoais percebidas em decorrência do vínculo anterior.
  • D A CF conferiu estabilidade e efetividade àqueles que, embora não tivessem ingressado no serviço público mediante aprovação em concurso público, estavam em exercício, no serviço público, na data da promulgação da Carta, por pelo menos cinco anos continuados.
  • E Consoante entendimento do STJ, a supressão, pelo poder público, de gratificação que esteja sendo paga a servidor público configura ato comissivo, de efeitos permanentes, e não de trato sucessivo, razão pela qual a impetração de mandado de segurança para impugnar o ato deve ocorrer no prazo de cento e vinte dias contados da sua edição.
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Acerca dos atos administrativos, assinale a opção correta.

  • A Pelo critério formal, são atos administrativos os editados pelos órgãos administrativos, excluindo-se dessa classificação todos os atos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário.
  • B A autoexecutoriedade é um atributo inerente aos atos administrativos, ainda que não haja previsão expressa em lei quanto à forma de execução de determinadas medidas.
  • C A finalidade corresponde ao requisito do ato administrativo que serve de fundamento para a sua prática.
  • D Considera-se pendente o ato administrativo que não esteja apto a produzir efeitos jurídicos por não ter completado o seu ciclo de formação.
  • E A anulação, que consiste no desfazimento do ato administrativo por ilegalidade, pode ser efetuada de ofício pela administração ou pelo Poder Judiciário.
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Com relação ao ato administrativo, assinale a opção correta.

  • A O motivo do ato administrativo vinculado confunde-se com a motivação, razão pela qual a ausência de qualquer deles, por si só, não vicia o ato.
  • B Há tendência na doutrina e na jurisprudência administrativa no sentido de que a presunção de legitimidade como atributo do ato administrativo deve ser considerada como prerrogativa indevida em favor da administração pública.
  • C De acordo com a jurisprudência majoritária dos tribunais superiores, a aposentadoria de servidor público é ato administrativo composto, que somente se perfaz com o exame realizado pelo respectivo tribunal de contas.
  • D Os princípios da solenidade e do excesso de formalismo incidem tanto sobre o meio de exteriorização do ato administrativo (forma) quanto sobre o de comprovação do ato (prova).
  • E Conforme decisão do STF, a invalidação do ato administrativo não terá necessariamente efeitos retroativos quando incidente sobre ato ampliativo de direitos, caso seja comprovada a boa-fé do administrado beneficiado pela ilegalidade insanável.
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Considerando a lei que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais (Lei nº 8.112/90 e suas alterações), é correto afirmar, EXCETO:

  • A A posse poderá dar-se mediante procuração específica.
  • B A posse ocorrerá no prazo de quinze dias, contados da publicação do ato de provimento.
  • C Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior, com prazo de validade não expirado.
  • D No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e valores que constituem seu patrimônio e declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública.
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