Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú - Analista Legislativo (2015) Questão 2

Leia o texto.

Não despertemos o leitor

Os leitores são, por sua natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo. Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o mínimo susto. Apenas frases feitas.

“A vida é um fardo” – isso, por exemplo, pode-se repetir sempre. E acrescentar impunemente: “disse Bias”. Bias não faz mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isso para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da época, deviam ser a delícia e a tábua de salvação das conversas.

Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço? O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério com ideias originais.

Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão qualquer declara em entrevista: “O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!”

O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo ao seu destino histórico, seja um Império que desaba ou uma barata esmagada.

Mário Quintana


Assinale a alternativa correta.

  • A Leitor dorminhoco, no texto, é sinônimo de leitor sonolento.
  • B No segundo parágrafo do texto, há certa ironia por parte do autor ao dar a receita para se produzir um texto de fácil consumo.
  • C A frase “E acrescenta impunimente: disse Bias" é um argumento de autoridade e dá relevância à frase em que se insere, convencendo o leitor.
  • D Na primeira frase do texto há uma oração intercalada por vírgulas e é essa a justificativa para o uso dessa pontuação.
  • E A palavra “histórico", na frase “O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!" é acentuada por se tratar de uma palavra paroxítona. Seu acento é, pois, obrigatório.

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