Resumo de Educação Artística - Romantismo em Portugal

O Romantismo em Portugal foi um movimento que surgiu no início do século XIX e que tinha como principais características o amor, a religião e a nacionalidade. Esses pilares, abriram novos horizontes para os artistas da época.

Vindo após movimentos como o Arcadismo e Neoclassicismo, o Romantismo em Portugal buscava se opor a esses movimentos. Esses movimentos valorizavam a racionalidade, enquanto o Romantismo valorizava as emoções.

Considera-se que o marco inicial do movimento seja o poema “Camões“, de João de Almeida Garrett, que seria um dos nomes mais importantes do movimento. Outros nomes foram Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho.

O Romantismo em Portugal influenciou áreas como pinturas, esculturas, literatura, arquitetura e até jardins. Nessa época surge o Neomanuelismo, principal corrente de arquitetura e artes decorativas desse período.

O Romantismo em Portugal

O romantismo em Portugal surge após períodos de mudanças sociais e políticas, influenciadas principalmente pela Revolução Francesa e Revolução Industrial. Isso acontece entre o final do século XVIII e o início do século XIX.

Esses períodos trazem mudanças significativas para a Europa, como o fim das monarquias aristocratas. Isso dá lugar a ascensão das burguesias, que logo se tornam as classes dominantes do país.

Nas artes, o país vem do período de influência do Neoclassicismo, também chamado de Arcadismo, nome da escola literária da época. Esse estilo é marcado pelo uso da razão e do real, características herdadas do Iluminismo.

O escritor João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais conhecido como Almeida Garrett, parte para a Inglaterra, onde entra em contato com o romantismo inglês. Em 1825 ele publica o poema intitulado "Camões" e, com isso, marca o início do Romantismo em Portugal.

O poema de Almeida Garrett possui características como subjetivismo, nostalgia, melancolia e outros considerados como definidores do estilo. Além disso, o movimento prezava a originalidade, fazendo oposição aos modelos ou às regras impostas.

Com o crescimento da burguesia, os autores do estilo passam a ser pagos por suas obras. Por conta disso, o Romantismo em Portugal pode ser chamado de Arte da Burguesia. Isso faz com que a arte leve em conta valores considerados importantes para essa classe.

Começam a ser valorizados o amor e o casamento, a religião ligada à espiritualidade e a Deus, e o amor pela nação, o patriotismo. O escritor utiliza conteúdo do eu lírico e sentimentalistas. Falava-se sobre o amor, sobre a vida e, algumas vezes, sobre a morte.

A mulher volta a ser exaltada nos textos. Histórias sobre a busca constante por amor, sobre a mulher dos sonhos ou sobre as perdas desses amores são constantes nesse período. A natureza também tem lugar de destaque nas obras românticas de Portugal.

O Romantismo em Portugal ainda é caracterizado pelo escapismo. Isso marca uma tentativa de escapar da realidade, novamente apelando mais para a emoção mais do que para a razão. Os autores constantemente escreviam seus textos com foco nos sonhos, na natureza, no passado e na morte.

Arquitetura

A arquitetura do Romantismo em Portugal “revivia” antigas artes do passado. A ideia era ser o oposto das construções atuais, feitas de acordo com estilos clássicos, com foco na simetria, na proporção, na harmonia e na ordem.

No Romantismo em Portugal a arquitetura do país traz de volta estilos que tinham feito sucesso, mas que haviam sido substituídos por outros movimentos, como a arte gótica e a arte românica. Porém, a ideia não era copiar as obras, e sim ser original tomando apenas como base as características dos estilos anteriores.

Com isso, a arquitetura romântica passa a prezar o pitoresco das decorações, dá valor às formas geométricas como as curvas, as voltas, as ogivas, os arcos, os pináculos, as cordas, as esculturas e outros elementos. O estilo ainda preza os efeitos das luzes e as estruturas irregulares e volumétricas, valorizando altura, cumprimento e largura das construções.

O Neomanuelismo tem grande destaque na arquitetura do Romantismo em Portugal. Esse estilo é considerado como o principal dentro do movimento porque ele era utilizado, principalmente, para construções de edifícios públicos seguindo a corrente patriota do estilo romântico.

O nome do estilo surge da junção do termo grego “neo”, que quer dizer novo, e manuelino, um estilo originado no reinado de D. Manuel I, também chamado de gótico tardio. O estilo Neomanuelino surge com a construção do Palácio Nacional da Pena, em Lisboa, Portugal, por D. Fernando II.

O Romantismo ainda traz de volta estilos como o Exotismo ou o gosto pelo que é diferente da cultura ocidental, e o Historicismo, movimento que valorizava antigos estilos. Além deles, voltaram à tona o Ecletismo, que combinava influências de diferentes estilos e épocas em uma mesma obra arquitetônica.

As fases do Romantismo em Portugal

O Romantismo em Portugal durou cerca de 40 anos e, nesse tempo, a literatura passou por três fases diferentes. Cada uma delas foi marcada por autores e por suas características literárias.

O movimento, que teve início em 1825, durou até 1865 quando surgiu o Realismo. Esse movimento fazia oposição ao Romantismo e ao Neoclassicismo por achá-los artificiais, e buscava mostrar a realidade das classes baixas e médias.

Primeira fase

Nesse primeiro momento, o Romantismo em Portugal ainda continha influências de movimentos anteriores, como o próprio Classicismo e o Neoclassicismo. Porém, já existia forte presença de ideias liberais e patriotas.

Esse primeiro momento é marcado pelo poema “Camões” de Almeida Garrett e, em seguida, textos de outros autores que valorizavam a história de Portugal, particularmente no período da Idade Média.

Mesmo sendo um dos principais nomes do Romantismo em Portugal, Almeida Garrett não chegou a ser considerado totalmente pertencente ao estilo, pois seus textos não chegavam a alcançar algumas das características mais importantes do movimento.

Mesmo assim, ele deixou muitos dos textos considerados como marcos. Ao lado dele, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho são os nomes mais importantes dessa primeira geração.

Segunda fase

Esse período pode ser chamado de ultrarromântico, justamente por conta dos excessos que eram utilizados nos textos. O exagero, o sentimentalismo exacerbado e temas extremamente emocionais e melancólicos marcam esse período do Romantismo em Portugal.

Os principais nomes dessa fase são Camilo Castelo Branco, Soares Passos e Tomás Ribeiro. Muitos dos autores dessa época viviam amores, traições, abandonos, fugas, casamentos e outras situações  que foram representados em alguns dos textos mais famosos dessa fase.

Terceira fase

Nessa fase do Romantismo em Portugal, a razão passa a unir-se ao ultrarromantismo. Esse período marca uma transição do estilo para o Realismo. Faustino Xavier de Novaes, nome importante desse período, chega a satirizar o excesso de romantismo dos textos.

Os principais nomes são: João de Deus, Bulhão Pato, Júlio Dinis e Manuel Pinheiro Chagas. Essa fase permanece até o fim do movimento romântico.

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