Questão 8 do Concurso Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul (TJ-MS) - Analista Judiciário - Área Fim (2017)

A música popular perdeu a centralidade que já ocupou na vida brasileira. Os acontecimentos políticos recentes, que vêm sacudindo o país desde as passeatas de 2013 (1), talvez possam testemunhar esse fenômeno. Eles não provocaram nenhuma reverberação musical, como se a música não tivesse sido requisitada (2) como força motriz, potência existencial capaz de lhes dar voz e ampliar seus sentidos. O que se ouve são alguns “gritos de guerra” (em geral bastante velhos e gastos), mas nada que se assemelhe a uma “dimensão musical” propriamente dita. Os acontecimentos históricos não parecem mais ligados a um imaginário musical com um consenso mínimo que seja.

Na hora de “defender a democracia” em praça pública, ou seja, defender uma espécie de bem comum, é Chico Buarque que continua a ser evocado – o que automaticamente reconecta a atualidade com o passado da luta pela democracia, transmitindo a sensação meio confusa (3) de que não há um “novo momento político” (4), mas a reencenação de antigas batalhas, com os personagens de sempre. Qual será, no futuro, a trilha sonora das imagens de manifestantes ocupando triunfalmente o Palácio do Planalto (5)? Racionais? Emicida? Arlindo Cruz? Los Hermanos? Coldplay? Chico Buarque, mais uma vez? A política parece aspirar a certos horizontes coletivos que a música popular não é mais capaz de alcançar.

Disponível em: <http://piaui.folha.uol.com.br/questoes-musicais/a-ausencia-de-uma-trilha-sonora/> . Acesso em: 14/08/17. 



De acordo com o último período do texto, é CORRETO inferir que

  • A a música popular no Brasil já esteve mais nitidamente concatenada com a atmosfera social em outros tempos.
  • B Chico Buarque continua sendo o único vetor político nacional importante com suas letras atuais e inovadoras.
  • C o atual cenário da música no Brasil está mais alienado que, por exemplo, a Jovem Guarda de Chico Buarque.
  • D a política no Brasil parece ser atemporal, mas sua ligação com a música deve sempre ser atualizada.
  • E os artistas de hoje preferem se omitir politicamente, assim suas músicas não carregam mais força política.