Resumo de Sociologia - Estrutura Social

Conceito fundamental para compreensão das sociedades


O conceito de estrutura social informa os modos como as sociedades são organizadas a partir das relações estabelecidas entre os indivíduos e os grupos sociais. Esse é um conceito fundamental dentro da sociologia, pois possibilita a compreensão dos modos de funcionamento de cada grupo social, além de informar quais são os alicerces nos quais aquela instituição social está fundada. 
Embora se trate de um conceito sociológico, sua construção está intimamente ligada com os estudos de linguística, em especial, aqueles realizados por Ferdinand Saussure. Claude Lévi-Strauss utilizou do estruturalismo adotado pelo linguista para compreender os aspectos comuns às culturas humanas. Neste artigo, vamos conhecer um pouco mais sobre o conceito de estrutura social e como ele pode ser operacionalizado para compreensão e modificação das sociedades. 

Entendendo o conceito de estrutura social 


A compreensão do termo estrutura social perpassa o reconhecimento de que todas as sociedades possuem um sistema próprio de organização. Esse sistema, não necessariamente, é escrito. Muitas vezes, é assimilado pelos membros do grupo social a partir das interações que realizam entre si e da assimilação das interdições que possuem e dos deveres que cumprem perante os demais membros e a sociedade como um todo. 
Esse conjunto organizativo é, justamente, a estrutura social. Ela é definida a partir de diversos fatores. Entre os mais comuns, estão as condições históricas, sociais, políticas, culturais e econômicas. É a partir das interações entre eles que são produzidos os papeis e posições sociais, bem como as relações de privilégios e deveres. Sendo assim, a estrutura social determina a existência de conexões entre os diferentes membros de uma sociedade, ao mesmo tempo em que propicia a coesão social
Sem essa coesão, a ocorrência de conflitos entre os indivíduos seria constante, o que tornaria a vida em sociedade insuportável. Isso aconteceria porque é a estrutura social que cria as conexões entre os indivíduos e as regras sociais que devem ser respeitadas no processo de interação. Entretanto, isso não quer dizer que essa organização seja fixa ou imutável.


Estratificação e mudanças sociais 


Da noção de estrutura social decorre a constatação de que a sociedade está organizada em grupos. E esses agrupamentos de indivíduos, não necessariamente, desfrutam dos mesmos direitos, privilégios, status ou reconhecimento social. Daí decorre a organização em diferentes estratos ou camadas. Desse modo, em um mesmo espaço social é possível observar hierarquias entre os indivíduos que pertencem a níveis distintos. 
Em algumas sociedades, essa estratificação é construída por meio do sistema de castas, como acontecia na cultura indiana. Temos ainda o exemplo da sociedade feudal em que prevalecia um modelo baseado em estamentos. Em ambos os exemplos, a determinação do grupo social ao qual o indivíduo fazia parte era feita no nascimento. Ao nascer dalit, na Índia, ou servo, na Idade Média, essa classificação não poderia ser alterada ao longo da vida. 
É interessante notar que, na Idade Média, existia uma estrutura social que possibilitava a existência da estratificação social em estamentos. Os fatores culturais, econômicos, históricos e políticos daquele contexto eram diferentes dos que serão observados a partir da Revolução Industrial e implantação do sistema capitalista. Nesse sistema, por ação de outros fatores, observamos que a sociedade ainda se mantém organizada em camadas, que agora recebem o nome de classes sociais e separam os indivíduos com base no acúmulo de capital. 
Observe que nos dois períodos históricos trazidos no parágrafo anterior a estrutura social – o modo de organização da sociedade, com a regras e códigos de interação entre os indivíduos e grupos sociais – se mantém. Contudo, a forma de organização da sociedade contemporânea não é a mesma da sociedade medieval. Esse dado aponta para a possibilidade de modificação da estrutura social. 
Essa modificação, contudo, não acontece sem que uma nova forma de organização seja posta. Por meio da ação dos atores sociais, ou seja, dos indivíduos que integram as sociedades é possível promover alterações nos modos como as sociedades se organizam, definir novos papeis, alterar as formas de se relacionar. 
Essa possibilidade de mudança, contudo, não é uniforme em todos os contextos sociais. Além do mais, ao promovê-las, é importante que se tenha ciência de que as demais estruturas e fatores que interferem no ordenamento social também serão afetados. Sendo assim, são necessárias mudanças nos sistemas cultural, político, legislativo, econômico, etc. 
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