Resumo de Educação Artística - Cubismo

O Cubismo foi uma manifestação artística que surgiu na França durante o século XX, especialmente nas artes plásticas e literatura. Sua principal marca eram as formas geométricas representadas, em sua maioria, por cubos e cilindros.

Assim como todos os movimentos, o cubismo teve uma grande importância histórica nas artes e na cultura da época, principalmente por romper com os padrões estéticos existentes até aquele momento, que prezavam pela perfeição das formas na retratação realista da natureza.

Contexto histórico do Cubismo

O cubismo surgiu em meio ao advento da tecnologia resultado da Revolução Industrial, com as grandes potências disputando o poder.

Também foi um período de nacionalismo por parte das pessoas e desejo de mudanças. Isso se refletiu também nas artes. A vontade de criar novas linguagens, com menos conservadorismo e mais clareza proporcionou uma renovação dos padrões estéticos existentes. 

O marco inicial desse estilo artístico aconteceu em Paris, em 1907, com a tela “Les Demoiselles d’Avignon” (As Damas de Avignon), de Pablo Picasso, na qual foi retratada a nudez feminina de uma maneira diferenciada: as formas reais do corpo foram substituídas por figuras geométricas. Pode-se perceber também influências das esculturas africanas e obras do representante do pós-impressionismo o francês Paul Cézanne.

Vale destacar que Paul Cézanne já representava a natureza com formas bem semelhantes às geométricas em suas pinturas, mas Pablo Picasso, juntamente com o também pintor e escultor francês Georges Braque, são considerados os fundadores do cubismo.

O movimento cubista chegou ao fim em 1914, após a declaração do início da Primeira Guerra Mundial.

Características do Cubismo

A principal característica do cubismo era a utilização de formas geométricas. Cones, cilindros, esferas, triângulos e círculos eram utilizados para retratar a natureza.

Outros aspectos das obras de arte do cubismo eram as representações do volume colorido sobre superfícies planas, cores fechadas e austeras, renúncia à perspectiva e ao claro-escuro, o que causava uma sensação de pintura escultórica, ou seja, com traços sintéticos e linhas retas.

Na literatura, pode-se destacar uma valorização ao humor, a não-existência de uma ordem cronológica nas histórias, com uma mistura entre passado, presente e futuro, além de uma forte influência de paisagens exóticas e visões misteriosas nas obras.

Fases do movimento cubista

O cubismo foi dividido em três fases: cézzaniana, analítica e sintética.

A primeira fase, entre os anos de 1907 e 1909, foi chamada de cézzaniana ou pré-analítica. Isso porque foi marcada pelas obras de artes de Paul Cézanne.

Em seguida surgiu a fase analítica ou hermética (1909 a 1912) que teve como principal característica a decomposição da obra em todos os seus aspectos, com registro dos elementos em planos sucessivos permitindo uma visão geral da pintura em todos os ângulos. Outro destaque eram as cores cinza, bege e castanho. Essa fase também foi marcada pelas obras de Picasso e Braque.

Por fim, o cubismo sintético (1911), trouxe cores escuras e marcantes, além das formas decorativas, uma reação à fragmentação da fase analítica. Nesse período, a colagem de objetos inteiros nas pinturas, como números, palavras, letras e até pedaços de madeira, vidro e metal foi uma característica importante, pois os artistas desejavam ultrapassar os limites das sensações visuais possibilitadas pela pintura, permitindo também sensações táteis.

Cubismo no Brasil

O cubismo ganha força no Brasil apenas após a Semana de Arte Moderna de 1922. Entretanto, os artistas brasileiros não criaram obras com características apenas do cubismo, mas mesclaram com outros movimentos artísticos.

Alguns artistas que usaram influências geométricas em suas obras foram: Tarsila do Amaral, Rego Monteiro, Di Cavalcanti e Anita Malfatti.

Na literatura, nomes como Raul Boop, Érico Veríssimo e Oswald de Andrade usaram aspectos do cubismo em suas obras, como o fim da linearidade e a “destruição da sintaxe”.

Principais artistas cubistas

O Guia Estudo reuniu algumas informações sobre os principais artistas que marcaram o cubismo:

Pablo Picasso

Pablo Picasso (1881-1973) foi um dos fundadores e principal expoente do cubismo. Com sua versatilidade técnica produziu milhares de trabalho que incluem pinturas, esculturas e cerâmica.

Viveu 92 anos e passou por várias fases: azul, entre 1901 e 1904, marcada pela monocromia, representa a tristeza provocada pelo suicídio de seu amigo, Casagemas; a fase rosa, entre 1904 e 1907, quando sua paixão por Fernande foi expressa nas suas obras, com desenhos eróticos e sensuais. Já em 1907, com influência das artes africanas, cria a obra que marcou o início do cubismo (“Les Demoiselles d’Avignon”).

Georges Braque

Georges Braque (1882-1963) foi um pintor e escultor francês que, ao lado de Picasso, criou o cubismo. Sua primeira experiência com cores aconteceu na empresa de pintura decorativa de seu pai.

Passou grande parte da adolescência em Le Havre e em 1889, mudou-se para Paris. Em 1906, expôs suas primeiras obras de arte no Salão de Independentes. No ano seguinte, conheceu Picasso, com quem conviveu até o fim do cubismo e início da Primeira Guerra Mundial.

Em 1915, foi ferido na cabeça em batalha e acabou agraciado com a Cruz de Guerra e da Legião da Honra. Passou dois anos afastado da pintura por conta desse ferimento.

Juan Gris

Juan Gris (1887-1927) foi um pintor espanhol que adotou as características do cubismo em suas obras em 1912, porém de uma maneira mais formal, até mesmo rígida e fria, diferentemente do estilo de liberdade inventiva adotado por Picasso e Braque.

Sua principal contribuição para o cubismo foi a introdução da visão espaço-tempo por meio da decomposição dos objetos, exprimindo dessa forma as várias etapas da sua percepção no tempo.

Fernand Léger

Fernand Léger (1881-1955) estudou na Escola de Artes Decorativas e na Academia Julien, quando entrou em contato com a arte de Cézanne. Suas obras seguiram uma direção muito diferente de seus precursores.

Ele introduziu as formas de cilindros e cones, como no quadro “Nus dans la forêt” (1909-1910). Explorava as abstrações curvilíneas e tubulares que contrastavam com as formas retilíneas de Brasque e Picasso.

Robert Delaunay

O pintor francês Robert Delaunay (1885-1941) adotou uma nova vertente no cubismo nomeada de “orfismo” pelo poeta Apollinaire, pelo fato de suas obras apresentarem um ritmo espacial e uma composição musical.

Sua linguagem é abstrata e próxima do decorativo e expressava em muitas de suas obras o dinamismo da vida moderna.

Outros nomes do cubismo:

  • Paul Cézanné;
  • Piet Mondrian;
  • Fernand Léger;
  • Diego Rivera;
  • Kazimir Malevich;
  • Alexandra Nechita;
  • Robert Delaunay;
  • Vincente do Rego Monteiro;
  • Lyonel Feininger;
  • Érico Veríssimo;
  • Jean Cocteu;
  • Pierre Reverdy;
  • Raul Bopp;
  • John dos Passos.
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