Resumo de Português - Vírgula

A vírgula é um sinal gráfico de pontuação da gramática que serve para marcar as pausas de uma frase, enfatizar ou separar expressões e impedir ambiguidades.

Quando aprende-se o uso da vírgula é comum ouvir que ela deve ser usada nas pausas das falas. No entanto, o uso dessa pontuação vai além da simples pausa.

No geral, a vírgula é a pontuação que deve ser usada para separar elementos que podem ser listados; para separar explicações que estão no meio da frase; para separar adjuntos adverbiais de tempo, modo e lugar; e para separar orações independentes. Existem, ainda, casos em que a vírgula é opcional e, outros, proibido.

Um erro muito comum ao usar a vírgula é inseri-la entre o sujeito e predicado da oração. No exemplo “Os concurseiros estão à espera da divulgação do gabarito” o sujeito da frase é “os concurseiros” (quem está à espera da divulgação do gabarito?) e o predicado é o complemento “estão à espera da divulgação do gabarito”. Assim, considera-se um erro incluir a vírgula após o sujeito. Veja, abaixo mais exemplos:

Errado: João, gosta de comer batatas.

Certo: João gosta de comer batatas.

Errado: Alice, Maria e Luíza, querem ir para a escola amanhã.

Certo: Alice, Maria e Luíza querem ir para a escola amanhã.

Uso da vírgula

Para separar elementos que podem ser listados

Exemplo: Pedro Ana Fernanda Mariana Joaquim tiraram nota máxima na redação do Enem.

Os nomes das pessoas poderiam ser separados em uma lista:

Tiraram nota máxima na redação do Enem:

  • Pedro
  • Ana
  • Fernanda
  • Mariana
  • Joaquim

Isso significa que devem ser separados por vírgula na frase original:

Pedro, Ana, Fernanda, Mariana e Joaquim tiraram nota máxima na redação do Enem.

Para separar explicações que estão no meio da frase

Explicações que interrompem a frase são mudanças de pensamento e devem ser separadas por vírgula.

Exemplos:

Lorena, a dona da loja, é uma pessoa muito comunicativa.

Nota: na sintaxe, o termo explicativo sobre Lorena (a dona da loja) é classificado como aposto.

Para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase

Quando a expressão indicar tempo, lugar ou modo deve-se iniciar a frase com a vírgula.

Exemplos:

  • Lá fora, o vento está forte!

“Lá fora” é uma expressão que indica “lugar”. Um adjunto adverbial de lugar.

  • Mês passado, a conta veio mais cara.

“Mês passado” indica tempo. Adjunto adverbial de tempo.

  • De um modo geral, não gostamos de pessoas estranhas.

“De um modo geral” é sinônimo de “geralmente”, adjunto adverbial de modo, por isso utiliza-se a vírgula.

Para separar orações independentes

As orações independentes são aquelas que que possuem sentido, mesmo fora do texto.

Exemplos:

  • Ele gosta muito de caminhar, mas machucou o pé.
  • Camila quer viajar, porém está sem dinheiro.
  • José comeu muito chocolate, contudo não engordou.

Quando a vírgula é opcional

Existem casos em que a vírgula é opcional e seu uso está condicionado ao sentido do ritmo e da velocidade da mensagem que o interlocutor quer passar.

A vírgula também é facultativa quando a expressão de tempo, modo e lugar não for uma expressão, mas uma palavra só.

Exemplos:

  • Depois vamos sair para lanchar.

Depois, vamos sair para lanchar.

  • Geralmente gosto de economizar.

Geralmente, gosto de economizar.

  • Ontem todos vieram almoçar aqui em casa.

Ontem, todos vieram almoçar aqui em casa.

Vírgula antes de “e”

Por regra geral, não se usa vírgula antes do conectivo “e”. No entanto, uma exceção é quando a frase depois do “e” fala de uma pessoa, coisa, ou objeto (sujeito) diferente da que vem antes dele.

Exemplos:

  • O sol já ia fraco, e a tarde era amena. (Graça Aranha)

Nota: observa-se que antes da vírgula a frase fala do sol, enquanto que a segunda fala da tarde. Assim, os sujeitos são diferentes. Portanto, usamos vírgula. Outro exemplo:

  • A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino (F. Namora)

A vírgula e o contexto

Uma vírgula pode mudar completamente o contexto de uma frase, inclusive números matemáticos e o valor de um dinheiro.

Exemplos:

  • 23,4 / 2,34
  • Não, espere. / Não espere.
  • Aceito, obrigado. / Aceito obrigado.
  • Isso só, ele resolve. / Isso só ele resolve.
  • Esse, juiz, é corrupto. / Esse juiz é corrupto.
  • Não queremos saber. / Não, queremos saber.

Para descontrair e mostrar a importância da pontuação correta no lugar certo, tem-se, o texto abaixo: 

Um homem rico, dono de uma grande fortuna, estava agonizando no seu leito de morte e, infelizmente, não teve tempo de fazer o seu testamento. Contudo, nos momentos finais da sua vida, ele lembrou que precisava fazer o testamento. Pediu, então, papel e caneta. Só que, com a ansiedade em que estava para deixar tudo resolvido, acabou complicando ainda mais a situação, pois deixou um testamento sem nenhuma pontuação. Ele escreveu assim:

Texto: A herança e a pontuação. Autor desconhecido.

“Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres”.

Afinal de contas: para quem o falecido deixou a sua fortuna? Eram quatro concorrentes, dos quais geraram várias interpretações.

  • O sobrinho fez a seguinte pontuação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

  • A irmã chegou em seguida e pontuou assim:

Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

  • O padeiro pediu cópia do original e puxou a brasa pra sardinha dele:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

  • Então, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

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