Resumo de Filosofia - Existencialismo

Entenda o movimento filosófico surgido na França


O existencialismo é uma corrente filosófica que se popularizou entre os séculos XIX e XX, mais especificamente no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Para os pensadores existencialistas, a existência humana se tornara uma questão filosófica e é a partir das vivências, das escolhas que os sujeitos fazem ao longo de suas vidas, que é construída a essência humana. Essa construção individual só é possível pela liberdade incondicional que os seres humanos gozam.

Desse modo, tanto as falhas quanto as conquistas obtidas pelos indivíduos são de sua inteira responsabilidade. Elas são entendidas como o resultado das escolhas feitas com base na autonomia moral e existencial. Essa liberdade também é apontada pelo existencialismo como produtora de angústia, um sentimento que, para os autores integrantes desse movimento, é inerente à existência humana. 

Além de movimento filosófico, o existencialismo também se constituiu como importante movimento literário. Ele se desenvolveu, sobretudo, na França. E foi fortemente influenciado pela fenomenologia. Dentro do pensamento existencialista, são observadas duas vertentes: o existencialismo ateu e o cristão. A primeira apresenta uma perspectiva que nega a existência de uma natureza humana, ou seja, de algo que é inerente a todos os indivíduos. Na segunda, observamos a defesa de um atributo divino nos seres humanos, que seria a essência. 




Os principais pensadores do existencialismo 


A construção do pensamento que viria a ser designado existencialismo, contou a colaboração de diversos filósofos. Entre os principais nomes apontados quando se refere à doutrina estão Martin Heidegger, Friedrich Nietzsche e Søren Kierkegaard. Os escritos e reflexões produzidas pelos pensadores existencialistas abordam diversos conceitos e temáticas comuns, como o absurdo da vida, a angústia causada pela liberdade e pela morte e o desespero proporcionado pela percepção de si mesmo. 
É importante ressaltar que no pensamento existencialista há uma descrença na ideia de progresso social, impulsionado pelo avanço científico promovido pela razão. Essa premissa está presente na filosofia Iluminista desenvolvida na Idade Média. Mas, para os intelectuais existencialistas, ela já havia se mostrado falha através das experiências da Primeira Guerra Mundial e da Segunda Guerra Mundial. 
Vamos conhecer um pouco mais de alguns dos pensadores do existencialismo e suas contribuições para o movimento: 
Søren Kierkegaard – esse pesquisador integrou o chamado existencialismo cristão. Suas reflexões acerca da singularidade do indivíduo surgem no embate entre temas morais e religiosos. Em sua produção intelectual, defendia as ideias de livre-arbítrio e a irredutibilidade da existência humana; 
Martin Heidegger – desenvolveu a ideia de que os indivíduos poderiam ter dois tipos de existência: autêntica ou inautêntica. Elas seriam definidas pelo modo como cada um se comporta em face da morte e nas escolhas que faz ao longo da vida. Heidegger propõe a ideia do dasein (ser-aí) e destaca a centralidade humana no mundo ao afirmar que “somente o ser humano existe, os demais seres e objetos são”;
Jean-Paul Sartre – o filósofo destacou a liberdade como uma condenação humana. O aspecto de condenação está intimamente ligado à responsabilidade pelas suas ações. Para ele, é somente a partir dessas ações que a compreensão do ser humano é possível. O livro “O ser e o nada”, publicado em 1943, é apontado como sua principal obra;
Simone de Beauvoir – ela é uma das percursoras do movimento político e do pensamento teórico organizado pelo feminismo. Em sua célebre frase: “Não se nasce mulher, torna-se", ela evidencia o existencialismo presente no seu pensamento, a partir do qual a essência é construída ao longo da vida e não determinada pela existência do sujeito; 
Karl Theodor Jaspers – em seu pensamento aprece uma combinação de aspectos da fé filosófica com a crença religiosa. Ele entendia a fé como a expressão máxima da liberdade humana e o caminho para transcendência do ser. Jaspers defendia que os sentimentos de medo, angústia ou pavor são cruciais para determinar o que o indivíduo pode vir a ser.

O existencialismo além da filosofia 

Como já mencionamos neste artigo, o pensamento existencialista não se ateve apenas ao âmbito filosófico. Esse movimento de busca e análise do homem pode ser localizado em produções literárias e em outras linguagens artísticas. Nesse sentido, faz-se necessário mencionar as obras dos escritores André Malraux e Albert Camus como exemplos de trabalhos influenciados por essa filosofia. Aspectos do movimento existencialista também são apontados nos escritos Franz Kafka e Fiodor Dostoievski, que, inclusive, são apontados como percursos desse tipo de reflexão. 
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