Prefeitura Municipal de Santa Luzia - Professor - Língua Portuguesa (2019) Questão 48

Leia o trecho a seguir, retirado da obra Norma culta brasileira: desatando alguns nós, de Carlos Alberto Faraco.

“Tomemos, como exemplo, (...) a regência do verbo ‘implicar’, no sentido de ‘ter como consequência’, ‘acarretar’ — como na seguinte sentença: A decisão do juiz implicava prejuízos futuros para a empresa. Originalmente o verbo ‘implicar’ neste sentido é transitivo direto (a decisão implicava prejuízos). Com o tempo este verbo se tornou também transitivo indireto no uso culto. Passou a ser normal dizer e escrever ‘implicar em’ (a decisão implicava em prejuízos). Esta inovação já estava registrada como de uso culto na década de 1950 (50 anos atrás, portanto) pelo Prof. Rocha Lima — indubitavelmente um de nossos bons gramáticos — na sua gramática normativa (cf. Rocha Lima, 2006: 433). Posteriormente, o Prof. Celso Luft — autor do melhor dicionário de regência verbal de que dispomos atualmente — dizia assim: ‘Implicar em algo’ é inovação em relação a ‘implicar algo’ por influência de sinônimos como ‘redundar’, ‘reverter’, ‘resultar’, ‘importar’. Aparentemente um brasileirismo. Plenamente consagrado, admitido até pela gramática normativa (Luft, 2006: 326)”.

FARACO, 2009, p. 89-90.

De acordo com a argumentação desenvolvida nesse trecho, o autor apresenta elementos para criticar

  • A a desobediência da norma-padrão por falantes e escritores brasileiros, que, por força do uso, acabaram alterando a regência de um verbo.
  • B o conceito de norma culta, a que desobedecem até mesmo os falantes mais escolarizados em situações de comunicação formal.
  • C a existência de uma norma gramatical, haja vista que autores de gramáticas e dicionários contradizem uns aos outros.
  • D o purismo excessivamente normativista, chamado por ele de norma curta, segundo o qual são condenáveis construções de uso já consagrado.