Resumo de Português - Paródia e paráfrase

Paródia e paráfrase são dois tipos diferentes de intertextualidade, isto é, são recursos que estabelecem diálogos entre textos distintos, criando um novo texto baseado em um texto-fonte (referência).

Na maioria das vezes, paródia e paráfrase são vistos como termos sinônimos, entretanto cada um contém sua particularidade. Além disso, paródia e paráfrase são recursos aplicados na literatura, artes, plásticas, música, cinema, escultura, dentre outros.

Paráfrase

A paráfrase é descrita como uma reafirmação de um tema já trabalhado pelo autor. Mesmo utilizando diferentes palavras, estruturas e estilos, as ideias transmitidas no texto original são preservadas, não havendo alteração no conteúdo principal do texto.

Vários autores fizeram obras literárias e artísticas sobre temáticas comuns, como o enaltecimento da pátria, a mudança ao longo da vida, Deus, as intrigas da sociedade, dentre outros.

Paródia

A paródia é uma alteração de um tema já trabalhado por outro autor. Diferente do que ocorre na paráfrase, na paródia ocorre a quebra do que já foi falado anteriormente, existindo uma grande alteração de abordagem. A paródia é utilizada de forma jocosa e satírica. Engraçada e crítica, a paródia não promove apenas um momento de prazer, mas também de reflexão.

Dica paráfrase e paródia

Paródia e paráfrase não são formas de plágio. A paródia e paráfrase são formas de intertextualidade legais e dependentes da obra do seu autor. O plágio é um tipo de intertextualidade ilegal, ele é marcado pela transcrição e uso indevido de um texto de outra pessoa, sem processo de criação envolvido.

Exemplos paródia e paráfrase

Veja a seguir alguns exemplos de paródia e paráfrase:

Exemplos de paráfrase

Veja um exemplo de paráfrase e também de intertextualidade a partir do poema “Canção do Exílio”, do poeta Gonçalves Dias, e um trecho do poema “Europa, França e Bahia”, do poeta Carlos Drummond de Andrade:

Texto Original – Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá. (…)
(Gonçalves Dias, Primeiros cantos, 1846).

Paráfrase

Europa, França e Bahia

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
(Carlos Drummond de Andrade, 1930).

Exemplos de paródia

Leia o poema de Gonçalves Dias e a paródia de Jô Soares e observe que tanto Gonçalves Dias quanto Jô Soares apresentam o seu ponto de vista e deixam as suas impressões da realidade, dos fatos de suas épocas, dos seus dias, do contexto político, social, cultural e filosófico.

Canção do Exílio

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Canção do Exílio às avessas

Jô Soares

Minha Dinda tem cascatas
Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.

[…]

O meu céu tem mais estrelas
Minha várzea tem mais cores.
Este bosque reduzido
deve ter custado horrores.

[…]

Minha Dinda tem piscina,
Heliporto e tem jardim
feito pela Brasil’s Garden:
Não foram pagos por mim.

Em cismar sozinho à noite
sem gravata e paletó
Olho aquelas cachoeiras
Onde canta o curió.

[…]

Minha Dinda tem primores
De floresta tropical.

Tudo ali foi transplantado,
Nem parece natural.

Olho a jabuticabeira
dos tempos da minha avó.

Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.

 […]

Finalmente, aqui na Dinda,
Sou tratado a pão-de-ló.

Só faltava envolver tudo
Numa nuvem de ouro em pó.

E depois de ser cuidado
Pelo PC, com xodó,

Não permita Deus que eu tenha
De acabar no xilindró.

O poema de Gonçalves Dias faz uma reflexão sobre a saudade que sente de sua terra natal, destacando suas características ambientais, naturais, e revelando seu desejo de retornar a ela. Já a paródia de Jô Soares faz exatamente o contrário.

O que é intertextualidade?

Intertextualidade é a denominação dada à relação entre dois textos, quando um texto já existente exerce influência na elaboração de um novo texto.

Vários autores já usaram os chamados textos bases, para servir de inspiração para às novas criações. Essa prática ajuda na exploração de um tema, da exaltação de uma personalidade, da comemoração de um acontecimento, da valorização da cultura de um povo, dentre outros.

A intertextualidade pode ocorrer em diversos gêneros: na prosa, na poesia, nas letras de música, na publicidade, nas imagens, na pintura, etc.

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