Questão 35 do Concurso Prefeitura Municipal de Maracajá - Professor - Língua Portuguesa (2020)

TEXTO V 


LÍNGUA

Gosto de sentir a minha língua roçar

A língua de Luís de Camões.

Gosto de ser e de estar

E quero me dedicar

A criar confusões de prosódia

E um profusão de paródias

Que encurtem dores

E furtem cores como camaleões.

Gosto do Pessoa na pessoa

Da rosa no Rosa,

E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor está para a amizade.

E quem há de negar que esta lhe é superior?

E deixa os portugais morrerem à míngua,

“Minha pátria é minha língua”

- Fala Mangueira

Flor do Lácio Sambódromo

Lusamérica latim em pó

O que quer

o que pode

Esta língua?

Caetano Veloso. Velô, 1984.


A música de Caetano, um verdadeiro poema, versa sobre língua portuguesa, chamada de a última flor do Lácio, região, ainda do Império Romano, em que se falam as línguas provindas do latim. A questão toma o poema como unidade de análise.



O poeta ainda expressa seu gosto pela transitoriedade e perenidade, que está expresso junto ao:

  • A nono verso - Gosto do Pessoa na pessoa – ilustrando uma particularidade metafórica, característica da língua portuguesa a fim de ilustrar sua perenidade.
  • B aos primeiro e nono versos – Gosto de sentir a minha língua roçar e Gosto do Pessoa na pessoa – ilustrando concomitantemente particularidades metafóricas de transitoriedade e perenidade.
  • C terceiro verso – Gosto de ser e de estar – ilustrando uma particularidade da língua portuguesa entre a permanência do ser e a transitoriedade do estar, que a torna diferente. Na Língua Inglesa, por exemplo, o verbo to be concentra os dois em apenas um.
  • D primeiro verso - Gosto de sentir a minha língua roçar – ilustrando sua transitoriedade por um lado, o toque, e sua perenidade, por outro, do gosto.