Resolver o Simulado Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP) - Agente de Defensoria - Assistente Social - FCC - Nível Superior

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Serviço Social

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Em sua trajetória histórica a “Assistência Social" brasileira foi cunhada pela matriz do favor, do clientelismo, do apadrinhamento e do mando, caracterizando-se por décadas como uma “não política", renegada à benemerência, à caridade e à filantropia. A Constituição Federal de 1988 e a Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, de 1993, trouxeram a “Assistência Social" para um campo novo: o da

  • A proteção social pública.
  • B política de governo.
  • C sociedade civil organizada.
  • D cidadania regulada.
  • E publicização ordenada.
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Segundo José Paulo Netto (1992), as políticas sociais

  • A em hipótese nenhuma podem ser decorrentes das antecipações estratégicas do Estado em torno das reivindicações dos trabalhadores.
  • B esgotam-se na tensão bipolar entre a sociedade e o Estado Burguês.
  • C tratam-se de uma conexão causal imediata entre seus protagonistas.
  • D não resultam de confrontos de classe e sim de um consenso da sociedade e Estado para o bem-estar.
  • E decorrem também da capacidade de mobilização e organização da classe operária e do conjunto dos trabalhadores.
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A configuração dos programas de transferência de renda adotados no Brasil a partir dos anos 90, com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e dos anos 2003 com o Bolsa família, vinculados à assistência social, devem ser interpretados no que concerne ao sistema de proteção social. Está correto afirmar que

  • A o mesmo está delineado pela seguridade social contributiva, responsável pelos benefícios previdenciários e no campo da seguridade não contributiva está constituída pelas políticas de saúde e de trabalho, sendo assim, os programas de transferência de renda não podem ser considerados parte do sistema de proteção social não contributivo.
  • B sua configuração não pode e não deve contar com programas de transferência de renda, pois os mesmos têm marcas de projetos de governos e não proteção social de Estado. Além disso, seus resultados expressos em estudos recentes demonstram que não contribuem para a recuperação da condição de miserabilidade de seus beneficiários.
  • C os programas de transferência de renda constituem-se em direito de cidadania e ampliação do modelo de proteção social não contributiva destinados a todos aqueles que atendem os requisitos definidos em lei.
  • D não é possível estabelecer nexo entre a responsabilidade estatal e social em relação à pobreza, pois a mesma é resultante do modo como cada indivíduo se apropria das oportunidades que sua trajetória de vida apresenta. Nesta linha, os programas de transferência de renda devem ser assumidos como benefícios eventuais para circunstâncias específicas e sempre associados à possível inserção no mercado de trabalho.
  • E os programas de transferência de renda não podem ser considerados parte da política de assistência social, pois esta estabelece como direitos e seguranças afiançados a oferta de serviços com foco apenas no acompanhamento das condicionalidades nas políticas de saúde e educação.
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O Assistente Social, ao prestar atendimento a uma mulher que possui 3 filhos com idades de 08, 14 e 18 anos, identifica que seu marido está preso e é segurado da Previdência Social. Para que tenha direito ao auxílio-reclusão, o critério que deve ser observado é:

  • A O marido esteja preso sob regime fechado, semi-aberto, em livramento condicional ou cumprindo pena em regime aberto.
  • B O segurado não esteja em gozo de auxílio-doença ou aposentadoria para ter direito ao benefício.
  • C O número de filhos que possui, pois o benefício é pago, proporcionalmente, à quantidade destes.
  • D A existência de conta bancária em nome do preso, pois o benefício é pago diretamente ao preso.
  • E A existência de filho menor de 21 anos, pois acima desta idade, em nenhuma hipótese será considerado como dependente.
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Há elementos-chave da redução de danos que são universais e que devem permear as estratégias de políticas ou intervenções de saúde pública, as quais buscam aplicar os princípios de redução de danos. Identifique um desses elementos:

  • A a estratégia de redução de danos é complementar às estratégias de controle da demanda e da oferta.
  • B seu foco é nos comportamentos em si e não nas consequências.
  • C a estratégia é realista e reconhece que o consumo de álcool poderá ser interrompido em muitas comunidades, dependendo das ações a serem desencadeadas.
  • D a estratégia de redução de danos julga o consumo de álcool e não a redução dos problemas advindos dele.
  • E é uma estratégia pragmática na busca de políticas que sejam inatingíveis para oportunizar mais benefícios do que danos.
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Cláudia, 20 anos, mora sozinha, trabalha sem registro em carteira e namora Pedro, de 23 anos de idade. Cláudia quer adotar uma criança de 6 anos de idade. Conforme o previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, entende-se que Cláudia

  • A não poderá adotar a criança porque é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família.
  • B poderá adotar porque a adotante é quatorze anos mais velha que o adotando.
  • C não poderá adotar porque não possui trabalho estável com registro em carteira.
  • D não poderá adotar porque a adotante não é dezesseis anos mais velha que o adotando.
  • E poderá adotar porque a adotante tem mais de 18 anos.
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O debate acerca da Responsabilidade Social está associado às ações administrativas, produtivas e comerciais empresariais de cunho socioambiental. Nessa área de atuação, o assistente social assume atribuições para além da gestão de Recursos Humanos − RH, exercendo também funções

  • A que se assemelham às ações filantrópicas.
  • B de planejamento voltadas para programas internos de qualidade de vida.
  • C que envolvam as atividades-fim desenvolvida pela empresa.
  • D voltadas ao planejamento, avaliação e controle da missão empresarial.
  • E definidas conforme o perfil dos colaboradores da empresa.
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Atualmente no Brasil, a violência contra mulheres é reconhecida como violação dos direitos humanos e, para tanto, estabeleceu- se a prevenção como um dos eixos fundamentais para

  • A a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos familiares que valorizem a sua composição com pai, mãe e filhos.
  • B a inserção nos currículos escolares em todos os níveis de ensino, para os conteúdos relativos ao papel da mulher na sociedade, no cuidado com o espaço doméstico.
  • C o fortalecimento de práticas sociais voltadas às virtudes femininas de diálogo, subalternidade e mediação, por meio de realização de campanhas.
  • D a transformação dos valores discriminatórios ainda praticados pela sociedade brasileira, especialmente no que se refere aos estereótipos dos papéis masculino e feminino.
  • E a afirmação do caráter restrito ao âmbito privado para a resolução de violência ocorrida do homem sobre a mulher.
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A noção de propriedade privada foi essencial para a formação da família, pois a partir do sistema patriarcal, os homens e as mulheres teriam papéis definidos na sociedade. Esses papéis remetem-se a centralidade do poder no homem

  • A como chefe de família cabendo à mulher fidelidade e castidade.
  • B como responsável financeiro da família e à mulher o cuidado dos filhos.
  • C como responsável pelo cuidado dos filhos e à mulher as tarefas domésticas.
  • D e na mulher e à garantia da religiosidade dos filhos.
  • E e à mulher, obediência.
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O Art. 6o da Constituição Federal refere-se aos direitos sociais, sendo que este sofreu duas Emendas Constitucionais, uma em 2000 e outra em 2010. Essas Emendas acrescentaram dois novos direitos sociais ao Art. 6o , que são os direitos

  • A ao lazer e à segurança.
  • B à acolhida e à renda.
  • C à moradia e à alimentação.
  • D à convivência familiar e à comunitária.
  • E ao trabalho e à previdência social.
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A Assistência Social prevê a concessão de benefícios continuados que podem atender à situação de vulnerabilidade social identificada como

  • A o nascimento, para atender preferencialmente: necessidades do bebê que vai nascer; apoio à mãe nos casos em que o bebê nasce morto ou morre logo após o nascimento; ou apoio à família no caso de morte da mãe.
  • B os impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, da pessoa com deficiência de qualquer idade que comprove não ter meios para suprir sua subsistência ou de tê-la suprida por sua família, cuja renda per capita mensal é inferior a ¼ do salário mínimo.
  • C a morte, para atender preferencialmente: despesas de urna funerária, velório e sepultamento; necessidades urgentes da família, advindas da morte de um de seus provedores ou membros; ou ressarcimento, no caso da ausência do benefício no momento necessário.
  • D as contingências sociais, decorrentes de: falta de acesso a condições e meios para suprir a manutenção cotidiana do solicitante e de sua família, principalmente a de alimentação; e outras situações sociais que comprometam a sobrevivência.
  • E a calamidade pública, para o atendimento das vítimas, de modo a garantir a sobrevivência e a reconstrução de sua autonomia, sendo essa reconhecida como situação anormal, advinda de baixas ou altas temperaturas, tempestades, enchentes, desabamentos, entre outras, causando sérios danos à comunidade afetada, inclusive à segurança ou à vida de seus integrantes.
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O assistente social do Tribunal de Justiça, ao atender uma família, tendo entre um de seus membros uma criança com deficiência que não recebe atendimento na rede pública de saúde, deve

  • A oferecer todas as orientações necessárias que subsidiem para busca do seu direito, pois a legislação assegura atendimento integral à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Sistema Único de Saúde, garantido o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde, e atendimento especializado à criança e ao adolescente portadores de deficiência.
  • B encaminhar a família para o Centro de Referência de Assistência Social − CRAS, considerando que, para tanto, é necessário que haja uma declaração de que essa criança é, de fato, uma pessoa com deficiência nos termos da Lei no 8.742/1993.
  • C agendar junto ao Instituto Nacional do Seguro Social − INSS, uma perícia para avaliação da criança, pois, para que se enquadre na condição de prioridade no atendimento da política de saúde há necessidade de que a mesma seja avaliada pelas normas da Classificação Internacional de Funcionalidade − CIF, que é fornecida pela perícia médica do INSS.
  • D solicitar junto ao Ministério Público, especificamente à Promotoria dos Direitos Constitucionais, uma senha para que a família seja atendida pelo corpo técnico vinculado à essa instância, que se configura como a única autorizada a prover os direitos sociais relacionados às prioridades previstas na Lei no 11.185/2005.
  • E informar que não há ação de garantia de prioridade para o caso específico que se coloca, pois a saúde é uma política pública de acesso universal e isso inclui: crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiências e, no caso específico da saúde, a prioridade se dá pelo nível de gravidade.
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O salário-família é um benefício previdenciário que possui como critério, dentre outros,

  • A ser segurado da Previdência Social e possuir filhos de, até 16 anos de idade, ou inválidos de qualquer idade.
  • B a exigência de tempo mínimo de contribuição de 6 meses.
  • C ser segurado da Previdência Social e estar em exercício da atividade profissional, pois o desempregado não tem direito a esse benefício.
  • D destinado ao trabalhador, independentemente do valor de seu salário.
  • E destinado ao trabalhador segurado empregado, o doméstico, ao trabalhador avulso e ao trabalhador avulso aposentado por invalidez, por idade ou em gozo de auxílio-doença.
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O assistente social trabalha com a questão social e com suas expressões ou manifestações: o desemprego, o analfabetismo, a fome, a moradia na favela, a falta de leitos em hospitais, a violência e a inadimplência. Nessa direção, a questão social

I. apresenta-se nas objetivações concretas que sintetizam as determinações prioritárias do capital sobre o trabalho.

II. representa não só as desigualdades, mas, também, o processo de resistência e luta dos trabalhadores.

III. coloca-se em novos patamares frente o avanço das organizações dos trabalhadores e das populações subalternizadas.

Está correto o que se afirma em

  • A I, apenas.
  • B II, apenas.
  • C III, apenas.
  • D I e II apenas.
  • E I, II e III.
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A Constituição Federal de 1988 possibilitou um rompimento com a lógica da organização das políticas sociais até esse período e, dentre elas, a política de saúde. Para a concretização do dispositivo constitucional, foi instituído o Sistema Único de Saúde - SUS, cujo modelo prevê

  • A a garantia do acesso universal apenas para o nível de atenção básica, deixando para os níveis de média e alta complexidade os casos de maior vulnerabilidade social.
  • B a definição da participação paritária da rede pública e da rede privada, considerando que essa forma de organização dá maior liberdade de escolha para os usuários dos serviços.
  • C o atendimento privado realizado de forma complementar ao serviço público, dando-se preferência para as instituições lucrativas, que possuem melhor estrutura, o que pressupõe, qualidade no atendimento público.
  • D a responsabilização do Estado recaindo exclusivamente na prestação de serviços estratégicos e cumprindo papel regulador do sistema privado.
  • E a responsabilização do Estado pelo financiamento e execução dos serviços de saúde e a participação complementar do setor privado na insuficiência do serviço público, cuja preferência é para as instituições filantrópicas.
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A reabilitação profissional é um serviço da Previdência Social, prestado pelo INSS, de caráter obrigatório que prevê

  • A o atendimento médico de caráter continuado para possibilitar o retorno ao mercado de trabalho dos segurados incapacitados por doença ou acidente.
  • B um Programa de Reabilitação Profissional, onde o segurado, após avaliação médico-pericial, é encaminhado e participa por livre adesão.
  • C tempo mínimo de contribuição de 24 meses para que o segurado tenha direito de acesso.
  • D a emissão de certificado, pelo INSS, após concluído o processo de reabilitação profissional, indicando a atividade para a qual o trabalhador foi capacitado profissionalmente.
  • E a responsabilidade do segurado na viabilização dos recursos materiais necessários à reabilitação profissional, tais como os instrumentos de trabalho (materiais imprescindíveis ao exercício de atividade laborativa), transporte e alimentação.
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Os efeitos da crise ambiental são sentidos no cotidiano dos seres humanos, configurando-se o risco e vulnerabilidade ambiental a que determinados grupos sociais são submetidos, demandando dessa forma, o que se denomina justiça ambiental. A justiça ambiental é definida como

  • A um conjunto de princípios que asseguram que nenhum grupo de pessoas suporte uma parcela desproporcional das consequências ambientais negativas de operações econômicas, de políticas ou programas federais, estaduais e locais.
  • B um princípio em que os custos ambientais devem ser plenamente assumidos por programas federais, estaduais e locais que possuem a responsabilidade definida pelo artigo 225 da Constituição Federal que estabelece o meio ambiente ecologicamente equilibrado.
  • C um mecanismo pelo qual a sociedade destina a maior carga dos danos ambientais do desenvolvimento a grupos sociais de trabalhadores, populações de baixa renda e populações mais vulneráveis.
  • D um mecanismo que analisa a poluição ambiental de modo geral, pela perspectiva da formação social linear, que se configura em nossa sociedade.
  • E uma desigual distribuição aos riscos ambientais entre os grupos sociais, causando para uns, maior exposição a estes riscos e conforto ou segurança ambiental para outros, decorrente de sua posição na hierarquia social.
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O Art. 5o da Constituição Federal afirma que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Nesse sentido, considere as seguintes assertivas:

I. A manifestação do pensamento é livre, sendo vedado o anonimato.

II. A expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação é livre, independentemente de censura ou licença.

III. A casa é asilo inviolável do indivíduo, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.

IV. O acesso à informação é assegurado a todos, independentemente da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

Está correto o que consta APENAS em

  • A I, II e IV.
  • B II, III e IV.
  • C III e IV.
  • D I e IV.
  • E I, II e III.
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O Serviço Social deve ser pensado na contradição capital/trabalho e o ponto de partida da análise é que o significado social dessa prática profissional

  • A revela-se de imediato e no próprio relato do fazer profissional e das dificuldades que vivencia cotidianamente.
  • B supõe ater-se na superfície da vida social, desencadeando um conjunto de ações intermitentes, burocratizadas, dispersas, dotando-a de um pseudocaráter filantrópico.
  • C supõe inserí-la no jogo das relações das classes sociais e de seus mecanismos de poder econômico, político e cultural, preservando, no entanto, as particularidades da profissão.
  • D parte da compreensão de seu caráter essencialmente técnico, enquanto uma atividade inscrita na divisão social e técnica do trabalho, não tendo conexão com relações de poder presentes na sociedade.
  • E parte da concepção basista da condução do exercício profissional, derivando exclusivamente da intencionalidade do assistente social, isto é, de sua atuação individual e de seu compromisso profissional, que são suficientes para alterar a dinâmica da vida social.
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Para Raichelis (2009), a transformação das sequelas da questão social em objeto de intervenção do Estado instaura um lugar específico do Serviço Social na divisão social e técnica do trabalho na esfera estatal. Para esse exercício profissional, é necessário ter como referência

  • A que a profissão parte da premissa de sua construção a-histórica e a-política de lhe deu o significado que possui na atualidade, independentemente da dinâmica da vida social na qual se insere.
  • B que a estruturação desse espaço sócio-ocupacional foi determinado pela dinâmica harmônica e de consenso que emerge no âmbito estatal em suas relações com as classes sociais.
  • C o compromisso ético-político da profissão, estabelecendo que sua postura profissional, em todos os espaços, deve ser de destensionamento e despolitização da luta pelos direitos.
  • D a afirmação do modelo de política social voltada aos mais pobres entre os mais pobres na perspectiva de refilantropização da questão social.
  • E a direção do desenvolvimento da sociabilidade pública capaz de refundar a política como espaço de criação e generalização de direitos.

Português

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Contribuição de um antropólogo

A maior contribuição do antropólogo Claude Lévi-Strauss
(que, ainda jovem, trabalhou no Brasil, e morreu, centenário, em
2009) é de uma simplicidade fundamental, e se expressa na
convicção de que não pode existir uma civilização absoluta
mundial, porque a própria ideia de civilização implica a coexistência
de culturas marcadas pela diversidade. O melhor da
civilização é, justamente, essa "coalizão" de culturas, cada uma
delas preservando a sua originalidade. Ninguém deu um golpe
mais contundente no racismo do que Lévi-Strauss e poucos
pensadores nos ensinaram, como ele, a ser mais humildes.

Lévi-Strauss, em suas andanças pelo mundo, foi um
pensador aberto para influências de outras disciplinas, como a
linguística. Foi ele também quem abriu as portas da antropologia
para as ciências de ponta, como a cibernética, que era
então como se chamava a informática, conectando-a com novas
disciplinas como a teoria dos sistemas e a teoria da informação.
Isso deu um novo perfil à antropologia, que propiciou uma nova
abertura para as ciências exatas, e reuniu-a com as ciências
humanas.

Em 1952, escreveu o livro Raça e história, a pedido da
Unesco, para combater o racismo. De fato, foi um ataque feroz
ao etnocentrismo, materializado num texto onde se formulavam
de modo claro e inteligível teses que excediam a mera
discussão acadêmica e se apoiavam em fatos. Comenta o
antropólogo brasileiro Viveiros de Castro, do Museu Nacional:
"Ele traz para diante dos olhos ocidentais a questão dos índios
americanos, algo que nunca antes havia sido feito. O
colonialismo não mais podia sair nas ruas como costumava
fazer. Foi um crítico demolidor da arrogância ocidental: os
índios deixaram de ser relíquias do passado, deixaram de ser
alegorias, tornando-se nossos contemporâneos. Isso vale mais
do que qualquer análise."

Reconhecer a existência do outro, a identidade do outro,
a cultura do outro - eis a perspectiva generosa que Lévi-Strauss
abriu e consolidou, para que nos víssemos a todos como
variações de uma mesma humanidade essencial.

(Adaptado de Carlos Haag, Pesquisa Fapesp, dezembro 2009)

Depreende-se da leitura do texto que um legado essencial do pensamento de Lévi-Strauss é

  • A o reconhecimento das diferenças culturais como condição mesma para se compreender o que se considera civilização.
  • B a noção de que todas as culturas são autênticas, porque se legitimam reciprocamente a partir de seus princípios.
  • C a condenação do colonialismo, uma vez que a antropologia interpreta as sociedades tomando por base os povos primitivos.
  • D a especialização da antropologia, que passou a se dedicar ao estudo de povos extintos e a reabilitar seus valores.
  • E a abertura das ciências humanas para a cibernética, o que foi decisivo para o advento e o desenvolvimento da informática.
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Se eu tivesse nascido no circo,
não me machucaria este siso,
doendo agudo na alma.
Desprezaria a abstrata
necessidade de dar certo
na vida e não faria nada.
Aprenderia a domar pulgas, engolir fogo,
adestrar poodles, fazer contorcionismo.
Dependuraria os sonhos no mais alto trapézio,
enfiaria o tédio na jaula dos ursos.
Usaria minhas habilidades
para equilibrar facas na língua
ou entreter o público.
Se eu tivesse nascido no circo,
não teria desejos imediatos ou deveres inadiáveis.
Deixaria cada coisa entregue a seu destino.

(BORGES, Kátia. Malabarismo. In: SOUZA, Adelice (et. al.). Autores baianos: um panorama. Salvador: P55 Edições, 2013. p. 75.
Disponível em: .
Acesso em: 08/10/2013)

Uma redação alternativa, em prosa, para um segmento do texto, em que se mantêm a correção e a lógica é:

  • A O siso, do qual a alma a dor perpassa aguda, não o estaria machucando.
  • B Minhas habilidades seriam usadas para equilibrar facas na língua ou manter o público entretido.
  • C Domar pulgas, engolir fogo, fazer contorcionismo, seriam habilidades fácil de ser aprendida.
  • D Os deveres inadiáveis, eles sumiriam, com cada coisa sendo entregues a seu destino.
  • E No mais alto trapézio seriam dependurados os sonhos, e na jaula dos ursos colocados o tédio.
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A questão refere-se ao texto seguinte.

Pátrio poder

Pais que vivem em bairros violentos de São Paulo
chegam a comprometer 20% de sua renda para manter seus
filhos em escolas privadas. O investimento faz sentido? A
questão, por envolver múltiplas variáveis, é complexa, mas, se
fizermos questão de extrair uma resposta simples, ela é
"provavelmente sim". Uma série de estudos sugere que a
influência de pais sobre o comportamento dos filhos, ainda que
não chegue a ser nula, é menor do que a imaginada e se dá por
vias diferentes das esperadas. Quem primeiro levantou essa
hipótese foi a psicóloga Judith Harris no final dos anos 90.
Para Harris, os jovens vêm programados para ser
socializados não pelos pais, como pregam nossas instituições e
nossa cultura, mas pelos pares, isto é, pelas outras crianças
com as quais convivem. Um dos muitos argumentos que ela usa
para apoiar sua teoria é o fato de que filhos de imigrantes não
terminam falando com a pronúncia dos genitores, mas sim com
a dos jovens que os cercam.
As grandes aglomerações urbanas, porém, introduziram
um problema. Em nosso ambiente ancestral, formado por
bandos de no máximo 200 pessoas, o "cantinho" das crianças
era heterogêneo, reunindo meninos e meninas de várias idades.
Hoje, com escolas que reúnem centenas de alunos, o(a)
garoto(a) tende a socializar-se mais com coleguinhas do mesmo
sexo, idade e interesses. O resultado é formação de nichos com
a exacerbação de características mais marcantes. Meninas se
tornam hiperfemininas, e meninos, hiperativos. O mau aluno
encontra outros maus alunos, que constituirão uma subcultura
onde rejeitar a escola é percebido como algo positivo. O mesmo
vale para a violência e drogas. Na outra ponta, podem surgir
meios que valorizem a leitura e a aplicação nos estudos.
Nesse modelo, a melhor chance que os pais têm de
influir é determinando a vizinhança em que seu filho vai viver e
a escola que frequentará.
(Adaptado de: SCHWARTSMAN, Hélio. Folha de São Paulo,
7/12/2014)

A expressão a que preenche adequadamente a lacuna da seguinte frase:

  • A Poucos são os jovens ...... venham aproveitar-se dos benefícios de uma boa formação escolar num estabelecimento privado.
  • B Garantir uma educação de boa qualidade é quase tão importante quanto garantir a pureza do ar ...... aspiramos.
  • C Há quem ainda ache que os valores ...... os jovens são submetidos no convívio familiar tenham mais peso que os cultivados por seus colegas.
  • D A influência ...... exercem os jovens entre si, no interior dos grupos, acaba sendo fundamental para a formação de todos.
  • E Muito leitor do texto ficará curioso para saber como era a formação ...... se propagava nas comunidades ancestrais.
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Para responder a questão, considere o texto abaixo.

O Chaplin das crianças

Não faz muito tempo, passaram o filme Tempos
modernos
aqui, outra vez, e a gurizada foi ver e gostou. Achou
engraçado engraçado, não apenas engraçado curioso. Você e
eu não temos mais condições de julgar um filme de Charles
Chaplin. A obra de Chaplin faz parte do nosso patrimônio
cultural e mental. A gente a reverencia mesmo sem ver. Gosta
por obrigação. Mas as crianças não tinham nenhum compromis-
so com Chaplin, mal sabiam de quem se tratava, e gostaram
porque gostaram. Uma vez, tínhamos visto juntos uma coleção
de curtas-metragens antigos - inclusive do Chaplin -, e a
reação geral fora de profunda chateação. Minha também, só
que eu não podia confessar. E saí da experiência com sombrias
premonições. Acabara-se a inocência do mundo.

As pessoas se preocupam com o efeito da violência na
sensibilidade das crianças, mas minha preocupação é um pou-
co diferente. Tenho medo de que esta seja uma geração à pro-
va de deslumbramento. Uma geração dessensibilizada não pela
desumanidade que a técnica moderna transmite, mas pela pró-
pria técnica moderna. Certamente, não eram menos violentas
do que os seriados de TV de hoje as comédias pastelão de
50 anos atrás, quando pastelão era apenas uma das coisas que
as pessoas levavam na cara. Mas a novidade do cinema - a pri-
meira arte elétrica, o primeiro divertimento industrial - prevenia
contra a banalização da violência. Todos os saltos dados pela
técnica do entretenimento e da informação desde então nos en-
contraram dispostos ao deslumbramento. Me lembro que quan-
do a televisão mostrou as primeiras tomadas da Lua, direta-
mente da nave que a circundava, ficamos, os adultos, de boca
aberta, emocionados, na frente da TV até que uma das minhas
filhas entrou na sala e perguntou quando aquilo ia acabar, que
ela queria ver um desenho animado.

Sinto muito que meus filhos não terão mais nada com
que se emocionar no desenvolvimento da técnica de divertir,
mas talvez seja melhor assim. A técnica não quer dizer nada
para quem nasceu na era da televisão. A técnica já chegou a
Marte e não tinha nada lá, grande coisa. Mas a simples astúcia
do corpo de um comediante como Chaplin, a sabedoria de um
gesto feito há 50 anos ainda é compreendida e ainda faz rir. Talvez
o fim do deslumbramento com a técnica seja o começo da
verdadeira inocência, depurada e receptiva, e muito mais bem
informada do que a nossa.

(Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses)

O autor do texto acredita que os avanços tecnológicos, quando incorporados pela indústria do entretenimento que é o cinema,

  • A pouco dizem às crianças de hoje, ao contrário das reações violentas que a tecnologia moderna causou quando começou a ser utilizada em escala industrial.
  • B tornam as crianças de hoje menos sensíveis que as de ontem, já que mais expostas à esterilização dos sentimentos promovida pelas técnicas modernas.
  • C tornam as crianças de hoje mais sensíveis que as de ontem, pois um dos efeitos evidentes das novas tecnologias é a intensificação máxima das nossas emoções.
  • D não chegam a impressionar as crianças de hoje, já naturalmente familiarizadas com as novas tecnologias e ainda capazes de se divertir com antigas cenas de humor.
  • E não chegam a impressionar as crianças de hoje, assim como também já não mais as entretêm as cenas de humor antigas, que todos reverenciavam.
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Delicadezas colhidas com mão leve


Era sábado e estávamos os dois na redação vazia da revista. Esparramado na cadeira, Guilherme roía o que lhe restava das unhas, levantava-se, andava de um lado para outro, folheava um jornal velho, suspirava. Aí me veio com esta:
- Meu texto é melhor que eu.
A frase me fez rir, devolveu a alegria a meu amigo e poderia render uma discussão sobre quem era melhor, Guilherme Cunha Pinto ou o texto do Guilherme Cunha Pinto. Os que foram apenas leitores desse jornalista tão especial, morto já faz tempo, não teriam problema em escolher as matérias que ele assinava, que me enchiam de uma inveja benigna.
Inveja, por exemplo, da mão leve com que ele ia buscar e punha em palavras as coisas mais incorpóreas e delicadas. Não era com ele, definitivamente, a simplificação grosseira que o jornalismo tantas vezes se concede, com a desculpa dos espaços e horários curtos, e que acaba fazendo do mundo algo chapado, previsível, sem graça. Guilherme não aceitava ser um mero recolhedor de aspas, nas entrevistas, nem sair à rua para ajustar os fatos a uma pauta. Tinha a capacidade infelizmente rara de se deixar tocar pelas coisas e pessoas sobre as quais ia escrever, sem ideias prontas nem pé atrás. Pois gostava de coisas e de pessoas, e permitia que elas o surpreendessem. Olhava-as com amorosa curiosidade - donde os detalhes que faziam o singular encanto de suas matérias. O personagem mais batido se desdobrava em ângulos inéditos quando o repórter era ele. Com suavidade descia ao fundo da alma de seus entrevistados, sem jamais pendurá-los no pau de arara do jornalismo inquisitorial. Deu forma a textos memoráveis e produziu um título desde então citado e recitado nas redações paulistanas: “Picasso morreu, se é que Picasso morre”.


(Adaptado de: WERNECK Humberto. Esse inferno vai acabar.
Porto Alegre: Arquipélago, 2001. p.45 e 46)


O autor do texto, ao se valer do segmento:

  • A uma discussão sobre quem era melhor (3º parágrafo), está se referindo à competição que havia entre ele e seu amigo Guilherme.
  • B Os que foram apenas leitores (3º parágrafo), está identificando aqueles que liam apressada e desatentamente as matérias do colega.
  • C mero recolhedor de aspas (4º parágrafo), está acusando o vício comum, entre jornalistas, de apresentarem como suas as declarações alheias.
  • D Olhava-as com amorosa curiosidade (4º parágrafo), está se referindo à astuciosa tática utilizada pelo colega para obter confissões de seus entrevistados.
  • E “Picasso morreu, se é que Picasso morre” (4º parágrafo), está ilustrando a originalidade da perspectiva afetiva adotada pelo colega jornalista em seu trabalho.
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As normas de concordância estão plenamente respeitadas na frase:

  • A Sobressai, na igreja projetada por Brunelleschi, os nove anéis circulares horizontais que se estende pelos oito lados da cúpula.
  • B Imagina- e que devam haver outras referências ao poeta Dante Alighieri nos projetos arquitetônicos de Brunelleschi.
  • C Famoso por sua ousadia, nunca inquietou Brunelleschi os nove anéis circulares horizontais que seriam embutidos ao longo dos oito lados da cúpula da igreja.
  • D Quando deparam com a Catedral de Florença, os turistas não imaginam que tantas intempéries, como a peste negra, por exemplo, detiveram sua construção.
  • E Cada um dos círculos que se encontra na cúpula da igreja projetados por Brunelleschi foram inspirados no Paraíso de Dante Alighieri.
27
Por mais de três séculos, do início da colonização ao ocaso do Império, a economia do Brasil foi sustentada pelos escravos. Os negros vindos da África trabalharam nas lavouras de cana-de-açúcar e café e nas minas de ouro e diamante. O tráfico negreiro, por si só, era um dos setores mais dinâmicos da economia. Os historiadores estimam que 4 milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil. Desse total, 1 milhão entrou no país pelo Valongo, um cais construído no Rio de Janeiro em 1758 especialmente para receber navios negreiros. Os escravos eram expostos e vendidos em lojas espalhadas pela vizinhança.
O Valongo deixou de ser porto negreiro em 1831, quan- do foi proibida a importação de escravos. Logo foi apagado. Sobre ele, o Império construiu o Cais da Imperatriz, para o desembarque da mulher de D. Pedro II, Teresa Cristina. Mais tarde, a República aterrou aquela zona e a cobriu com ruas e praças. O maior porto de chegada de escravos desapareceu como se nunca tivesse existido.
Quase dois séculos depois, o Brasil se vê obrigado a encarar novamente um dos cenários mais vergonhosos de sua história. Com o objetivo de embelezar o Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016, a prefeitura pôs em execução uma ampla reforma da decadente zona portuária. Na varredura do subsolo, exigida pela lei, para impedir que relíquias enterradas sejam perdidas, uma equipe de pesquisadores do Museu Nacional encontrou o piso do Cais do Valongo. As ruínas foram localizadas debaixo de uma praça malcuidada entre o Morro da Providência, o Elevado da Perimetral e a Praça Mauá.
O Cais do Valongo ficava longe da vista dos cariocas, na periferia da cidade. Antes de sua abertura os navios negreiros desembarcavam sua carga na atual Praça Quinze, no centro do Rio, justamente onde funcionavam as principais repartições públicas da Colônia. Com o tempo, os burocratas começaram a ficar perturbados com as cenas degradantes do mercado de escravos. O cais do centro continuou funcionando depois da criação do Valongo, mas sem mercadoria humana.

(Ricardo Westin. Veja, 17 de agosto de 2011, p. 126-128, com adaptações)


O verbo que NÃO admite transposição para a voz passiva está em:

  • A ... a República aterrou aquela zona ...
  • B O Cais do Valongo ficava longe da vista dos cariocas ...
  • C ... a prefeitura pôs em execução uma ampla reforma...
  • D ... uma equipe de pesquisadores do Museu Nacional encontrou o piso do Cais do Valongo.
  • E ... e a cobriu com ruas e praças.
28

O Sul esteve por muito tempo isolado do resto do Brasil, mas nem por isso deixou de receber influências musicais que chegavam de outras regiões do país e do mundo. Mário de Andrade já tinha decifrado brilhantemente em seu Ensaio sobre a música brasileira as fontes que compõem os ritmos nacionais: ameríndia, africana, europeia (principalmente portuguesa e espanhola) e hispano-americana (Cuba e Montevidéu).

A gênese da música do Rio Grande do Sul também pode ser vista como reflexo dessa multiplicidade de referências. Há influências diretas do continente europeu, e isso se mistura à valiosa contribuição do canto e do batuque africano, mesmo tendo sido perseguido, vigiado, quase segregado.

O vanerão* é próprio do Sul, e a famosa modinha, bem própria de Santa Catarina, onde se encontra um dos mais antigos registros do estilo no Brasil. De origem lusitana, a modinha tocada na viola, chorosa, suave e, enfim, romântica, tornou o gênero uma espécie de "mãe da MPB"**.

*Vanerão = Ritmo de origem alemã, desenvolvido no sul.

**MPB = Música Popular Brasileira

Conclui-se corretamente do texto que

  • A a música que caracteriza a região Sul se diferencia da que se encontra no restante do Brasil, em razão do longo isolamento em que permaneceu essa região.
  • B diversas manifestações musicais que aparecem em alguns estados distinguem-se, por sua origem, do conceito de música popular brasileira.
  • C estudos especializados e registros encontrados em alguns estados evidenciam as influências, até as mais remotas, recebidas na formação da música brasileira.
  • D o pesquisador Mário de Andrade enfatizou, em sua obra, os diferentes ritmos musicais encontrados na música da região Sul do Brasil.
  • E o Estado de Santa Catarina é o único do país em que se encontra um estilo de música popular marcada por um ritmo mais suave e romântico.
29
Embora as maiores instituições humanas se alienem, ou enxovalhem, resta-nos sempre uma, tão nova nos lábios de Gladstone como nos de Péricles: a instituição divina da palavra, capaz só por só de reconquistar todas as outras, quando associada à misteriosa onipotência da verdade. Tiraram-lhe a majestade da tribuna, pela qual os parlamentos governam. Mas ficou-lhe a imprensa, que se impõe aos governos, domina os parlamentos, e instrui os povos. Considerada como órgão desta função, avulta incomparável, no mundo moderno, a sua grandeza. E é assim que a consideramos, que o seu prestígio nos fascina, que a sua beleza nos deslumbra, que a sua missão nos atrai, que as temeridades, os sacrifícios, os perigos da sua comunhão nos acenam, ainda hoje, com uma sedução diversa, mas às vezes não menos viva que a de vinte e sete anos atrás, quando o jornalismo arrebatou pela primeira vez no seu torvelinho a nossa mocidade.
Cada país, cada raça, cada estado social, cada época tem a sua imprensa, e, na mesma época, o Proteu reveste, para cada ambição, para cada parcialidade, para cada tendência, para cada apostolado, a sua forma, atenuada, ou típica, vivaz, ou decadente, confessa, ou dissimulada. As grandes nações coevas poderiam caracterizar-se cada qual pelo caráter do seu jornalismo. Mas através das variedades que o diversificam, das especialidades, que o enriquecem, das excentricidades que o desnaturam, a origem do seu valor, do seu poderio, da sua resistência indestrutível está na transparência luminosa da sua ação sobre a sociedade, na sua correspondência com os sofrimentos populares, na sua solidariedade com as reivindicações do direito, na irreconciliabilidade da sua existência com a da ignorância, a da mentira, a da torpeza.


Obs.: Proteu - um deus do mar, capaz de se metamorfosear em todas as formas que desejasse, fossem animais ou quaisquer outros elementos, como água ou fogo.

Ortografia atualizada segundo as normas vigentes.

(Rui Barbosa. Campanhas jornalísticas. 4. ed. São Paulo: Edigraf, 1972. p. 138-139)


Considere as afirmativas seguintes a respeito da regência de alguns verbos transcritos do texto e do sentido que lhes é atribuído. Está INCORRETO o que consta em:

  • A No 1º parágrafo, a frase Tiraram-lhe a majestade da tribuna pode ser substituída, sem outra alteração, por: Arrebataram dela a majestade da tribuna.
  • B No 2º parágrafo, o verbo da frase que se inicia por o Proteu reveste está empregado sem necessidade de complemento diretamente ligado a ele.
  • C No 1º parágrafo, a frase Mas ficou-lhe a imprensa apresenta sentido de Porém tocou a ela por quinhão a imprensa, respeitada a regência do verbo que substitui o original.
  • D O pronome nos, subordinado aos verbos do 1º parágrafo grifados em que a sua beleza nos deslumbra, que a sua missão nos atrai, pode ser substituído por a nós, com alteração apenas de sua colocação em cada uma das frases.
  • E O verbo grifado na frase transcrita do 1º parágrafo, que a consideramos, apresenta um único complemento, expresso pelo pronome a.
30
Estamos submersos no mundo da informação, alvejados
continuamente por notícias ou torpedos numa rede comunica-
cional em que se projeta a prevalência da mídia, que passou a
conformar nosso modo de ser. O virtual assume papel relevante
na realidade, pois as formas de conhecer e avaliar deixaram de
ser fruto da leitura e da reflexão para se alicerçarem unicamente
na informação rápida, no conhecimento por tiras, retirado das
comunicações que são enviadas em processo contínuo de
transmissão durante todo dia, compartilhadas por todos.
Dessa forma a assunção de convicções individuais, bem
como o silêncio e a solidão cederam passo a uma posição
passiva de recepção contínua e coletiva de comunicações, com
aceitação indiscutida da informação urgente trazida pelos
órgãos da imprensa. E o grande meio de informação ainda é a
televisão, em especial no Brasil, malgrado o crescimento da
internet. Mas o que é a televisão?
A televisão pode ser uma via autoritária, na medida em
que penetra nossa existência em todos os instantes, de manhã
até a noite. Não há mais horário para ver televisão, vê-se
televisão a todo tempo. Não se escolhe um programa de
televisão, liga-se a televisão, cuja mensagem é recebida
enquanto se conversa ou durante o jantar. Assim, a televisão é
uma imposição de modos de ser, de pensar, que vão sendo
introjetados imperceptivelmente. Os programas de baixo nível,
nada educativos e exploradores de anseios de sucesso
segundo o modelo dos "famosos", são fenômenos graves, pois
hoje não têm mais força os emissores simbólicos tradicionais: a
religião, a escola, o sindicato, a família. Concentra-se a capaci-
dade de transmissão simbólica nos meios de comunicação, com
fácil penetração dos estereótipos forjados pela mídia em campo
aberto, dada a desavisada recepção. Assim, o rádio e a
televisão têm um impacto extraordinário porque expressam
manifestações de cunho valorativo, mesmo no campo político, e
modelam a opinião pública.
Em grande parte dos países democráticos há formas de
controle da mídia, porém prevalece a autorregulação, tal como
no Canadá, na Austrália, na Inglaterra. A autorregulação, a meu
ver, cabe ser exercida por um ombudsman, dotado de indepen-
dência e inamovibilidade durante seu mandato, que deverá
pautar sua ação em código de conduta do órgão de imprensa, a
ser registrado em conselho constituído segundo lei federal.
Desse modo, conciliam-se o direito de liberdade de expressão e
o direito de preservação dos valores éticos e sociais da pessoa
e da família, como expressa nossa Constituição. Faz-se, assim,
a conjugação e não a colisão de direitos.

(Trecho de artigo de Miguel Reale Júnior, com adaptações.
O Estado de S. Paulo, A2, Espaço aberto, 4 de dezembro
de 2010)

As normas de concordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas na frase:

  • A É inegável a influência de certos programas de televisão, especialmente no Brasil, mas parece necessário que se utilize esses recursos como forma de transmissão de teor educativo aos espectadores.
  • B Aos meios de comunicação, principalmente no que se refere à televisão, o que importa são os índices de audiência medidos por pesquisas de opinião pública, que se traduzem em lucrativos investimentos de anunciantes.
  • C Como veículo de alcance público que é, a televisão oferece meios de atingir enorme contingente da população, ainda que lhes transmitam conteúdos nem sempre marcados pelo bom gosto ou pela formação de valores.
  • D As notícias, por vezes transmitidas sob determinado ponto de vista, assume proporções inesperadas, pois passa a ser tomada como verdade absoluta, sem maior preocupação com a fidedignidade aos fatos ocorridos.
  • E A preservação de valores constitucionais devem prevalecer em toda forma de transmissão de informações, sejam por meio de noticiários e comentários por especialistas, sejam em programas voltados para o lazer dos espectadores.

Noções de Informática

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Para que um programa de computador seja considerado software livre, este programa

  • A pode ser utilizado para fins lucrativos, mas não pode ser, ele próprio, comercializado.
  • B deve ter seu código fonte colocado em domínio público.
  • C não pode ser utilizado para fins lucrativos.
  • D deve ter seu código fonte disponível para seus usuários.
  • E não pode ter seu código fonte modificado.
32

Angela recebeu um e-mail de Ana Luiza, direcionado a vários destinatários. Após fazer a leitura do e-mail, Angela resolve enviá-lo a Pedro, seu colega de trabalho. Considerando que Pedro não estava na lista de destinatários do e-mail enviado por Ana Luiza, para executar essa tarefa Angela deverá selecionar a opção.

  • A Responder.
  • B Encaminhar.
  • C Adicionar destinatário.
  • D Localizar destinatário.
  • E Responder a todos.
33

É INCORRETO afirmar que o modo de navegação privativo no Firefox 3

  • A permite navegar na Internet sem guardar informações sobre os sites e páginas que foram visitadas.
  • B não adiciona páginas visitadas à lista de endereços.
  • C não guarda arquivos temporários da Internet ou arquivos de cache.
  • D torna o internauta anônimo na Internet. Dessa forma o fornecedor de serviços de internet, entidade patronal, ou os próprios sites não poderão saber as páginas que foram visitadas.
  • E não salva o que foi digitado em caixas de texto, formulários, ou nos campos de pesquisa
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A seguinte função foi inserida em uma célula de uma planilha do Microsoft Excel: =MÁXIMO(10;20;30). O resultado obtido nessa célula será :

  • A 3
  • B 30
  • C 60
  • D 30;20;10
  • E 10; 20; 30
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No Internet Explorer 8, uma das opções de acessibilidade presente no menu Editar (ou pelo atalho com a tecla F7), permite que sejam utilizadas para a seleção de textos e movimentação pela página web as teclas de navegação padrão do teclado (Home, End, Page Up e Page Down) e também as teclas de seta. Esse recurso é chamado de

  • A Modo de Seleção.
  • B Modo de Acessibilidade.
  • C Teclas de Aderência.
  • D Teclas de Rolagem.
  • E Navegação por Cursor.
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