Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - Técnico - enfermagem (2019) Questão 51

A leishmaniose visceral (LV) é uma doença tropical negligenciada de grande relevância no cenário global, afetando preferencialmente populações marginalizadas e contribuindo para perpetuar os ciclos de pobreza e exclusão social. No Brasil, a visão preponderante é de que a transmissão é essencialmente zoonótica, sendo o cão doméstico o principal reservatório no meio urbano e o flebotomíneo Lutzomyia longipalpis o vetor de maior importância epidemiológica. De uma doença restrita às áreas rurais do país, o processo de urbanização da LV, iniciado na década de 1980 e aprofundado nas décadas seguintes, culminou com a instalação definitiva da LV nas grandes cidades brasileiras. Experiências locais bem - sucedidas de controle da LV têm sido largamente suplantadas por observações cotidianas de ocorrência de novos casos em áreas previamente indenes. As notícias mais recentes de ocorrência de casos humanos autóctones em Porto Alegre/RS e Florianópolis/SC são a “ponta do iceberg” de um ciclo de transmissão já estabelecido há anos e os inúmeros esforços para sua contenção apenas confirmam que o processo de disseminação da doença para todo o território nacional parece ser inexorável. Hoje, as ações para redução da letalidade devem ser priorizadas, não só por sua relevância mas também pela maior factibilidade em atingi-la em comparação à redução da transmissão. Nesse sentido, a melhoria no acesso e cuidado ao paciente com LV deve ser um objetivo primordial. A meta de eliminação da LV como problema de saúde pública no Brasil é audaciosa, mas não deve ser considerada inatingível. Entretanto, não se pode perder de vista que essa luta só será bem-sucedida com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e a redução das desigualdades sociais.

Disponível em: https://www.sbmt.org.br/portal/visceral-leishmaniasis-in-brazil-where-are-we-going/. Acesso em: 04 abr. 2019.



De acordo com a Organização Mundial de Saúde, doenças negligenciadas são

  • A doenças que apresentam indicadores inaceitáveis embora prevaleçam altos investimentos em pesquisas, produção de medicamentos e em seu controle.
  • B aquelas que afetam principalmente populações de baixa renda e vulneráveis, e proporcionam a continuidade do ciclo de desigualdade, pobreza e exclusão social, com graves consequências para o desenvolvimento de um país.
  • C um conjunto de doenças associadas a situações e problemas culturais de não aceitação das medidas de prevenção e controle por parte da população, como uso de preservativos e adesão a vacinas.
  • D são aquelas que promovem significativo impacto sobre o ser humano, devido à sua gravidade e à potencialidade de deixar sequelas limitadoras e morte ou pelas repercussões sociais relacionadas com a sua prevalência, reveladoras de degradação ambiental.

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