Resolver o Simulado Bibliotecário - VUNESP

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Biblioteconomia

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Com o movimento do acesso aberto e o crescimento do potencial da internet como veículo de disseminação do conhecimento, surgiram várias novas tipologias de documento, dentre elas REA, que significa

  • A Recursos de Educação Assistida.
  • B Revistas Educativas e Automáticas.
  • C Recursos Educacionais Abertos.
  • D Relatórios Estratégicos e Abrangentes
  • E Revisões de Estado da Arte.
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Os conhecidos OPAC´s (Catálogos de Acesso Público On-line) estão migrando para sua quarta geração, sendo atualmente acompanhados por softwares intitulados Web Scale Discovery System e Web-Scale Management Services, cujos exemplos podem ser, respectivamente,

  • A Sophia e Aleph.
  • B Intota e WorldCat Local.
  • C Primo e Alma..
  • D EDS e BNWeb.
  • E Worldshare e Summon.
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Sobre o AACR2, pode-se afirmar que

  • A está organizado em: Descrição (Parte I), Pontos de Acesso, Títulos Uniformes, Remissivas (Parte II) e Sumário de Revisões (Parte III).
  • B a primeira tradução brasileira desse código de catalogação foi publicada em 3 volumes entre 1983 e 1985.
  • C teve sua origem na “Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação” realizada em Paris em 1961, sendo publicado em 1967.
  • D está organizado em: Descrição (Parte I), Pontos de Acesso, Títulos Uniformes e Remissivas (Parte II).
  • E a primeira tradução brasileira desse código de catalogação foi publicada em 2 volumes em 1978.
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“O planejamento é um processo contínuo, permanente e dinâmico que fixa objetivos, define linhas de ação, detalha as etapas para atingi-los e prevê recursos necessários à consecução desses objetivos.” Assim sendo,

  • A exige que se incorpore também longos períodos isentos de atividades a fim de não sufocar o espírito inovador e criativo dos participantes.
  • B estabelece uma rotina de trabalho entediante, correndo o risco de não oferecer um ambiente de trabalho prazeroso.
  • C possibilita à instituição reduzir o grau de incerteza, limitar ações arbitrárias e minimizar riscos.
  • D necessita de profissionais competitivos que saibam atuar de maneira isolada em vez de por equipe.
  • E ele perpetua a tradição institucional, desprezando os avanços tecnológicos.
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O processo de referência se dá em oito passos, em sequência lógica, de etapas decisórias e encadeadas. Um dos passos é marcado por duas decisões técnicas que dizem respeito ao modo de consulta ao acervo e sobre quais de suas partes serão consultadas e em que ordem. Esse passo, cujo sucesso depende do conhecimento e da experiência do bibliotecário, é denominado

  • A estratégia de busca.
  • B necessidade de informação.
  • C processo de busca.
  • D questão negociada.
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Serve para designar o serviço de auxílio pessoal ou remoto ao usuário, com a finalidade de sanar questões relativas a uma determinada necessidade de informação. Estamo-nos referindo a:

  • A serviço de referência.
  • B serviço de busca retrospectiva.
  • C serviço de compartilhamento.
  • D serviço de renegociação.
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Com o crescente aparecimento de materiais em formato digital, foi necessária uma revisão do Código de Catalogação AACR2, surgindo o(a):

  • A ICP – Princípios de Catalogação Internacional.
  • B FRBR – Requisitos Funcionais para Registro Bibliográfico.
  • C FRAD – Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade.
  • D ISBD – Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada.
  • E RDA – Recursos para Descrição e Acesso.
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De acordo com o Código de Ética Profissional do Bibliotecário, cumpre a este

  • A cooperar intelectual e materialmente para o progresso da profissão, mediante o intercâmbio de informações com associações de classe, escolas e órgãos de divulgação técnica e científica.
  • B divulgar especificidades do desempenho de suas atividades, quando o assunto assim exigir, e considerar que o comportamento profissional não influenciará nos juízos que se fizerem sobre a classe.
  • C realizar de maneira efetiva a publicidade de sua instituição ou atividade profissional, considerando que nem toda manifestação pode comprometer o conceito de sua profissão ou afetar um colega.
  • D conhecer a legislação que rege o exercício profissional da Biblioteconomia, executando-a corretamente e colaborando para o seu aperfeiçoamento, sem considerar as alterações legais que ocorrerem.
  • E combater o exercício legal da profissão e citar seu número de registro no respectivo Conselho Regional após sua assinatura em documentos referentes ao exercício profissional.
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A tipologia do resumo indicado a seguir, de acordo com a norma da ABNT NBR 6028, é

Objetivo: Este estudo avaliou o impacto imediato em termos de aprendizagem da anatomia radiográfica dentomaxilo-mandibular em radiografias periapicais intrabucais, após toda a substituição do método de ensino em sala de aula pela educação à distância com a plataforma Moodle. Material e Métodos: O ensino desta disciplina no ambiente educacional tradicional em sala de aula foi feito até o primeiro semestre de 2011, classe A (AC), utilizando pranchas de filmes radiográficos duplicados com marcações que indicavam estruturas anatômicas nas imagens e um livro texto com a descrição da referida estrutura, além de professor de apoio, que trabalhava na sala de aula junto com os alunos como apoio de aprendizagem. No segundo semestre de 2011, para a “classe B” (BC), essas mesmas pranchas radiográficas foram digitalizadas, incluindo a descrição do livro texto, para criar o curso digital Moodle sobre anatomia dentomaxilo-mandibular em radiografias intraorais para educação à distância. O impacto dessa substituição foi avaliado pela comparação das notas dos alunos dessas duas classes distintas, AC (N = 60) e BC (N = 62), após a aplicação de uma prova semelhante com todo o conteúdo do tema da anatomia dentomaxilo-mandibular, utilizando teste T-Student não pareado (α = 0,05). Um questionário voluntário e não identificado com 12 questões, desenvolvido em planilhas do Google Docs, foi utilizado para avaliar a aceitação dos alunos em relação ao curso digital. Resultados: Não houve diferença significativa (p > 0,05) entre as notas dos alunos das duas classes. Em relação às respostas do questionário, todos os alunos da BC que responderam ao questionário tinham interesse no conteúdo do material disponível no curso digital e o nível de satisfação medido em uma escala de 0 a 10 obteve média de 8,47 (DP = 1,69). Conclusão: O método de educação à distância sobre esse tema utilizando a plataforma Moodle pode ser utilizado com os mesmos resultados educacionais obtidos em um ambiente educacional tradicional.


  • A rescensão.
  • B resumo crítico.
  • C resumo indicativo.
  • D resenha.
  • E resumo informativo.
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Assinale a alternativa que contém somente entradas de autoria de entidades coletivas corretas, segundo o AACR2, para os catálogos de bibliotecas brasileiras.

  • A UNESCO, Organización Panamericana de la Salud, Ministério do Meio Ambiente.
  • B United Nations Educational, Scientific, and Cultu- ral Organization, PAHO, Brasil. Ministério do Meio Ambiente.
  • C UNESCO, Pan American Health Organization, Ministério do Meio Ambiente.
  • D United Nations Educational, Scientific, and Cultural Organization, Pan American Health Organization, Brasil. Ministério do Meio Ambiente.
  • E UNESCO, Organização Pan-americana da Saúde, Brasil. Ministério do Meio Ambiente.

Estatística

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Leia o texto a seguir para responder à questão.

Uma urna contém 3 bolas brancas e duas bolas pretas. Retira-se dela uma bola ao acaso que, em seguida, é devolvida e misturada entre as demais. Retira-se, então, uma segunda bola também ao acaso.

A probabilidade de que as duas bolas retiradas tenham cores diferentes é

  • A 24/25
  • B 12/25
  • C 8/25
  • D 5/25
  • E 3/ 5
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Supondo uma série de valores que segue um modelo ARMA(1,1) dado por Zt = 0,8 Zt–1 – 0,4 at–1 + at em que at é o erro aleatório no instante t e Zt é o valor no instante t. Sabendo-se que os 3 primeiros valores da série são Z1 = 1,1, Z2 = 1,2 e Z3 = 1,3 e considerando o erro aleatório no instante 1 igual a zero (a1 = 0), então a previsão para o valor Z4 utilizando-se este modelo é aproximadamente:

  • A 1,4.
  • B 1,0.
  • C 1,1.
  • D 0,95.
  • E 0,8.
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Considerando a técnica de amostragem aleatória simples, as variáveis contínuas Y e X e o estimador de regressão linear (de Y em X) da média de Y, denotado por Imagem 107.jpg, analise.

I. O estimador Imagem 108.jpg envolve um termo de correção que depende da estimativa do coeficiente angular da regressão de Y em X.

II. A estimativa da variância do estimador Imagem 109.jpg é alterada pelo sinal (negativo ou positivo) da estimativa do coeficiente de correlação linear entre Y e X.

III. O vício (ou viés) do estimador Imagem 110.jpg é zero, mesmo se o coeficiente de correlação linear entre as variáveis Y e X for diferente de zero.

Assinale

  • A se todas as afirmativas estiverem corretas.
  • B se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
  • C se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
  • D se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
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Seja Imagem 019.jpg(S,n) a probabilidade de uma soma S no lançamento de n dados de L-lados. Assim, Imagem 020.jpg(5, 2) é

  • A 2/9.
  • B 1/3.
  • C 1/9.
  • D 1/4.
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Resultados de uma pesquisa declaram que o desvio padrão da média amostral é 32. Sabendo que o desvio padrão populacional é 192, então o tamanho da amostra que foi utilizada no estudo foi

  • A 6.
  • B 25.
  • C 36.
  • D 49.
  • E 70.
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O enunciado a seguir refere-se a questão abaixo.

Uma população considerada normal para certa característica apresenta média µ=24 com desvio-padrão σ = 6.

O teste de hipótese bicaudal com nível de significância de 5% aceitará a hipótese nula se a região de aceitação para a média de uma amostra aleatória de tamanho n = 64 for o seguinte intervalo numérico:

  • A 20,69
  • B 22,53
  • C 22,83
  • D 23,81
  • E 30,04
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Supondo que em uma amostra de 4 baterias automotivas tenha-se calculado o tempo de vida média de 4 anos. Sabe-se que o tempo de vida da bateria é uma distribuição normal com desvio padrão de 1 ano e meio.

Então, o intervalo de 90% de confiança para a média de todas as baterias é de, aproximadamente:

  • A 4 anos ± 15 meses
  • B 4 anos ± 12 meses
  • C 4 anos ± 10 meses
  • D 4 anos ± 8 meses
  • E 4 anos ± 5 meses
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Sobre o modelo de fatores ortoganais, é correto afirmar que

  • A a variância específica é a porção da i-ésima variável explicada pelos m fatores comuns.
  • B os desvios são distribuídos de acordo com um processo de Markov de grau 1.
  • C o i-ésimo fator específico é associado somente com a i- ésima variável resposta
  • D os desvios são representados por variáveis aleatórias observáveis, assim como no modelo de regressão multivariada.
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Sobre planos de amostragem (PA) para controle estatístico de qualidade é correto afirmar que em PA

  • A por atributos, não há erro tipo I, ou seja, não há probabilidade de recusar lotes bons.
  • B por atributos normalizados, os custos são maiores que em inspeção a 100%.
  • C por atributos, pretende-se aceitar um lote com base na análise da proporção de elementos defeituosos relativamente a um valor padrão.
  • D por atributos normalizados, pretende-se rejeitar um lote com base na análise da proporção da variância normal relativa ao valor da variância amostral por uma constante comum.
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Leia o texto seguinte e os dados da tabela, para responder à questão.

Em uma pesquisa para estudo da distribuição de uma variável contínua (x), foram examinados n itens. A tabela de distribuição de frequência que resultou desse estudo está parcialmente representada a seguir, para a qual xi é a coluna dos valores da variável estudada e P a coluna dos valores da frequência acumulada em percentual.

xi P (%)
20 — 40 10
40 — 60 30
60 — 80 60
80 — 100 85
100 — 120 100

Define-se por curtose de uma distribuição de frequência o seu grau de achatamento em relação à curva de distribuição normal. A medida de curtose é dada por C = (Q3 - Q1 ) / 2(D9 - D1 ) em que Q3 e Q1 são, respectivamente, o terceiro e o primeiro quartil, e D9 e D1 são, respectivamente, o nono e o primeiro decil. Considerando-se, então, os dados da distribuição descrita na tabela, é correto afirmar que o valor de C é, aproximadamente,

  • A 0,48.
  • B 0,40.
  • C 0,32.
  • D 0,28.
  • E 0,20.

Português

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As tecnologias de Big Data chegaram silenciosamente, mudan do a estratégia de muitos negócios. Fatos dignos de ficção científica, como lojas de departamentos capazes de identificar se suas consumidoras estão grávidas a partir do padrão de consumo e serviços de busca mapeando em tempo real o progresso de pandemias, já são notícia velha.
Empresas e instituições de vários tipos e tamanhos hoje são capazes de coletar dados a partir de várias fontes, combinando-os em sistemas de armazenamento da ordem de petabytes (mil terabytes), e analisá-los em busca de padrões. O resultado são previsões melhores, serviços mais personalizados e mensagens mais bem dirigidas, estimulando decisões mais bem informadas e mais seguras.
Da mesma forma que os grandes volumes de dados mudam a gestão de corporações, uma nuvem de pequenas informações pessoais, conectadas, começa a provocar uma mudança de costumes. São dados que registram o que uma pessoa sabe a respeito de si própria: o que fez, quem conhece, aonde foi, como dormiu, quanto pesa, como passa o tempo.
Mensuração e análise são ótimas. Sem elas é quase impossível progredir. Mas é preciso cautela em seu uso. A obsessão por elas, da mesma forma que a procura desesperada por seguidores nas mídias sociais, pode piorar uma situação, deixando seu usuário viciado nas estatísticas que deveriam libertá-lo.
QI, placares e centímetros de bíceps são métricas observáveis e fáceis de comparar. Mas isso não quer dizer que sejam as melhores ou mesmo as certas. Um funcionário pontual nem sempre é o melhor funcionário, mais conexões não significam mais conhecimento.
Além do mais, o que é o certo? A preocupação excessiva com as métricas pessoais pode levar à padronização e à robotização de seus usuários, um efeito colateral bastante desagradável. Em situações extremas pode até criar autômatos ou estimular comportamentos doentios, como anorexia ou bulimia.
De qualquer forma, a ignorância nunca é uma bênção. Os benefícios do autoconhecimento são incomparáveis. Mas para isso é preciso um pouco de trabalho. Não basta apenas coletar os dados, deve-se também refletir sobre eles e planejar novas metas periodicamente, aprendendo a identificar padrões de comportamento nocivos e recorrentes. Nesses termos, a quantificação pessoal só deve fazer bem.

(Luli Radfaher, Little data. Disponível em: http: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 20 mar 2014. Adaptado)


É correto afirmar que o autor desse texto reconhece a importância das tecnologias de armazenamento de dados pessoais,

  • A mas faz restrições a seu uso imponderado pelos usuários, prevendo efeitos nefastos
  • B apontando-as como solução para a maior parte dos problemas pessoais de controle de peso.
  • C apesar de não vislumbrar aspectos positivos do uso delas nos ambientes corporativos.
  • D expondo limitações que há nas aplicações delas para vencer a ignorância, prejudicial aos usuários.
  • E contanto que os usuários, empresas ou particulares, não divulguem seus dados em redes sociais.
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assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta e respectivamente, considerando a norma culta da língua portuguesa.

Existem vários________a que temos direito,__________ não sabemos.

  • A benefícios … porque
  • B benefício … quando
  • C benefício … se
  • D benefícios … porém
  • E benefícios … conforme
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Leia o texto para responder à questão.


Novos tempos


Não dá para afirmar que seja despropositada a decisão do Supremo Tribunal Federal de dar aos réus todas as possibilidades recursais previstas em lei. O que dá, sim, para discutir é se nosso marco legislativo não é absurdamente pródigo em recursos.
Minha impressão é que, a exemplo do que aconteceu coma medicina, o direito foi atropelado pelos novos tempos e nem percebeu. Se, até algumas décadas atrás, ainda dava para insistirem modelos que procuravam máxima segurança, com médicos conduzindo pessoalmente cada etapa dos processos diagnóstico e terapêutico e com advogados podendo apelar, agravar e embargar nas mais variadas fases do julgamento, isso está deixando de ser viável num contexto em que se pretende oferecer medicina e justiça para uma sociedade de massas.
Aqui, seria preciso redesenhar os sistemas, fazendo com que o cidadão só fosse para a Justiça ou para o hospital quando alternativas que dessem conta dos casos mais simples tivessem se esgotado. Não há razão, por exemplo, para que médicos prescrevam óculos para crianças ou para que divórcios e heranças não litigiosos passem por juízes e advogados.
É perfeitamente possível e desejável utilizar outros profissionais, como enfermeiros, tabeliães, notários e mediadores, para ajudar na difícil tarefa de levar saúde e justiça para todos. A dificuldade aqui é que, como ambos os sistemas são controlados muito de perto por entidades de classe com fortes poderes, que resistem naturalmente a mudanças, reformas, quando ocorrem, vêm a conta-gotas.
É preciso, entretanto, racionalizar os modelos, retirando seus exageros, como a generosidade recursal e a centralização no médico, mesmo sob o risco de reduzir um pouco a segurança. Nada, afinal, é pior do que a justiça que nunca chega ou a fila da cirurgia que não anda.


(Hélio Schwartsman. http://www1.folha.uol.com.br. 28.09.2013. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o termo em destaque está empregado em sentido figurado.

  • A ... dar aos réus todas as possibilidades recursais...
  • B ... médicos conduzindo pessoalmente cada etapa dos processos diagnóstico e terapêutico...
  • C Aqui, seria preciso redesenhar os sistemas...
  • D ... quando alternativas que dessem conta dos casos mais simples tivessem se esgotado.
  • E É perfeitamente possível e desejável utilizar outros profissionais...
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Na expressão – Num lance rápido,... – (5.º parágrafo), o termo lance significa

  • A perigo.
  • B arremesso.
  • C pensamento
  • D inclinação.
  • E movimento.
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Quem precisa de Cerimonial e Protocolo?

O Brasil já assistiu a inúmeras cerimônias e solenidades nas quais se deu posse a titulares de cargos públicos. Nessas oca siões, os brasileiros, que costumam ser descritos recorrentemente como informais, calorosos e não afeitos à ritualística e ao rigor protocolares, notam a necessidade da “liturgia civil,” do simbolismo de Estado, da magia que o poder exerce sobre todos.

O problema é que o Cerimonial e o Protocolo não estão lá somente quando há uma cerimônia, uma festividade. Eles sempre estão lá. Onde houver poder, comando, governo, haverá necessariamente aqueles que orientam, assessoram os que comandam e governam. Até a vida humana, individual e coletivamente, é prenhe de ritos e de hierarquias.

Porém, não há uma Teoria de Cerimonial e Protocolo academicamente estabelecida e este acaba sendo o motivo principal para evitar seu estudo nas universidades. Além disso, os que trabalham com C & P não costumam problematizar e sistematizar suas atividades e os conceitos que as orientam, permitindo lacunas e mal-entendidos na ideia que se tem a seu respeito.

O senso comum tende a imaginar C & P como “etiqueta”, “pompa e circunstância” e até, jocosamente, como “afrescalhamento”. A etiqueta, aqui entendida como “pequena Ética” ou “Ética dos detalhes”, permeia o Protocolo, sedimenta-o, mas não o limita. O Cerimonial é a arte, a ciência, o conhecimento que fundamenta o curso dos rituais, dos eventos, das solenidades; já o Protocolo é a arte, a ciência, o conhecimento que comunica esses eventos, é o código civilizacional por meio do qual o ser humano perscruta os ritos imemoriais, as tradições ancestrais das normas de convívio social.

O desempenho e os encargos de um chefe de C & P, bem como de seus assessores e agentes, são extremamente diplomáticos, e envolvem conhecimentos de Relações Públicas, Relações Internacionais e Ciências Sociais.Vejo falta de respeito, de apego, mas, sobretudo, de conhecimento, no que tange à Etiqueta, ao Cerimonial e ao Protocolo em diversos setores de nossa sociedade: nas religiões institucionalizadas, nas agremiações culturais e desportivas, nas escolas públicas e privadas, nas universidades, nas ONGs e até nos condomínios!

É necessária uma valorização do humano e uma ecovisão em que a polidez e a cortesia constituam um imperativo categórico, no dizer de Kant, filósofo alemão. Para tanto, urge que os dirigentes, os governantes concentrem seus esforços e atenções na Educação.

Concluo rogando aos agentes da administração pública que tomem consciência da precisão do Cerimonial e do Protocolo, não permitindo que incumbências tão elevadas sejam desconsideradas. E que haja investimentos na devida formação e capacitação dos que são chamados a trabalhar na área.

(Bruno de Cerqueira. Pós-graduado em Relações Internacionais)

(www.brunodecerqueira.blogspot.com.br. Adaptado)



Bruno de Cerqueira, autor do texto, aponta

  • A o interesse das instituições privadas nas regras cerimoniais
  • B o desconhecimento dos protocolos nas instâncias sociais.
  • C a tradição das teorias de C & P em cursos de Relações Públicas.
  • D a preocupação das escolas em adotar os conceitos de C & P.
  • E a ênfase às regras de etiqueta em ambientes privados.
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Texto
Conversa de grego

Tinha recebido pequena herança de uma tia. Queria aplicar o dinheiro numa atividade que lhe desse algum lucro, porém, mais que lucro, satisfação intelectual. Descartou a ideia de abrir uma banca de jornal. Jornaleiro tem que acordar de madrugada. Queria coisa mais suave. Foi pedir conselho a um amigo. Ainda há pessoas que acreditam em conselhos. O amigo era criativo.
- Abra um curso de grego. Todo mundo está abrindo cursos de línguas. Inglês, espanhol... Hoje, com o Mercosul, são comuns jogos de futebol contra a Argentina, o Uruguai, o Chile, o espanhol está em alta. Não se admite mais o portunhol de antes. O negócio de hoje é abrir um curso de espanhol. Inglês também, é claro. Atualmente até para comer um sanduíche é preciso saber inglês. McDonald\'s, Coca, Blue Life... Não se diz mais apartamento. É loft. Daqui a uns vinte anos, quando o Brasil tiver liquidado sua dívida externa, as relações pessoais com o resto do mundo serão feitas no idioma de Cervantes, de Carlos Gardel e, claro, na língua do Clinton... Entendeu?
- Não.
- É simples. É preciso alargar os horizontes. É a razão por que em qualquer esquina da cidade surgem placas de cursos de línguas. Você tem que ser esperto... Entendeu?
- Ainda não.
- Serei mais objetivo. A cidade está saturada de cursos de inglês e de espanhol... Percebe?
- Percebo.
- Muito bem. Agora me diga: quantos cursos de grego você conhece na cidade?
- Bem...
- Taí. Nenhum... Nem um, cara. O que existe é escola de inglês, de espanhol, de informática... Até de ikebana. Mas de grego, rapaz, não existe. Então é isso. Você tem que aproveitar as brechas que o mercado oferece. Abra um curso de grego.
- Mas...
- Não tem mas. Já pensou formar classes de alunos interessados em ler Xenofonte no original? O problema do Brasil é que todo mundo quer ir pelo caminho mais fácil. O sujeito abre uma pizzaria, no mês seguinte outros doze cidadãos resolvem abrir o mesmo tipo de negócio na mesma rua. Desse jeito é claro que não vai dar certo... Veja o caso da comida por quilo. Está arruinando com o negócio do prato feito. O tradicional prato feito elaborado com carinho, artesanalmente, cada bar com seu tempero peculiar... Hoje o prato feito está indo pro brejo. Só tem comida por quilo. O mercado vai acabar saturado de comida por quilo. Escute o que lhe digo: daqui a cinquenta anos, ou um pouco mais, quando o Brasil tiver se safado da dívida externa, ninguém vai poder nem olhar comida por quilo... Entendeu?
- Hum...
- Vou explicar melhor, Anaxágoras. Teu pai não era comandante da marinha mercante grega?
- Foi.
- E tua genitora? Nasceu onde?
- Em Chipre.
- Era cipriota. Eu sabia. Perguntei por perguntar. Veja bem. Teu pai era comandante de navio grego, tua mãe era cipriota, você se chama Anaxágoras, passou a infância ouvindo os pais falando grego. Cursou a universidade... Que curso você fez na faculdade?
- Grego, ué. Você sabe disso...
- Aí é que está. Você tem tudo para abrir um curso de grego.
- Você acha que há alguém disposto a aprender grego? Qual a utilidade prática? Inglês vá lá... Até jogador do Palmeiras precisa disso para disputar a taça Toyota...
- Taça Mitsubishi.
- Mitsubishi, Honda, tanto faz... Tem o torneio Mercosul...
- Mercosur.
- Tanto faz. Mas, grego? Nem sei se a Grécia tem time de futebol.
- Claro que tem. Mas não estamos falando de futebol. As pessoas precisam alargar seus horizontes culturais. Quantas pessoas sabem quem foi Alexandre, o Grande? A vida de Alexandre é uma novela. Novela - você entendeu o que quero dizer? No-ve-la. Já imaginou emplacar uma novela grega na TV? Quem dominou o mundo? Quem chegou a Roma e a Cartago? Quem atravessou as Colunas de Hércules? Os gregos mudaram a face do mundo, rapaz. Ainda hoje, quando se quer falar que uma mulher é de fechar o comércio, o que se diz?
- Que é boazuda.
- Isso quem fala é a ralé. Gente educada diz: “É uma mulher de beleza helênica". As pessoas ainda têm muito o que aprender com Tucídides, com o general Brásidas, com o cerco de Esfactéria, com a guerra do Peloponeso... A Grécia dá samba, amigo. Infelizmente, as pessoas estão sendo induzidas a se entreter com histórias de macarronada, de amores entre fazendeiros e mucamas... Vá por mim, Anaxágoras. Abra um curso de grego. Você vai faturar uma nota. Daqui a cem anos, quando o Brasil..
- ... zerar a dívida externa...
- Exato. O grego vai voltar a ter a importância cultural do passado. Mas alguém tem que iniciar o processo. Entendeu?
- Entendi...
- Então o próximo passo é bolar o nome da escola. Que tal Ágora? Ágora era a praça onde os gregos discutiam filosofia. Me parece um bom nome para um curso de grego. Gostou da ideia?
- Não é ruim. Apenas precisa de uns ajustes técnicos...
Três meses depois Anaxágoras inaugurava o Ágora, um restaurante especializado em delivery de prato-feito grego.

(DIAFÉRIA, Lourenço. Conversa de grego. In.: PINTO, Manuel da Costa.
Crônica brasileira contemporânea. São Paulo: Moderna, 2008. p. 52-56
.)


O amigo do protagonista lhe sugere abrir um curso de grego e, para o convencer, recorre ao discurso argumentativo.  Ele elenca argumentos

  • A coerentes com a proposta apresentada.
  • B incoerentes e desconexos com a sugestão.
  • C relacionados logicamente a posição sugerida.
  • D inconsistentes e conexos com a ideia precedente.
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Assinale a alternativa que substitui o trecho em destaque na frase – Assinarei o documento, contanto que garantam sua autenticidade. – sem que haja prejuízo de sentido.

  • A desde que garantam sua autenticidade.
  • B no entanto garantam sua autenticidade.
  • C embora garantam sua autenticidade.
  • D portanto garantam sua autenticidade.
  • E a menos que garantam sua autenticidade.
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Um homem de consciência

Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.
Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E, por muito tempo, não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.
Mas João Teodoro acompanhava com aperto no coração o desaparecimento visível de sua Itaoca.
“Isto já foi muito melhor”, dizia consigo. “Já teve três médicos bem bons - agora um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está se acabando ...”
João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar- -se, mas para isso necessitava de um fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.
“É isso”, deliberou lá por dentro. “Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui.”
Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, se julgava capaz de nada ...
Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado - e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca! ...
João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou seu cavalo magro e partiu.
- Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?
- Vou-me embora - respondeu o retirante. - Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.
- Mas, como? Agora que você está delegado?
- Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado eu não moro. Adeus.
E sumiu.

(Monteiro Lobato. Cidades Mortas. São Paulo: Globo, 2009)

rábula: advogado sem diploma

Assinale a alternativa que expressa a visão que João Teodoro tinha de Itaoca.

  • A Em nenhum momento ele teve esperança de que as coisas pudessem melhorar.
  • B Já havia sido uma boa cidade, agora vivia sua decadência.
  • C Não precisava de advogados, pois era uma cidade muito pacata e calma.
  • D Tinha muitos habitantes valorosos que não se mudavam da cidade.
  • E Os moradores não queriam mudar-se, pois lá eles viviam com muita alegria.
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Leia a charge para responder à questão.




De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, a lacuna na fala da personagem deve ser preenchida com

  • A que
  • B cujo
  • C de que
  • D ao qual
  • E aonde se
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Grupo quer criar cooperativa de catadores de pelo

Catadores de pelo de cachorro. É a mais nova modalidade de cooperativa de reciclagem, que pretende recolher o material da tosa em pet shops* e transformá-lo em roupas de animais.

O projeto de transformar pelo de poodle em tecido começou em uma escola do Senai em 2008 e ganhou legitimidade após pesquisa na USP demonstrar que o material é similar ao da lã de carneiro e pode passar pelo processo de fiação.

“Um leigo não conseguiria diferenciar um do outro", diz Renato Lobo, que realizou o estudo com pelo de poodle em seu mestrado. Segundo ele, há similaridade entre os dois em relação à maciez, tingibilidade (capacidade de receber corante), alongamento, absorção de líquido e isolamento térmico.

Do ponto de vista técnico, Lobo explica que a única diferença entre o pelo do poodle e a lã do carneiro é o comprimento da fibra - mais curta no primeiro. Mas essa diferença não altera o processo de fiação, porque há um maquinário próprio para fibras mais curtas.

Agora, a proposta é montar uma cooperativa de catadores de pelo seguindo o mesmo modelo das que hoje reciclam latinhas e papelão. Lobo diz que há negociações com três dessas cooperativas para possível parceria.

Hoje, o pelo é descartado no lixo pelos pet shops. A ideia é que, após a coleta, limpeza e fiação, ele vire roupinhas para animais que serão vendidas também nas lojas. “Estamos em contato com ONGs que produzem essas roupas para animais de estimação para apresentar o tecido feito de pelo."

“A procura por roupas de animais é grande, principalmente no inverno. Tenho certeza de que haverá interesse, porque as pessoas adoram uma novidade", diz o veterinário Sergio Soares Júnior.

E roupas para humanos? Segundo Lobo, “Há viabilidade técnica para produzi-las, mas não sei se haveria aceitação. As pessoas usam casacos de couro, mas não sei se aceitariam roupas de pelo de cão. De animal para animal, fica mais fácil."

(Cláudia Collucci, Folha de S.Paulo, 20.07.2014. Adaptado)

* pet shops: lojas especializadas em serviços e artigos relativos a animais de estimação

Conforme o texto, a cooperativa de catadores de pelo de poodle

  • A deverá ser gerenciada por veterinários ou por proprietários de pet shops.
  • B poderá trabalhar em conjunto com cooperativas que reciclam latinhas e papelão.
  • C foi inicialmente idealizada por cooperativas de catadores de latinhas e de papelão.
  • D venderão o pelo diretamente a lojas especializadas em roupas de animais.
  • E passou a operar em 2008 a partir da parceria estabe- lecida entre o Senai e a USP
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