Resumo de Biologia - Células-tronco

Esperança da ciência para o tratamento de doenças degenerativas 


As pesquisas com células-tronco têm sido apontadas pela ciência como uma possibilidade de reverter o curso de doenças degenerativas e, desse modo, devolver a qualidade de vida ou até mesmo curar as pessoas que sofrem de patologias do tipo. Contudo, em muitos países, esse avanço científico esbarra em algumas questões éticas atreladas à percepção que algumas culturas têm sobre o que é a vida ou quando ela começa. 
Você sabe por que isso acontece? Se sua resposta tiver sido negativa, não se preocupe! Continue a leitura do artigo, pois vamos falar um pouco sobre esse contexto em que as células-tronco estão envolvidas e que, muitas vezes, impede o progresso de descobertas científicas. Além disso, o texto apresenta a definição acerca do que são células-tronco, onde são encontradas e como são classificadas. 

O que são células-tronco? 


Para começar nossa imersão nesse tema, é preciso entender que as células-tronco são um tipo de célula que possui uma capacidade ímpar de se transformar em outros tipos de célula existentes no organismo. Ou seja, células-tronco podem se converter em células nervosas, células gliais e demais tipos celulares. Essa capacidade é chamada diferenciação. E, além disso, uma célula-tronco pode dar origem a outra célula do mesmo tipo, pois possui a capacidade de autorrenovação
Esse tipo de célula possibilita a transformação do zigoto em um organismo completo, com todos os tipos de célula e tecidos necessários para o seu funcionamento. Por isso, é seguro afirmar que as células-tronco surgem na fase embrionária e, nesse estágio, elas possuem pleno potencial de diferenciação e autorrenovação. Contudo, elas também são encontradas em outras fases da vida e podem, até mesmo, ser produzidas por meio da adoção de técnicas de laboratório. 


Classificação 


De acordo com critérios que envolvem capacidade de diferenciação e de autorrenovação; e as fases da vida em que são encontradas ou como são obtidas, as células-tronco podem ser categorizadas em cinco grupos distintos. São eles: totipotentes, pluripotentes, induzidas, multipotentes, unipotentes. 
As células-tronco totipotentes são assim classificadas devido à sua alta capacidade de diferenciação. Elas podem se transformar em qualquer célula existente no organismo e, com isso, se especializam nas funções específicas do tipo celular em que se converteu. É esse tipo de célula que dá origem a um organismo completo, logo elas são encontradas no período inicial do desenvolvimento embrionário, mais especificamente, da fecundação do óvulo pelo espermatozoide até o terceiro dia posterior a esse evento. 
Após esse período, temos a célula-tronco do tipo pluripotente. Diferente das totipotentes, elas não podem dar origem a um organismo completo, pois não são capazes de formar tecidos extraembrionários. Sendo assim, esse tipo celular possui capacidade inferior de diferenciação. Ele é encontrado do quarto ao quinto dia após a fecundação, período em que o embrião está na fase denominada blastocisto
Nesse momento, o embrião ainda não apresenta estruturas complexas, a exemplo de coração ou sistema nervoso. Logo, as células-tronco ainda irão se especializar para formar esses tecidos e estruturas. Na fase de blastocisto, as células são extraídas do interior do embrião. Com isso, seu processo de desenvolvimento deixa de existir. 
Após o completo desenvolvimento do organismo, as células-tronco podem ser obtidas em todos os tecidos do corpo. Mas, as principais estruturas para sua obtenção são o cordão umbilical e a medula óssea. As células encontradas nessas estruturas são denominadas de multipotentes. Elas têm baixa capacidade de diferenciação e atuam no processo de renovação das células já existentes no corpo durante o tempo de vida do organismo. 
As células-tronco unipotentes são as que possuem a menor capacidade de diferenciação entre todos os tipos, pois apenas conseguem se transformar nas células do tecido que já faz parte. As existentes no tecido do músculo cardíaco viram células cardíacas, as dos pulmões viram células pulmonares, etc. 
Além das já existentes nos organismos, desde 2006 existe a possibilidade de produzir células-tronco em laboratório. Os testes iniciais foram feitos pelo pesquisador japonês Shynia Yamanaka utilizando células da cauda de um camundongo. No ano seguinte, foram produzidas as primeiras células-tronco humanas induzidas. O processo foi realizado por meio da inserção de um vírus em células da pele. O microrganismo promoveu uma reprogramação das células fazendo com que elas voltassem ao estágio embrionário. 

Importância para a ciência


Diversos pesquisadores ao redor do mundo estudam as possibilidades de utilização das células-tronco no tratamento e cura de doenças degenerativas. Como esse tipo celular possui a capacidade de se transformar em outras células, as terapias desenvolvidas a partir desses estudos apostam na possibilidade de regeneração do tecido doente ao substituir as células afetadas por células-tronco
Apesar de os diferentes tipos de células-tronco possuírem relevância para o entendimento dos processos degenerativos e desenvolvimento de terapias celulares, as células embrionárias são as que mais chamam atenção dos cientistas, já que possuem elevado potencial de diferenciação. Esse fator faz com que, em alguns países, pesquisas do tipo sejam proibidas, por considerar o uso de embriões um atentado à vida. 
O Brasil é um dos países que possuem entendimento mais aberto sobre o tema. Desde 2005, com a publicação da Lei 11.105, o país autoriza que células-tronco embrionárias sejam utilizas para fins de pesquisa. O texto da legislação determina que sejam utilizadas células de “embriões humanos produzidos por fertilização e não utilizados no respectivo procedimento”, desde que sejam embriões inviáveis ou congelados há mais de três anos. 
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