Resumo de Antropologia - Escolas Antropológicas

Os principais paradigmas da investigação em Antropologia


As escolas antropológicas reúnem pensadores que compartilham uma visão acerca do fazer antropológico. Ao longo do desenvolvimento dessa ciência, muitos pesquisadores se propuseram a compreender o homem em suas dimensões biológicas, sociais e culturais. E, nesse processo, foram criados novos paradigmas e formas de entender o processo investigativo. Cada vez que esses elementos eram alterados, criava-se uma nova escola antropológica. 



Neste artigo, vamos conhecer as escolas antropológicas mais importantes que surgiram desde o século XIX. Nesse sentido, apontaremos o paradigma que imperava em cada uma delas e quais foram os principais pensadores que contribuíram para a investigação e produção do conhecimento. 

Principais escolas antropológicas

São quatro as principais escolas antropológicas elencadas pela literatura científica da área. Elas ficaram conhecidas como Escola Evolucionista, Escola Funcionalista, Escola Difusionalista e Escola Estruturalista. Vamos saber um pouco mais sobre cada uma delas! 

Escola Evolucionista 
Essa foi a primeira das escolas antropológicas. Ela tem início no século XIX e é marcada pelo pensamento dicotômico que divide as sociedades em “primitivas” e “civilizadas”. Os pensadores que contribuíram para a Escola Evolucionista, de modo geral, defendiam uma espécie de evolucionismo das sociedades humanas. Segundo essa lógica, as sociedades ditas primitivas poderiam se tornar civilizadas. Logo, entende-se que existiria uma assimetria entre os grupos populacionais e uma linha evolutiva que poderia ser seguida por aqueles que estavam em posições de inferioridade. 
Os antropólogos que contribuíram para essa escola realizavam suas análises adotando métodos comparativos, que poderiam levar em consideração aspectos como parentesco e religião. Entre os principais representantes dessa escola estão Herbert Spencer, que escreveu “Princípios de Biologia” (1864), e Edward Burnett Tylor, autor de “A Cultura Primitiva” (1871). 

Escola Funcionalista 
Das escolas antropológicas, a Funcionalista é a que vai propor o método clássico de etnografia e adotar o trabalho de campo para realização das análises (na Escola Evolucionista, eram os relatos dos viajantes e colonizadores que subsidiavam as interpretações feitas pelos antropólogos). Além da adoção do trabalho de campo, os funcionalistas se diferem dos evolucionistas por não conceberem a ideia de hierarquia entre as sociedades. 
Para os antropólogos funcionalistas, cada sociedade possui uma função distinta. Esse seria o traço que diferenciaria uma das outras, mas sem construir hierarquias. Nessa perspectiva, ao passo que cada grupo exercesse a sua função, eles contribuíam para um sistema maior, onde todos as funções se relacionavam. Contribuíram para a Escola Funcionalista Bronislaw Malinowski, escritor de “Argonautas do Pacífico Ocidental” (1922), e Alfred Radcliffe-Brown, autor de “Estrutura e função nas sociedades primitivas” (1952). 

Escola Difusionalista 
A terceira das escolas antropológicas se preocupa em entender as semelhanças existentes entre grupos culturais geograficamente distantes. Desse modo, seria possível encontrar um passado comum a essas culturas. Os antropólogos difusionalistas acreditavam que os objetos e costumes partilhados entre sociedades distantes eram resultado do processo de imitação e assimilação cultural que aconteciam durante a colonização e negociações que se estabeleciam entre os povos. 
Desse modo, a diversidade cultural seria o resultado dos encontros entre as culturas, que implicava em difusão de objetos e comportamentos. A Escola Difusionalista teve representes alemães (Friedrich Ratzel, Léo Frobénius e Fritz Graebner) e britânicos (G. Elliot Smith e William J. Perry). 

Escola Estruturalista 
Os antropólogos que integram a Escola Estruturalista buscam identificar as regras estruturantes da cultura que estão presentes na mente humana. Seus estudos se atêm à construção dos significados dentro de uma cultura, um processo que envolve inter-relações entre diferentes elementos ligados à linguagem, sistemas de signos e ao imaginário dos indivíduos. 
Claude Lévi-Strauss, autor de “Tristes Tópicos” (1955), é considerado criador da antropologia estrutural. Essa escola recebeu ainda contribuições de Ferdinand Saussure, linguista que colaborou bastante para o desenvolvimento da Semiótica.

Outras escolas antropológicas


Além das escolas antropológicas que destacamos anteriormente, existem outras que também contribuem para a construção do pensamento nessa ciência. São elas: 

Escola Sociológica Francesa - Têm Émile Durkheim como principal representante. Entende os fenômenos sociais como objetos para estudo socioantropológico; 
Culturalismo Norte-Americano – A escola dá ênfase no processo de construção e identificação dos padrões culturais. Por meio deles, seria possível absorver as leis do desenvolvimento das culturas. Franz Boas é o principal representante; 
Antropologia Interpretativa – Tem a interpretação que os povos nativos fazem de sua própria cultura como um dos principais temas. O principal representante é Clifford Geertz. 
Antropologia Pós-Moderna – Essa escola estabelece uma crítica aos paradigmas teóricos e de autoridade presentes na antropologia, bem como às relações entre observador e observado. James Clifford e George Marcus estão entre os principais representantes. 
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