Resumo de Filosofia - Filosofia Medieval

O poder da Igreja na estruturação do pensar filosófico na Idade Média


O termo filosofia medieval diz respeito às produções filosóficas desenvolvidos durante a Idade Média. Nesse período histórico, observamos uma articulação incomum de pensar nos dias atuais: consciência cristã e razão filosófica. No período compreendido entre os séculos V e XV, a produção filosófica é marcada pelo sincretismo realizado entre os ideais cristãos e a filosofia antiga. Não é sem razão que os principais filósofos desse período são pessoas ligadas à Igreja. 
Essa característica é justificada pelo poder exercido pela instituição durante a Idade Média. Vale lembrar que esse período foi marcado pela expansão e fortalecimento da Igreja, que exercia poder não somente nas dimensões espirituais, mas principalmente nas esferas econômicas e políticas. Não se esqueça que foi ela quem organizou as Cruzadas à Terra Santa e que tinha o poder de coroar os reis. Nesse período, os integrantes da filosofia medieval buscavam, por meio da razão, explicações para os ideais cristãos. 

As divisões da filosofia medieval


Ainda que tenha sido um período marcado pela utilização de conceitos e discussões da filosofia clássica para explicação, desenvolvimento e compreensão das doutrinas cristãs, o pensamento estruturado durante a filosofia medieval não se manteve uníssono durante toda a Idade Média. Por essa razão, é possível identificar diferentes vertentes filosóficas que constituem esse período. São elas: a filosofia patrística e a filosofia escolástica. 


Filosofia Patrística 
A filosofia patrística foi desenvolvida entre os séculos IV e VIII. Os intelectuais que integram essa vertente da filosofia medieval foram fortemente influenciados pelo pensamento de Platão. Na verdade, eles acreditavam ser possível fazer uma associação entre as ideias do filósofo e a Palavra de Deus. Por isso, eles adaptavam seus ensinamentos àquilo que era pregado pelo cristianismo.
Com bases nos conceitos e discussões realizadas pela filosofia grega, os integrantes da filosofia patrística elaboravam explicações para temas cristãos, como a imortalidade da alma, a existência de um único Deus e sua representação como a Santíssima Trindade (pai, filho e espírito santo). Vale ressaltar que o nome filosofia patrística está diretamente relacionado com o título das figuras que produziam conhecimento filosófico nesse momento: os “Padres da Igreja” (, em latim).
A filosofia patrística corresponde ao momento inicial de desenvolvimento da filosofia medieval, propriamente dita. Nesse momento, o cristianismo ainda se encontra bem localizado no Oriente, ainda que tenha iniciado o processo de expansão pelo continente europeu. Santo Agostinho de Hipona, Irineu de Lyon, Santo Inácio de Antioquia, São João Crisóstomo e Santo Ambrósio de Milão são alguns nomes de destaque desse período. 
Filosofia Escolástica 
Essa fase de desenvolvimento da filosofia medieval compreende o período entre os séculos IX e XVI. Nesse período, são as reflexões empreendidas por Aristóteles que servirão de base para os filósofos. Agora eles voltam suas atenções para explicar questões religiosas, como a existência de Deus, da alma humana e da imortalidade. É nesse momento que São Tomás de Aquino publica a "Summa Teológica", obra onde apresenta evidências de que Deus existe. 
Outra questão central para os filósofos dessa fase da filosofia medieval é combater tudo àquilo que se opõe à fé cristã: o paganismo, a heresia e a não aceitação de Deus. Além de Tomás de Aquino, que chegou a dar aulas na Universidade de Paris, são nomes importantes do período Bernardo de Claraval, Pedro Abelardo, Guilherme de Ockham e João Duns Escoto. 

Antecedentes da filosofia medieval 


Antes do início da Idade Média, já haviam cristãos que tentavam conciliar os conhecimentos religiosos ou de fé com a filosofia grega. Alguns autores, inclusive, consideram que este movimento seja considerado parte da filosofia medieval, ainda que tenha sido iniciado séculos antes da queda do Império Romano do Ocidente, fato que marca o início do período medieval. 
Nesse contexto, destaca-se as filosofias dos Padres Apostólicos e dos Padres Apologistas. A primeira vertente teve lugar entre os séculos I e II, no período imediatamente posterior à morte de Jesus Cristo. Neste momento, os filósofos estão empenhados em propagar os ensinamentos deixados pelo Messias. O principal representante desse período é Paulo de Tarso, o Apóstolo Paulo, cujos textos integram o Novo Testamento
A filosofia dos Padres Apologistas é marcada pela defesa ou enaltecimento da fé cristã. Eles defendiam o cristianismo como uma prática filosófica superior ao pensamento estruturado pelos filósofos greco-romanos. Para isso, eles precisavam estabelecer aproximações entre a filosofia clássica e o pensamento estruturado pela doutrina religiosa. Justino Mártir, Orígenes de Alexandria e Tertuliano são nomes de destaque desse período. 
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