Resumo de Português - Coerência Textual

Recurso que dá sentido ao que é escrito

A coerência textual é um dos elementos que possibilitam a conexão entre as ideias e a construção de sentidos. Juntamente com a coesão, apresenta uma relação lógica e sem contradições que trazem significação ao conjunto de palavras. 
A estruturação de um bom texto, ou seja, que permite a total compreensão do leitor, depende da articulação das frases e parágrafos através de diferentes recursos linguísticos, a exemplo dos sinais de pontuação e vocabulário. Contudo, para criar uma coerência, o autor também precisa conhecer o assunto abordado, dominar a língua, saber a intenção do que está sendo dito e contextualizá-lo. Caso contrário, pode comprometer completamente a clareza e entendimento das informações. 
Além desses, existem dois importantes fatores que atribuem sentido ao texto: intertextualidade – ocorre no momento que um texto menciona direta ou indiretamente outro texto pré-existente, como charges, obras de arte, novelas, filmes, entre outros gêneros textuais – e intencionalidade discursiva, que é a intenção e/ou objetivo a ser transmitido por meio da mensagem. 

Princípios da coerência textual

A coerência textual é formada de acordo com três princípios básicos:
  • Princípio da não contradição: o texto deve apresentar ideias lógicas e interligadas de maneira clara, evitando assim a falta de nexo. 
  • Princípio da não tautologia: uso de diferentes palavras ao longo do texto, mas que transmitem a mesma ideia. Esse vício de linguagem interfere na interpretação, pois impede a progressão textual e, consequentemente, o entendimento da mensagem. 
  • Princípio da relevância: depende diretamente da coesão textual, pois as informações precisam apresentar uma conexão lógico-semântica em cada parágrafos. Quando um texto possui ideias fragmentadas, sem ordenamento e relação entre si torna-se incoerente, mesmo que os trechos tragam algum tipo de significado isolado. 
Fique atento! Os conectivos são excelentes para organização, clareza e encadeamento das ideias. Como integram diferentes classes gramaticas, como advérbio, preposição, conjunção, etc., podem expressar conformidade, adversidade, conclusão, entre outros. São exemplos de conectivos: além disso, porém, no entanto, portanto, assim, então. 

Tipos de coerência textual

Existem 6 tipos de coerência textual. Quando são utilizados corretamente, especialmente em textos não literários, isto é, aqueles que têm a função de convencer, explicar ou informar, contribuem com a significação da mensagem que o autor tem o intuito de transmitir. Veja, a seguir, quais são eles:
Coerência sintática – Remete à estruturação linguística, como seleção das palavras conforme o contexto, ordenamento lógico das frases e coesão textual. Auxilia no uso adequado dos conectivos e evita a construção de pensamentos ambíguos (incertos). 
Coerência semântica – Está relacionada com a composição lógica das ideias, ou seja, elaboração de argumentos ordenados, harmônicos e sem nenhuma contradição. Como a semântica é a parte da linguística que estuda o significado das palavras, a incoerência desfaz as relações de sentido entre as palavras que compõem as partes do texto. 
Coerência temática – Todas as frases precisam ser relevantes para o tema discutido. O autor deve privilegiar apenas os argumentos que possibilitam o desenvolvimento de ideias pertinentes e que permitem a compreensão do público leitor. 
Coerência pragmática – Refere-se aos textos orais ou escritos que levam em conta a linguagem falada e seus efeitos na comunicação entre os interlocutores. Quando fazemos uma pergunta para outra pessoa, por exemplo, é esperado uma resposta, que pode ser de cunho afirmativo ou negativo. Caso essa regra seja quebrada, acontece o que é definido pela linguística como incoerência pragmática. 
Coerência estilística  Diz respeito ao estilo linguístico aplicado no texto, que deve ser mantido do início ao fim. A mistura entre as variedades, como o uso da linguagem coloquial e formal ao mesmo tempo, não interfere na interpretabilidade do conteúdo, mas deve ser evitada porque pode levar facilmente a incoerência textual. 
Coerência genérica – É ligada à escolha do gênero textual, que deve dialogar com os acontecimentos discursivos. Por exemplo, se o objetivo de uma pessoa é vender um produto, certamente ela vai adotar uma linguagem persuasiva em seu texto, pois essa é a caraterística desse tipo de gênero. Já se a intenção for contar uma história, uma das opções é escrevê-la em formato de conto. 

Dicas para escrever de maneira coerente

Se você está treinando para fazer uma boa redação no Enem e outras provas, já deve ter notado que alguns fatores são essenciais para criação de um texto. Como vimos, para que seja considerado coerente, ele deve manter uma relação lógica e harmônica entre os argumentos. Além disso, vale sempre lembrar que a coerência textual e a coesão são elementos complementares, pois uma trabalha com a significação e outro na estruturação das ideias. 
Durante a escrita é fundamental pensar no nível de interação com o leitor, pois é a partir dele que será gerado diversas interpretações. Para que isso ocorra de forma eficiente e sem a interrupção no entendimento das ideias, existem algumas dicas que podem ajudá-lo na hora da produção textual. Confira!
  1. Mantenha uma sequência cronológica: a ordem dos acontecimentos é importante para sua compreensão. O ordenamento pode ser quebrado caso o intuito seja criar um suspense, mas em algum momento essa questão precisa ser esclarecida. 
  2. Obedeça a uma ordem descritiva: as informações mais relevantes sempre devem aparecer nas partes iniciais do texto. Os detalhes que são pertinentes podem surgir para enfatizar a cena, objeto ou fato observado. 
  3. Faça articulações entre as ideias: à medida que o texto vai sendo construído, os novos argumentos devem se relacionar com os antigos, de maneira que todos fiquem ordenados e interligados. 
  4. Cuidado com as repetições: evite redundâncias ou excesso de palavras que no final dizem a mesma coisa. Uma ideia até pode ser repetida, porém quando servir de complemento para um novo raciocínio. 
  5. Não se contradiga: lembra que um dos princípios da coerência textual é a não contradição? Pois bem, se seu intuito for trazer diferentes pontos de vista em torno de uma mesma temática, precisa deixar claro quem defende cada posicionamento.
  6. Evite generalizações: afirmar sem embasamento a veracidade de uma informação ou com base em senso comum pode demonstrar desconhecimento sobre o tema abordado. 
  7. Nunca interfira na realidade: abordar a realidade com discursos sem comprovação científica ou vindos de fontes não confiáveis para trazer veracidade a sua ideia, pode comprometer a credibilidade do texto. Um fato concreto só é posto em dúvida com base em investigações empíricas. 
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